5. BULGULAR
5.3. Büyüme Denemesine Ait Fizyolojik Bulgular
5.3.1. Yaprak Bağıl Su İçeriği (BSİ)
A Regra-Matriz de Incidência Tributária prevê de forma geral e abstrata, em enunciados conotativos, um número indeterminado de possíveis situações. Entretanto, a mera existência deste comando não possibilita a sua aplicação automática e infalível aos fatos e situações concretas constitutivas da realidade social.
Neste ponto, existe um histórico debate sobre se a atuação humana é necessária ou não à ocorrência da incidência normativa sobre a realidade social. Em outras palavras, se um ato de fala é pressuposto ao processo de positivação capaz de, aproximando o plano normativo ao plano da realidade social, produzir a norma que constitui a relação jurídico- tributária.
Pontes de Miranda, em teoria de profunda penetração no universo jurídico brasileiro, defende, expressamente, a incidência automática e infalível das regras jurídicas. Assim o fez em suas próprias palavras:
O processo de adaptação, a que se chama direito, consiste exatamente em edição de regras jurídicas tais que, ocorrendo os suportes fáticos, elas incidam necessariamente. Ninguém pode impedir a incidência das regras jurídicas, porque ela é fatal: ainda que não se promova a produção da prova da maioridade, ainda que a pessoa ignore quando nasceu e todos o ignorem aos vinte e um anos, é capaz: o herdeiro europeu de parente falecido no Recife, parente cuja existência mesma ignorava, recebe a propriedade e a posse do que lhe toca.
Mais ainda: a incidência das regras jurídicas independe de que alguém, ainda os interessados, conheçam a regra jurídica. O herdeiro de que falamos, pode ignorar que alguma lei lhe deu direito aos bens.
Convém que se insista em proposição tão grave e reveladora: a regra jurídica incide automaticamente.62
Trata-se, como alerta Clarice von Oertzen de Araújo, de anotações marcadas pela modernidade mecanicista, contexto no qual estava imerso o renomado jurista nordestino e que se caracterizada pelo determinismo e pela busca da unidade – ou possibilidade de unificação – das ciências.63
Este referencial teórico que trabalha com a unidade, ou pelo menos o mescla frequente, dos planos do ser e do dever-ser também está presente nas lições de Miguel Reale que identifica, em magnífica obra, o fato social como um dos elementos existenciais do direito, por ele encarado como fato, valor e norma64.
62 PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Incidência e Aplicação da Lei. Revista da Ordem dos
Advogados do Brasil – Seção Pernambuco, Recife, ano 1, n. 1, p. 51-55, 1956. p. 53.
63 ARAÚJO, Clarice von Oertzen de. Incidência Jurídica: Teoria e Crítica. São Paulo: Noeses, 2011. p. 89. 64 CARVALHO, Aurora Tomazini de. Curso de Teoria Geral do Direito: O Construtivismo Lógico-
De toda sorte, conforme visto, Pontes de Miranda, ao analisar o direito como um dos sete processos sociais de adaptação que procuram interferir na conduta humana, o enalteceu como o único que logrou produzir regras com incidência absoluta.
Para esta concepção, em termos práticos, operado um evento (dado bruto) qualquer na realidade social, desde que previsto em um antecedente normativo abstrato, sobre ele inevitavelmente incidiria a norma e automaticamente se estaria diante de uma relação jurídica.
A versão em linguagem desta norma, enunciada em uma sentença ou um lançamento tributário, por exemplo, seria denominada ‘aplicação’ e teria a função precípua de meramente declarar a obrigação tributária e não a de constituí-la.
Também neste sentido, coerente com as suas premissas, caminha Amílcar de Araújo Falcão quanto diz:
O lançamento nada mais faz do que remover dúvidas quanto às características e dimensões da obrigação tributária preexistente, criando a propósito um estado de certeza: daí decorre a exigibilidade do crédito tributário pelo fisco.
