3.6. Araştırma Sürecinde Karşılaşılan Güçlükler
4.3.4. Yöneticilerin Hz Muhammed’in Hayatı, Kur’an-ı Kerim ve Temel Din
A sociedade, em geral, possui uma imagem da Polícia relacionada ao medo, à coerção. A proximidade das origens da organização com o militarismo contribui para alimentar esse sentimento, conforme afirma Soares (2001). Os mitos que marcam a cultura da organização militar, para Albuquerque e Machado (2001) e Listgarten (2002), reproduzem os valores tradicionais relacionados ao militarismo, o que, de certa forma,
impede a implementação de um novo quadro curricular e de uma nova mentalidade voltada para a modernização na PM e para o estabelecimento de um contato mais próximo com a comunidade.
Esse medo que as pessoas têm da Polícia, ainda relacionado à ligação da Polícia com o Exército brasileiro, também foi reforçado pelo período da ditadura no Brasil, após o Golpe Militar de 1964, quando as ações dos policiais adquiriram um sentido repressor e de violência muito forte.
O período de revolução é um período em que as pessoas ficavam bastante… com medo, com receio, né. Então as pessoas tinham medo da Polícia, né, tinham medo do Exército, porque foi um período, assim, que marcou de certa forma, de uma maneira negativa, digamos assim, a sociedade, o país. (Econtext 1)
A mídia também influencia muito na imagem que a sociedade tem da Polícia e do policial. De acordo com McLuhan (1969), através dos meios de comunicação de massa as pessoas recebem uma grande variedade de informações, um fluxo complexo e veloz de notícias que vêm de toda parte do mundo, que, direta ou indiretamente, interferem nas suas opiniões.
Algumas policiais entrevistadas atribuem a imagem negativa que as pessoas têm da organização ao fato de a mídia mostrar os erros cometidos pela PM, causando uma má impressão do seu serviço de segurança pública. Vale ressaltar que, de acordo com Thompson (1999), a mídia exerce um papel importante na construção e no reforço das representações, pois é por meio dela que os grupos obtêm reconhecimento e visibilidade e, dessa forma, afirmam a sua identidade. Assim, um erro ou ato ilícito cometido por um policial pode ser relacionado a todos os policiais.
Eu acho que a sociedade, ela vai muito pela opinião da mídia. O que vê na mídia aí. Muitas vezes a mídia divulga o lado negativo da Polícia Militar, e não divulga os positivos. A mídia, muitas vezes ela faz isso, ela coloca a Polícia Militar lá em baixo. Divulga fatos muitas vezes errados. Sobe as estatísticas da criminalidade, entendeu? Então, isso aí depende de como eles vão me ver lá fora nessa época, entendeu? Se, por exemplo, um policial comete um ato errado, eles não falam: ‘o soldado fulano de tal fez isso’, eles falam: ‘um policial militar’. Aí, a sociedade me vê nessa hora, entendeu? Como se eu fosse uma marginal também, entendeu? (EFEM 32)
O descrédito da sociedade quanto à promoção da segurança pública também pode ser evidenciado na falta de recursos destinados à sua prática, o que é motivo de queixa para algumas das policiais entrevistadas. De acordo com Souza (1999), desde a década de 80, a Polícia passa por uma crise financeira acarretada pelo baixo investimento do Estado, que se refletiu, nos anos 90, em problemas com a frota de veículos, com os equipamentos de comunicação e de segurança da tropa e em baixos salários para o quadro de pessoal.
Nesse sentido, foi detectada insatisfação pela falta de equipamentos por que sofre a organização e pela impotência diante da impunidade da justiça no país, a qual também é sentida por grande parte da população. Com isso verifica-se a necessidade de os órgãos de segurança pública no país trabalharem de forma mais integrada, e percebe-se como o sistema atual está falido e precisa ser repensado.
