5. BULGULAR
5.1. Çimlenme Denemesine Ait Bulgular
5.1.4. Kök Uzunluğu
Como dito, ao deparar-se com o fenômeno da interpretação jurídica, Paulo de Barros Carvalho, em olhar nítido e categoricamente analítico, descreveu um modelo para a construção de sentido a partir da interpretação de um texto prescritivo e a este modelo deu o nome de Percurso Gerativo, Gerador ou da Construção de Sentido.
Com esta construção, o Professor Emérito e Titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e da Universidade de São Paulo descreveu, em caráter eminentemente epistemológico,47 utilizando-se de subsistemas aos quais denominou de Planos, as etapas em que um intérprete passa, partindo do texto legislado, para construir a significação destes enunciados .
Ao percorrer o citado Percurso Gerativo de Sentido, o intérprete de um texto jurídico-positivo passa por três subsistemas (S1, S2 e S3) e por um plano de sistematização (S4). Todavia, em que pese na descrição haja uma cronologia didática, importante anotar que
46 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 21 ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 109. 47 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário: Fundamentos Jurídicos da Incidência Tributária. 8a ed.
o percurso realizado pelo intérprete não está vinculado à aparente linearidade, sendo possível, constante e até recomendável, as idas e vindas pelos subsistemas até a formulação e enunciação da norma jurídica por ele criada.
Interessante constatar, com a semelhança entre o Percurso Gerativo de Sentido e o triângulo semiótico, a influência da Teoria Geral dos Signos na diagramação categórica do processo interpretativo. Os dois nascem do contato de um signo com uma mente dotada de inteligência, capaz de interpretar, e ambos resultam na construção e enunciação de um outro signo mais evoluído que, no caso específico da interpretação normativa, será um juízo estruturado em uma lógica específica: a lógica deôntica ou normativa.
O plano da expressão, denominado de subsistema S1, é composto pelos enunciados prescritivos propriamente ditos ou formulações literais. Este plano representa o universo dos enunciados nos textos jurídico-positivos ou, nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho: “um conjunto finito de enunciados prescritivos racionalmente organizados em forma de sistema”48.
No subsistema da literalidade, trabalha-se com a estrita literalidade do texto e é nele que o legislador impõe mudanças propriamente ditas. Neste primeiro momento da interpretação, análises morfológicas e sintáticas acontecem conduzindo o intérprete à construção do que se convencionou, pela Teoria Hermenêutica Tradicional, de sentido literal. Em termos semióticos, o subsistema S1 equivale ao universo dos signos ou dos suportes físicos.
O plano das significações proposicionais, subsistema S2, por sua vez, é o conjunto das proposições ou juízos formulados pela mente interpretante a partir do contato com os enunciados postos à interpretação. Em Semiótica, seria o conjunto das significações ou dos interpretantes extraídas daqueles textos jurídicos no estágio inicial da cadeia semiótica que, passando pela formulação de juízo, termina com o ato de fala.
Neste subsistema, rompe-se a barreira que se imagina entre mensagem e informação. Aqui o intérprete adentra pelo universo das significações, pelo conteúdo trazido
por aqueles signos. Paulo de Barros Carvalho impõe os seguintes requisitos para habitar-se neste subsistema: 1) que sejam expressões linguísticas portadoras de sentido; 2) que elas tenham sido produzidas por órgãos credenciados; e 3) que tenha sido observado o procedimento específico previsto pelo próprio ordenamento49.
Neste subsistema das significações dos enunciados, o intérprete já está diante do universo jurídico, entretanto, ainda não há que se falar em normas jurídicas, tendo em vista as exigências peculiares da lógica deôntica.
Será no subsistema S3 que as exigências estruturais impostas pela Lógica Jurídica ou Lógica Deôntica serão atendidas. Trata-se do Plano Interpretativo que contém o conjunto articulado das significações normativas, em que o intérprete irá, através da articulação das proposições normativas em estrutura lógica específica, construir o sentido completo exigido às mensagens deônticas.
Neste subsistema, o intérprete, em atividade eminentemente mental, ordena e associa as proposições (significações ou interpretantes) em fórmula lógica hipotético- condicional, descrita em linguagem formalizada como “D (H!C)”, construindo juízos de significação completa capazes, quando enunciados, de exprimir comandos integralmente compreensíveis em uma comunicação.
Ao construir os juízos hipotéticos-condicionais, o intérprete deve atender à completude deôntica exigida neste estágio interpretativo. A construção deverá ser capaz de indicar todos os aspectos necessários à consolidação da hipótese, bem como todos aqueles necessários à delimitação da relação jurídica consequente. Os detalhes desta construção serão melhor estudados adiante.
Neste estágio do processo o intérprete já está diante do mínimo deôntico irredutível, diante da norma jurídica em sentido estrito.
O S4, por fim, é o plano da organização. Nesta seara há um trabalho de composição hierárquica dentre as normas jurídicas formadoras do sistema. Aqui a norma jurídica apresenta-se em seu contexto imersa em cenário sistêmico.
O sentido de um texto jurídico, como já dito, implica em diversas idas e vindas pelos subsistemas descritos. Não é incomum, pelo contrário, é corriqueiro, por exemplo, o intérprete já em atividade de compreensão, típicas dos subsistemas S3 e S4, regressar à literalidade textual do S1 para socorrer-se de algum detalhe exposto no texto.
A compreensão deste caminho normativo facilita e, naturalmente, conduz a uma concepção de norma jurídica.