• Sonuç bulunamadı

2.16. Seçmeli Din Dersleri

2.16.1. Kur’an-ı Kerim Dersi

A pesquisa foi conduzida em duas etapas. Uma etapa preliminar foi destinada a contextualizar a organização e a inclusão de mulheres no quadro da PMMG. Essa etapa consistiu de entrevistas não estruturadas com seis membros da PMMG considerados pessoas-chave para fornecerem as informações desejadas. Entre esses membros estavam comandantes ou ex-comandantes da Polícia, policiais relacionados ao setor de recursos humanos da organização e policiais femininas que foram membros das primeiras turmas de mulheres a ingressarem na PMMG. Também foram entrevistados quatro professores e pesquisadores especialistas em estudos sobre a Polícia da Fundação João Pinheiro, escola responsável por lecionar cursos de especialização aos oficiais da PMMG.

Esses entrevistados foram escolhidos intencionalmente, de acordo com a importância atribuída à contribuição deles para a pesquisa (LAVILLE e DIONE, 1999). A opção por entrevistas não estruturadas nessa fase deveu-se ao escopo exploratório que se pretendia com elas, deixando os entrevistados à vontade para falarem sobre o que lhes parecia mais importante acerca do tema da pesquisa (ALENCAR, 1999). As entrevistas partiram de uma única solicitação – “Fale sobre a organização Polícia Militar e sobre o ingresso de mulheres na organização” – e foram desdobradas de acordo com o assunto abordado pelos entrevistados, privilegiando aspectos contidos num roteiro formulado a priori, tais como: as características específicas da organização policial militar, o perfil ideal de policial, os motivos pelos quais as mulheres entraram na Polícia, e o trabalho feminino na Polícia. A legenda utilizada para os trechos dessas entrevistas de contextualização utilizados na análise de dados foi: “Econtex”, acompanhada do número atribuído ao entrevistado.

Nessa primeira etapa da pesquisa, também foram buscados dados secundários sobre a PMMG, sobre o ingresso das policiais e o contingente feminino na organização em

publicações oficiais, em monografias desenvolvidas nos cursos de especialização de oficiais e em publicações de analistas externos especialistas em organizações militares.

Na segunda etapa, fez-se a abordagem aos sujeitos centrais e secundários da pesquisa, em cujo desenvolvimento valeu-se da triangulação de algumas técnicas de pesquisa, a serem relatadas a seguir.

1) Realização de entrevistas semi-estruturadas com os sujeitos centrais e secundários gravadas com o consentimento dos entrevistados. As entrevistas seguiram um roteiro previamente estruturado que permitia conservar uma certa padronização das perguntas sem impor opções de respostas, além de admitir ao entrevistado formular respostas pessoais que melhor expressassem sua subjetividade (VERGARA, 1998). A amostra dos sujeitos centrais da pesquisa foi composta por 33 policiais femininas do policiamento operacional - nove oficiais e 24 praças. Essas policiais foram selecionadas por um processo de amostragem intencional por conveniência, de acordo com a disponibilidade de cada uma delas para responder às entrevistas semi-estruturadas (LAVILLE e DIONE, 1999). Destaca-se, contudo, que houve preocupação com a proporção de entrevistadas selecionadas em cada um dos seis Batalhões de Polícia e com a sua representatividade em níveis hierárquicos. Distribuídas entre os seis Batalhões, foram entrevistadas duas oficiais e quatro praças no 1º BPM, uma oficial e três praças no 5º BPM, uma oficial e quatro praças no 13º BPM, duas oficiais e quatro praças no 16º BPM, quatro praças no 22º BPM, e três oficiais e cinco praças no 34º BPM. O tamanho dessa amostra atendeu os critérios da repetição de informações (TRIVIÑOS, 1992), segundo o qual, quando as informações obtidas começam a se repetir entre os entrevistados, podem-se encerrar as entrevistas. A legenda utilizada para os trechos das entrevistas com as policiais utilizados na análise de dados foi: “Efem”, acompanhada do número atribuído à entrevistada.