Eu acho que a dificuldade de lidar com a falta de recursos... falta de ter recursos humanos e logísticos, então, eu acho que essa é a grande dificuldade em todos os níveis da Polícia Militar, essa impotência... Mas tem algo que é mais forte que recursos humanos e logísticos é o não-funcionamento do sistema. Aí, gera mais impotência, então, você saber que você faz o seu trabalho, mesmo com todas dificuldades de viatura, de comunicação, de poucos homens, ai você consegue realizar o seu trabalho, só que ele não tem continuidade. Então, isso é pior ainda porque frustra o profissional em todos os níveis e gera impunidade... (Efem 13)
Me incomoda muito também é a minha incapacidade de estar mudando alguma coisa no Brasil, porque poderia mudar muita coisa, mas que não depende da Polícia Militar especificamente. Depende da Policia Civil, depende do Ministério Público... A gente faz a prisão de um indivíduo três, quatro, cinco vezes, e às vezes a pessoa sai antes da viatura, por que a viatura fica lá registrando a
ocorrência e a pessoa sai e deveria estar presa e não está presa por ‘n’ questões: falta de lugar, porque aquele crime é de menor potencial. (Efem 14)
Sobre a questão da impotência das policiais de mudarem o sistema de segurança no país, Soares
e Sento-Sé (2001) defendem a necessidade de reformulação da concepção do trabalho dos policiais e do treinamento que devam receber. Os autores afirmam que o processo de reformulação da segurança pública no Brasil deve enfocar, de forma integrada, o policiamento operacional, que atende a demandas localizadas e urgentes; a atividade investigativa, de responsabilidade da Polícia Civil; e o policiamento comunitário, estratégia voltada para a prevenção. Assim, esse processo depende do envolvimento de todas as unidades responsáveis pelo sistema de segurança pública do país, como Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Governo, etc.
A imagem negativa da organização, no entanto, é desmistificada para os policiais quando eles ingressam nela. Muitos deles afirmam que a Polícia Militar também possui um lado científico, uma formação consistente para seus membros que, muitas vezes, não é conhecida pela comunidade. Após ingressarem na organização e passarem pelo treinamento, as policiais mudam a forma como vêem a PM. Apesar de tantas críticas que recebe da sociedade, a Polícia consegue modificar sua imagem diante dos policiais quando deixam de ser civis.
Quando eu entrei, eu conheci cientistas na Polícia, pessoas que estudam mesmo a ciência Polícia, né. Pessoas estudiosas, pessoas competentes, serviços que realmente têm uma continuidade, pessoas sérias trabalhando.(Efem 12)
A modificação da imagem organizacional diante de seus membros é obtida mediante o processo de socialização por que passam os policiais. E o que se percebe é que a socialização do civil para militar é um processo muito marcante que modifica fortemente a vida dessas pessoas, conforme sustentado por Brito e Brito (1996), Souza (2001) e Listgarten (2002).
Trata-se do que Lima (2001) denomina de formação da “segunda pele”, que é a superposição do corpo de civil pela farda de policial. Esse processo de socialização é responsável, em grande parte, por inserir as estruturas tanto objetivas como subjetivas do campo de poder da organização nas estruturas mentais de seus membros, formando, assim, seu habitus de policial (BOURDIEU, 2001).
Os policiais socializados passam a conceber a Polícia Militar como sua própria família. Essa concepção da organização como o próprio lar, no entanto, também possui um caráter disciplinar, de trazer o indivíduo para perto da organização e a organização cada vez mais para perto do indivíduo, o que Foucault (1977) denomina de enclausuramento. Segundo o autor, no processo de enclausuramento, são criados espaços fechados ao redor dos indivíduos por meio do estabelecimento de regras e procedimentos que delimitam seu comportamento. O espaço social de convivência do indivíduo é alterado e substituído pelos valores, princípios e códigos de conduta da organização. Durante desse processo, os policiais estabelecem laços fortes dentro da organização, fazem amizades, em sua maioria, com outros policiais, namoram e se casam com colegas de trabalho ou outras pessoas relacionadas à Polícia. Trata-se do mito da Polícia como uma família.
