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2. GENEL BİLGİLER

2.5 Akıllı Fabrika ve Üretim Sistemleri (Endüstri 4.0)

2.5.4 Akıllı Fabrikalar

2.5.4.3 Akıllı fabrikaların taşıdığı riskler

Cortès coloca-se como narrador em suas cartas, apresentando o México de forma persuasiva e convincente com a finalidade de ocupar o lugar de governador nas conquistas. Charaudeau (2010) diz que nem sempre os fatos narrados correspondem necessariamente ao que aconteceu, mas são apresentados “como se”. Segundo Charaudeau, um narrador pode desempenhar seu papel de dois modos distintos:

historiador ou contador. O primeiro organiza a representação da história contada da

maneira mais objetiva possível, mais próxima dos fatos da realidade, utilizando arquivos, testemunhos e documentos. Este narrador historiador, implica o leitor

destinatário de uma história contada que deve ser recebida (e eventualmente verificada) como representação de uma história real.

Com finalidade de dramatizar seu texto, Verne nos mostra em seu capítulo sobre Cortès também os atos de sacrilégio de uma época corrompida por uma categoria social que traça o destino de toda uma sociedade. Os índios fazem parte de um ciclo da história que possuem um destino trágico e notável. Quando Verne nos expõe o personagem de Cortès enquanto um grande gênio que cria seu próprio destino, ele nos exibe igualmente quanto este mesmo destino foi cruel para os índios. O personagem se caracteriza pela sua força e pela sua bravura, no entanto, segundo Verne, os mexicanos também são um povo que possui estas mesmas características. Logo depois da morte de Montezuma, Cortès teve que fazer mais uma vez prova de competência e habilidade, pois os mexicanos lutaram bastante para resistir a sua saída da cidade: “Mais, grâce à sa force et à son agilité exceptionnelles, Cortès put échapper à leur étreinte, et ces braves

Mexicains périrent dans leur tentative généreuse et inutile pour le salut de leur pays” (Verne, 2005: 69). Verne mostra claramente que seu herói é superior aos índios, que apesar da bravura deles, sua força não seria nada diante de Cortès. É essa grande batalha que dá inicio a famosa noite triste3. No decurso dos combates, Cortès perde metade dos

homens: tem de decidir pela evacuação de Tenochtitlán (cidade do México) em direção a Tlascala e em seu discurso com seus soldados, mostra mais uma vez que é capaz de se fortalecer e convence os espanhóis de não entrar em conflito com seus aliados :

En entrant sur le territoire de Tlascala, Cortès recommanda à ses hommes, et particulièrement à ceux de Narvaez, de ne commettre aucune vexation à l’égard des indigènes, car il allait du salut commun, et pas irriter les seuls alliés qui leur restassent. Par bonheur, les craintes qu’on avaient conçues sur la fidélité des Tlascalans furent vaines. L’accueil qu’ils firent aux Espagnols fut de plus en plus sympathique ; ils ne songeaient qu’à venger la mort de leurs frères massacrés par les Mexicains. (VERNE, 2005 : 75).9

9 Tradução:

Ao entrar no território de Tlascala, Cortés recomendou a seus homens, e particularmente aos de Narvaez, que não fizessem nada que causasse mal aos indígenas, pois isso traria consequências para a salvação comum, e que não irritassem os únicos aliados que lhes restavam. Por felicidade, os temores que mostraram sobre a fidelidade dos Tlascalenses foram vãos. A acolhida aos espanhóis foi cada vez mais simpática; eles só almejavam vingar a morte de seus irmãos massacrados pelos mexicanos.

A Noite Triste (em espanhol, La Noche Triste) foi uma batalha que ocorreu no dia 30 de junho de 1520 em Tenochtitlán, no México, entre forças astecas e espanholas.

A chamada noite triste representa para Cortès uma grande perda, a imagem ilustrada acima acontece no Lago de Texcoco, no México, e tem como a vitoriosos os astecas que conseguem eliminar muitos dos homens de Cortès. Esta é a batalha mais dura que o conquistador teve que enfrentar, além disso, além da perda de seus homens, ele sofre igualmente um pouco da perda de credibilidade, tendo que refazer suas estratégias para continuar no país. A pintura mostra uma noite sombria, com muitos homens jogados ao chão apontando como esta batalha foi difícil tanto para os espanhóis, quanto para os índios. Nela podemos observar um jogo de luzes muito intenso e sombras acentuadas com cores escuras predominantemente fortes, ressaltando a tristeza desta noite.

