2. GENEL BİLGİLER
2.3 Yangın Önleme ve Yangına Müdahale Sistemleri
2.3.2 Aktif Yangın Güvenlik Önlemleri
2.3.2.2 Yangın alarm sisteminin yapısı
Uma das outras linhas de influência mútua e o uso de ambos os poetas, Lorca e Neruda, do pictórico, do onírico e do surreal em seus poemas. Alguns poemas de Neruda são verdadeiras marinhas. O mar, os sinos, os caracóis, as cebolas, as uvas, os elementos naturais pincelados como uma natureza morta, é uma característica que aparece também nos poemas de Federico García Lorca que é uma das maiores influências inclusive na pintura posterior de Salvador Dalí. A convivência entre Dalí e Lorca vai preparar o salto que o pintor dará do cubismo para o surrealismo. Já vimos em capítulo anterior, que prenunciando o movimento surrealista de Breton, Neruda em suas residências colocava elementos do onírico e do realismo fantástico ou do surrealismo em sua poesia. A convivência comum na Espanha, a nosso ver, só aguçou a utilização destes elementos por Neruda, é uma dos possíveis estéticos comuns a Geração de 1927, de extremo experimentalismo. Assim, a troca de experiências, inclusive literárias, serviram para que depois na poesia de Neruda estas características, a do pictórico, do onírico, do realismo fantástico, permaneçam. Aliás, o realismo fantástico, uma versão latino-americana aprimorada do surrealismo, chegou mesmo a ser uma corrente de romances na América do Sul, que dentre outros gênios teve Cortázar, Borges, Gabriel García Marques. Defendemos que Neruda em seus versos já namorava este fazer. Este capítulo serve para demonstrar como a experiência comum entre Dalí e Lorca serviu para consolidar e preparar o surrealismo em ambos e o pictórico na poesia de Lorca.
Lorca e Dalí influenciaram-se reciprocamente. Ambos se conheceram na residência dos estudantes em 1922. Dalí, mais novo, tinha 19 anos, Lorca, mais velho e socialmente mais desenvolto tinha 23, uma forte atração recíproca os aproximou. O poeta era brilhante socialmente e logo ficou fascinado pelo pintor tímido que usava roupas de dândi inglês, ambos se tornaram companheiros inseparáveis entre 1923 e 1928. Relação expressa no poema Ode a Salvador Dalí e no quadro, O mel é mais doce que o sangue. Quando ambos se conheceram, Lorca já era um poeta conhecido, que vinha da interpretação fracassada da sua peça
Malefício da Mariposa, mas que não afetará seu prestígio poético. Dalí ainda é um
poeta iniciante, praticamente desconhecido, saindo da fase impressionista e entrando no cubismo. Faziam parte de um grupo social mais amplo de amigos, inclusive de boemia, que incluía ainda Pepín Bello e Buñuel.
Lorca e Dalí vão estreitar amizade e passar alguns verões juntos entre 1923-1925. Neste período Lorca escreva a peça Mariana Piñeda e o Romancero
Gitano, que só farão aumentar seu prestígio. Dalí, por sua vez, pintará Natureza morta e Convite ao sono, obra esta que já conta com os valores surrealistas que o
farão famoso. Em 1926, Dalí adere de vez ao surrealismo, mas esta passagem, se dá em convívio pessoal com Lorca, e ambos se influenciaram mutuamente na temática, assumiram compromisso com o experimentalismo e ir mais além dos limites da arte formal. Além da amizade e da relação erótico amorosa entre ambos, os une na vida e na arte, a temática da morte. Tanto um quanto outro tinham fixação por ela, Lorca, a cantará continuamente em seus versos, e chegará a simular seu próprio funeral desfilando num féretro em Andaluzia, fazendo mesmo da obsessão da morte um culto. Dalí ficou famoso por sua obsessão e medo da morte, ao pintar era uma forma catártica de desafiá-la, por isto também a obsessão com o tempo, cronos, que inevitavelmente vai corroendo a natureza e a nossa vida. Vejamos um poema sobre a morte, de Lorca, que exemplifica bem o que dissemos:
Muerto de amor
¿Qué es aquello que reluce por los altos corredores? Cierra la puerta, hijo mío, acaban de dar las once. En mis ojos, sin querer, relumbran cuatro faroles. Será que la gente aquélla estará fregando el cobre. Ajo de agónica plata
la luna menguante, pone cabelleras amarillas a las amarillas torres. La noche llama temblando al cristal de los balcones, perseguida por los mil perros que no la conocen, y un olor de vino y ámbar
viene de los corredores (LORCA, 1999, 384).
