2. GENEL BİLGİLER
2.5 Akıllı Fabrika ve Üretim Sistemleri (Endüstri 4.0)
2.5.4 Akıllı Fabrikalar
2.5.4.4 Üretimde dijitalleşmenin ülkemizdeki yansımaları
Inicialmente, podemos observar que Cortès consegue credibilidade através de seus atos, pois o objetivo do conquistador era o de conseguir legitimar-se diante da coroa.
13Diz-se que liderança é a arte de comandar pessoas, atraindo seguidores influenciando de forma positiva mentalidades e comportamentos.
14 Referência à cidade do México. 15
Foi um sistema de trabalho forçado imposto pelos espanhóis em diversos lugares da América, do final do século XVI até o início do século XIX.
16 Tradução:
Ele atraiu os espanhóis para a cidade do México dando-lhes concessões de terra, os índios deixando-os primeiramente sob a autoridade de seus chefes naturais, embora logo todos tenham sido reduzidos, salvo os Tlascalans, ao estado de escravos pelo vicioso sistema de repartimentos em uso nas colônias espanholas.
Charaudeau aponta que a legitimidade dá ao sujeito o direito de dizer ou de fazer, já a credibilidade dá ao sujeito a capacidade de dizer ou fazer. O sujeito deve, assim, conseguir credibilidade para em seguida ser legitimado. A partir da visão que Charaudeau nos deixa sobre a legitimação de um sujeito, podemos analisar a legitimação buscada por todo sujeito político e na qual Cortès se enquadra. Cortès tenta se legitimar como governador da Nova Espanha pedindo isso diretamente e para isso se coloca diante da coroa espanhola descrevendo seus feitos, mostrando à Sua Majestade o seu próprio reconhecimento por ela.
... em uma nau que despachei desta Nova Espanha a 16 de julho de 1519, enviei a vossa alteza longo e particular relato do que aqui sucedeu... E depois disto só não mandei informações por falta de navios e por estar ocupado na conquista e pacificação desta terra, porque é meu desejo que vossa alteza saiba tudo o que está ocorrendo nesta terra. (CORTEZ, 2007: 34 e 35).
Verne faz um relato onde mostra como Cortès age para conseguir ganhar suas batalhas e chegar ao final de sua conquista. O autor evidencia em seu discurso como Cortès pôde conquistar essa nação com ‘peu de ressources’ (VERNE, 2005: 90). E mostra a competência discursiva e guerreira que o herói tem para suas finalidades. Segundo ele, o conquistador é um grande herói de seu tempo que soube colocar em cena muitas batalhas gloriosas onde era sempre um grande gênio político. (VERNE, 2005: 90).
On peut vraiment dire que Cortès a conquis le Mexique avec ses seules ressources. Son influence sur l’esprit de ses soldats était le résultat de leur confiance dans son habileté, mais on doit attribuer aussi à ses manières populaires, qui le rendaient éminemment propre à conduire une bande d’aventuriers (VERNE, 2005 : 90 e 91). 17
17Tradução:
Pode-se dizer que Cortès conquistou o México com seus próprios recursos. Sua influência sobre os outros soldados era o resultado da confiança deles na sua habilidade, mas deve-se atribuir também às suas maneiras populares, que o tornavam eminentemente apropriado para conduzir um bando de aventureiros. (Verne, 2005: 90 e 91).
