İLGİLİ SAYISAL BİLGİLER VE GELİŞMELER
6. İslam Konferansı
Os livros, de maneira geral, estão em ótimo estado de conservação. Os que foram microfilmados tiveram sua identificação referente ao volume e ao rolo do microfilme.
Volume 1854, rolo 106: livro específico para a capela de Santa Quitéria do
arraial da Boa Vista. Cobre o período de 1804 a 1888, abrangendo também a capela do Rodeio e a capela do Chiqueiro do Alemão. A partir de 1848, o livro passa a contemplar enterros na sede urbana, mas em pequeno número. Há um espaço de tempo descoberto, que vai de 02 de agosto de 1837 a 04 abril de 1842. Apesar de distante da sede paroquial, o volume é preenchido e assinado pelos párocos. No início do período estudado, assina o padre José da Cunha Mello. Em 1850, Joaquim Ferreira da Rocha, em 1851, Feliciano Ferreira de Carvalho e, a partir de 1855, Joaquim José de Sant’Anna.
Volume 1856, rolo 107: o livro que tem início em 1824. Termina em março de
1844. É específico para os assentos dos óbitos de livres e forros. Consta em seu termo de abertura que “há de servir para nele se lançarem os assentos dos mortos libertos da freguesia de Nossa Senhora do Pilar desta Imperial Cidade”.
Até 23 de junho de 1836, o encerramento dos assentos se dá da seguinte forma: “... e para todo o tempo constar faço esse assentos que assino...”. Tal forma tem significado essencialmente religioso, pois refere-se à perpetuidade da Igreja e da importância da guarda dos corpos dos devotos, que ali ficariam à espera de sua
ressurreição, no fim dos tempos. A partir de julho de 1836, a forma de se finalizar cada documento muda: “... faço esse assento que assino com o(a) (os) declarante na forma da Lei...”. A lei referida é a de nº 46, de 18 de março de 1836. No art. 4º, reitera o pároco como responsável pelos assentos de nascimentos, casamentos e óbitos.134 Um ano depois, o texto permanece com a exigência do declarante ou testemunha(s), mas nem sempre há outra assinatura além daquela do pároco. Nos registros em que constam os declarantes que acompanham o pároco, a forma também não é uniforme. No início, observamos uma assinatura diferente em cada registro. Já em 1841, o declarante Luiz Antonio da Silva e Lima acompanha o coadjutor Francisco José dos Santos. O pároco, ao se referir à legislação provincial, assume seu papel de funcionário da Coroa, numa simbiose entre Estado e Igreja permitida pelo padroado, que se rompe somente com o advento da República, em 1889, quando é estabelecida a separação entre o poder laico e o poder religioso.
Volume 1857, rolo 107: tem seu início em abril de 1844 e finalização em julho
de 1860, e, portanto, é continuação imediata do livro anterior. Seu termo de abertura é assinado por Silvério Pereira da Silva Lagoa, mas os assentos, até outubro de 1855, estão sob a responsabilidade de Feliciano Ferreira de Carvalho, como coadjutor. Em seu termo de abertura, consta que “há de servir para assento dos óbitos da Matriz do Ouro Preto”, devendo, assim, contemplar os indivíduos de todas as categorias sociais. Desde o primeiro registro, a cor é especificada no texto e, em 1844, é também anotada na margem, ou seja, nesse período, essa informação é destacada. Na margem dos registros, encontramos o nome do falecido, o termo “inocente”, se for o caso, e a cor: pardo, crioulo ou branco. A idade também é informação recorrente nesse volume, e a referência à Lei Mineira permanece.
Entre janeiro de 1846 e abril de 1847, os registros não têm sequer a assinatura do pároco responsável. A partir daí, passa a constar a assinatura do padre Bernardo Hygino Dias Coelho, até 02 de setembro de 1848. Os assentos retornam, aos 09
134 LOTT, Mirian Moura. Fontes paroquiais, suas permanências e mudanças: século XIX. p. 8. II Simpósio Internacional sobre Religiões, Religiosidades e Culturas. 23 a 26 de abril de 2006. UFGD/UFMS. Disponível nosite: <http://br.geocities.com/adarantes>.
de abril de 1849, quando volta a assinar o padre Feliciano Ferreira de Carvalho, como pároco (este não é listado oficialmente como pároco, se considerarmos a documentação paroquial guardada na Casa dos Contos, sob a referência: “Volume 2974, rolo 219”). Com seu estilo próprio, volta a nos relatar a cor dos batizandos nas margens dos assentos. Os termos utilizados são: crioulo, preto, branco, cabra135 e pardo. Ele aponta, na margem, também a condição social, escravo, e, às vezes, o estado civil: solteiro, casado ou viúvo.