A lua, a noite, a morte, a agonia. Lorca fala da própria morte, uma obsessão, um poeta no limiar permanente entre a vida e a morte, como um vate de seu próprio sacrifício, cordeiro branco da poesia, manchado de sangue ainda muito jovem. Dialoga com sua mãe sobre seu desejo permanente de morrer, sobre seu próprio velório. A forma é curta, contrasta com o lúgubre do conteúdo, ágil, viva, brilhante, como se a morte ganhasse música e fosse uma celebração. Parece dizer que ao vivermos permanentemente neste limiar imprevisível entre nossa existência curta e finita e a eterna “noche” comandada pela lua, devíamos celebrar a vida como se celebra a morte. O medo e a recorrência temática à morte, também é uma forma catártica de ao celebrá-la como inevitável, afastarmos nosso horror, continuemos no poema:
Brisas de caña mojada y rumor de viejas voces, resonaban por el arco roto de la media noche. Bueyes y rosas dormían. Solo por los corredores las cuatro luces clamaban con el fulgor de San Jorge. Tristes mujeres del valle bajaban su sangre de hombre, tranquila de flor cortada y amarga de muslo joven. Viejas mujeres del río lloraban al pie del monte, un minuto intransitable de cabelleras y nombres. Fachadas de cal, ponían cuadrada y blanca la noche. Serafines y gitanos
tocaban acordeones (LORCA, 1999, 384).
Brisas de caña mojada, y rumor de viejas voces, esta parte do poema remete ao simbolismo e seus recursos sonoros sinestésicos e ritmo baseado não na rima das vogais, mas nos sons consonantais. O poema sibila, baila, como se festejasse a morte. O tema é lúgubre, o ritmo alegre, com acordeões, lavadeiras, carpideiras, ciganos e serafins. O poeta pagão, que mistura o sacro celestial (serafins) com o maldito e excomungado (ciganos). A morte aqui se lamenta e
celebra, chora, canta e dança, é um festim profano, dionísico. Lorca, que era músico, pianista, não precisa da métrica marcada e do ritmo final. Conhecedor profundo da musicalidade, usa a sonoridade interna das palavras para dar uma musicalidade extrema ao poema, como se celebrasse sua própria morte, pedindo que seu mundo poético chore em sua homenagem, numa mistura que é onírica, surreal e inovadora:
Madre, cuando yo me muera, que se enteren los señores. Pon telegramas azules que vayan del Sur al Norte. Siete gritos, siete sangres, siete adormideras dobles, quebraron opacas lunas en los oscuros salones. Lleno de manos cortadas y coronitas de flores, el mar de los juramentos resonaba, no sé dónde. Y el cielo daba portazos al brusco rumor del bosque, mientras clamaban las luces
en los altos corredores (Lorca, 1999, 384).
O que se nota no poema, além da recorrência da morte, da lua, da noite, da tormenta, é a naturalidade com relação à morte. Nos poemas de Lorca a morte vibra, e só falta cantar e dançar. O tragicismo da morte, contrasta com seu colorido, ainda que um colorido de tormentas. Vemos claramente que os temas que aparecerão na poesia de Dalí já se encontram plasmados na poesia de Lorca, quase como quadros não pintados. Em 1926 Dalí adere definitivamente ao surrealismo. O contato entre eles, mesmo quando distantes, através de cartas, é constante e continuado. Dalí está em Figueiras e Lorca em sua amada Granada. Em 1927, Lorca e Dalí voltam a se encontrar em Figueiras e Cadaques, na casa dos pais de Dalí; logo após, Mariana Piñeda é encenada e o cenário é desenhado por Salvador Dalí. Cabeça de Dalí sobreposta a de Lorca faz parte do cenário, como se ambas fossem uma única, este é um tema recorrente que aparece até na pintura de Dalí e que também é desenhado por Lorca (que faz vários desenhos, alguns ilustram seus livros de poesia). Estas cabeças sobrepostas são interpretadas como amizade e influência recíproca, mas também são vistas por muito biógrafos como retratos do envolvimento amoroso de ambos, é fato que tanto Dalí é fascinado pela poesia e pela figura de Lorca, da qual confessou em sua biografia sentir uma certa inveja pelo brilho social; quanto Lorca é fascinado pela arte e também pela figura, incluindo o
corpo do jovem Dalí. Em sua biografia, Dalí relata que teria resistido a várias investidas de Lorca.
