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Aile Yardımlarıyla (Çocuk Paraları) İlgili Sayısal Bilgiler ve Aile (Çocuk) Yardımlarının Miktarı

Ulusal Emeklilik Kasasınca (ONP) Türkiye’de ikamet eden kişilere yapılan sosyal güvenlik ödemeleri (vatandaşlık durumu

1.7.3.4. Aile Yardımlarıyla (Çocuk Paraları) İlgili Sayısal Bilgiler ve Aile (Çocuk) Yardımlarının Miktarı

A característica básica de Ouro Preto, em meados do século XIX, é a estabilidade social e econômica, ligada ao relativo crescimento de sua população. Para a época abordada neste item da pesquisa, não temos dados censitários para o núcleo urbano de Ouro Preto e, por isso, nos remetemos a informações mais abrangentes que cobrem a região Central-Mineradora – também identificada pela história econômica como Metalúrgica-Mantiqueira –, aos registros paroquiais e aos viajantes que lá estiveram, com destaque para o cientista, explorador e escritor Richard Francis Burton, e para o engenheiro alemão Fernando Henrique Halfeld.

De acordo com Richard Burton, Ouro Preto teria, na década de 60 do século XIX, entre 6.000 e 10.000 almas, em 1.500 casas, com uma proporção de seis brancos para um negro, em 1865, caindo ainda mais por ocasião de sua visita (sete para um). Essa informação parece ter sido recebida dos moradores locais, pois, numa observação pessoal, o visitante diz que prefere o número de 8.000 para o número de habitantes, considerando, no entanto, a presença de considerável população flutuante, podendo, portanto, chegar a 10.000 em determinadas ocasiões. Ao confiarmos nesses números, temos ligeiro acréscimo populacional entre os anos 20 e 60 do oitocentos, confirmando a situação de estabilidade encontrada pelos demógrafos e historiadores econômicos que analisaram a região mineradora central.

Roberto Martins nos informa que “não houve nenhuma redistribuição significativa da população escrava entre as regiões neste período”. As regiões da Mata e do sul receberam maior contingente cativo, mas esse aumento não foi decorrente da

237 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 22. 238 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 21.

perda de outras áreas, mas de outras províncias.239 Ainda de acordo com Martins, “a região Metalúrgica-Mantiqueira, que abrigava a maior parte das antigas áreas mineradoras [...] teve uma importação líquida de 31.915 indivíduos, equivalente a quase 40 por cento de sua população inicial, e a 34 por cento do total importado pela Província”.240 Como assinalamos anteriormente, Ouro Preto já não se baseava exclusivamente no trabalho escravo em 1838, pois, na maioria dos fogos, não havia a presença de cativos. Paulatinamente, o trabalho escravo vai cedendo espaço para o livre, devido à proibição do tráfico internacional, que determinou o aumento do preço dos escravos.

Consideramos que o desenvolvimento econômico regional não deixa de se refletir na capital provincial; se, por um lado, Ouro Preto é importante mercado para bens de consumo, por outro, é polo fornecedor de serviços. A cidade, além de sede do poder administrativo, é polo receptador, principalmente do elemento livre que para lá se dirige em busca das novas oportunidades econômicas, sociais e culturais.

O relatório sobre a província de Minas Gerais feito pelo engenheiro Halfeld cobre o período entre 1836 e 1855. Publicado em 1862, nos informa que, naquela época, o número de escravos chegava a 318 mil, o que representava 25% da população total. Halfeld nos indica, ainda, que:

Nos dois últimos anos, enquanto algumas províncias do norte, principalmente a Bahia, devido à escassez de alimentos, à miséria e à crise financeira, tiveram de vender grande parte de seus escravos para o Rio, os proprietários das províncias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais se fortaleceram com essa mão de obra.241

Como já foi referido, no início do capítulo, a agricultura mantém-se como a base econômica da província, principalmente a produção de alimentos. A cultura mais extensa e importante é a do milho: “Este é o alimento mais indispensável para todas as

239 MARTINS, Roberto Borges. Minas e o tráfico de escravos no século XIX, outra vez. In: SZMRECSÁNYI, Tamás; LAPA, José Roberto do Amaral (Org.). História econômica da Independência e do Império. São Paulo: EDUSP, 2002. p. 124.