A glória e o dinheiro são coisas conquistadas pelo herói através de seus esforços. Por outro lado, Verne também nos mostra as dificuldades encontradas durante as guerras. Nestes combates ele mostra que Cortès perdeu muitos homens, pois as condições eram às vezes muito difíceis e com a falta de recurso tudo parecia impossível. Apesar disso, os autores Verne e Bennassar concordam quando descrevem a determinação com a qual o herói trabalha para dominar os índios. Um exemplo disso é a noite do dia 30 de junho de 1520 que Verne nos mostra em seu texto:
Avant le jour tout ce qui a pu échapper au massacre de cette noche triste, comme fut désignée cette épouvantable nuit, se trouvait réuni à Tacuba. Ce fut les yeux pleins de larmes que Cortès passa revue de ses derniers soldats, tous couverts de blessures, et qu'il se rendit compte des pertes sensibles qu'il avait essuyées (VERNE, 2005 : 71). 18
Bennassar comenta que o mais surpreendente em Cortès é o fato de ele ter perdido a metade de sua tropa e, mesmo assim, acreditar que era possível a sua Conquista “Le plus surprenant dans le cas de Cortès n’est pas ce qu’il a réalisé mais, simplement, qu’il ait cru possible de réaliser!” Verne acrescenta que estes fatos não desanimam o herói, segundo ele isso o impulsiona a não deixar a conquista:“Dans leur capitale, Cortès apprit encore la perte de deux détachements, mais ces échecs, si graves qu'ils fussent, ne le découragèrent pas. Il avait sous ses ordres des troupes aguerries, des alliés fidèles’’ (VERNE, 2005 : 75).
Verne acrescenta que o conquistador estava tão certo de seus propósitos que entrega suas riquezas já conquistadas em nome de novas batalhas. O domínio dos vencidos se concretiza a cada momento até que ele obtenha o que almejava.
18 Tradução:
Antes de amanhecer o dia tudo que pôde escapar ao massacre desta Noite triste, como foi designada esta terrível noite, se encontrava reunido em Tacuba. Foi com os olhos cheios de lágrimas que Cortès passou em revista seus últimos soldados, todos cobertos de feridas, e que ele se dá conta das perdas que tivera. (Verne, 2005: 71)
Verne o constrói como um conquistador que soube ‘‘travailler sur l’impossible’’ (VERNE, 2005: 75) e é exatamente isso que fascina o autor. O herói se destaca, no romance de Verne, como aquele que consegue vencer pela sua inteligência e pela tática política. O autor observa no herói que ele sabe utilizar das várias possibilidades que existem em um discurso político com finalidade de convencer o outro, fazer o que ele quer. Charaudeau nos diz que a exemplo da legitimidade, a credibilidade não é qualidade ligada à identidade social do sujeito. Ela é, ao contrário, o resultado da construção de uma identidade discursiva pelo sujeito falante, realizada de tal modo que os outros sejam conduzidos a julgá-lo digno de crédito. (CHARAUDEAU, 2008: 119). Sendo assim, o que podemos notar no herói é a busca não somente de credibilidade, mas também de legitimidade. Bennassar 2001, mostra que inicialmente, o herói acaba conseguindo a confiança dos índios, fato que o favoreceu para dominar povos até chegar ao seu objetivo: aos Astecas. Vejamos o exemplo exposto pelo historiador Bennassar:
Cortés fils de ses oeuvres, dépourvu des atouts initiaux de Pedrarias, fut à l’évidence le premier conquistador qui se soit rendu maître d’un grand empire, qui ait vaincu des armées constituées par des guerriers de valeur, qui ait su conclure des alliances durables et efficaces avec des peuples indiens, qui ait jeté les bases d’une nouvelle société, tout en introduisant en Amérique les plantes et les animaux domestiques de l’Ancien Monde. Tout cela sans qu’il en coûte rien au fisc royal, bénéficiaire d’importants envois de métaux précieux (BENNASSAR, 2001 : 314).19
Em sua obra Linguagem e discurso (2010:7) Charaudeau diz que é a linguagem que permite pensar e agir. Pois não há ação sem pensamento, nem pensamento sem linguagem. É também a linguagem que permite ao homem viver em sociedade. Sem a linguagem ele não saberia como entrar em contato com os outros, como estabelecer
19 Tradução:
Cortés filho de suas obras, desprovido dos atrativos iniciais de Pedrarias, foi com evidência o primeiro conquistador que tenha se tornado mestre de um grande império, que tenha vencido exércitos constituídos por guerreiros de valor, que tenha sabido fazer alianças duráveis e eficazes com os povos indígenas, que tenha jogado as bases de uma nova sociedade, introduzindo na América as plantas e os animais domésticos do Antigo Mundo. Tudo isso sem custo ao fisco real, beneficiário de importantes envios de metais preciosos. (BENNASSAR, 2001: 314)
vínculos psicológicos e sociais com esse outro que é, ao mesmo tempo, semelhante e diferente. Da mesma forma, ele não saberia como construir comunidades de indivíduos em torno de um ‘desejo de viver juntos’. “A linguagem é um poder, talvez o primeiro poder do homem”. (CHARAUDEAU, 2010: 7) O autor acrescenta, dizendo que os homens constroem essa linguagem através de suas trocas e ao longo da história. Cortès se legitima diante da coroa e diante dos povos que conquista, também por meio da linguagem. Em suas cartas, ele utiliza um tipo de discurso descritivo como fonte de informação e ao mesmo tempo ele busca a confiança da Corte espanhola para dar continuidade a sua conquista. O conquistador se desdobra em um teatro da vida social para conseguir a confiança dos povos por ele conquistados.