Entre 1928 e 1929 acontecerá a ruptura entre ambos. Dalí vai se relacionar com Buñuel, e vai ser incentivado por este a desprezar Lorca. Buñuel tem um irmão homossexual, o homossexualismo numa Espanha conservadora e ultracatólica pode se transformar num drama social. Buñuel despreza e hostiliza Lorca por sua homossexualidade e encoraja Dalí a fazer o mesmo. Em 1928, Dalí vai fazer uma crítica atacando o Romancero Gitano de Lorca, por seu ‘populismo’ artístico; por sua vez, Lorca vai se aproximar, em sua viagem a Nova Iorque do artista plástico Aladrén. Dalí critica Lorca por esta aproximação por considerar Aladrén um artista “sofrível”, todavia, alguns biógrafos consideram que razões também sentimentais teriam levado à crítica tão feroz de Dalí.
Em 1929, Dalí e Buñuel filmam o Cão andaluz, filme que levará ao afastamento entre Lorca e Dalí. Ainda que Buñuel não admita, o nome de Cão
andaluz é uma referência feroz e direta à Lorca, que estaria sendo hostilizado e
ridicularizado por Buñuel por ser o poeta ser gay. Cão era o apelido que os estudantes madrilenhos pejorativamente davam, na residência dos estudantes, aos vindos do sul. Lorca e Dalí só se veriam após 1929, em 1935, um ano antes da morte do poeta. Depois de tão prolongada e intensa convivência, é óbvio que este afastamento atesta uma ruptura da proximidade e da intimidade entre ambos. Quando se reveem em 1935, Lorca conhece Gala, mulher de Dalí, a peça Yerma é encenada, com ruidoso sucesso. Gala fica impressionada com Lorca e o convida para ir a Paris estar com eles, mas Lorca recusa. Depois, este episódio será lembrando com remorsos por Dalí, que não se conforma por não ter insistido para que Lorca fosse com eles para Paris, e sente culpa pela morte de Lorca, a quem considera um de seus mortos queridos, Dalí considera que se tivesse insistido talvez o poeta tivesse ido a Paris e isto teria evitado sua morte. É lógico que esta conjectura de Dalí é apoiada mas no sentimento de estima e até de amor que sentia por Lorca, que por qualquer fato objetivo, Dalí não tem absolutamente nada que ver com a morte de Federico. Mas Dalí dizia que “Lorca for fuzilado por engano. O caos espanhol me transtornou e os monstros da Guerra Civil invadiram minha tela”. Aqui, duas observações nossas, a primeira, não concordamos que Lorca tenha morrido por engando, ele foi uma vítima intencional trágica de uma ditadura de cunho fascista que o odiava duplamente: por seus pendores socialistas e por ser gay. O
segundo, já prenunciamos, a de que mesmo no auge da Guerra Civil espanhola a pintora de Lorca continuou sendo mais surrealista que engajada, a guerra civil entrou mais como monstro, terror e morte do que como guerra, realidade social, Dalí tomava o lado das vítimas, não o lado de uma das facções em disputa, como outros artistas tomaram.
