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2.3. Uzaktan Eğitim

2.3.4. İnternete Dayalı Uzaktan Eğitim

2.3.4.1. Web Destekli Eğitim (WDE)/ Web Tabanlı Eğitim (WTE)

Tais características favoreceram a presença de uma oferta de estabelecimentos que possuem o foco de atuação voltado para a valorização do modo de vida rural e do apelo ecológico. Entre- tanto, quanto às atividades vinculadas à valorização da cultura rural, ainda é identificado que existe um déficit nessa oferta turística de atividades que sejam desenvolvidas junto ao entorno das propriedades. A estruturação das atividades ainda valoriza o patrimônio particular das propriedades rurais e não ofertam, de forma programada, oportunidades de interação sócio- cultural com as comunidades de base local em seu entorno.

A Área Turística do Agronegócio recebeu essa denominação pela forte influência dessa eco- nomia na área em questão — Uberlândia e Uberaba — e pelo caráter de valorização dessa cultura rural presente na estruturação das propostas de entretenimento turístico ofertadas. En- tre essas propostas, figuram visita a um alambique de fabricação de cachaça em moldes indus- trializados — Engenho Santa Fé — e visita ao Museu do gado Zebu, que também valoriza tal conotação da face rural. O estabelecimento que se destaca entre essas propostas em tal área turística é a AMUR, uma vez que possibilita o reconhecimento das comunidades onde as arte- sãs produzem os artefatos. Porém, essa atividade é uma possibilidade e não um conceito de visita ao centro de artesanato.

Mesmo porque esse centro se encontra na sede municipal de Uberaba e apenas os visitantes que façam questão poderão se deslocar até a zona rural com o intuito de ter contato com a cultura local. As demais iniciativas que fazem parte dessa amostra dizem respeito aos estabe- lecimentos que trabalham com serviços de hospedagem, e alguns — no caso os hotéis-fazenda — com atividades de entretenimento voltadas para o lazer e o contato com a natureza. Quanto às práticas voltadas para o apelo ecológico, essas em geral são denominadas comercialmente como “Ecoturismo”. Porém, o tipo de contato com a natureza, divulgado pelos sites dos mu- nicípios, a título de Turismo Ecológico, se aproxima melhor das propostas de lazer em um ambiente menos antropizado. Tal consideração é embasada pela constatação de que os ele- mentos ressaltados quanto a essa oferta são o apelo estético dos recursos hidrológicos e suas potencialidades de lazer. As informações sobre o meio visitado são pouco divulgadas no con- texto de ofertas de atividades relacionadas a esse segmento turístico.

Desse modo, a Área Turística do Agronegócio pode ser entendida como uma extensão territo- rial menos propensa ao desenvolvimento da oferta de Turismo Rural, apesar de apresentar atividades que tenham como foco a valorização de alguns aspectos ligados à cultura rural. O que foi evidenciado em relação a essa área aponta para uma tendência que, possivelmente, venha a se repetir em relação ao universo total de iniciativas analisadas nesta pesquisa: a pre- dominância das atividades de entretenimento turístico voltadas para o Turismo Rural em de- trimento da representatividade de estabelecimentos turísticos que atendam aos princípios des- se segmento.

Para não Concluir...

Findas as considerações sobre os eixos e áreas reconhecidos no Oeste de Minas para fins desta pesquisa, é possível verificar que as impressões de gabinete extraídas apontam as distintas características dessa oferta em relação às demais áreas de estudo.

Entretanto, a inviabilidade do trabalho de campo para essa área limitou que outras impressões pudessem ser extraídas a respeito da mesma. Contudo, é possível destacar que a característica marcante dessa amostra de iniciativas turísticas é a evolução do seu processo de diversificação de serviços turísticos.

De acordo com os dados analisados, o universo de estabelecimentos do Oeste de Minas apre- senta discreta concentração dos três tipos de serviços turísticos — H/AL/AT (18% da amos- tra) e expressiva presença de iniciativas que ofertam propostas de entretenimento turístico, de forma isolada ou combinada. Tal constatação é justificada pela presença de instituições — SEBRAE/Prefeitura Municipal/Associação Cerrado dos Arachás, de caráter público e privado, que, ao trabalharem em parceria, favorecem a formatação de novos produtos turísticos e influ- enciam a forma de organização da oferta turística na região de Araxá.

Até o momento nessa área, foi a única ocorrência de um roteiro rural de propriedades e de constatação de uma associação voltada com o foco para o Turismo Rural. A Área Turística dos Arachás é responsável pela dimensão inovadora que o Oeste de Minas apresenta. Ainda neste sentido, a tabela abaixo também demonstra que existe uma diversidade de atividades de

entretenimento turístico dedicada à valorização de aspectos ligado ao meio rural, ainda que a freqüência dessas seja de pouca expressividade.