Não se cria, então, a obrigação tributária ou um direito novo. Declara-se a existência de uma relação jurídica prévia: a exigibilidade é uma consequência do estado de certeza proveniente do ato declaratório.65
Por sua vez, o posicionamento embasado no giro-linguístico, prisma adotado nesta dissertação e disseminado nos tópicos do Direito Tributário pela Escola da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, considera os dados linguísticos como constitutivos da realidade cognoscível e, desta forma, permite com mais facilidade a observação da heterogeneidade social dos diversos planos linguísticos (social, jurídico, econômico, político, contábil, etc.), cada qual com regras e canais próprios à constituição dos seus respectivos fatos.
65 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 5a ed. São Paulo: Editora Forense,
Pode-se afirmar, nesta esteira, que o ordenamento jurídico constitui um sistema autopoiético de segundo grau em relação àquele da realidade social e que ele é formado por um repertório de atos de comunicação que se reproduzem à luz do código binário lícito/ilícito, construindo seu meio envolvente próprio (a realidade jurídica) e demarcando os limites do território do direito.66
A demarcação entre o plano do ser e o plano do dever-ser é bem delimitada graças ao que Clarice von Oertzen de Araújo denominou de “clausura operacional, na medida em que implicam uma seleção e posterior ‘tradução’ dos fatos sociais para o interior do ordenamento jurídico de forma organizada”.67
O controle do código jurídico é realizado exclusivamente pelo próprio direito através de regras sintáticas, o que o caracteriza como um sistema de natureza semiótica fechado sintaticamente, entretanto, aberto semântica e pragmaticamente.
O plano jurídico ou do dever-ser, portanto, não se confunde com o plano da realidade social. Enquanto o fato contábil, por exemplo, é aquele descrito pelos canais próprios do discurso específico da contabilidade, o fato jurídico será descrito, mesmo que em tradução a um fato contábil, só e somente só, no antecedente de uma norma jurídica, enunciada por uma autoridade com competência atribuída pelo próprio ordenamento.
Neste sentido, conclui Paulo de Barros Carvalho:
Pensando assim, a natureza da norma individual e concreta, veiculada pelo ato de lançamento tributário, ou pelo ato produzido pelo sujeito passivo para apurar seu débito, nos casos estabelecidos em lei, assumirá a feição significativa de providência constitutiva de direitos e deveres subjetivos.68
Assim, fica claro que a norma concreta cria ou constitui o fato jurídico em seu antecedente, e a sua enunciação pela autoridade competente é o que materializa o fenômeno lógico da subsunção.
66
CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário: Fundamento Jurídico da Incidência. 8a ed. São Paulo: Saraiva. p. 158.
67 ARAÚJO, Clarice von Oertzen de. Incidência Jurídica: Teoria e Crítica. São Paulo: Noeses, 2011. p. 53. 68 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 21 ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 444.
É importante anotar, outrossim, que a incidência normativa engloba, além da subsunção, outra operação lógica específica: a implicação. 69
A subsunção, como visto, pode ser definida como a operação lógica pela qual elementos da realidade social são incluídos nas classes ou critérios que estão instituídos em norma abstrata, o que acontece com a enunciação da norma individual e concreta por sujeito autorizado.
Por sua vez, a implicação é a operação lógica que liga o fato jurídico e a relação jurídica decorrente, em vínculo de causalidade jurídica.
Anote-se, em tempo, como fez Aurora Tomazini de Carvalho, que não há sucessão cronológica entre a descrição do fato jurídico e a relação jurídica consequente, tendo em vista que não há fato jurídico sem relação jurídica, e tampouco relação jurídica sem o fato jurídico.70
A incidência, portanto, ocorrerá com a produção pelo sujeito-aplicador de uma norma jurídica concreta e individual, ou seja, uma norma jurídica, estruturada naturalmente em fórmula lógica hipotético-condicional – D (H!C) – que, utilizando-se de linguagem, agora em função denotativa, descreve um fato concreto que preencha os critérios impostos no antecedente abstrato da Regra Matriz de Incidência Tributária e produza, concomitantemente e em causalidade, uma relação obrigacional individuada em seu consequente. Neste ponto a relação jurídica deixa de lado a generalidade e um sujeito passivo x pagará ao sujeito ativo y um dado valor em pecúnia.