De acordo com Verne, através de sua força e de seu poder de persuasão, Cortès traz aliados e consegue até mesmo fazer de Montezuma seu prisioneiro:
Enfin pour empêcher le retour d´agressions qui ne pouvaient que nuire à la bonne harmonie et enfin de prouver aux Mexicains qu’il ne nourrisait contre les Espanhols, aucun mauvais dessein, Montézuma n´avait d´autre parti à prendre que de venir résider au milieu d´eux. L´empereur ne s´y décida pas facilement, cela se comprend de reste, mais il lui fallut céder à la violence et aux menaces. (VERNE, 2005: 61.) 20
Cortès diz à Sua Majestade que o fez em nome dela: “senti que convinha ao real serviço de Vossa Majestade e à nossa segurança que aquele senhor Montezuma ficasse em meu poder e não em sua total liberdade. E assim determinei prendê-lo e colocá-lo no aposento onde eu estava, que era muito forte e seguro” (CORTEZ, 2007: 55). Isto foi para o conquistador mais uma forma de mostrar à coroa que ele já tinha poder suficiente dentro do México. Sua autoridade diante dos mexicanos era tanta que ele já podia tomar
20 Tradução:
Finalmente para evitar o retorno de agressões que só podiam prejudicar a harmonia e, finalmente, para provar aos mexicanos que ele não alimentava contra os espanhóis nenhum mau projeto, Montezuma não podia fazer nada senão vir residir no meio deles. O imperador não se decidiu facilmente, isso se compreende, mas ele teve que ceder à violência e às ameaças (VERNE, 2005: 61.)
posse de uma das maiores tribos da época.
Segundo Charaudeau, a autoridade está intrinsecamente ligada ao processo de submissão do outro. Ela coloca o sujeito em uma posição que lhe permite obter dos outros um comportamento (fazer fazer) ou concepções (fazer pensar e fazer dizer) que eles não teriam sem sua intervenção. No caso de Montezuma, como podemos observar em Verne e mesmo na descrição de Cortès, esta autoridade se confunde com legitimidade, é com a finalidade de se fazer prevalecer (CHARAUDEAU, 2008: 68).
Cortès consegue convencer a coroa e finalmente, depois de várias batalhas ele prende Montezuma e o faz prisioneiro de Sua Majestade. Como podemos observar em Verne, Cortès não só faz uso de sua autoridade como forma de legitimação, mas também para humilhar o imperador asteca: “Cortès imposa une nouvelle humiliation à Montézuma en lui mettant les fers aux pieds, sous prétexte que les coupables l´avaient
accusé au dernier moment”(VERNE, 2005: 61).
Cortès diz que, depois de ter conversado muito com Montezuma, retirou suas algemas deixando o imperador muito contente e que a partir disso ele procurou agradar Montezuma no que ele pedia. Hernán Cortès era um homem cheio de estratégias. Ao conversar com o imperador asteca e depois libertá-lo, o conquistador mostra mais uma vez que é autoridade neste lugar, e que o imperador não poderia fazer nada para mudar sua situação. Sendo assim, este teve de aceitar o domínio espanhol: tanto ele como os
demais senhores se alegravam muito em se manter como súditos de Vossa Majestade.