240 MARTINS, Roberto Borges. Minas e o tráfico de escravos no século XIX, outra vez. p. 124-125. 241 HALFELD, H. G. F.; TSHUDI, J. J. von. A província brasileira de Minas Gerais. p. 106. Em nota de

rodapé, Roberto Martins dá seus próprios números, que não se diferenciam substancialmente daqueles de Halfeld: “Meu próprio cálculo, baseado em fontes arquivísticas do período 1854-1857 é de uma população total de 1.302 mil habitantes em 1855 (318 mil cativos e 984 mil livres) e 1.585 mil em 1860 (336 mil escravos e 1.249 mil livres). p. 108.

camadas da população, a principal ração para os cavalos e as mulas, e sua farinha grosseira substitui o pão”. Em segundo lugar em importância está a cana de açúcar”.242 O autor cita também o café, o feijão, o arroz, o trigo, abóboras e o algodão.

Ainda de acordo com Halfeld, “a pecuária é tão importante para a província de Minas quanto a agricultura”. O dinamismo do setor é evidenciado pela observação de que “Minas abastece a capital do império e uma grande parte da província do Rio de Janeiro com gado de corte”. O autor considera significativa a criação de suínos.243

As localidades não eram auto-suficientes e Ouro Preto, além de centro consumidor de alimentos e bens diversos, era rota para as demais regiões da província, dando-lhe destaque para o comércio.

O gado bovino, que servia à capital, vinha da região do rio São Francisco, demonstrando a amplitude do comércio intraprovincial.244 Em meados do século XIX, o transporte desenvolvia-se, inclusive com o início da construção de ferrovias, privilegiando ainda mais Ouro Preto como centro comercial. Halfeld nos esclarece que, naquela época, só existia uma estrada que fazia jus a esse nome, pois podia “ser percorrida por carros”. Todos os outros caminhos serviam apenas para animais de montaria ou de carga ou, no máximo, para carros de bois. “A estrada de rodagem, ou

grande estrada de Minas, começava na fronteira com a província do Rio de Janeiro, mais exatamente no Rio Paraibuna”. A ideia era “ligar a capital do Império à província da Bahia, cortando Minas Gerais em toda a sua extensão”. De Barbacena, passaria a Ouro Preto; seguindo para Sabará até sua junção com o São Francisco. O primeiro trecho, entre Petrópolis e Juiz de Fora, já fora construído na ocasião, pela “companhia de capital aberto, chamada União e Indústria, liderada por um mineiro, Mariano Procópio Ferreira Lage”.245 Inaugurada em 23 de julho de 1861, “entrou rapidamente em declínio em virtude da construção da Estrada de Ferro D. Pedro II, que só começou a

242 HALFELD, H. G. F.; TSHUDI, J. J. von. A província brasileira de Minas Gerais. p. 111-112. 243 HALFELD, H. G. F.; TSHUDI, J. J. von. A província brasileira de Minas Gerais. p. 113-114. 244

RESTITUTTI, Cristiano Corte. O mercantilismo interno provincial: um estudo dos preços de mercado dos gêneros da produção mineira em 1839/40. Seminário de Economia Mineira. Cedeplar/UFMG. 2006. p. 12.

operar em território mineiro em 27 de junho de 1869, mas já competia por fretes com a União e Indústria desde 1864”.246

O relatório de Halfeld nos informa que, alguns anos antes, era grande a produção de bom tecido de algodão, “utilizado principalmente na confecção de camisas e de calças para os escravos, do qual se fazia uma exportação considerável para o Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, onde havia sempre grandes fazendeiros interessados em comprá-lo”. No entanto, ele observa a decadência desse ramo da indústria, e nos dá suas razões:

primeiro, o algodão não tem sido mais plantado na mesma extensão de antes, pois o trabalho escravo encareceu e, segundo vários fazendeiros, os algodoeiros degeneraram e não produzem o mesmo que outrora. Em segundo lugar, porque é importado dos Estados Unidos e da Inglaterra por preço muito mais baixo, um tecido semelhante, com o qual o pano mineiro, mais forte mas de custo bem mais alto, não consegue competir.247

FIGURA 10: Foto da capela de São Francisco de Assis, na segunda metade do oitocentos.

246 HALFELD, H. G. F.; TSHUDI, J. J. von. A província brasileira de Minas Gerais. Nota de rodapé escrita por Roberto Borges Martins, p. 126.

A foto acima, tirada por Marc Ferrez, e datada de 1880, nos mostra o contraste entre a beleza rococó da capela de São Francisco de Assis, projetada e adornada por Aleijadinho, e o mercado onde tropeiros concentravam seus negócios. Essa vista nos permite concluir pela importante posição de Ouro Preto como entreposto comercial e mercado consumidor, tanto de produtos alimentícios como de objetos manufaturados, vindos da Corte ou importados, que abasteciam a elite política e econômica da capital provincial.