Para entender melhor a relação entre o pictórico e o poético, vamos fazer uma comparação das figuras estéticas inscritas tanto no poema, Ode a Salvador
Dalí, quanto no quadro, O mel é mais doce que o sangue, que foram feitas, ambas
as obras, no auge da relação íntima de amizade e ou amorosa dentre ambos, que confluiu para uma relação de parceria estética. Vejamos o poema:
ODA A SALVADOR DALÍ
Una rosa en el alto jardín que tú deseas. Una rueda en la pura sintaxis del acero. Desnuda la montaña de niebla impresionista. Los grises oteando sus balaustradas últimas. Los pintores modernos en sus blancos estudios, cortan la flor aséptica de la raíz cuadrada. En las aguas del Sena un iceberg de mármol enfría las ventanas y disipa las yedras. El hombre pisa fuerte las calles enlosadas. Los cristales esquivan la magia del reflejo. El Gobierno ha cerrado las tiendas de perfume. La máquina eterniza sus compases binarios. Una ausencia de bosques, biombos y entrecejos yerra por los tejados de las casas antiguas. El aire pulimenta su prisma sobre el mar
y el horizonte sube como un gran acueducto (LORCA, 1999, 618).
O poema já começa contraditório. Primeiro, porque ao contrário da maioria das poesias de Lorca, estes versos não são versos livres, em versos alexandrinos, clássicos, ainda que não rimados, Lorca faz a apologia da ruptura. Como assinala Octavio Paz, a vanguarda criou a “tradição da ruptura”. Escrevendo sobre movimentos de poesia e pintura e suas relações, Lorca usa na forma a tradição para falar de vanguarda, o que já é a demonstração de per si de seu incrível talento. Cioso do controle que tem das formas, ele usa uma ode clássica sem rimas para fazer apologia de um momento de ruptura, é uma contradição o próprio poema, como será todo o tempo a vanguarda na incessante necessidade de superar-se a si mesma, na busca cotidiana de um futuro que no dia seguinte já é passado:
Marineros que ignoran el vino y la penumbra, decapitan sirenas en los mares de plomo. La Noche, negra estatua de la prudencia, tiene
el espejo redondo de la luna en su mano. Un deseo de formas y límites nos gana.
Viene el hombre que mira con el metro amarillo. Venus es una blanca naturaleza muerta
y los coleccionistas de mariposas huyen. Cadaqués, en el fiel del agua y la colina, eleva escalinatas y oculta caracolas. Las flautas de madera pacifican el aire. Un viejo dios silvestre da frutas a los niños.
Sus pescadores duermen, sin ensueño, en la arena. En alta mar les sirve de brújula una rosa.
El horizonte virgen de pañuelos heridos, junta los grandes vidrios del pez y de la luna. Una dura corona de blancos bergantines ciñe frentes amargas y cabellos de arena. Las sirenas convencen, pero no sugestionan,
y salen si mostramos un vaso de agua dulce (LORCA, 1999, 618).
Para os que conhecem a relação entre ambos esta é a parte autobiográfica no poema. Cadaqués, a convivência recíproca, a pintura O sangue é
mais doce que o mel, os marinheiros como a autorreferência ao tempo passado
entre ambos na residência. No poema, o recurso estilístico muito comum à poesia de Lorca, que é a repetição de frases para marcar o rimo e retomar cada verso, ¡Oh,
Salvador Dalí, de voz aceitunada!, mostra intimidade e carinho íntimo, não é uma
elogio só ao pintor, é elogio ao homem adolescente que viveu uma relação íntima intensa que os biógrafos de ambos não sabem precisar(o que inclusive está relatada na pintura O grande masturbador, referência explícita a Federico García Lorca e aos momentos em que ambos estiveram a sós e juntos). Só conhecendo a biografia de ambos para entender a sutil referência à intimidade que Lorca faz, de forma discreta faz Lorca. O poema é referência a experimentos teóricos, mas refere-se também ao caso de amor (platônico ou mais do que isto) entre ambos, que vai marcar a arte e a poesia de ambos:
¡Oh, Salvador Dalí, de voz aceitunada! No elogio tu imperfecto pincel adolescente ni tu color que ronda la color de tu tiempo, pero alabo tus ansias de eterno limitado. Alma higiénica, vives sobre mármoles nuevos. Huyes la oscura selva de formas increíbles. Tu fantasía llega donde llegan tus manos, y gozas el soneto del mar en tu ventana. El mundo tiene sordas penumbras y desorden, en los primeros términos que el humano frecuenta. Pero ya las estrellas ocultando paisajes,
La corriente del tiempo se remansa y ordena en las formas numéricas de un siglo y otro siglo. Y la Muerte vencida se refugia temblando en el círculo estrecho del minuto presente. Al coger tu paleta, con un tiro en un ala, pides la luz que anima la copa del olivo.
