2. MĐMARĐ PROJELERDE KATILIMCILAR VE ROLLERĐ
2.4 Yapım Yönetiminin Rolü
2.4.2.1 Yapım sürecinde iletişim ve yöntemleri
O Ministério da Saúde elaborou o documento “Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher – Princípios e Diretrizes” em parceria com alguns setores da sociedade em especial o movimento de mulheres. Este documento exprime o compromisso com a garantia dos direitos humanos das mulheres, e incorpora, em um enfoque de gênero, a integralidade e a promoção humana (BRASIL, 2004).
A Política proposta considera a diversidade dos 5.561 municípios, dos 26 estados e do Distrito federal, com suas diferenças em níveis de desenvolvimento e organização, seus sistemas de saúde e gestão. Acima de tudo, é uma proposta de construção conjunta e de respeito à autonomia das diversidades, além do empoderamento das usuárias do SUS e sua participação no controle social (BRASIL, 2004).
Sendo assim, a Política tem ao todo 80 páginas, divididas em: Apresentação da Política, Abreviaturas, Introdução, Saúde da Mulher e o enfoque de Gênero, Evolução das políticas de Atenção á Saúde da Mulher, a Situação Sociodemográfica, o Breve diagnóstico da 23 De acordo com a Lei Federal º 8080/90, entende-se integralidade da assistência como “o conjunto articulado e
contínuo de ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigido para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema” (BRASIL, 1990).
24De acordo com a Lei Federal nº 8080/90, entende-
se igualdade como os direitos iguais que todo cidadão tem” na assistência de saúde, sem preconceito ou privilégios de qualquer espécie” (BRASIL, 1990).
25“Humanizar e qualificar a atenção em saúde é aprender a compartilhar saberes e reconhecer direitos. A atenção
humanizada e de boa qualidade implica no estabelecimento de relações entre sujeitos, seres semelhantes, ainda que possam parecer muito distintos conforme suas condições sociais, raciais, étnicas, culturais e de gênero” (BRASIL, 2004, p. 59).
Situação da Saúde da Mulher no Brasil, a Humanização e Qualidade: Princípios para uma Política de atenção Integral à Saúde da Mulher, Diretrizes da política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, Objetivos Gerais da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher e Objetivos específicos e Estratégias da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher.
A Política realiza uma apresentação da situação das mulheres no Brasil, no que diz respeito aos aspectos de saúde e através deste diagnóstico, busca traçar princípios e diretrizes para que a assistência em todos os níveis seja adequada às necessidades tanto fisiológicas, emocionais e sociais das mulheres.
No capítulo “Saúde da Mulher e Enfoque de Gênero”, a PNAISM aborda a saúde da mulher a partir de várias concepções, que não as restritas à biologia e anatomia do corpo feminino, e amplia a discussão para as dimensões dos direitos humanos e cidadania (BRASIL, 2004). Nesta nova perspectiva, o corpo feminino é visto além das suas funções reprodutivas. Não que as funções reprodutivas e maternas tenham sido ignoradas, mas além destas funções, a Política inclui as dimensões dos direitos sexuais, com a abordagem do Planejamento familiar, e as questões de gênero.
Outro aspecto importante neste capítulo é a explanação das desigualdades sociais, econômicas e culturais entre homens e mulheres, no que diz respeito ao processo de adoecer e morrer, além dos indicadores da População Mundial, que demonstram que o número de mulheres que vivem em situação de pobreza é superior ao número de homens, que as mulheres trabalham mais horas do que os homens, mas apenas a metade do número de horas é remunerada, o que diminui o acesso aos bens sociais, inclusive aos serviços de saúde (BRASIL, 2004).
Ao levar em consideração estes aspectos, as questões de gênero devem ser consideradas para a formulação de políticas públicas. É evidente que homens e mulheres estão expostos a diferentes graus de risco, em função da organização social e das relações de gênero que expõem os indivíduos a padrões distintos de sofrimento, adoecimento e morte. Homens morrem em idade mais precoce, no entanto, as mulheres adoecem mais do que os homens. Partindo deste pressuposto, a análise do perfil epidemiológico e do planejamento das ações de saúde precisam ter o objetivo de promover a melhoria nas condições de vida e direitos de cidadania das mulheres (BRASIL, 2004).