A amostra dos sujeitos secundários foi selecionada por indicação dos sujeitos centrais. Para cada policial entrevistada, solicitou-se a indicação de um superior, um par e um subordinado, os quais, por critério de acessibilidade, foram escolhidos na proporção de um entrevistado de cada categoria em cada um dos seis Batalhões de Polícia em que se realizou a pesquisa, formando um total de seis superiores, seis subordinados e seis pares entrevistados. As legendas utilizadas para os trechos das entrevistas com colegas, superiores e subordinados foram, respectivamente, “Ecol”, “Esup” e “Esub”, acompanhadas do número atribuído ao entrevistado.

Os roteiros das entrevistas com sujeitos centrais e secundários da pesquisa estão, respectivamente, nos apêndices 1, 5, 6 e 7. Juntamente com as entrevistas, os entrevistados foram solicitados a preencher questionários de identificação com dados como idade, estado civil, tempo de trabalho na organização, patente, etc. Esses questionários estão nos apêndices 2 e 4. Aos entrevistados também foi solicitado que assinassem um termo de compromisso com a pesquisa, o qual está no apêndice 3.

Com a realização das entrevistas, pretendeu-se captar aspectos inerentes à percepção dos sujeitos centrais e secundários, acerca das especificidades da organização e de suas estruturas objetivas e subjetivas, das relações de poder em seu interior e também da produção e reprodução das relações de gênero nesse espaço social. Buscou-se também conhecer aspectos das estruturas mentais (habitus) das entrevistadas, bem como das formas de socialização por que passaram que mais marcaram suas trajetórias. As entrevistas serviram também para identificar sistemas de diferenciações, modalidades instrumentais adotadas, formas de institucionalização, graus de racionalização presentes no cotidiano das policiais e o papel das policiais como sujeitos em suas relações.

2) A pesquisa documental foi empregada na verificação de aspectos da organização, principalmente no que se refere aos fundamentos disciplinares, expressos pelo código de ética e o regimento da Polícia Militar, os quais estão incorporados às políticas de gestão da força de trabalho e a rituais, práticas e eventos formais e informais de interação social. Foram analisados também relatórios do setor de recursos humanos, organograma e regulamento, com a finalidade de obter dados sobre a trajetória da mulher na organização, bem como conseguir informações qualitativas e quantitativas complementares acerca do contingente de membros da mesma e das estruturas objetivas e subjetivas presentes nesse campo de poder (TRIVIÑOS, 1992; COVALESKI et al., 1998).

3) Além das entrevistas, e da análise documental, acreditou-se imprescindível para a coleta de dados a utilização da técnica de observação não participante (VERGARA, 1998) ao cotidiano de trabalho das policiais estudadas e à sua participação em rituais, cerimônias e eventos promovidos na e pela organização, com vistas a captar aspectos das relações sociais que permeiam o seu dia-a-dia, os quais podiam não ser evidenciados mediante outras técnicas de coleta de dados. A fundamentação teórica desta tese fez necessária a adoção de uma multiplicidade de técnicas de coleta de dados que fossem capazes de operar a complexidade que envolveu a pesquisa, entre elas, a observação dos sujeitos em estudo no meio em que estão inseridos. Para tanto, utilizou-se um caderno destinado às anotações de campo, o que trouxe subsídios para o momento de análise Essa técnica foi facilitada, visto que as entrevistas e a análise documental foram realizadas no ambiente de trabalho das policiais. Outro fato que proporcionou facilidade para observação foi o de se ter morado, durante o período de Doutorado no Hotel de Trânsito da Polícia Militar de Minas Gerais, situado junto ao Clube dos Oficiais da PM e dentro da Academia de Polícia onde são formados os oficiais da Polícia Militar e onde ocorrem diversas cerimônias da organização.

