5. BULGULAR
5.1. Çimlenme Denemesine Ait Bulgular
5.1.8. Kök Kuru Ağırlığı
A compreensão da realidade cognoscível, concebida como construção linguística, exige do cientista a abordagem do objeto estudado em seus três planos: o sintático, que se dedica à relação, inclusive estrutural, de signos entre si; o semântico, que trabalha a relação do signo e o objeto a que ele se refere; e o pragmático, que estuda a relação entre o signo e aquele que o utiliza.
Quando esta concepção é trazida ao universo jurídico, a abordagem sintática busca estudar as relações entre os signos que compõem o discurso jurídico e encontram na lógica um importantíssimo instrumento capaz de possibilitar esta análise. A lógica representa, nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho,
a dimensão da expressão formal de toda e qualquer linguagem, representada pelo conjunto das regras morfológicas e sintáticas que presidem a composição dos signos, bem como o grupamento de modos possíveis de associações entre tais unidades, tendo em vista a geração de estruturas cada vez mais complexas.”51
Onde houver linguagem haverá lógica que, não à toa, costuma ser denominada de lógica proposicional. Em verdade, só haverá lógica onde houver linguagem e esta variará de acordo com o contexto comunicacional em que tal linguagem estiver contida. A lógica, em
51 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário Linguagem e Método. 2a ed. São Paulo: Noeses, 2008.
suma, irá reconstruir em fórmulas – linguagem formalizada – as relações aceitáveis entre proposições prescindindo de seu conteúdo52.
Desta feita, se na Ciência do Direito, discurso construído em ambiente descritivo, a Lógica Alética predomina com valores de verdade e falsidade, no universo jurídico-normativo impera a Lógica Deôntica com valores de válido e não-válido.
O afastamento promovido pela Lógica entre os seus signos e o universo empírico dos objetos ou significados, o que a caracteriza como uma metalinguagem ou sobre- linguagem,53 possibilita a compreensão da forma e das relações que se estabelecem entre as proposições jurídicas,54 além de reduzir significativamente o tamanho do discurso posto ao estudo.
Assim, partindo de esquemas simbólicos, será possível compreender a forma como a norma jurídica se estrutura e, posteriormente, em relativa neutralidade, substituindo os símbolos lógicos variáveis por signos com significações específicas e definidas, referentes a entidades e propriedades do universo não-formal, será possível construir, com a segurança normalmente atribuída à matemática, normas jurídicas estruturadas.55
A Lógica Proposicional possibilita, portanto, a diagramação do discurso jurídico e, consequentemente, a definição da estrutura mínima exigida por uma norma jurídica para que ela, como uma mensagem em um contexto comunicacional, seja capaz de impor um comando e produzir seus efeitos.
Está na Lógica Formal a principal ferramenta ao alcance do intérprete quando frente a uma análise sintática do discurso jurídico. O jurista, ao abstrair os conteúdos significativos, se detém no estudo das formas do pensamento, possibilitando diagramar a estrutura do discurso em foco e, consequentemente, abordá-la por um viés mais analítico e profundo.
52 ECHAVE, Delia Teresa., URQUIJO, María Eugenia., GUIBOURG, Ricardo. Lógica, Proposición y Norma.
7a ed. Buenos Aires: Editorial Astrea, 2008. p. 20.
53 VILLANOVA, Lourival. As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo. São Paulo: Editora Revista
dos Tribunais, 1977. p.16.
54
CARVALHO, Aurora Tomazini de. Curso de Teoria Geral do Direito O Construtivismo Lógico-
Semântico. 2a ed. São Paulo: Noeses, 2010. p. 192.
55 VILLANOVA, Lourival. As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo. São Paulo: Editora Revista
Em conclusão, a Lógica aplicada ao direito possibilita compreender a forma e as relações que se estabelecem entre as proposições jurídicas, evitando contradições e identificando tautologias.
Assim, quando se define a norma jurídica como juízo hipotético-condicional, tal definição nos leva à construção formal basilar da norma jurídica em D (H!C) em que o functor “D” identifica tratar-se de uma função de modalidade Deôntica, a variável “H” representa a hipótese, como “C” fica designado o consequente e a constante “!” que os liga, simboliza o dever-ser condicional. Este é o mínimo deôntico. Preenchidas essas variáveis será possível identificar uma norma jurídica.
Esta construção básica, o mínimo deôntico, não abrange a cadeia do comando jurídico em sua integralidade. Por caracterizar-se pela coercibilidade, a construção da norma completa não está restrita à norma dispositiva, exatamente pelo fato dela não prever, como norma primária que é, a sanção. Caberá a uma norma específica, a norma secundária, sancionar o descumprimento da relação prevista na norma primária.
Existe uma divergência quanto à estrutura da norma jurídica completa, conforme restou-se apontado por Geraldo Ataliba. O Mestre da Escola Paulista de Direito Tributário defende a tese de que “a estrutura das normas jurídicas é complexa; não é simples, não se reduz a conter um comando pura e simplesmente. Toda norma jurídica tem hipótese, mandamento e sanção”.56 Em outra mão, Paulo de Barros Carvalho trabalha com a ideia que a sanção não integra a estrutura estática da norma jurídica, sendo uma outra norma de direito.57
De toda sorte, os dois estudiosos concordam que tal diferenciação não traz consigo consequências práticas sensíveis.
Desta forma, a norma jurídica completa pode ser representada como, nos termos de Lourival Villanova: p ! (S, R S,,) ! (S,, Rc S,)58 ou, em nomenclatura eleita por
56 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária. 5a ed. São Paulo: Malheiros, 1992. p.39. 57
CARVALHO, Paulo de Barros. A Relação Jurídica Tributária e as impropriedades chamadas “obrigações acessórias”. Revista de Direito Público, São Paulo, v. 17, 1971. p. 382.
58 VILLANOVA, Lourival. As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo. São Paulo: Editora Revista
Paulo de Barros Carvalho com fulcro na terminologia de Bertrand Russell: D [(f ! r) v (-r ! s)].59 Aqui, além do functor D e da relação primária da qual do fato (f) nasce a relação obrigacional (r) há a previsão de sanção já que do descumprimento da obrigação (-r) surgirá a sanção (s).
A norma jurídica completa prevê que, além da relação que do fato jurídico e da incidência normativa nasce a relação jurídica – no caso a relação jurídica tributária – e que o descumprimento do dever existente nesta relação jurídica será o fato jurídico que implicará em sanção.
59 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário Linguagem e Método. 2a ed. São Paulo: Noeses, 2008.