II. ELEKTRONİK HABERLEŞME HUKUKUNDAKİ İDARİ YAPTIRIM TÜRLERİ
3. Diğer İdari Yaptırımlar ve Tedbirler
Podemos perceber a evolução no tratamento do Conjunto Paisagístico da Serra da Piedade a partir da análise comparativa do Quadro I. Sua proteção, iniciada com o tombamento federal em 1956 ainda fazia referência ao ambiente natural da serra como pano de fundo para as edificações do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Santuário de Nossa Senhora da Piedade, apesar de existir no processo relatos da
época exaltando suas belezas naturais, principalmente referente à paisagem que se pode avistar de seu cume. Já nos tombamentos estadual e municipal e na proposta de ampliação da área de tombamento federal vê-se a evolução no entendimento da área, considerando sua riqueza natural, sendo a serra valorizada como um bem em
si, onde os elementos arquitetônicos e culturais e a natureza se enriquecem
mutuamente. Por serem mais recentes, os tombamentos estadual e municipal, assim como a ampliação do perímetro de tombamento federal, retratam a evolução do pensamento no tratamento dessas áreas, como discutido nos dois primeiros capítulos do trabalho.
No que se refere às áreas de tombamento, percebemos uma diferença de tratamento e de linhas demarcatórias. Diferente do tombamento estadual, que além do perímetro de tombamento, propõe o perímetro de entorno, os tombamentos federal e municipal definiram apenas os perímetros de tombamentos, mas existe uma convergência de pensamento, quando, para estas delimitações, um tombamento sempre considera o outro, apesar de gerar algumas diferenças na delimitação. Vimos também a consideração do mesmo perímetro do tombamento estadual e do Monumento Natural, uma vez que o desenvolvimento dessas proteções foi concomitante e em conjunto entre os órgãos de preservação cultural e ambiental do Estado.
Aqui cabe apontar a ação das ONGs e dos órgãos ambientais e culturais, que foi de extrema importância durante todo o processo de preservação da área. O envolvimento de vários atores culturais e ambientais, assim como o envolvimento da comunidade, retrata a urgência de uma ação conjunta. Essa ação pode ser orientada através de um pacto, como o proposto pela chancela, e do tratamento da área como uma paisagem cultural mineira ou até mesmo brasileira.
Podemos perceber que mesmo existindo diversas proteções culturais e ambientais sobre a Serra da Piedade, tais mecanismos isoladamente não funcionam como deveriam, sua proteção e manejo não são realizados de forma efetiva, e a Serra continua sofrendo com as intervenções inadequadas em sua paisagem. Por isso, seria interessante a realização de um pacto, como proposto na chancela da paisagem cultural, com a delimitação de um perímetro comum a todos os órgãos envolvidos, como na tentativa da delimitação da área de entorno do tombamento
estadual, bem como critérios de manejo que harmonizassem todos os interesses, e
aqueles perímetros que ficassem de fora dessa área funcionassem como “buffer
zones”, amortecendo os impactos no perímetro principal. Mas, para o
estabelecimento deste pacto, torna-se necessário um entendimento comum dos conceitos, um vocabulário enriquecido que abrangesse as diversas disciplinas e profissionais envolvidos, assim como uma análise conjunta dos órgãos culturais e ambientais nos licenciamentos de atividades impactantes na área. Este primeiro esforço se mostra em tramitação dentro do IPHAN, IEPHA e IEF.
124 I - Compara tivo entr e a s proteçõ es c u ltura is e natura is exis ten te s na Serra d a Piedade Perímetro de tombamento Perímetro de tombamento e área de entorno Perímetro de tombamento UC / APA / AIA / Área do monumento natural / APP importância histórica, social,
religiosa, natural / paisagem cultural / monumento natural
importância paisagística, cultural e ambiental / manejo
importância cultural, arquitetônica e paisagística
monumento natural / conjunto natural, arquitetônico e paisagístico / manancias, população, considerações ecológicas, recursos hídricos, desenvolvimento sustentável, aspecto cênico, importância biológica
1956 - Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Santuário de Nossa Senhora da Piedade / Livros do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico e Histórico / Importância histórica, social, religiosa / Paisagem como elemento enriquecedor do bem arquitetônico mais importante
2010 - Ampliação significativa do perímetro de tombamento, seguindo a cota de1200m
2006 - Conjunto Paisagístico da Serra da Piedade / Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico / Medidas de preservação paisagística, cultural e ambiental / Plano de manejo / Área degradada
2001 - Monumento natural, paisagístico, histórico / Conjunto cultural, arquitetônico e paisagístico Obs.: cota 1200m
2002 - Símbolo de Caeté / Adendo à Lei orgânica
1889 - Constituição Estadual / Tombamento da serra - delimitação da UC 2003 - Câmara Municipal – APA
2004 - Plano Diretor Participativo de Sabará / Conjunto paisagístico – AIA / ALMG - monumento natural / limites da U.C.
