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Ekonomik Boyut

1.2 YEŞİL (ÇEVRE DOSTU) BÜYÜME KAVRAMI VE TARİHÇESİ

1.2.1 Yeşil Büyüme: Tanımı, Amacı ve Kapsamı

Como método participativo que possibilitou contato próximo com os afetos dos moradores em relação à Vila e, consequentemente, a construção do corpus, utilizei o Instrumento Gerador de Mapas Afetivos (IGMA). Este consiste em um método qualitativo, com análise quantitativa complementar, de coleta e análise de dados que utiliza como síntese interpretativa a comparação entre imagens e linguagens obtidas por meio de desenhos, metáforas e escores da Escala de Estima de Lugar (BOMFIM et al., 2014). O resultado é a construção de mapas afetivos que expressam os sentimentos e as emoções (afetividade), bem como a implicação psicossocial do indivíduo em relação a um determinado ambiente de sua realidade.

O instrumento foi desenvolvido por Zulmira Bomfim em sua tese de doutorado, sendo aperfeiçoado ao longo dos anos, principalmente no que tange à validade da Escala de Estima de Lugar (BOMFIM et al., 2014). Este instrumento, conforme a autora, permite o acesso às afecções dos sujeitos em relação ao ambiente que vivem e/ou frequentam, rompendo a dicotomia dos métodos tradicionais de pesquisa, que privilegiam os aspectos cognitivos.

Em seus estudos, Bomfim (2010) observou que os sentimentos e as emoções do habitante em relação à cidade eram difíceis de serem investigados. Os métodos existentes à época apresentavam dificuldades na forma de operacionalizar a apreensão dos afetos em decorrência destes, muitas vezes, não serem identificados e nomeados com facilidade. Com isso, era considerado intangível apreender as sensações, os sentimentos e as emoções, enquanto parte de uma linguagem interior do indivíduo para com o ambiente, de modo a torná-los expressão exterior. A compreensão de tal fenômeno tornava-se, então, arriscada, correndo-se o risco, inclusive, de conceber a afetividade através de lentes racionais. Com efeito, apreender a afetividade do indivíduo com o ambiente configurava-se um grande desafio metodológico

23 Sugestão de nomenclatura dada por Drª. Karla Patrícia Martins Ferreira, membro da banca de defesa da Dissertação.

(BOMFIM, 2010).

Como proposta para superar tal limitação, Bomfim (2010) constrói um método capaz de captar os afetos por meio de desenhos e de metáforas, considerando-os como os principais recursos para a revelação daqueles. Para elaborá-lo, a pesquisadora recorreu às perspectivas teóricas da Psicologia Ambiental de base Transacionalista (MIRA, 1997; POL, 1996) e da Psicologia Social de vertente latino-americana de base Histórico-Cultural (LANE; CODO, 1989; SAWAIA, 2011). Da primeira, recorreu ao método de elaboração de Mapas Cognitivos de Kevin Lynch, cuja proposta é possibilitar que as pessoas externalizem, de modo observável, suas experiências com a cidade e os atributos de fenômenos do espaço urbano, expressando como elas adquirem, codificam, armazenam, recordam e decodificam essas informações (BOMFIM, 2008).

No entanto, o método de Kevin Lynch, como os demais métodos tradicionais, enfatiza a “[...] dimensão da estrutura e identidade dos mapas cognitivos, enquanto o significado, o componente simbólico prático ou emotivo elaborado pelo observador, não foi observado, apesar de ter sido considerado” (BOMFIM, 2008, p.256). Destarte, os mapas cognitivos restringem-se ao conhecimento cognitivo sobre a cidade, deixando de lado a dinâmica afetiva, presente das expressões gráficas, e a constituição simbólica dos espaços construídos pelas pessoas (BOMFIM, 2010).

Buscando superar a forte perspectiva cognitiva dicotômica presentes nos desenhos, Bomfim (2010) fundamenta-se em Lev Vigotski, pelo qual extrai a ideia primordial de que os afetos estão na base da linguagem, como o subtexto da expressão do indivíduo que pode ser revelado a partir de recursos imagéticos e da escrita do habitante sobre o ambiente. O subtexto é compreendido por Vigotski (2001) como um pensamento oculto por trás das palavras, já que estas não são capazes de transcrever diretamente todo o pensamento. O pensamento, por sua vez, é gerado pela motivação, pois “por detrás de todos os pensamentos há uma tendência volitivo-afetiva, que detém a resposta ao derradeiro por que da análise do pensamento”

(VIGOTSKI, 2001, p.479, grifo nosso). Assim, a autora concebe os desenhos e as metáforas como

[...] recursos imagéticos reveladores dos afetos que, juntamente com a linguagem escrita dos indivíduos pesquisados, nos dão um movimento de síntese do sentimento. O desenho é a criação de uma situação de aquecimento para a expressão de emoções e sentimentos e a escrita traduz a dimensão afetiva do desenho. As metáforas são recursos de síntese, aglutinadores da relação entre significados, qualidades e sentimentos atribuídos aos desenhos (BOMFIM, 2010, p.137).

