2. KORUMA TEDBĠRLERĠNĠN ORTAK ÖZELLĠKLERĠ
2.2 Yakalama
Exposta a lacuna na base de conhecimentos em Física dos professores de Ciências para ensino infantil/fundamental, será descrita agora a proposta de material didático a ser utilizado como base para um curso de formação para professores com o objetivo de instrumentalizar os participantes com uma base de conhecimentos necessários para que não incorram nos erros mais comuns ou não caiam nas armadilhas epistemológicas e conceituais que ocorrem com mais frequência nos livros didáticos voltados para o ensino infantil e fundamental.
Muitas das concepções alternativas apresentadas pelos professores nesse nível de ensino coincidem com as dos próprios alunos e da população de um modo geral e por isso não podem ser ignoradas ou facilmente substituídas simplesmente dizendo “o que é o certo” outrossim causando suficiente choque epistemológico fazendo com que o próprio sujeito reavalie seus esquemas mentais e se reequilibre num novo patamar de conhecimento.
“Numerosos estudos realizados na última década revelaram que as concepções contextualmente errôneas se manifestam com frequência (muitas pessoas as apresentam), consistência (as concepções são universais) e resistência (são resistentes à mudança através do ensino tradicional).
[...] Muitas vezes, é possível traçar um paralelo entre as c.c.e. dos estudantes em Física e a história da Ciência. Ou seja, muitas ideias que os estudantes apresentam já foram compartilhadas por cientistas do passado.
No decorrer do processo de elaboração e confecção do material, esteve sempre presente a intenção de considerar fatores que contribuíssem para um ensino de Física relevante. Outro, e mais difícil, elemento que levamos em conta foi o desafio de conceber um material capaz de auxiliar o professor do curso na complexa tarefa de motivar seu aluno (professor também ou futuro professor) a querer aprender. Um material que estimulasse a curiosidade balançando os mitos muitas vezes por trás das crenças que o futuro professor toma como fato científico legítimo para ser ensinado em sala da aula. Durante a redação dos capítulos e a escolha das atividades propostas, foram buscadas abordagens e enfoques diferenciados de modo a facilitar a familiarização com os conceitos apresentados.
Procurou-se ainda tornar o aprendizado significativo para os futuros professores. Algo que não só fosse instigante, epistemologicamente desafiador dado o choque com as concepções alternativas e mitos que tentamos sistematicamente provocar, mas que também se mostrasse utilizável imediatamente. Contra isso tivemos as dificuldades apontadas na literatura, também muitas vezes coincidentes com as observadas por este autor ao longo de 27 anos lecionando Física no ensino médio em turmas de origens, níveis e objetivos diversos:
“[...] as expectativas e reações das alunas em relação ao ensino de Física praticado na Escola eram do seguinte tipo:
- as aulas de Física são cansativas; - estudar Física é estudar matemática; - não há relação com a vivência do dia-a-dia;
- a responsabilidade da aprendizagem é toda do professor; o aluno é um mero receptor de conhecimentos;
- não há envolvimento do aluno, porque não há discussões;
- a Física parece estar deslocada em um curso de formação de professores para as séries iniciais: Por que precisamos saber Física se não há Física nas séries iniciais?
Ao longo da escrita, não nos fixamos a uma corrente pedagógica em particular, em vez disso, houve a preocupação de tornar todos os conteúdos vivos e substancialmente atrelados ao nosso cotidiano, disponibilizando diferentes seções que municiassem o professor com possibilidades variadas de abordagem de determinado assunto. Uma vez tendo consciência das características peculiares do alunado, o professor será capaz de reconhecer o valor pedagógico das várias seções, assim como a maneira e o momento mais apropriados de conectá-las às estratégias de ensino.
As diferentes atividades, textos e exercícios propostos possibilitam pontos de vista complementares de uma mesma lei ou conceito; além disso, admitem abordagens em profundidades também distintas. Esse espectro de possibilidades e níveis de profundidade pode ser explorado pelo professor que reconhece o nível de prontidão para o aprendizado momentâneo de seu aluno, escolhendo o modo como a sequência de leituras e atividades é mais pertinente. Ao mesmo tempo, essa abordagem variada pode ser utilizada em prol de uma aprendizagem holística dos temas estudados. As diferentes seções propiciam o desenvolvimento de habilidades cognitivas distintas que, quando reunidas, ajudam o estudante a se familiarizar e se apropriar devidamente dos conceitos mostrados nos três tópicos escolhidos para serem estudados.
Como já foi dito, houve o cuidado, durante a redação dos textos e da seleção dos exemplos e atividades, em aproximar a Física ensinada ao mundo vivencial do aluno toda vez que isso se mostrou viável. Essa aproximação deu-se tanto pelo tratamento de fenômenos naturais presentes no cotidiano imediato do estudante quanto pela escolha de tecnologias conhecidas e já consagradas pela sociedade.
Outra tática usada foi a de apresentar elementos que se opusessem à intuição e ao senso comum. Com frequência, os saberes da Física e das Ciências Naturais contradizem o pensamento comum. As representações primeiras dos indivíduos, geralmente, não condizem com os conhecimentos científicos, gerando concepções alternativas que o futuro professor não deve levar (embora frequentemente aconteça) para suas futuras salas de aula bem como para seus futuros alunos. Acerca disso, nos falam Langhi e Nardi.
“Os resultados apontam para um ciclo de concepções alternativas incorporadas nos saberes
docente, expondo o despreparo do professor, que tenta ser superado com a busca de fontes alternativas de informações, mas que também não garantem um embasamento seguro para a sua formação. ”
[Langhi e Nardi 2008]
O conhecimento físico é um construto elaborado, e que exigiu um esforço coletivo da comunidade científica para que chegasse ao que é hoje e que prossegue no sentido de levar a humanidade a patamares cada vez maiores de conhecimento e domínio dos processos naturais. Muitas vezes, esses saberes possuem uma sofisticação e um grau de abstração não alcançado pelo senso comum. Muito embora as representações mentais e concepções espontâneas de cada um sirvam para interagir e conviver dentro de uma determinada realidade, raramente as mesmas concepções se sustentam quando chamadas a explicar ou prever resultados ainda que simples dessa realidade.
Utilizadas com cautela, essas incongruências encontradas na cognição humana, entre conhecimento próprio (hipóteses do indivíduo) e o saber científico estabelecido, podem ser aproveitadas para despertar a curiosidade em querer encontrar uma explicação para aquilo que os esquemas mentais não dão conta de explicar. Estas situações, se bem exploradas, constituem fabulosas oportunidades de aprendizado. Dessa forma, usando adequadamente os elementos de aproximação do mundo vivencial e os elementos contra intuitivos, pode-se despertar no aluno, futuro docente, o interesse e gosto pelo estudo da Física.
Os conteúdos abordados, foram escolhidos por figurarem com bastante expressão nos livros didáticos e programas curriculares voltados para o ensino infantil e séries iniciais do fundamental e por isso também dão maior margem para a propagação de mitos e concepções alternativas.