IPHAN IEPHA Prefeitura Municipal de Caeté SEMAD – IEF, IGA, IGAM, FEAM Fede ra l E stadua l Munic ipa l Me io A m bie n te Cu ltu ral N at u ra l
Quadro II – Resumo dos mecanismos de proteção existentes na Serra da Piedade
Data Acontecimento
1956 O IPHAN efetua o tombamento do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Santuário de Nossa Senhora da Piedade.
1989 A Constituição do Estado de Minas Gerais tombou para o fim de
conservação e declarou a Serra da Piedade, entre outros, Monumento Natural no seu Art. 84 do Ato das Disposições Transitórias Constitucionais.
2001 O Município de Caeté, em sua Lei Orgânica Art. 202 efetua o tombamento do Conjunto cultural, arquitetônico, paisagístico e natural da Serra da Piedade a partir da cota de 1200 metros até o cume, dentro dos limites do município.
2003/2004 O Projeto-de-lei no 1.174/03, do Deputado Gustavo Valadares, tramita pela ALMG e é aprovado em dois turnos.
16/06/2004 O Governador do Estado de Minas Gerais sanciona a Lei no 15.178/04 que
define os limites da área de preservação da Serra da Piedade, em cumprimento ao disposto no parágrafo primeiro do art. 84 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado.
20/12/2004 Decreto no 2.067/04 da Prefeitura Municipal de Caeté, que regulamentou o tombamento municipal da Serra da Piedade, feita pela Lei Orgânica em 2001.
27/06/2005 O Conselho Curador do IEPHA delibera e aprova o parecer técnico daquele Instituto que conclui que a delimitação estabelecida pela Lei no 15.178/04 pode ser considerada como o perímetro do tombamento estadual do Conjunto Paisagístico e Arquitetônico da Serra da Piedade.
31/08/2005 Ofício no 343/05-PR do IEPHA que confirma a aprovação do perímetro definido pela Lei no 15.178/04 pelo Conselho Curador e que para efeito de proteção a Serra da Piedade está tombada, ainda que o dossiê de tombamento tenha que ser concluído.
02/09/2005 Recomendação dos Ministérios Públicos Estadual e Federal à FEAM,
SEMAD e IEF que se assegure o perímetro definido pela Lei no 15.178/04. 20/09/2005 A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura –
UNESCO – entrega oficialmente o título de reserva da biosfera ao trecho mineiro do maciço da Serra do Espinhaço, do qual faz parte a Serra da Piedade.
26/09/2005 O Conselho Curador do IEPHA delibera e aprova a área de entorno do
Monumento Natural e as diretrizes de proteção para intervenções no Conjunto Paisagístico da Serra da Piedade.
Nov/2005 O IPHAN, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal movem uma ação civil pública contra a mineradora, a FEAM e o Estado de Minas Gerais pela degradação causada à Serra da Piedade, com pedido de liminar com a imediata cessação da exploração minerária na Serra da Piedade e para que não seja praticado qualquer ato administrativo tendente à renovação de licenças prévias na área protegida da Serra da Piedade. 11/12/2005 A Justiça Federal deferiu, preliminarmente, a liminar para a imediata
cessação da exploração minerária na Serra da Piedade.
13/12/2005 A Justiça Federal deferiu a liminar que não seja praticado qualquer ato administrativo tendente à renovação de licenças e à concessão de licenças prévias na área protegida da Serra da Piedade.
Jan/2006 As atividades minerárias da Brumafer Mineração Ltda. cessam por ordem da liminar da Justiça Federal e, após muitos anos, a encosta norte não é mais dinamitada.
21/03/2006 O Conselho Curador do IEPHA delibera e, por unanimidade, não acata os seis pedidos de impugnação de proprietários no perímetro tombado, prevalecendo, assim, o tombamento da Serra da Piedade. É aprovada também a redação original do item 7.2 das diretrizes que estipula ser incompatível a atividade de extração mineral na área tombada, diante da proposta apresentada de alteração de modo a possibilitar esse tipo de atividade.
19/05/2006 O Governo do Estado de Minas Gerais homologa o Tombamento do
Conjunto Paisagístico da Serra da Piedade, nos municípios de Caeté e Sabará, conforme decisão do Conselho Curador do IEPHA/MG, constante em Ata publicada no Órgão Oficial dos Poderes do Estado, em 1º de abril de 2006.
2006 Pedido do então Arcebispo de Minas Gerais, Dom Walmor Oliveira de
Piedade.
Set/2010 O Superintendente da 13ª Superintendência Regional do IPHAN, Minas
Gerais, Leonardo Barreto de Oliveira, acatou a ampliação do Perímetro do Tombamento do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Santuário de Nossa Senhora da Piedade.
Fonte: SOS Serra da Piedade, complementado pela autora