De acordo com o critério do engenheiro Halfeld, toda a província de Minas Gerais era muito pobre em entidades voltadas para a formação cultural e o entretenimento. Só havia biblioteca pública na capital e em São João del Rei, estando ambas em situação muito precária até 1858. Ele considera medíocre o jardim botânico localizado na vizinhança de Ouro Preto, da mesma forma como “o único teatro da província, que fica também em Ouro Preto. Lá está situada a Typografia Provincial, onde é impresso o jornal do governo, o Correio Oficial”.248

Nesse meado de século, já temos, no entanto, a presença de estabelecimentos educacionais em Ouro Preto, como o Liceu Mineiro, para estudos secundários. Fundado em 05 de fevereiro de 1854, foi considerado por Halfeld como “principal escola secular da província”, apesar de, ainda de acordo com o alemão, apresentar “deficiências tão grandes que os deputados da Assembléia Provincial já aconselharam várias vezes o seu fechamento”.249 Nesse mesmo ano, foi incorporada ao Liceu Mineiro a Escola de

Farmácia, que vinha funcionando precariamente desde a sua fundação, em 1839. Passou a ser subordinada à Diretoria Geral da Instrução Pública, tendo suas subvenções estabilizadas. Nessa época, ficou sediada no prédio da Inspetoria da Instrução Pública, na rua São José, junto com o Liceu e Ginásio Mineiro. “As aulas teóricas e práticas eram dadas numa única sala e a Escola era dirigida pelo inspetor de Instrução Pública, ficando sua fiscalização a cargo do diretor do Liceu”.250 A Lei nº 624, de 30 de maio de

248 HALFELD, H. G. F.; TSHUDI, J. J. von. A província brasileira de Minas Gerais. p. 119. 249

HALFELD, H. G. F.; TSHUDI, J. J. von. A província brasileira de Minas Gerais. p. 117.

250 Cf. ESCOLA ANATÔMICA, CIRÚRGICA E MÉDICA DO RIO DE JANEIRO. Dicionário histórico-biográfico das ciências da saúde no Brasil (1832-1930). Disponível na Internet: <http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br>.

1853, previa também a criação da Escola Normal de Agricultura, que se localizaria no Jardim Botânico da capital.251

Chamaram a atenção de Halfeld as numerosas instituições de caridade presentes em todo o Brasil. De acordo com ele, em Minas Gerais, o número de hospitais é muito grande, “tendo sido a maioria deles fundada e dotada por iniciativa particular, mas só raramente em nível suficiente para conseguir se manter sem subsídios do Estado”.252 Por fim, o engenheiro cita a presença de outras duas instituições públicas da província: uma filial do Banco do Brasil e uma Caixa Econômica, ambas em Ouro Preto.253

A Ouro Preto da década de 1860 também foi observada pelo cientista inglês Richard Burton. Ao vir da cidade de Mariana, hospedou-se em Passagem de Mariana, na residência do inglês Mr. Symons, acionista da mineradora Anglo-Brazilian Gold Mining Company (Limited). A vocação mineradora da região é ilustrada pela presença, em seu entorno, de pequenas minas: “de Bawden, de Cornelius (nova), de Benício, de Honório, de Branco e as Minas da Sociedade, um serviço muito antigo”.254 Como nos esclarece o professor Douglas Libby, a mão-de-obra básica da mineração era a cativa, mas havia a presença de livres, inclusive de estrangeiros, como é o caso de Mr. McRogers, chefe geral da mineração que acompanhou a visita do senhor Burton. Este citou, também, outros trabalhadores especializados, como Mr. Thomas Treloar, já experiente em seu trabalho anterior, na mina do Gongo Soco, e Mr. Hosken, outro chefe de mineração.

Burton considerou o caminho entre Passagem e Ouro Preto como decadente, pois lera que, em 1801, “era cheia de pequenos povoados e ranchos de mineiros nas elevações, perto da água”.255 Por ocasião de sua visita, a estrada era ora lamacenta, ora poeirenta, com aspecto de abandono. Sua primeira impressão da cidade também não foi positiva. Para ele, não passava de uma aldeia, “uma única rua, construída à moda de Minas, ao longo da estrada real e perto da água necessária à lavagem do ouro”.256 Como

251 CABRAL, Henrique Barbosa da Silva. Ouro Preto. p. 146.

252 HALFELD, H. G. F.; TSHUDI, J. J. von. A província brasileira de Minas Gerais. p. 119. 253 HALFELD, H. G. F.; TSHUDI, J. J. von. A província brasileira de Minas Gerais. p. 120. 254 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 282.