QUADRO 08

Atividades de Entretenimento Turístico na Área Oeste de Minas

Atividades de Entretenimento Freqüência

Visita ao centro de artesanato 2

Visita ao cultivo de flores 1

Passeio de carro de boi 1

Visita à fabricação de queijo 1

Visita à produção de rapadura 1

Conhecer a história da família 1

Visitar produção de cachaça 1

Visita guiada ao museu 1

Roda de viola 1

Conhecer a casa das artesãs 1

Fonte: Elaborado pela pesquisadora a partir de dados da pesquisa.

Entretanto, se é possível apontar tais peculiaridades em relação a tal recorte espacial, um dado sobre essa oferta turística que ainda denuncia a demanda da intensificação das orientações técnicas quanto a sua estruturação voltada para o Turismo Rural, são as estatísticas relativas à estruturação de atividades de entretenimento turístico no entorno autóctone dos estabeleci- mentos. Das 56 iniciativas, apenas 02 estabelecimentos turísticos disponibilizam atividades desse caráter. O quadro a seguir apresenta as atividades e a freqüência com que as mesmas são disponibilizadas.

QUADRO 09

Atividades de Entretenimento Turístico ofertadas no Entorno Autóctone de algumas iniciativas na Área de Estudo Oeste de Minas

Tipos de Atividades Freqüência

Pescaria Represa Nova Ponte 1

Visita à casa de artesãs 1

Os estabelecimentos responsáveis por essas atividades são uma Pousada em Patrocínio — que oferta a atividade de pescaria — e a Associação de Mulheres Rurais de Uberaba e Região — que possibilita ao visitante conhecer a casa das artesãs da associação, local onde as mesmas desenvolvem um dos seus ofícios. Esse dado acusa a baixa inserção sócio-cultural dessas pro- postas de turismo em relação a seu respectivo meio comunitário. Frente às inúmeras possibili- dades de estruturação de atividades com o aproveitamento dos recursos locais que envolvam o entorno das comunidades onde parte desses estabelecimentos está sediada, a diversidade e freqüência dessas opções de entretenimento constituem um dado alarmante.

Parte das justificativas que ensejam as razões pelas quais se dá esse tipo de constatação é o fator de localização da maioria dessas iniciativas turísticas. Aproximadamente 53% dessa oferta turística (33 estabelecimentos) estão localizadas às margens das rodovias – BRs e MGs. Assim como observado na Área de Estudo Norte de Minas, os eixos de oferta turística estrutu- rados em função de rodovias têm se voltado para propostas com foco específico para o lazer. Em função de se estruturarem pela presença das rodovias MG188 e BR040, as iniciativas tu- rísticas de Paracatu, num primeiro olhar, também trabalham voltadas para o lazer ou apenas funcionam como apoio turístico dos serviços de alimentação e hospedagem. Dessa maneira, é observado, numa primeira instância (impressões de gabinete), que esses estabelecimentos são desenraizados, desprovidos de inserção sócio-cultural e ambiental em relação ao meio onde se encontram.

A onipresença da cultura do agronegócio e a desvalorização da cultura rural de base local também podem ser apontadas como condicionantes das características que influenciam a for- matação dessa oferta turística. Principalmente a macrorregião do Triângulo Mineiro, assim como descrito no início da caracterização dessa área, é uma região onde há supervalorização dos processos de industrialização da agricultura; as atividades de natureza industrial e de pres- tação de serviço tomaram a face econômica dessa região, imprimindo novos valores sócio- culturais. De acordo com Pêssoa (1982), o padrão de tecnologia dos complexos agroindustri- ais alterara, substancialmente, as relações campo-cidade nessa região. Um estudo que vem a corroborar essa constatação é o de autoria do professor Roosevelt Santos, professor adjunto da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que desenvolve trabalhos na área da Geografia

Cultural e sua interface com a atividade turística. De acordo com Santos e Botelho (2002),63 em pesquisa desenvolvida sobre a potencialidade turística das festas religiosas populares de Uberlândia, apenas o Congado da cidade atrai aproximadamente 2 mil pessoas no mesmo dia. Os autores da pesquisa salientaram os conflitos de ordem sócio-cultural ocorridos em torno desse tipo de manifestação, que tem como seus precursores a população vinda da zona rural. A falta de entendimento dos urbelandenses sobre o significado dos rituais e simbolismo dessa festa acaba por provocar a falta de tolerância em relação à mesma. A título de referência, ape- nas nessa cidade foram mapeados 14 grupos de Ternos de Congado. Dessa forma, a cultura rural, de base local, é relegada pelos citadinos urbelandenses, o que não estimula a formatação de produtos turísticos voltados para esse mote.