No capítulo “Situação Sociodemográfica”, A Política apresenta as transformações na estrutura dinâmica da população, em especial, o perfil das mulheres. A taxa de fecundidade diminuiu de 5,8 filhos em 1970, para 2,4 em 2000. A população se tornou mais velha como consequência desta diminuição na taxa de fecundidade, porém, a expectativa de vida aumentou de 54 anos em 1970, para 68 anos em 1999 (BRASIL, 2004).
Estes dados são os obtidos na Política, porém já sofreram mudanças, pois novas estatísticas foram realizadas, visto que estamos a 12 anos da formação da PNAISM. Atualmente a taxa de fecundidade já repercute os resultados da implementação da Política. No ano de 2015 a taxa de fecundidade foi de 1,72. Em 15 anos (2000- 2015), ocorreu um decréscimo de 0,68 (IBGE, 2015).
As mulheres em idade reprodutiva assistidas pela Política que estão na faixa etária dos 10 aos 49 anos representam 58.404.409 da população brasileira. Sendo que estas representam aproximadamente 65% da população feminina. Assim, o segmento feminino é um segmento significativo que demanda a elaboração de políticas públicas de saúde. (BRASIL, 2004).
Frente a estes dados, o capítulo “Breve diagnóstico da situação da Saúde da Mulher no Brasil” considera a heterogeneidade feminina do país em relação às condições socioeconômicas e culturais. As estatísticas sobre mortalidade são utilizadas para analisar as condições de saúde das populações. É importante considerar que determinados problemas de saúde afetam de maneira distinta homens e mulheres. Isso fica evidenciado quanto à violência. Enquanto a mortalidade, por violência afeta os homens em grande escala, a morbidade afeta as mulheres devido à violência doméstica e sexual. No caso dos problemas de saúde associados ao exercício da sexualidade, as mulheres são particularmente afetadas, com o agravamento das particularidades biológicas da transmissão vertical, principalmente da sífilis e HIV/Aids (BRASIL, 2004).
Outras questões evidenciadas neste capítulo são a precariedade da atenção obstétrica, o alto índice de mortalidade materna, a precariedade da assistência em anticoncepção, as DST´s/ HIV/ Aids, a violência doméstica e sexual, a saúde das mulheres adolescentes, a saude das mulheres no período de climatério e menopausa, a saúde mental e gênero, doenças crônico degenerativas e câncer ginecológico, saúde das mulheres negras, saúde das mulheres lésbicas, saúde das mulheres indígenas, das mulheres residentes e trabalhadoras da área rural, saúde da mulher em situação de prisão.
Enfim, a Política conclui com o capítulo “Humanização e qualidade: Princípios para uma Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher” e traça diretrizes para uma prestação de cuidados humanizada e consequentemente qualificada nos diversos níveis de atenção. Subsequente, os objetivos da Política são apresentados.
Frente à abertura para tantas possibilidades quanto a diferentes contextos em que as mulheres enfrentam, me aproprio destas possibilidades para propor diretrizes à assistência de saúde às mulheres muçulmanas, visto que atualmente tem ocorrido a chegada de um número cada vez maior de imigrantes muçulmanas para diversos países. O Brasil tem sido um destes países que tem acolhido esses imigrantes, advindos e refugiados da guerra da Síria e Líbano.
3.3. “HUMANIZAÇÃO E QUALIDADE”: DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DAS MULHERES MUÇULMANAS.
As questões inerentes à saúde das mulheres muçulmanas não são expressivas no Brasil, pois normalmente, não se considera a religião das pessoas para uma prestação de cuidados. No entanto, pelo fato das mulheres muçulmanas vivenciarem a sua religião na integralidade do seu ser, em toda a sua rotina diária, sendo assim, a expressão religiosa influencia na assistência de saúde.
Como visto no capítulo 1, o islamismo vai para além da religião, é um código de vida com princípios que norteiam todos os aspectos da vida cotidiana de seus adeptos. Com isto, expressões religiosas influenciam nos aspectos de saúde, além das questões de gênero, que são tão evidenciadas no islam. Todos estes aspectos são relevantes para a assistência integral às mulheres muçulmanas.
