2.10. Seçmeli Derslerde Öğretmen İhtiyacı
2.11.2. Cumhuriyet Sonrası Dönem
No desenvolvimento da tese, optou-se pela realização de uma pesquisa qualitativa, por envolver aspectos como a complexidade das experiências pessoais e das relações de poder e de gênero no espaço organizacional, que não deixa de ser um espaço de interação social (BOGDAN e BIKLEY, 1994; OLIVEIRA, 1997). Esse tipo de pesquisa vai além de uma visão relativamente simples, superficial e estética, buscando as raízes das questões, sua existência e suas relações, considerando um quadro amplo do sujeito como ser social e histórico (DEMO, 1987).
De acordo com Alves (1991), a abordagem qualitativa oferece condições para se captar o sentido dado pelos sujeitos na ação, privilegiando o “vivido” (p.63). A realidade, nesse caso, é percebida como uma construção social da qual o investigador participa, compreendendo os fenômenos numa perspectiva que leva em consideração suas influências recíprocas e interações numa dada situação. Essa perspectiva, portanto, exclui a possibilidade de se identificarem relações lineares de causa e efeito e de se fazerem generalizações de tipo estatístico.
Um método de pesquisa considerado adequado para o desenvolvimento de uma investigação qualitativa é o estudo de caso, pois, nesse tipo de abordagem, procura-se trabalhar com cenários sociais bastante específicos, tendo caráter de profundidade e detalhamento (YIN, 1989; LEENDERS e ERSKINE, 1989; STAKE, 1994; GIL, 1996; VERGARA, 1998; LAVILLE e DIONE, 1999; ALENCAR, 1999).
Para Stake (1994), o estudo de caso não é, em si, uma escolha metodológica mas a escolha de um objeto a ser estudado. Segundo o autor, um caso pode ser:
a) um único indivíduo desempenhando uma ação específica; b) um conjunto de indivíduos desempenhando diferentes ações;
c) um programa ou projeto em que está envolvida uma pluralidade de atores sociais de distintas organizações, desempenhando diferentes ações;
d) experimentos, por exemplo, conduzidos nas áreas de educação, psicologia ou recursos humanos; ou
e) um balanço de uma empresa ou balanços de empresas em momentos ou contextos específicos.
Situações dessas naturezas podem se transformar em um caso ou em casos e, como tais, podem ser analisadas com base em diferentes paradigmas, utilizando diferentes
técnicas de pesquisa, embora Stake (1994) afirme que a idéia de estudo de caso, de modo geral, esteja vinculada à abordagem interpretativa. O autor atribui tal vinculação ao fato de que, ao procurar compreender os significados que os indivíduos atribuem às suas ações e às de outros atores, as pesquisas que se fundamentam nessa abordagem trabalham com cenários sociais bastante específicos, ou seja, casos.
Yin (1989) concorda que o estudo de caso vem sendo utilizado amplamente em pesquisas da área das Ciências Sociais. Para o autor, o estudo de caso, como estratégia de pesquisa nos estudos organizacionais e gerenciais, pode contribuir para a compreensão de fenômenos complexos, nos níveis individuais, organizacionais, sociais e políticos, permitindo a preservação das características significativas dos eventos da vida real. Contudo, Yin (1989) discorda de Stake (1994) ao afirmar que um estudo de caso pode tratar de evidências tanto qualitativas quanto quantitativas e, portanto, também é muito utilizado em estudos fundamentados no paradigma positivista. De fato, Murray (1974), Henderson & Rado (1980) e Patton (1990) consideram que, independentemente do paradigma, os estudos de caso têm um papel importante nas Ciências Sociais como iniciadores de teorias.
Yin (1989) classifica o estudo de caso em exploratório, descritivo e explanatório. Num estudo de caso exploratório, procura-se levantar questões e hipóteses para outros estudos; num estudo de caso descritivo, busca-se estabelecer associações entre variáveis, normalmente de caráter quantitativo; e num estudo de caso explanatório, ou explicativo, desenvolver-se-ão explicações sobre um determinado fenômeno.
Na elaboração de um estudo de caso, Yin (1989) ressalta a observação de quatro componentes: a definição da natureza das questões de pesquisa; a definição das proposições teóricas pelas quais serão norteadas a investigação das questões de pesquisa; a definição da
unidade de análise; e a associação da análise dos dados aos propósitos do estudo e aos critérios adotados para a interpretação dos resultados da pesquisa.
Como toda estratégia metodológica, o estudo de caso sofre algumas críticas. Uma delas é baseada no argumento de que no estudo de caso, não se permitem generalizações devido à sua pouca representatividade e conseqüente incapacidade de encontrar todas as dimensões de um fenômeno em um único contexto (STAKE, 1994).