Com isso, obteve-se acesso ao convívio extratrabalho dos policiais, nos horários de refeições e quando do uso do clube, bem como a eventos de seu processo de formação. Ressalta-se, também a atuação como professora do CTSP (Curso Técnico de Segurança Pública), destinado à formação dos soldados (praças) da PM, no ano de 2002. Além de lecionar, procurou freqüentar festas e reuniões dos alunos, além de presenciar diversas vezes cerimônias de formação, desfile e asteamento de bandeira, bem como outras atividades, tais como aulas de tiro e de táticas policiais.

4) Como uma fonte complementar de dados, foi utilizada a história oral. Meihy (2002) defende o uso da história oral, justificando que a suposta inexatidão, as interferências emocionais e os vieses variados a que os relatos estão sujeitos, são justamente o que interessa para o pesquisador. O autor argumenta que o interesse da história oral reside na emoção de quem narra e que o objetivo central da coleta desses depoimentos não se esgota na busca da verdade e sim na da experiência. Seguindo esse posicionamento, Thompson (1992) afirma que a importância do testemunho oral pode estar concentrada não na veracidade de um evento, mas na forma como ele é lembrado, o que o torna psicologicamente verdadeiro. Para Meihy (2002), a importância da história oral consiste no fato de ela tratar de impressões, aspectos subjetivos, fantasias e visões de mundo que implicam interpretações diferentes. Na história oral, por meio da memória individual, se busca o conhecimento do fenômeno social, à medida que se acredita que toda memória individual tem índices sociais que a justificam.

A escolha das fontes das histórias foi feita em um grupo definido de pessoas, qual seja, as policiais, os seus superiores, pares e subordinados entrevistados. A escolha se justificou pelas experiências comuns no trabalho operacional da Polícia Militar que vinculam esses sujeitos entre si, num processo que Meihy (2002) chama de “identidade

decorrente de memórias culturais” (p.68). Nesse processo, as experiências de cada um são autênticas e se equiparam às gerais mediante a construção de uma identidade comum. Preocupou-se, contudo, com a diversidade dos sujeitos ao se eleger tanto homens como mulheres policiais para os depoimentos, a fim de se valorizar as experiências individuais mesmo que dentro da vida comunitária na organização.

É interessante notar que, entre os diversos autores que escrevem sobre história oral ou a utilizam, não há um consenso sobre seu conceito. Alguns, como Verena (1990), entendem-na como uma metodologia de pesquisa. Para Queiroz (1988), a história oral é uma técnica de coleta de dados. Tentar chegar a um consenso é pouco relevante, na medida em que o uso da história oral depende do objetivo da pesquisa que se quer realizar. No contexto desta pesquisa, optou-se pela história oral temática entre as modalidades de história oral (história oral de vida, história oral temática e tradição oral). Isso por que, segundo Meihy (2002), a história oral temática é quase sempre utilizada como técnica de coleta de dados por ser a que mais permite articular diálogo com outros documentos e outras fontes de coleta, além de partir de um assunto – ou tema - específico e previamente estabelecido para captar uma versão do tema elaborada pelo entrevistado; no caso desta pesquisa, a policial militar feminina. Nessa modalidade, detalhes da história pessoal do narrador apenas interessarão se revelarem aspectos úteis à informação temática central. Assim, no final de cada entrevista, solicitou-se aos entrevistados que contassem uma história sobre a policial militar feminina.

As histórias, em sua maioria, relataram acontecimentos reais com a presença de policiais femininas: alguns fatos do início da participação das mulheres na corporação, sobre problemas de adaptação e preconceitos sofridos, mas muitos sobre a inserção, curiosidades e comportamentos heróicos das policiais. Optou-se por utilizar as histórias no

início das partes de apresentação dos resultados, como forma de introduzir o conteúdo dessas partes por meio de um relato de acontecimento elaborado pelos próprios sujeitos da pesquisa.