Um dos significados de integral é completo, que integra. A assistência integral às mulheres muçulmanas considera questões além do biológico, mas todo o seu entorno social, sistema de crenças e significados, questões de gênero, além das questões inerentes à migração e absorção da religião aqui no Brasil. A assistência de saúde a essas mulheres ultrapassa a biologia, é necessária uma compreensão das suas realidades por completo, para que então sejam integradas em uma prestação de cuidados efetiva. Sendo assim, adentro na questão da influência do islamismo sobre as práticas de saúde.
Tendo por base um dos capítulos da PNAISM que tem por título “Humanização e qualidade: Princípios para uma Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher”, me utilizo dos princípios da humanização e qualidade, contudo, reformulo o conteúdo do mesmo para adaptar às necessidades das mulheres muçulmanas.
No campo da atenção em saúde, o termo humanizar tem sido utilizado com diferentes entendimentos, relacionando-os com os direitos dos sujeitos assistidos e da ética voltada ao respeito ao outro. No entanto, a partir dos anos 90, a humanização tem ido para, além disto, tem sido tratada como política pública, sendo dirigida para todos os níveis de atenção (FORTES, 2004).
Humanização está relacionada à ética. Ética é a reflexão crítica sobre o comportamento humano que interpreta, problematiza e discute os valores, as regras morais para um bom convívio social (FORTES, 1998). Humanizar na atenção em saúde significa compreender cada pessoa em sua singularidade, que tem necessidades específicas (FORTES, 2004). É tratar as pessoas levando em consideração os seus valores e as suas vivências. É evitar a discriminação e preservar a dignidade humana. Considerar os preceitos religiosos de cada faz parte de uma assistência humanizada.
Humanizar refere-se à possibilidade de uma transformação cultural da gestão e das práticas desenvolvidas nas instituições de saúde, assumindo uma postura ética de respeito ao outro, de acolhimento do desconhecido, de respeito ao usuário entendido como um cidadão e não apenas como um consumidor de saúde (FORTES, 2004, p. 31).
A humanização na assistência gera a qualidade da mesma, e estas são condições essenciais para que as ações de saúde se traduzam na resolução dos problemas identificados, na satisfação das usuárias, no fortalecimento de enfrentamento das demandas pelas mesmas e no reconhecimento dos seus próprios direitos (BRASIL, 2004).
Existe um histórico de discriminações enfrentado por parte das mulheres pelos serviços de saúde. Essa condição de discriminação pode ser potencializada por vários fatores, mas em especial, destaco o fator religioso. A crença religiosa por si só, na maioria das vezes é desprezada na assistência. Os métodos científicos suprimem a condição de crença dos sujeitos assistidos. No cotidiano de um profissional da saúde, pouquíssimas vezes o fator religioso de quem recebe a prestação de cuidados é considerada.
Humanizar e qualificar a atenção em saúde é aprender a compartilhar saberes e reconhecer direitos. A atenção humanizada de boa qualidade implica no estabelecimento de relações entre sujeitos, seres semelhantes, ainda que possam apresentar-se muito distintos em suas condições sociais, raciais, étnicas, culturais e de gênero (BRASIL, 2004, p. 59).
Nesta perspectiva, a atenção à saúde das mulheres muçulmanas precisa considerar estes dois princípios fundamentais. Estes princípios influenciam em questões importantes para o planejamento das ações de atenção. Existem intersecções de fatores, tais como religião, condição social, raça-etnia e gênero. A seguir apresento tabelas com estes fatores em relação às mulheres muçulmanas. As informações destas tabelas tem por base a coleta dos dados do campo de pesquisa:
Figura 5- Tabela 4: Tempo de reversão, Estado Civil, Grau de Escolaridade, Cor, Idade.
Nome Família muçulmana Revertida Tempo (anos) Estado Civil Grau de Escolaridade Cor Idade
Violeta X/ 27 Viúva Pós-graduada Negra 53
Girassol X Casada Pós-graduada Branca 34
Jasmim X/ 11 Divorciada Sup. incompleto Parda 31
Orquídea X/ 4 Divorciada Ens. Médio Branca 34
Flor de Lótus
X Solteira Ens. Médio Branca 18
Margarida X/ 3 Casada Sup. incompleto Negra 42
Begônia X Solteira Sup. incompleto Branca 22
Figura 6- Tabela 5: Nomes/ Saúde da Mulher.