Entretanto, a dificuldade de permitir generalizações deve ser entendida menos como uma limitação e mais como uma característica própria ao método. Além disso, tanto Murray (1974) e Patton (1990), como Yin (1989), consideram que a análise de diferentes casos pode proporcionar generalizações, na medida em que
1) os estudos de caso podem ilustrar generalizações que foram estabelecidas e aceitas em diferentes contextos;
2) o estudo de caso pode se constituir em um teste de uma teoria que necessita ser comprovada em diversas instâncias ou situações específicas, o que Yin (1989) denomina de generalização analítica;
3) os resultados de um único estudo de caso podem estimular a formulação de hipóteses que orientarão novas pesquisas, cujos resultados poderão conduzir a generalizações.
Dessa forma, ainda que não fosse possível estabelecer generalizações a partir dos estudos de caso, eles podem estimular a busca de situações mais tangíveis do que as oferecidas pelos modelos e teorias, ao mostrarem que circunstâncias específicas podem apresentar grandes variações em decorrência de suas complexidades múltiplas (MURRAY, 1974).
Ainda segundo Yin (1989), pode-se maximizar os resultados de um estudo de caso mediante a utilização de várias técnicas de coleta de dados, a manutenção de um
encadeamento entre os dados coletados e os propósitos do estudo, e a criação de um banco de dados para a documentação do estudo de caso. Trata-se do procedimento que Triviños (1992) denomina de triangulação.
Diante do exposto, o estudo de caso explicativo foi o método escolhido para a presente investigação, a qual esteve circunscrita ao conjunto das policiais militares do policiamento operacional do Oitavo Comando Regional da Polícia Militar de Minas Gerais.
A escolha do universo onde se realizou o trabalho - a Polícia Militar de Minas Gerais - se deu em função de essa organização ter sido originalmente constituída só por homens e por ter permitido o acesso das mulheres em seus quadros de pessoal somente a partir de 1981 (PEREIRA, 1981). Além disso, trata-se de um espaço organizacional regido por condutas específicas, caracterizadas pela rigidez de seu regulamento e código de ética.
Optou-se por desenvolver a pesquisa apenas na capital do estado em decorrência do maior contingente de policiais em Belo Horizonte em relação às outras cidades de Minas Gerais, do tamanho da cidade, bem como da impossibilidade de tempo e de recursos para se realizar a pesquisa em todos os RPM´s da PMMG.
Os sujeitos centrais da pesquisa foram as mulheres policiais militares das unidades de policiamento operacional do 8º CRPM, que abrangiam um contingente total de 16 oficiais e 121 praças (anexos A e B) à época da realização da coleta de dados, janeiro, fevereiro e março de 2005. Essas 137 policiais femininas encontravam-se distribuídas entre os seis Batalhões de PM que compõem a 8ª Região na seguinte proporção: no 1ºBPM havia duas oficiais e 34 praças; no 5º BPM, uma oficial e 17 praças; no 13º BPM, duas oficiais e 18 praças; no 16º BPM, três oficiais e 14 praças; no 22º BPM, 15 praças; e no 34º BPM, seis oficiais e 22 praças, todas atuando no policiamento operacional.
As policiais do policiamento operacional foram escolhidas por se tratar de uma função classificada como atividade-fim da PMMG, relacionada diretamente à promoção da segurança pública e de prestação de serviços à comunidade. Esse recorte foi estabelecido por se acreditar que a mulher enfrenta maiores dificuldades de inserção nesse tipo de atividade operacional do que nas chamadas atividades-meio da Polícia Militar, destinadas ao apoio à atividade-fim. Além disso, as atividades-meio, em sua maioria, envolvem serviço administrativo, de telefonia, recepção, almoxarifado, etc. e a inserção feminina nesse tipo de serviço, além de ser mais aceita a cada dia, já tem sido bastante estudada (BELLE, 1993; STEIL, 1997; MELO, 2001; 2002a). A policial que atua no policiamento operacional exerce uma função normalmente atribuída ao sexo masculino, o que torna interessante e relevante o estudo de seu trabalho para a ampliação do campo de estudo das relações de gênero nas organizações. Cabe ressaltar a dificuldade de se estabelecer esse recorte entre as policiais da atividade-fim e as da atividade-meio, por se tratar de uma divisão tênue e constantemente em alteração na organização, principalmente pelo número relativamente pequeno de policiais femininas, o que ocasiona seu constante remanejamento entre companhias, sessões e funções.
Como sujeitos secundários da pesquisa foram eleitos superiores e subordinados diretos das policiais, e membros de suas equipes de trabalho com a mesma patente (seus pares). Como se pretendeu estudar as relações da policial na organização, acreditou-se necessário ouvir aqueles com quem ela se relaciona mais freqüentemente no cotidiano de trabalho.