Neste sentido, tem-se os sentimentos e as emoções como mediadores da identidade dos indivíduos, construída a partir das afecções das experiências cotidianas do indivíduo nas interações com as outras pessoas e com o ambiente (BOMFIM, 2010). Compreender a imagem da cidade por meio da afetividade do indivíduo, portanto, possibilita a apreensão das formas como essas pessoas conhecem, agem e se implicam com o ambiente. A afetividade, ainda, supera a dicotomia entre micro e macrossocial, re-estabelecendo a relação dialética entre interno e externo, individual e coletivo, subjetivo e objetivo, etc. (BOMFIM, 2010).

Bomfim (2010) fundamenta-se também em Baruch de Espinosa para compreender como esse o sujeito é afetado pelo ambiente, pois, conforme as ideias do filósofo, o conhecimento sobre o mundo decorre da razão e de como o corpo é afetado por outros corpos. A afecção, então, torna-se uma categoria de ação-mediadora e de transformação da consciência humana, podendo ser essa afecção potencializadora ou despotencializadora (BOMFIM, 2010). As afecções potencializadoras aumentam o poder de ação das pessoas, elevam o conatus como força de existir e perseverar no seu próprio ser; já as afecções despotencializadoras, configuram- se como força de padecimento, em que diminui a força do indivíduo, levando-o a passividade (SAWAIA, 2009).

Com tais aportes, o instrumento desenvolvido por Bomfim (2010) busca integrar os componentes cognitivos e afetivos, por considerar o indivíduo em sua integralidade, considerando a sua experiência com o ambiente de modo completa e complexa. Ou seja, o método proposto, coerente com as ideias de Espinosa e de Vigotski, rompe com os clássicos métodos pautados no cartesianismo, que distinguem afeto e cognição. Disto isso, compreende- se o ambiente não somente em seus aspectos materiais, concreto e tangível, mas também como um território emocional dotado de sentido.

A aplicação do IGMA resulta na elaboração de mapas afetivos, “[...] reveladores da afetividade e indicadores da estima da cidade” (BOMFIM, 2010, p.222). Por meio deles, pode- se apreender os afetos vividos e expressa a síntese do encontro do indivíduo com o lugar, seja ele a casa, o bairro, a cidade, etc. Os mapas afetivos até podem ser gerados dos mapas cognitivos (BOMFIM, 2010), porém não é a orientação estrutural ou localização geográfica o seu maior objetivo. Ao contrário, os mapas afetivos objetivam alcançar as estratégias de ação e os graus de apropriação do espaço (POL, 1996) pelos sujeitos, o apego ao lugar (GIULIANI, 2004) e a identidade social urbana (POL; VALERA, 1996) decorrente dessa interação; além de apreender o nível de implicação do indivíduo com o lugar.

Metodologicamente, o IGMA é composto por quatro principais componentes e etapas, a saber, o desenho do ambiente pesquisado, o inquérito acerca do desenho, a aplicação

da Escala de Estima de Lugar e o questionário de perfil socioeconômico (BOMFIM et al., 2014). Na parte qualitativa, o indivíduo é estimulado para que construa um desenho representacional do ambiente estudado, sendo realizado, em seguida, um inquérito, perguntando-lhe sobre o significado de seu desenho, os sentimentos referentes a ele e as qualidades relacionadas ao ambiente desenhado. Na parte quantitativa, ou psicométrica, o indivíduo é convidado a responder uma escala Likert de cinco pontos, Escala de Estima de Lugar (BOMFIM et al, 2014), com a qual é possível calcular a estima do indivíduo em relação ao lugar. A seguir, tem-se a descrição dos itens do instrumento:

a) Desenho - considerado o primeiro passo deflagrador do processo representacional imagético do indivíduo com o ambiente. O objetivo principal dos desenhos consiste em facilitar, enquanto signo mediador, que o indivíduo entre em contato com as suas emoções e seus sentimentos. É importante salientar que é o próprio respondente quem elabora o desenho, assim como o interpreta.

b) Significado - neste ponto, o respondente conta ao investigador aquilo que quis representar por meio do desenho. Assim como na interpretação do desenho, é o significado atribuído pelo respondente que se sobressairá na análise.