Ancha luz de Minerva, constructora de andamios, donde no cabe el sueño ni su flora inexacta. Pides la luz antigua que se queda en la frente, sin bajar a la boca ni al corazón del bosque. Luz que temen las vides entrañables de Baco y la fuerza sin orden que lleva el agua curva. Haces bien en poner banderines de aviso, en el límite oscuro que relumbra de noche. Como pintor no quieres que te ablande la forma el algodón cambiante de una nube imprevista. El pez en la pecera y el pájaro en la jaula. No quieres inventarlos en el mar o en el viento. Estilizas o copias después de haber mirado, con honestas pupilas sus cuerpecillos ágiles. Amas una materia definida y exacta
donde el hongo no pueda poner su campamento. Amas la arquitectura que construye en lo ausente y admites la bandera como una simple broma. Dice el compás de acero su corto verso elástico. Desconocidas islas desmiente ya la esfera. Dice la línea recta su vertical esfuerzo
y los sabios cristales cantan sus geometrías (LORCA, 1999, 618).
Geometria, movimento, estrela como ironia, escárnio, broma, forma perfeitas de pássaros desfeitos em sonho. Morte e mitologia greco-romano. O experimentalismo extremo de quem capta a imagem como símbolo e não como imagem, quem irá além de todas as formas e conteúdos. Manifesto surreal em poesia, em ode, experimentalismo difuso de todos os dados das sensações, pintura que é poema, poesia que é tela, quadro que capta o movimento de forma poética. Lorca escreve quase uma manifesto performático do que viria a fazer Dalí, em pouco tempo, de uma pintura que se contaminou de poesia, de uma poesia que pretendeu ser pictórica e onírica. A influência recíproca de ambos, de dois titãs, acabou por fazer explodir a poesia nas telas, e o surreal, o sonho, a morte, a noite, a lua, na poesia. Nesta ode-manifesto, Lorca vai descrevendo o começo da caminhada de seu amigo/amante Salvador Dalí:
Pero también la rosa del jardín donde vives. ¡Siempre la rosa, siempre, norte y sur de nosotros! Tranquila y concentrada como una estatua ciega, ignorante de esfuerzos soterrados que causa.
Rosa pura que limpia de artificios y croquis y nos abre las alas tenues de la sonrisa (Mariposa clavada que medita su vuelo). Rosa del equilibrio sin dolores buscados. ¡Siempre la rosa! (LORCA, 1999, 618)
A rosa comunica na poesia e na pintura de ambos, o frugal, o cotidiano, que nada está além da poesia e da pintura. O que se transvalora na arte não mais apenas no que é excelso ou sublime, mas a beleza subterrânea de todos os atos e coisas. Uma rosa, que é geometria, simplicidade, dado cubista passo rumo ao surreal. Mas que também é signo, elemento subjacente, íntimo, onírico, lírico e amoroso. A explosão de sentidos que a descoberta do subconsciente, do id, representou para a renovação da arte. A rosa é rosa e não é rosa, assim como a vida é sonho, mas o sonho não é a vida real, mas a revela e a revalora. Lorca continua traçando a multiplicidade da arte de ambos:
¡Oh, Salvador Dalí de voz aceitunada!
Digo lo que me dicen tu persona y tus cuadros. No alabo tu imperfecto pincel adolescente, pero canto la firme dirección de tus flechas. Canto tu bello esfuerzo de luces catalanas, tu amor a lo que tiene explicación posible. Canto tu corazón astronómico y tierno, de baraja francesa y sin ninguna herida.
Canto el ansia de estatua que persigues sin tregua, el miedo a la emoción que te aguarda en la calle. Canto la sirenita de la mar que te canta
montada en bicicleta de corales y conchas. Pero ante todo canto un común pensamiento que nos une en las horas oscuras y doradas. No es el Arte la luz que nos ciega los ojos. Es primero el amor, la amistad o la esgrima. Es primero que el cuadro que paciente dibujas el seno de Teresa, la de cutis insomne, el apretado bucle de Matilde la ingrata,
nuestra amistad pintada como un juego de oca. Huellas dactilográficas de sangre sobre el oro,