E a Polícia é uma família, né. Você não pode esquecer disso, porque isso é muito importante eu acho pra questão de gênero: ‘é a nossa família’… A Polícia perpassa a família do indivíduo, né. Ela vigia. Mas, hoje mesmo a Polícia tem essa característica de vigiar a família do indivíduo. Uma coisa se mistura com a outra, se confunde, né. (Econtext 3)
O mito da Polícia como família também apresenta o aspecto de promover a vigilância contínua sobre seus membros. Para Foucault (1977), a vigilância é garantida pelo uso de sistemas de inspeção que compilam as ações e atividades. Assim, as relações de poder exercidas pela organização devem ganhar acesso aos corpos dos indivíduos, às suas ações e atitudes cotidianas, resultando na transformação de simples movimentos em comportamentos disciplinados.
A dedicação integral imposta ao policial é uma das formas que essa vigilância toma na PM, pois as escalas podem ser feitas a qualquer momento e eles são chamados para trabalhar em horários de fim de semana, à noite, etc. Algumas policiais entrevistadas reclamaram que as escalas poderiam ser feitas de uma forma mais planejada. Contudo, em alguns casos, pela própria natureza da função, que envolve muitos imprevistos, isso não é possível. Além disso, o planejamento das escalas rompe com a necessidade de o policial estar sempre disponível à organização e, conseqüentemente, sempre vigiado por ela.
Outro aspecto que me incomoda, tem diminuído bastante, mas antigamente tinha mais, é a gente ter que estar dedicada à profissão 24 horas, o tempo inteiro. Você está na sua casa, se tiver alguma coisa, eles te acionam e você tem que vir.Tinha que ser uma coisa mais estabelecida, não uma coisa de surpresa. Costuma sexta-feira chegar e você está de serviço no final de semana, em cima da hora. Não dá pra você programar muito a vida. (Efem 14)
Outras características marcantes da estrutura do campo de poder da Polícia são a hierarquia e a disciplina, as quais, conforme consta na tabela 10, são consideradas pilares
da organização por 75,75% das respostas dadas pelas policiais entrevistadas. Ou seja, são símbolos usados como instrumentos por excelência da integração social. De acordo com Bourdieu (2001), o capital simbólico existente nas instituições e práticas sociais dos campos de poder é utilizado pelos agentes para exercerem o poder sobre os outros. Dentro da Polícia Militar, a hierarquia e a disciplina podem ser consideradas como um capital simbólico importante que pode ser utilizado tanto para a reprodução da ordem social dominante, como para a transformação dessa ordem, dependendo de como os agentes do campo as empregarem. O importante é que esse capital simbólico é reconhecido e legitimado na ordem social estabelecida na organização.
Entretanto, em 36,36% das respostas, as entrevistadas consideram que a hierarquia e a disciplina têm perdido sua rigidez excessiva. Os motivos dessa flexibilização serão comentados adiante.
Tabela 10
A hierarquia e a disciplina na Polícia Militar para as policiais entrevistadas
Itens Discriminados F.a. F.r.
São as bases / pilares da instituição 25 75,75% Tiveram sua rigidez flexibilizada pela ênfase na profissionalização 12 36,36% A disciplina é necessária para a imposição da hierarquia e do respeito pessoal 9 27,27% Elas são muito consistente/ rígidas 5 15,15% São cultuadas como rituais 2 6,06% A hierarquia é o escalonamento da Polícia Militar 2 6,06% São apreendidas nos cursos de formação 1 3,03%
Permanecem as mesmas 1 3,03%
TOTAL 57 172,71%
Fonte: entrevistas com as policiais
Nota: a soma das freqüências é superior a 100% por ter sido possível aos entrevistados dar mais de uma resposta.
O poder disciplinar da Polícia é tão expressivo que ultrapassa as barreiras do trabalho e adentra à vida pessoal de seus membros. Para Townley (1993), as práticas que
favorecem o exercício do poder disciplinar são identificadas nas políticas de gestão de pessoas na medida em que tornam o comportamento individual quantificável, mensurável, descritível, observável e, em conseqüência, mais facilmente controlável. E isso é possibilitado à Polícia pelo regulamento disciplinar.
O rigor atribuído à hierarquia e disciplina chega a ser uma espécie de culto promovido na organização. Entre as respostas das entrevistadas, 27,27% delas consideram a hierarquia e a disciplina necessárias para impor o respeito na organização e 6,06% enxergam-nas como rituais. O respeito pelo outro é imposto pelo regulamento e pelas sanções disciplinares.