Nomes Perguntas
Violeta Girassol Jasmim Orquídea Flor de Lótus Margarida Begônia Utiliza serviço público (SUS) ou privado (PRIV.) de saúde?
PRIV. PRIV. SUS SUS SUS PRIV. PRIV.
Gestações/ Quantas? 1 3 1 1 X 3 X Parto: Cesário (C) Normal(N) Natural (NT) C C C C NT C X C C C X
Aborto? NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
Ginecologista: Homem (H) Mulher (M) M M M M M M H Realiza exames de Papanicolaou?
SIM SIM SIM SIM NÃO SIM
Não quis responder. No parto: Sofreu constrangimento contra os princípios religiosos?
NÃO SIM NÃO NÃO X NÃO X
Quanto á utilização do sistema privado ou público de saúde, entre as mulheres nascidas em família muçulmana, pude constatar que todas aquelas que já estão no Brasil desde o nascimento, tem melhor poder aquisitivo e utilizam o sistema privado de saúde. No entanto, de acordo com Girassol, as mulheres que vieram para o Brasil refugiadas e estão há pouco tempo no país ainda não tiveram a oportunidade de ter sua vida financeira estabilizada, por isso utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS).
Muitas pessoas estão chegando da Síria. Estamos nos empenhando para acolher todos eles. Mas é muito triste... Muitos tinham status social, formação acadêmica, ganhavam bem. Mas quando chegam aqui no Brasil precisam trabalhar de pedreiro, pintor... Precisam fazer “bico” para sobreviver... (GIRASSOL).
A Flor de Lótus, apesar de ser de família muçulmana, é usuária do SUS. Morou durante quatro anos da sua adolescência na Síria e retornou para o Brasil. Mesmo sendo brasileira, e tendo uma família bem estruturada utiliza o sistema público de saúde. Ela relatou que sentiu bastante diferença na assistência de saúde ao retornar para o Brasil.
Senti muita diferença. O médico que me examinou para eu iniciar as atividades físicas na escola foi muito mal-educado. Ele viu que eu estava de véu, que eu era muçulmana. Mesmo assim, levantou a minha blusa sem pedir permissão para ouvir o meu pulmão. Fiquei com muita vergonha. Ele nem me perguntou se podia, já foi levantando a blusa... Lá na Síria não era assim... (FLOR DE LÓTUS).
Apenas uma mulher de família muçulmana disse não achar ruim ser assistida por profissionais do sexo masculino, e ainda relatou que a sua mãe também não acha ruim.
Eu não ligo... O meu ginecologista é homem. O ginecologista da minha mãe também é homem. O meu pai não se importa. Para você ter ideia, a minha mãe não usa véu. Ela diz que aqui no Brasil chama muito a atenção. Ela prefere andar com roupas normais. Já eu uso. Acho que o meu sangue fala mais alto. Mas em relação ao médico eu não ligo (BEGÔNIA).
De todas as entrevistadas, esta foi a única que teve a voz mais dissonante, todas as outras, tanto de família muçulmana quanto revertidas relataram ser importante que os profissionais de saúde sejam de sexo feminino, principalmente quando a assistência for na região ginecológica.
Observei ainda, que essas mulheres de família muçulmana, todas tinham acesso à educação, sendo uma pós graduada, uma universitária e uma no ensino médio com pretensões acadêmicas. Todas eram muito bem articuladas. Porém, nos arredores das minhas conversas com as participantes da pesquisa, pude observar que as mulheres refugiadas que haviam acabado de chegar ao Brasil, pareciam ficar intimidadas com a minha presença. Muitas andavam acompanhadas por seus maridos e pareciam não poder ou querer conversar comigo. Talvez pelo fato de eu não ser uma “nativa”, ou por saberem que se tratava de uma pesquisadora.
As mulheres que se dispuseram a conversar comigo e manter um convívio eram muito solicitas e desejosas de cooperar com a pesquisa. Uma comunicava á outra da importância da pesquisa e chamavam outras mulheres para conversar comigo. Contudo, as mulheres que estavam a pouco tempo no Brasil fugiam das conversas, mesmo que informais. Quando notavam a minha presença se afastavam.