A partir de 08 de fevereiro de 1848, não há mais a referência à Lei Mineira. O próprio padre Bernardo, que vinha se referindo a essa disposição, deixa de fazê-lo. O ano de 1849 mostra-se totalmente atípico. De maneira quase absoluta, os registros seguem ordem cronológica, fato que não acontece no decorrer desse ano, levando-nos a crer que os assentos foram redigidos posteriormente, e não à medida em que iam acontecendo os óbitos, como era regulamentado pelas
Constituições primeiras.
A partir de 27 de abril de 1850, o padrão e a letra dos registros mudam novamente. Esses não levam assinatura, e a cor é anotada na margem somente a partir das iniciais B para branco, C para crioulo e P para pardo. Não se nota mais a necessidade de se estabelecer a diferença entre o africano e o escravo nativo no Brasil, como ocorria até então, quando o preto significava basicamente o cativo vindo da África.
Em 11 de junho de 1851, assume como vigário encomendado Joaquim Pereira da Rocha. Não há mais referência à cor, na margem ou no texto. A partir de agosto, os registros se desorganizam completamente. São seguidos, então, de quatro páginas em branco. Quando retornam, em 17 de julho de 1852, são assinados por Cândido Fernandes Braga. Após o dia 05 de setembro do mesmo ano, há praticamente cinco páginas em branco. Os óbitos voltam a ser registrados em 08 de agosto de 1853, mas logo se desorganizam. Os assentos retornam em 31 em dezembro de 1854, em sua maioria, sem qualquer assinatura, numa forma bem sucinta, como se tivessem sido escritos posteriormente. Outros
135
De acordo com o Dicionário da terra e da gente de Minas, de Waldemar de Almeida Barbosa, o significado mais generalizado do termo cabra referia-se ao cruzamento entre mulato e preto, podendo ainda indicar o mulato ou ter o mesmo significado que “cabore”, isto é, “indivíduo proveniente da união entre pretos e ameríndias”.135
são assinados pelo vigário Joaquim Ferreira da Rocha ou por Feliciano Ferreira de Carvalho. Este último explica bem sua situação, pois assina “Feliciano Ferreira de Carvalho, servindo de pároco”. Em 30 de outubro de 1855, assume como vigário encomendado, Joaquim José de Sant’Anna, que nos acompanhará até 1890.
Volume 1858, rolo 055: tem seu início em 11 de junho de 1860 e término em 30
de agosto de 1871. Em seu termo de abertura, consta ter sido “autorizado pelo disposto no art. 12º da Lei Provincial número 258 de 23 de março de 1844”. Foi redigido completamente sob a responsabilidade do novo pároco, que se mostra criterioso e organizado durante todo o tempo.
Volume 1859, rolo 107.136 Começa em 02 de setembro de 1871 e apresenta
registros até a data de 09 de maio de 1890. Permanecem as características citadas acima até 13 de abril de 1890, quando falece o pároco Sant’Anna. Este é substituído imediatamente por Alfredo José das Neves, mas a normalidade dos registros só retorna em janeiro de 1891, quando assume o vigário Cândido Veloso. Após o óbito de 07 de janeiro de 1888, falta uma folha do livro, e podemos supor, com isso, a ausência de mais ou menos sete óbitos.
Volume 1860: inicia-se em janeiro de 1891 e termina em novembro de 1900. O
livro está completo, inclusive com termo de abertura assinado pelo novo vigário, Cândido Veloso. No início do volume, as crianças falecidas são identificadas como “menores”, diferentemente de “inocentes”, como até então eram referidas. A idade é informação constante e a causa da morte aparece de forma mais recorrente. Nos outros aspectos, os assentos permanecem com as características até então observadas. Os párocos do final do século preocupam-se em manter os assentos bem organizados, pois seu papel como responsáveis pelos óbitos vinha sendo questionado pelas autoridades civis.
O período proposto para este trabalho é beneficiado, portanto, por sua cobertura documental, exceto para o período de 1838 a 1844, quando não temos o livro específico
para os óbitos de escravos. Para esse intervalo, contamos somente com assentos lançados no livro específico para Santa Quitéria do arraial da Boa Vista. Devemos considerar, também, pequenas interrupções e desorganização temporária decorrentes da ausência do pároco.