A hierarquia e a disciplina, que são as bases da instituição, elas são cultuadas dentro da Polícia Militar com muito rigor. Tem regulamentos, códigos, que prevêem que, para qualquer transgressão do militar, é feito um processo, ele é punido se estiver realmente errado. Existem algumas sanções administrativas que são impostas a ele, e essa questão da hierarquia mesmo, o soldado que tem que respeitar o cabo, não só como pessoa, mas também por ser um superior hierárquico, chamar de senhor. Existe uma cadeia de comando, que para que se chegue no subcomandante, primeiro, você tem que ter passado pelo seu comandante de Companhia, e assim pra fora, ele tem que ter cumprido toda uma escada que a gente chama de hierarquia.(Efem1)
Percebe-se que a hierarquia e a disciplina funcionam como um mecanismo de controle e coordenação. É o exercício do poder disciplinar sobre a tropa (FOUCAULT, 1977). Muitas entrevistadas acabam por exaltar a necessidade desses pilares para contrabalancear a autoridade que é conferida ao policial militar pelo uso da arma, pela própria profissão, a qual lhe possibilita exercer poder de prisão sobre a população.
Esses pilares são vistos também como uma forma de manter o espírito de corpo, a união, entre os policiais. Ao compararem a hierarquia e a disciplina exigidas na PM com as da Polícia Civil e, ao descreverem que esses valores não são tão rígidos na Polícia Civil, as
policiais reafirmam sua importância para conter possíveis desvios entre os policiais. Essa diferenciação também pode ser atribuída às especificidades do campo de poder da PM, visto que a Polícia Civil não tem essa origem militar. Percebe-se, nesse ponto, a importância de se conhecer as estruturas de um campo de poder específico para a análise das relações de poder que ocorrem nesse campo, pois, segundo Wacquant (1992), um campo de poder é composto por um conjunto de relações históricas e objetivas, relacionadas a certos tipos de capital que estruturam as ações. Nesse caso, o regulamento disciplinar mais rigoroso da Polícia Militar em relação ao da Polícia Civil pode diferenciar as relações sociais que ocorrem em um e em outro campo.
Ajuda demais. Quando as pessoas falam em unir com a Polícia Civil, não ia dar muito certo, por que o efetivo da Polícia Militar é muito grande e você precisa de uma forma, por que são pessoas, é uma tropa armada que vai pra rua, então você precisa de um mecanismo de freio, você precisa de um mecanismo pra coordenar essas pessoas e sem hierarquia e disciplina não consegue. (Efem 8)
São os pilares né. São mais que necessários, eu acho que é o que difere, não tanto da sociedade civil, porque também dentro de uma empresa, tem chefe, sub- chefe, tem uma hierarquia, sendo que aqui, acho que é mais que necessário, é a questão de ordem unida, tem que manter aquela união, você tem que ter uma disciplina de horário rígida, você tem que ter aquela hierarquia com seu superior... (Efem 28)
Assim, a hierarquia e a disciplina rígidas têm um sentido de ser: elas devem funcionar como o exercício do poder disciplinar sobre os indivíduos, a fim de controlar, mesmo na vida privada, a expressiva autoridade conferida a eles desde seu ingresso na Polícia, ainda com 18 ou 19 anos de idade, como representantes do exercício do poder do Estado. Podem ser consideradas técnicas utilizadas para a governamentalidade dos indivíduos dentro da PM. A governamentalidade, para Foucault (1979), envolve o conjunto constituído pelas instituições, procedimentos, cálculos e táticas que permitem exercer uma
forma bastante específica e complexa de poder, a qual tem por alvo a população e por instrumentos técnicos essenciais os dispositivos de segurança e um conjunto de saberes.
O exercício da governamentalidade pela Polícia sobre os policiais envolve, portanto, o controle sobre a sua vida pessoal, sobre seus hábitos e ações, de forma que os policiais se tornem extremamente dependentes da organização.