Talvez isto ocorresse também por causa dos homens. A grande maioria deles ficava vigiando a minha estada ali. Ocorreu um dia, enquanto conversa com algumas mulheres, observei um homem me observando, querendo entender o porquê das mulheres estarem conversando empolgadas comigo e eu anotando o que elas falavam. Percebi que ele perguntava para outra mulher quem eu era. Ela com a voz bem alta respondeu que eu era uma pesquisadora. Ele imediatamente retirou-se do local que estávamos.
Com relação ao tipo de parto, algumas mulheres já haviam tido seus filhos antes da reversão, a exemplo a Violeta, a Orquídea e a Margarida. Por isto, ao serem interrogadas se sentiram algum tipo de agressão aos preceitos religiosos no momento do pré-natal, parto e puerpério, relataram que não. Já a Girassol (de família muçulmana) e a Jasmim (revertida), relataram que sentiram certo nível de transgressão quanto aos seus preceitos religiosos.
Talvez, no caso, a minha médica, o auxiliar médico dela era um médico. Ela poderia ter me perguntado. Ela não me questionou né... e também porque eu não falei para ela que eu tinha problemas com
médico. Eu não deixei claro! Mas, vamos supor, poderia partir dela. Ela me ver de véu assim, ela sabia que no momento da cirurgia eu ia ter que tirar o véu. Ela poderia ter me perguntado: “Girassol, tem algum problema você tirar o véu?”. Então, normalmente, até hoje, eu nunca fui abordada neste sentido. Se teria problema....e por exemplo: em um hospital, eles tem mais auxiliares e ela poderia me oferecer: “- Olha, eu sou assistida por um médico. Tem algum problema para você ou a gente tem que ver uma médica?”. Geralmente no hospital tem vários médicos atuando. E assim, não foi uma preocupação que ela teve. Foi engraçado! A gente se preocupa tanto em passar com médica mulher, e a gente esquece que a gente vai chegar no centro cirúrgico e vai ter o pediatra, vai ter auxiliares, vai ter anestesistas...um trilhão de outros profissionais. Daí, eu falei com o meu marido: “-Que engraçado né?! A gente fica procurando uma médica, e chegou lá, quando eu estava lá já, sem roupa, sem o véu, sem nada... ai era anestesista homem, o auxiliar era homem, o pediatra era homem...todo o resto era homem....daí é uma coisa que não está nas suas mãos. Não há problema nenhum, mas vamos supor, isso poderia ser o cuidado da sua médica de perguntar: “-Você quer?” Porque para ela tem como ou não sei....talvez não tenha como mudar a equipe...(GIRASSOL).
(...) tem enfermeira que fala:”Olha, coloquei a toquinha, cobri tudo!”, toda cheia de cuidados....mas tem outras que falam: “- Olha, já esta aparecendo a perereca, o resto é fácil”... tem gente que fala...risos!!!! Teve uma enfermeira que falou isso para mim!!!! E tem outros que já tem aquele cuidado de “-Ai, você tirou o véu, vou te cobrir!’, mesmo que você esteja lá na maca, e tem esse cuidado.... Foi engraçado no meu ultimo filho....era uma médica.... pediatra médica, a equipe de mulheres, ai chegou o anestesista...era homem...eu falei: “-quase que deu tudo certo!’ (risos) E eu tive trauma com anestesista, porque a anestesia não pegava em todos os meus partos...quando o médico falava, relaxa, quase que o meu joelho colava no meu queixo...daí que eu ficava mais tensa...(risos)...e no final graças a deus deu tudo certo...(GIRASSOL).
Quem me deu alta foi um médico. Ah, eu não lembrava desta parte. Ele constatou que foi um parto natural e me deu alta tão rápido. Eu não tinha dor, não tinha corte, não tinha ponto, ele falou que não tinha necessidade nenhuma de ficar ali. Ele fez os exames necessários no bebe, viu que ele estava em perfeitas condições e me deu alta. Primeiro eu quero contar para ele o que está acontecendo para ele não ter que olhar, mas ele é o médico, então, ele quis visualizar.... Eu tentei dizer para ele que não teve corte... Daí ele quis olhar e perguntou: “Não teve corte?”... Daí quis olhar...(risos)(JASMIM).
As outras duas mulheres muçulmanas, de família muçulmana, Flor de Lótus e Begônia ainda são solteiras, por isso não tem filhos. Isto corrobora com os valores islâmicos de ter