255 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 286. 256 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 287.

outros visitantes, surpreendeu-se com a topografia irregular da região, considerando, no entanto, “singular, cheia de surpresas, e, de certo modo, romântica e pitoresca, plenamente mineira”.257

Apesar da primeira observação acerca do aspecto aldeão da cidade, Burton passa a descrever aspectos bem modernos e dinâmicos da capital, relatando que pouco observou da decadência assinalada por Mr. Walsh, em 1829.258 Ou a cidade desenvolvera-se naqueles 30 anos ou o olhar de Burton era mais otimista. Consideramos o acréscimo da população, sinalizado através do aumento dos batismos, e o estabelecimento de maior estrutura pública e educacional como suficientes para acreditarmos na primeira hipótese.

Com relação aos batismos, temos, nos livros da paróquia do Pilar do Ouro Preto, informações confiáveis para o período de 1838 a 1845, e para aqueles posteriores a 1866. A década de 50 e parte das décadas de 40 e 60 estão subdimensionadas, por motivos já explicados no capítulo referente às fontes. Portanto, numa comparação entre a média de três períodos: de 1838 a 1845, de 1866 a 1873, e de 1874 a 1881, temos os seguintes números absolutos: 561, 591 e 667, indicando acréscimo de 2,6% e de 6%, respectivamente. Estes percentuais nos apontam o crescimento populacional da cidade, que pode ter sido causado pelo aumento da fecundidade, da migração líquida positiva, ou ambos os processos. Com relação à chegada de novos moradores, podemos considerar os jovens que se dirigiam à capital para estudar, os militares que formavam as tropas provinciais (apesar da diminuição do contingente, em luta no Paraguai) e aos funcionários públicos permanentemente transferidos para a sede provincial. Em 1867, sete hotéis já estão em funcionamento na cidade, além de pensões e estalagens.259

De acordo com Burton, a maior parte das casas tinha um andar superior, exceto nos subúrbios, onde predominavam as casas térreas. Além disso, no centro da cidade, “quase todas apresentavam vidraças e tetos forrados com esteiras de taquara”.260

A rua São José, considerada a artéria principal da parte ocidental da cidade, era formada por casas, lojas e armazéns. Existiam letreiros, mas as “tabuletas eram raras e

257 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 287. 258 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 294. 259 CABRAL, Henrique Barbosa da Silva. Ouro Preto. p. 293-295. 260 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 289.

canhestras”. As “vitrininhas despretensiosas” eram penduradas durante o dia e retiradas à noite. A presença, ali, de artesãos e comerciantes é bem descrita:

Como todas as casas comerciais ficam ao rés do chão, os alfaiates, sapateiros e demais artesãos empregam metade do tempo conversando com algum amigo que passa. São comuns as lojas de ingleses e há, como é hábito nessas cidades abastecedoras, um pequeno comércio retalhista que vende tudo que é necessário ao tropeiro ou ao sertanejo.261

FIGURA 11: Foto de Guilherme Liebenau. Coleção Biblioteca Nacional.

Burton também lamenta a falta de estrutura para o florescimento cultural da população, observando não haver, na cidade, nenhuma livraria. A foto acima, datada de 1875, nos permite visualizar a rua do Tiradentes, já calçada, com sobrados sólidos e bem conservados. Observamos a utilização de vidros nas janelas e as sacadas de ferro fundido, modernizações do século XIX. Burton se refere à presença do vidro na capital como sinal de opulência.262

O viajante inglês, na década de 1860, alertava para as dificuldades que a topografia de Ouro Preto traria para a incorporação dos avanços tecnológicos já vislumbrados nas cidades mais desenvolvidas. De acordo com ele, “haverá todas as pitorescas dificuldades para a construção da rede de esgotos e de gás – um preço um

261 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 294. 262 BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. p. 307.

tanto alto para tanta curvatura”.263 As ruas estreitas impossibilitavam o uso de carruagens e de “carris urbanos”, além da região não ser “apropriada para o cavalo de ferro”.264 Observa as terras improdutivas ao redor da cidade e conclui que a cidade só sobrevivia graças às pequenas indústrias e à presença do aparato governamental. Em sua opinião, “quanto mais cedo for encontrado novo lugar para a capital, tanto melhor”.265 Pelo visto, a ideia de transferência da capital já rondava as ruas da velha cidade.

2.4- O PROCESSO DE ABOLIÇÃO DO TRÁFICO E A PRESENÇA DE