Antigamente, a gente na Polícia Militar, para casar, precisava de uma autorização. Para fumar, e eu fumava, precisava de uma autorização, ou seja, até para me matar eu precisava de uma autorização... Então, eu questionava muito essa dependência total, mas com o passar dos tempos, eu fui entendendo, muitas vezes, a necessidade de isso acontecer, principalmente, no começo, porque eu entrei na Polícia com 17 a 18 anos e, é aquele negócio, a responsabilidade que é dada a uma criança, a um menino ainda, em cima de uma sociedade, o controle de uma sociedade é muito grande. Então, ao mesmo tempo, essa carga positiva para a formação dessa pessoa teria que ser muito grande.
(Econtext 2)
No entanto, algumas policiais entrevistadas não acreditam que o regulamento disciplinar seja tão rígido assim. Para uma policial, outras empresas exigem mais disciplina que a PM, quando analisado do ponto de vista da cobrança da organização por um bom desempenho por parte de seus membros. Por exemplo, existe a punição disciplinar para aquele policial que estiver mal apresentado (cabelo sem cortar, barba, roupa suja, maquiagem exagerada), mas há também uma grande dificuldade de demitir pessoas no caso de elas serem improdutivas.
Nesse ponto, nem a rígida disciplina da PM consegue escapar aos problemas advindos da estabilidade do funcionalismo público no Brasil, como a dificuldade para diferenciar aqueles que se dedicam mais ao trabalho dos que não se dedicam, e assim por diante. Além disso, a origem militarista da organização ainda carrega uma preocupação
excessiva com assuntos relacionados ao comportamento dos policiais dentro do quartel, tais como a sua apresentação física, conforme verificou Soares (2001).
Percebe-se, com base em Albuquerque e Machado (2001), que a Polícia Militar tem que conseguir diferenciar os aspectos disciplinares que realmente contam para a melhoria efetiva do policiamento daqueles que só se prestam à subordinação inquestionável do subordinado ao superior. Ou seja, a PM deve parar que pensar que, para a manutenção da ordem pública, é necessário o desenvolvimento de uma identidade profissional militarista e de uma postura violenta e antidemocrática entre os seus membros.
A maioria das empresas tem mais disciplina do que dentro da nossa organização. Aqui é muito ritual, mas a gente tem muito mais dificuldade de mandar uma pessoa embora de dentro da organização por problemas disciplinares, do que em qualquer empresa aí fora... É uma disciplina de muito mais fachada. Externamente, as pessoas confundem, acham que a gente é do Exército, que tudo é disciplina. E não é. As pessoas falam: ‘eu queria ser você. Você manda em mais de 800 homens’... Eu? Não mando em 800 homens, eu coordeno, eu ‘co-omando’, eu ‘mando com’ 800 homens. Então, a mulherada fica fazendo uma idéia como se eu fosse dona deles... Externamente, há uma idéia de que a disciplina na Polícia é uma coisa rigorosíssima. Eu acho que podia até ser mais. Eu acho que a gente perdeu um pouco disso, porque em todo lugar, qualquer empresa para produzir tem que ter no mínimo disciplina, né? Então, acho que disciplina é algo que é o que? É uma ferramenta importante na produtividade, na qualidade de produção.(Efem 13)
Nesse ponto, a disciplina de caráter militar é mais um ritual organizacional, um símbolo do militarismo presente na Polícia, o qual a remete às suas origens. As pessoas de fora acreditam que o superior é dono de seus subordinados, mas não é o que ocorre na realidade, pois o comandante também precisa delegar para que seus comandados tenham iniciativa para agir em situações imprevistas. O comandante precisa ter consciência de que a disciplina deve ser usada como uma ferramenta gerencial, visando à melhoria da produtividade, conforme reza o novo currículo que se tenta implantar na Polícia. De acordo com Albuquerque e Machado (2001), esse novo currículo envolve disciplinas ligadas à
administração, à teoria das organizações ou à psicologia social, tais como liderança, trabalho em equipe e processos democráticos de gestão.
Com o processo de democratização que vem ocorrendo na PM, mesmo que de forma lenta, os aspectos disciplinares abusivos dos superiores sobre os subordinados vêm cessando de ocorrer, ou vêm ocorrendo de forma mais velada. Para Souza (2001), a Polícia Militar tem se voltado para uma abordagem mais policial do que militar à questão da