Outros fatores que mostram a menor disposição dessa porção para o Turismo Rural são a ex- pressiva extensão territorial de grande parte dos municípios e a representatividade da popula- ção rural, tornando a região menos propícia ao desenvolvimento de atividades dessa natureza. Assim, observou-se que o Eixo e a Área Turística dessa macrorregião são voltados para as dimensões do lazer, do ecológico e da aventura. Já a macrorregião do Alto Paranaíba é mais propensa ao desenvolvimento de atividades voltadas para o Turismo Rural e Ecológico devido à menor influência da cultura do agronegócio, ao apelo de paisagens rurais de algumas muni- cipalidades e à articulação presente nas bases institucionais de base local. A proximidade ao Parque Nacional da Serra da Canastra também é um fator que condiciona a captação de fluxos de visitantes que se interessam por essa atividade, impulsionando a demanda regional de turis- tas. Essas características se refletem na proposta identificada na Área Turística dos Arachás, recorte espacial identificado com atividades focadas para a valorização dos aspectos ecológi- cos e da cultura rural.

Em relação à totalidade da oferta turística levantada nessa área, verificou-se que os elementos que incidem quanto à presença da mesma são: os grandes centros econômicos, Uberaba e U- berlândia, a represa de Tupaciguara, o Parque Nacional da Canastra, o apelo turístico da cida- de de Araxá e o fluxo das rodovias MG188 e BR040.

63

ROSSELVELT, José Santos e BOTELHO, Wedsley. (2002) Artigo: Levantamento e Mapeamento do Poten-

cial Turístico-Cultural do Município de Uberlândia-MG - Laboratório de Geografia Cultural e Turismo - Ins-

Por fim, a título de Turismo Rural nesse recorte espacial, são divulgadas as mais diversas ini- ciativas turísticas. Esta informação pode ser ilustrada a partir do contraste entre a imagem de divulgação do Ubatã Termas Parque, situado no município de Conceição das Alagoas, e o bar do Vicente, localizado em São João Batista do Glória.

FIGURA 08 – Fotos do contraste entre as propostas turísticas divulgadas como ofertas de Turismo Rural no Oeste de Minas

Fonte: www.cerradodosarachas e www.descubraminas.com.br

Fotos da direita divulgam a infra-estrutura do Ubatã Termas Parque e a imagem da esquerda apresenta a fachada do bar do Vicente, um dos estabelecimentos reconhecidos pela Associação Cerrados dos Arachás, localizado no Arraial de São João Batista do Glória, Serra da Canastra. O crédito das imagens utilizadas são dos sites desse Termas e da Associação.

A divulgação de ambos os estabelecimentos como propostas de Turismo Rural acena para a ausência do poder público como agente regulamentador das regras que devem incidir sobre os princípios de divulgação desse segmento turístico no mercado. Se, por uma questão de desco- nhecimento técnico das características do Turismo Rural, ou por interesses empresariais, o site Idas Brasil divulga o Ubatã Parque como um estabelecimento condizente com o segmento do Turismo Rural, essa postura deveria conclamar a atenção do poder público e das associa- ções de mercado. A apatia frente a esse tipo de divulgação significa a conivência com o des- gaste da imagem de um segmento turístico que possui características próprias e que devem ser respeitadas. Tendo em vista essas condições, identificou-se que o Eixo e as Áreas Turísticas do Oeste de Minas estão voltados, em linhas gerais, para propostas turísticas que possuem como foco as dimensões do lazer, de valorização do patrimônio ecológico e, em menor inten- sidade, de alguns aspectos rurais. Em suma, o estudo da amostra turística da porção Oeste indica que o Turismo Rural ocorre predominantemente atrelada às áreas mais favorecidas do ponto de vista econômico, o que é comprovado pela inexpressividade dessa oferta na área Noroeste e pela concentração da mesma na mesorregião TMAP.

Outra constatação é que essa atividade turística segue como uma realidade ainda não consoli- dada nesse recorte espacial, mas um fenômeno turístico em transição. As primeiras propostas começaram a ser estruturadas a partir do final da década de 1990 e ainda carecem de orienta- ção técnica para que possam se inserir, com maior intensidade, no contexto sócio-cultural das comunidades de base, passando a estabelecer, desse modo, uma relação mais orgânica com o local onde estão sediadas.

2. 4. Caracterização da Oferta de Turismo Rural na Área de Estudo Cen-