(CORTEZ, 2007: 56) .
Charaudeau diz que a autoridade vem se somar à legitimidade. Ela decorre do fato de que um sujeito, para confirmar sua posição de legitimidade, necessita exercer uma sanção sobre aqueles que não querem se submeter, recorrendo, eventualmente, à violência para se fazer obedecer. É o que podemos observar em Cortès. Ao entrar no
México, ele busca aliados tentando convencê-los a servir à sua majestade e com aqueles que não querem ele se utiliza da força tal como ele fez com Montezuma e seus súditos:
Pendant six mois, le “conquistador” exerça au nom de l´empereur, réduit au rôle de roi fainéant, l´autorité suprême, changeant les gouverneurs qui lui déplaisaient, faisant rentrer les impôts, présidant à tous les détails de l´administration, envoyant, dans les différentes provinces de l´empire, des Espagnols chargés de reconnaître leurs productions et d´examiner avec un soin tout spécial les districts miniers et les procédés en usage pour la récolte de l´or. (VERNE, 2005: 62).21
Cortès reduz o imperador e todos os indígenas daquela região a seus servidores, apenas com poucos soldados ele foi conquistando várias tribos, até chegar ao maior dos imperadores. Como diz Charaudeau, a política é um domínio de prática social em que se enfrentam relações de forças simbólicas para a conquista e a gestão de um poder e ela só pode ser exercida na condição mínima de ser fundada sobre uma legitimidade adquirida
ou “atribuída” (CHARAUDEAU, 2008: 79). E para que esta legitimidade funcione, o
autor acrescenta que o político deve se mostrar um sujeito em quem se possa confiar, ou seja, ele deve conseguir persuadir as pessoas de seus valores. Sendo assim, Cortès só consegue aliados por sua força de persuasão. Ele soube mostrar a este povo que o melhor a fazer era servir à coroa espanhola e a seu Deus. Todavia, ele não consegue trazer Montezuma para sua fé. Embora Cortès tentasse lhe mostrar seu Deus, Verne diz que o imperador se manteve em sua religião, ainda que tivesse que ceder no ramo político:
Si Cortès avait réussi à convaincre Montézuma dans tout ce qui touchait à la politique, il n´en fut pas de même pour ce qui avait trait à la religion. Jamais il ne put le décider à se convertir, et lorsqu´il voulut renverser ses idoles comme il l´avait fait à Zempoalla, il souleva une
21 Tradução:
Durante seis meses, o conquistador exerceu, em nome do Imperador, reduzido ao papel de rei preguiçoso, a autoridade suprema, alterando os governadores que o desagradavam, recolhendo Impostos, presidindo a todos os detalhes da administração, enviando nas diferentes províncias do império, os espanhóis encarregados de reconhecer as suas produções e de examinador com um cuidado muito especial os distritos mineiros e os procedimentos utilizados para colher o ouro. (Verne, 2005: 62).
sédition qui n´aurait pas manqué de devenir très sérieuse, s´il n´avait pas aussitôt abandonné ses projets. (VERNE, 2005: 63 e 64). 22
Mesmo que Cortès não tivesse conseguido fazê-lo com Montezuma, ele o consegue com vários de seus súditos, utilizando várias estratégias políticas, a fim de trazer estes índios para sua fé, pois é em nome de seu Deus que ele age. Cortès parece surpreso pelo fato destas pessoas possuírem tanta riqueza, mesmo elas não acreditando em seu Deus. Ele relata em suas cartas que isto é de se admirar: “considerando ser esta gente bárbara e tão apartada do conhecimento de Deus, é de se admirar ao ver como têm todas as coisas. As pessoas andam bem vestidas, com boas maneiras, quase da mesma forma como se vive na Espanha.” (CORTEZ, 2007: 64 ).