c) Sentimentos - solicita-se que o respondente descreva aqueles sentimentos que são aflorados durante a composição desenho. Esse processo possibilita a elaboração e expressão dos afetos subjacentes na composição do desenho, sendo este último o estímulo que remete o respondente à sua representação do ambiente.

d) Palavras-síntese - busca-se, por meio deste item, a explicitação, a precisão e a saturação dos sentimentos levantados a partir das respostas anteriores. Para isso, solicita-se que o indivíduo diga, seguindo a ordem, de 1 (uma) a 6 (seis) palavras que expressem sentimentos, qualidades, substantivos, etc.

e) O que pensa do ambiente - por meio deste item são levantadas as informações que ainda não foram emitidas até o momento. Neste ponto, “o sujeito pode falar algo mais do que realmente pensa sobre a cidade e tornar aparente o que é figura na conjuntura das significações de seus sentimentos” (BOMFIM, 2010, p. 144).

f) Comparação - este momento é crucial para a análise qualitativa do instrumento, uma vez que possibilita a elaboração de metáforas - “[...] um recurso linguístico que, com base em uma linguagem figurada, desvela o afeto pela imagem” (BOMFIM, 2008, p.256) -, que sintetizam a forma como o indivíduo compreende e comunica a sua relação com o ambiente. Aqui, pede-se que o respondente compare o ambiente de estudo com algo, convidando-o a criar imagens do ambiente por meio da sua “[...]

capacidade de fazer analogia e figurar o sentimento pela escrita” (BOMFIM, 2010, p.146).

g) Caminhos percorridos - neste item, o respondente descreve dois caminhos que normalmente faz até se chegar ao ambiente estudado. A resposta possibilita visualizar as trajetórias do indivíduo, permitindo o acesso às suas atividades cotidianas e o mapeamento de outros lugares que dialogam com o ambiente estudado.

h) Participação em associação - pergunta-se se o respondente participa de alguma associação formal ou informal com fins culturais, solidária, reivindicatória, etc. Este item – na análise qualitativa - conjectura como a participação do indivíduo em movimento social ou em associações influencia na forma como ele sente e age com o ambiente.

i) Participação eventual em movimentos sociais - pergunta-se se o indivíduo participa ou já participou de ações sociais de cunho reivindicatório ou solidário. Assim como o item anterior, constitui um forte elemento para compreender como a participação em movimentos sociais ou em associações influencia no modo como a pessoa sente o ambiente e está implicado com ele.

j) Escala de Estima de Lugar - é solicitado ao indivíduo que responda a uma escala do tipo Likert com cinco graus de concordância (discordo totalmente, discordo, nem concordo nem discordo, concordo e concordo totalmente). Originalmente, os itens da escala eram construídos a partir das imagens de Agradabilidade, Pertencimento, Insegurança, Contraste e de outras imagens observadas no pré-teste sugerido pela autora, compondo uma escala de 0 a 10 pontos (BOMFIM, 2010). Posteriormente, com o estudo de validação da Escala de Estima de Lugar (BOMFIM et al., 2014), esta passou a ser composta por 41 afirmativas, com as quais é possível calcular se a estima de lugar é potencializadora ou despotencializadora.

k) Características sociodemográficas - neste ponto, são levantadas informações sobre a idade, sexo, cidade e estado, origem, escolaridade, tempo de residência e renda familiar do respondente. Essas informações ajudam na identificação e codificação dos dados referentes ao mapa afetivo.

Para a análise dos dados, Bomfim (2010) utiliza-se da análise de conteúdo categorial, seguindo as fases de a) pré-análise, em que os dados brutos obtidos pelo instrumento são digitados e, em cima deles, é feita uma leitura exaustiva; b) codificação do material, por meio da fragmentação do texto, buscando organizá-lo em seguida conforme as presenças, ausências e repetições a fim de catalogar os dados brutos em unidades úteis; e c) categorização,

em que as unidades são classificadas, por meio da saturação dos conteúdos, possibilitando a “[...] visualização dos dados em um quadro que apresenta as seguintes dimensões: identificação do respondente; estrutura do desenho; significado; qualidade; sentimento; metáfora e o sentido.” (BOMFIM, 2010, p. 151), conforme o quadro a seguir.

Quadro 2 - Quadro categorial dos mapas afetivos IDENTIFICAÇÃO:

Nome: Sexo: Idade: Escolaridade: Tempo de residência:

SIGNIFICADO: QUALIDADE: SENTIMENTOS: METÁFORA: