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4. MATERYAL VE YÖNTEM

4.7. İstatistiksel Analiz

Norberto Bobbio, imerso no debate sobre a definição do conceito de direito, defendeu que tal conceito não se refere, somente, a um tipo específico de norma, mas a um tipo de ordenamento normativo. Em suas palavras:

Para maior clareza podemos também nos exprimir deste modo: o que comumente chamamos de Direito é mais uma característica de certos ordenamentos normativos que de certa normas. 33

Constata-se, neste sentido, que naquele universo linguístico primário denominado de realidade social, há uma série de ordenamentos normativos, cada um com características específicas capazes de discerni-lo dos demais. Convivem nesta realidade, portanto, diversos sistemas normativos, dentre os quais: o ordenamento moral, o religioso e o jurídico.

Ao defender a existência de um ordenamento jurídico, Norberto Bobbio assumiu, portanto, a existência de uma espécie de ordenamento com características mínimas capazes de defini-lo, separando-o dos demais. Assim, lembrando de como Hans Kelsen houvera feito anteriormente, o jurista italiano estabeleceu o critério da coercibilidade para distinguir o ordenamento jurídico dos demais sistemas normativos especificáveis e determinou a sanção jurídica como a coerção exteriorizada e institucionalizada.34

Por sua vez, Hans Kelsen, ao trabalhar a purificação da Ciência do Direito, quando buscou consolidá-la na pureza positivista, colocou o ordenamento jurídico como o seu objeto. A partir de então, a Ciência do Direito teve um objeto específico consagrado pela maioria de seus estudiosos e o Direito passou a ser a ciência que estuda o sistema ou ordenamento do direito.

Estabelecido este primeiro corte epistemológico que, na esteira da Teoria Pura do Direito e da Teoria do Ordenamento Jurídico, delimita o conceito de direito ao de um

33 BOBBIO, Norberto. Teoria do Ordenamento Jurídico. 10a ed. Brasília: Editora UNB, 1999. p. 28. 34 BOBBIO, Norberto. Teoria do Ordenamento Jurídico. 10a ed. Brasília: Editora UNB, 1999. p. 27.

sistema de normas jurídicas válidas em certo tempo e espaço, faz-se necessário empreender a análise conceitual do que seria o ‘sistema de direito’.

Tárek Moysés Moussallen, conforme assentado, defende a necessidade da conceituação como pressuposto à cognição, tendo em vista ser impossível compreender uma oração sem que se saiba o que as suas partes significam.35 Destarte, para que se compreenda a expressão ‘sistema de direito’, faz-se mister estabelecer a significação do termo ‘sistema’ e do termo ‘direito’.

Como a grande maioria das palavras, símbolos cujos significados decorrem de convenções oriundas da necessidade de uso, o termo sistema traz consigo um certo grau de vaguidade, ambiguidade e, inclusive, muitas vezes é empregado com significativa carga emotiva.

Não é incomum em linguagem ordinária, por exemplo, o uso cotidiano e apaixonado da palavra sistema como sinônimo de governo, de modelo econômico capitalista ou mesmo de um programa de computador.

No universo do discurso científico, entretanto, o termo sistema costuma ser definido de maneira bastante regular e representa um conjunto de elementos que orbitam ao redor de um referencial comum. Desta forma, o sistema não se confunde com um mero conjunto ou agrupamento de elementos, pois, vai um pouco além, exigindo um referencial comum que relacione a todos eles.

Uma questão que costuma ser levantada é sobre a necessidade de coerência entre os elementos para que um conjunto possa ser considerado como sistema. Neste ponto, Tárek Moysés Moussallem esclarece a questão quando afirma que há sistemas que comportam contradições enquanto outros não as admitem, exatamente porque somente se pode falar em incoerência no interior de um mesmo sistema, afinal, conflitos inter-sistêmicos são extralógicos.36

35 MOUSSALLEM, Tárek Moysés. Fontes do Direito Tributário. 2a ed. São Paulo: Noeses, 2006. p. 25-26. 36 MOUSSALLEM, Tárek Moysés. Fontes do Direito Tributário. 2a ed. São Paulo: Noeses, 2006. p. 65.

Se a palavra sistema não é tão marcada pela polissemia, ao menos dentro do cenário científico, o mesmo não se pode dizer do termo direito.

Aurora Tomazini de Carvalho alerta para pelo menos treze acepções conferidas ao citado vocábulo, todas intimamente relacionadas.37 Ademais, a palavra direito comumente costuma ser empregada pelo utente com carga de emoção e tal imprecisão não se restringe ao discurso ordinário da realidade social ou ao discurso eminentemente técnico do dia a dia dos órgãos jurídicos, estando presente também no discurso científico e, especialmente, naquele pretensamente científico.

Tal fato exige um esforço em prol de uma definição capaz de estabelecer um conceito preciso do termo direito, ao menos no que tange ao sistema de referência adotado neste estudo. Sempre importante lembrar que definir o conceito de direito equivale a um corte metodológico crucial, afinal, define o objeto da ciência que se busca produzir.

Ao longo da história, diversos plexos teóricos ocuparam-se com o estudo do fenômeno jurídico. Assim, desde o Jusnaturalismo, movimento que estudava o direito como uma ordem natural, até o Pós-Positivista, que alega destacar o debate ético ao estudo do direito e seus princípios, o direito foi abordado em diversas perspectivas e por diversos métodos diferentes.

Dentre essas teorias, Hans Kelsen, em um positivismo-normativista puro, propôs um, então novo, corte metodológico visando à purificação da Ciência do Direito de fatores externos, 38 inclusive, supondo a figura da norma hipotético-fundamental com o intuito de, mantendo-se fiel à premissa de pureza, dar unidade ao sistema.

Desta forma, rompendo definitivamente com a vinculação do direito aos fatos sociais, políticos, morais e religiosos, Hans Kelsen limitou o objeto de estudo do cientista do direito às normas jurídicas, impondo como função do jurista descrevê-las de forma coerente e ordenada. A Teoria Pura do Direito acabou por fundar as bases do Positivismo Normativo que

37 CARVALHO, Aurora Tomazini de. Curso de Teoria Geral do Direito: o Construtivismo Lógico-Semântico.

2a ed. São Paulo: Noeses, 2010. p. 65-66.

trabalha o direito como o complexo de normas jurídicas válidas em determinado tempo e território.39

Nesta vereda caminham Lourival Vilanova e Paulo de Barros Carvalho que, em posição também adotada neste trabalho, definiu o direito positivo como o “conjunto de todas as normas jurídicas válidas num determinado intervalo de tempo e sobre espaço territorial, interrelacionadas sintática e semanticamente, segundo um princípio unificador.”

O objetivo desta dissertação é descrever a responsabilidade tributárias dos grupos econômicos no direito brasileiro, ou melhor dizendo, no sistema de normas jurídicas válidas, hoje, no território brasileiro.