A recomendação em nome da aliança feita entre Cortès e os indígenas, valendo-se da persuasão e da eloquência, fundamenta-se em decisões sobre o futuro, o herói se

justifica sobre o que pode ser feito, de forma a persuadir os espanhóis a não abandonar os projetos. Ele busca ao mesmo tempo convencê-los de que somente com a ajuda daquele povo eles poderiam ter mais resultados.

Charaudeau (2008: 37) diz que o ethos político é o resultado de uma alquimia complexa feita de traços pessoais de caráter, de corporeidade, de comportamentos, de declarações verbais, tudo relacionado às expectativas vagas dos cidadãos, por meio de imaginários que atribuem valores positivos e negativos a essas maneiras de ser. Segundo o autor, toda construção do ethos se faz em uma relação triangular entre si, o

outro e um terceiro ausente portador de uma imagem ideal de referência: o si procura

endossar essa imagem ideal; o outro se deixa levar por um comportamento de adesão à pessoa a que ele se dirige por intermédio dessa imagem ideal de referência. O ethos construído por Cortès se liga completamente à sua imagem de homem excepcional, de um herói acima de tudo.

O discurso político é uma ação e muitos políticos ou homens de determinadas posições jogam com elementos contraditórios. Cortès, alguns anos depois de sua chegada à cidade do México, ao saber da traição liderada pelo último imperador asteca, faz de Guatimozin10 seu prisioneiro, e o elimina para agradar seus homens, visto que o Imperador nada quis dizer com relação ao ouro que escondia:

A l’ivresse du succès succédèrent presque aussitôt chez les Espagnols le dépit et la rage. Les immenses richesses sur lesquelles ils avaient compté n’existaient pas ou avaient été jetées dans le lac. Cortès, dans l’impossibilité de calmer les mécontants, se vit contraint de laisser mettre à la torture l’empereur et son Premier ministre. (VERNE: 2005; p.81). 11

10 Guatimozin ou Cuauhtémoc foi o último Imperador asteca. Cortès ordenou a morte de Cuauhtémoc no

dia 26 de fevereiro de 1525.

11 Tradução: À embriaguez do sucesso sucederam quase imediatamente nos espanhóis o despeito e a

raiva. As imensas riquezas com as quais haviam contado não existiam ou tinham sido jogadas no lago. Cortès, na impossibilidade de acalmar os descontentes, viu-se obrigado a deixar torturar o imperador e seu Primeiro ministro.

Cuauhtémoc sendo torturado por Hernán Cortès. Pintura do século XIX por Leandro Izaguirre, México.

A imagem mostra a tortura de Cuauhtémoc no dia 26 de fevereiro de 1525. Data em que Cortès ordena a morte do último imperador asteca, a imagem mostra a tortura pelo fogo, onde Cortès é colocado diante do imperador asteca mostrando sua superioridade. A pintura ilustra um cruzar de olhares, mostrando que Cuauhtémoc não tinha medo de Cortès. Apesar de Cortès se colocar em posição de superioridade, o imperador asteca é colocado diante de sua morte pelo pintor como um homem digno de seu império e pronto para morrer por ele. Em seu olhar não está descrito o medo de um homem diante da morte, como podemos observar no outro asteca ilustrado também como prisioneiro. A tortura pelo fogo representa o domínio de Cortès sobre o imperador, ou seja, Cortès domina o fogo e o fogo domina o imperador asteca com a tortura.

Qual é o objetivo do discurso e quais são os recursos mediante os quais o orador pretende alcançar esse objetivo? O objetivo de Cortès aqui pode ser visto como uma

maneira de alcançar mais credibilidade de seus homens que haviam sonhado com uma riqueza não encontrada, para que depois de tantas lutas, os mesmos tivessem um pouco de consolo. O risco de perda de prestígio era grande e o herói da conquista buscava ainda algumas batalhas. Cortès, imediatamente instaurando um processo de sedução, através de outros recursos se fixa enfim entre os mexicanos. As imensas riquezas com as quais eles haviam contado não existiam ou haviam sido jogadas no lago.

Cortès na impossibilidade de acalmar os descontentes, se viu constrangido de deixar ser torturado o imperador e seu primeiro-ministro. (VERNE, 2005: 81).

Cortès enfin confirmé dans sa situation n’avait plus qu’à organiser sa conquête. Il commença par établir le siège de sa puissance à Mexico qu’il rebâtit. (VERNE : 2005; p.82).12

Ele busca mais uma vez a comunicação das partes, dos seus soldados, para, finalmente entrar na cidade e nela fica por alguns anos. Cortès ativa o imaginário de seus conquistadores enunciando e argumentando sempre que eram válidas aquelas expedições. Em seu discurso estava sempre a presença de Deus e as possibilidades de novas riquezas. Segundo Cortès, ele sempre deixou claro em suas expedições que ele serviria sempre em prol de sua majestade.

