2.1.1. Yazma
2.1.1.3. Yazma Eğitimi Yaklaşımları
Em que pese a lentidão das mudanças que vêm ocorrendo no Pantanal, a instabilidade dos processos econômicos,sociais e ambientais na região é evidente. A baixa produtividade da pecuária ali praticada8, em conjunto com a gradativa redução da área das fazendas (decorrente da divisão por processos hereditários), o custo elevado dos insumos em função da dificuldade de acesso, e fatores naturais como um prolongado ciclo de enchentes que ocasionou grandes perdas no rebanho, ocasionaram uma crise econômica que já dura algumas décadas, e que pouco a pouco vem desestruturando a forma de ocupação e o modo de vida típicos da região.
São muitos os casos de fazendas que encontram-se em estado de abandono, sem gado e mesmo sem moradores, dando margem a problemas como aumento de queimadas – em função do acúmulo de pastagens secas não consumidas pelo gado – e a caça de animais silvestres. Mesmo em fazendas que mantém suas atividades, é comum encontrar moradores sem qualquer assistência, e sem acesso a necessidades básicas de educação e saúde. A situação provoca o
êxodo de parte da população rural em direção às cidades mais próximas, engrossando o contingente da população que vive de sub-empregos. Parte deste contingente acaba sendo aproveitado em atividades como coleta ou pesca de iscas vivas para abastecer o mercado de turismo de pesca (os chamados isqueiros), caça ilegal de animais silvestres, e mesmo roubo de gado e tráfico de drogas, acentuando as ameaças à estabilidade da região.
A crise econômica faz ainda aumentar a presença de fazendeiros externos, que se aproveitam do baixo custo da terra para adquirir grandes áreas na região. Sem compromisso com suas tradições, pouco contribuem para a valorização da identidade pantaneira e seus valores, e muitas vezes são diretamente responsáveis por problemas ambientais como derrubada de áreas de mata para o plantio de pastagens sem critério, ou abate de animais como a onça pintada, que constitui ameaça ao rebanho bovino.
O número de fazendeiros que mantém-se fiel às tradições da região, valorizando a lida e os costumes locais, é cada vez menor, e, seja como for, é cada vez mais pressionado a promover mudanças e abandonar o manejo tradicional em favor de práticas supostamente mais produtivas, mas que não necessariamente adaptam-se ao contexto local.
Nos últimos anos, o crescimento do turismo e de iniciativas de conservação introduziram um novo elemento no quadro regional. Motivado pela riqueza e pelo grau de conservação do patrimônio natural e cultural da região – mantido em função da adaptação ecológica da cultura pantaneira e do “atraso” a que a região foi relegada – o crescimento destas atividades no entanto pouco tem contribuido para promover a continuidade desta cultura, ou para buscar formas sustentáveis de promover o desenvolvimento da região, sem comprometer sua paisagem.
O turismo vem ocorrendo de forma sistemática no Pantanal desde a década de 1970, quando a melhoria dos acessos terrestres à região permitiu o aumento do fluxo de turistas, sobretudo de pescadores. Os principais pontos de concentração do fluxo turístico eram a cidade de Corumbá e o Passo do Lontra (município de Miranda) no Mato Grosso do Sul, e as cidades de Cáceres, Barão de Melgaço, e Porto Cercado e Porto Jofre (município de Poconé), no Estado de Mato Grosso.
8 A capacidade de suporte dos campos naturais do Pantanal gira em torno de uma cabeça para 3
Com o crescimento do ecoturismo e a maior evidência da região motivada pela veiculação crescente de documentários e de uma novela ambientada na região na TV, no início da década de 1990, o turismo ganhou novo impulso, atraindo um fluxo maior de visitantes, e com um perfil diferente, interessado sobretudo nas belezas naturais da região.
Atualmente, há mais de 50 pousadas e hotéis na região. Concentram-se principalmente ao longo da Rodovia Transpantaneira, que liga Poconé a Porto Jofre, às margens do rio Cuiabá, no Mato Grosso, e ao longo da rodovia MS-184/228, entre Corumbá e Miranda (MS), recentemente transformada em Estrada Parque. No Vale do Rio Negro são diversas as fazendas que oferecem hospedagem e serviços turísticos, tais como a Fazenda Barra Mansa, a Fazenda Diacuhy, e a Fazenda Rio Negro, esta última recentemente adquirida pela ONG ambientalista Conservation International, que vem operando o empreendimento. Na maior parte dos casos, o produto turístico oferecido, apesar de procurar tirar partido da atmosfera de fazenda, enfoca prioritariamente a observação de fauna, e muitas das fazendas já não contam com atividades pecuárias. A substituição da lida tradicional pelo turismo, além de limitar os atrativos turísticos, inviabiliza a continuidade de diversos aspectos da cultura relacionados a ela. Com isso, o ecoturismo – que tem como um de seus princípios a contribuição para a conservação dos locais em que se desenvolve – acaba por acentuar a desestabilização da paisagem, na medida em que fomenta a desestruturação da relação homem-natureza que permitiu a conservação da região.
Boa parte das iniciativas de proteção à natureza na região apresenta uma abordagem semelhante. Enfocando prioritariamente os recursos naturais e não a paisagem como um todo, e desprezando o potencial para a conservação da cultura pantaneira, acabam por gerar conflitos, contribuindo para a desestruturação do modo de vida e da forma de ocupação responsáveis pela manutenção da paisagem. É apresentada a seguir uma análise das principais iniciativas de conservação que vêm ocorrendo na região do Vale do Rio Negro, e em que medida mostram-se eficientes na proteção à natureza e vão ao encontro das expectativas da população local.