Tenho certeza que os juízes de vossa majestade hão de comprovar que não há ordem de vossa majestade que eu não tenha cumprido... Não fosse assim eu não teria saído a seiscentas léguas desta cidade, caminhando por terras até então não trilhadas, por meio aos mais diversos perigos de vida, tendo deixado nesta cidade oficiais de vossa majestade encarregados de manter o zelo em nome de vossa alteza. (CORTEZ, 2007: 214).

Neste discurso de Cortès, se reflete o medo de perder sua legitimidade e credibilidade conquistadas com tantos esforços:

12 Tradução nossa de: Cortès enfim conformado com a situação tinha somente que organizar sua

conquista. Ele começou estabelecendo o trono de seu poder no México que ele construiu. (VERNE, 2005: 82).

Dizem que não tenho obedecido aos seus reais mandamentos e que atuo nesta terra em seu poderoso nome de forma tirânica e inefável, dando para isto algumas depravadas e diabólicas razões. (CORTEZ, 2007: 214).

Charaudeau (2008: 127) diz que todo modo é importante para o político responder à acusação de culpa ou de responsabilidade, se quiser sair ileso do ataque. A acusação de culpa designa o autor do ato delituoso como tendo agido de maneira consciente e voluntária; daí, justificar-se consiste, então, em negar o caráter consciente e voluntário e a possibilidade de ter sido mal-intencionado. A responsabilidade gera um ator do fato involuntário, este justifica-se minimizando seu papel e evidenciando o caráter não intencional do ato protestando sua inocência. Muitas acusações são feitas com o propósito de retirar Cortès do poder e de suas conquistas. Em sua última carta podemos observar que ele se manteve muito preocupado em perder seu cargo e tenta de todas as formas convencer sua majestade de que o melhor a ser feito é mantê-lo na cidade do México e, para isso, produz um discurso justificando que o que falavam de suas conquistam eram inverdades.

Outra coisa que me têm acusado é de que tenho a maior parte destas terras para mim, me servindo e aproveitando delas, de onde se tem extraído grande quantidade de ouro e prata. Que tenho feito fortuna e ainda por cima gastado sessenta e tantos mil pesos de ouro de vossa majestade sem necessidade. E mais que não tenho enviado o ouro e as rendas de vossa majestade. Quanto a ter a maior parte da terra, isto é verdade, pois a tenho conquistado para o reino de vossa majestade, aumentando seu real patrimônio. Quanto ao ouro e prata digo que não há o bastante para que eu deixe de ser pobre e deixe de estar endividado com mais de quinhentos mil pesos de ouro, sem ter um castelhano com que pagar, pois se muito ganhei, muito gastei com trabalho, riscos e perigos para ampliar o reino de vossa majestade. (CORTEZ, 2007: 214-215).

Charaudeau (2008: 153) diz que o ethos é voltado ao mesmo tempo para si e para o outro. Ele é uma construção de si para que o outro adira, siga, identifique-se a este ser que supostamente é representado por um outro si mesmo idealizado. Na busca de

conquista de territórios, Cortès se faz reconhecer por todos, transmite insegurança para alguns e conquista e poder para outros. Como quer que seja, é importante para o político responder à acusação de culpa ou de responsabilidade, se quiser sair ileso do ataque.

A fama de Cortès até a conquista também foi construída por declarações de terceiros. Como se sabe ele tinha muita fama de destruidor, desde seus primeiros contatos teve que agir com violência: “... des indigènes étaient entièrement changés, et l’on dut employer la violence.” (CORTEZ, 2007: 46). Charaudeau (2008:155) mostra que o sujeito político pode pretender ocupar uma posição de leadership13 na cena política e aparecerá como um ser “inspirado”, um “visionário”, o depositário de uma fonte de inspiração misteriosa, o porta-voz do terceiro que se encontra na onipotência do além. É dessa forma que o herói da conquista, colocado por Verne, em seu exemplo, indica com evidência um apelo no que diz respeito à forma de suas atitudes: palavra e ação definem o estilo do herói. Ambas funcionando como estratégias para atrair os índios e aliados:

…Il y14 attira les Espagnols en leur donnant des concessions de terre, les Indiens en les laissant tout d’abord sous l’autorité de leurs chefs naturels, quoiqu’il eût bientôt tous réduits, sauf les Tlascalans, à l’état d’esclaves par le vicieux système des repartimientos15 en usage dans les colonies espagnoles. (VERNE, 2005: 82).16