Quanto ao mapa, apesar de identificar a predominância destes tipos de iniciativas — pousadas e hotéis-fazenda, inclusive apontando para a predominância proporcional dos hotéis-fazenda frente à realidade desta amostra, é possível observar que alguns municípios apresentam maior diversidade de iniciativas turísticas (municípios com o maior número de estrelas).
Entre eles estão: Caeté, Jaboticatubas, Itabirito, Itabira e Itaúna. Os motivos que ensejam parte das justificativas para essa constatação são a atenção do poder público e privado municipal — prefeitura, secretarias, associação comercial, ONGs, associações de mercado — voltada para a viabilidade da atividade turística como alternativa sócio-econômica, somada à intervenção de outras institucionalidades ligadas ao fomento do Turismo — SEBRAE, IER, SENAC, entre outros.
Assim, a atuação dessas instituições tem orientado o aproveitamento dos recursos naturais e culturais para a estruturação de estabelecimentos turísticos como campings, balneários, SPAS e centros de atividades de entretenimento turístico. Todavia, nem sempre a intervenção dessas institucionalidades ocorre de acordo com as metodologias de planejamento turístico. Essas metodologias colocam a importância das etapas de sensibilização, mobilização e participação comunitária como pré-requisitos para a implementação de programas turísticos. Entretanto, de acordo com alguns depoimentos a seguir sobre o projeto Estrada Real, um dos programas es- truturadores da atividade turística no estado durante a gestão do governo Aécio Neves e im- plantado pelo instituto IER, é possível observar que mesmo instituições e programas renoma- dos ainda cometem falhas básicas no que se refere a tais pré-requisitos.
Assim, de acordo com informações extraídas do boletim de notícias do SEBRAE, do mês de junho de 2004,
nas cidades-vedetes do circuito histórico mineiro (Ouro Preto, Mariana, São João Del Rey, Tiradentes, Diamantina etc.), a marca Estrada Real encimada por uma co- roa e ladeada pela Cruz de Malta aparece em folders e cartazes, pendurados em pou- sadas, restaurantes, cafés e lojas. Mas, nos rincões da área de abrangência, princi- palmente em distritos, a maioria das pessoas desconhece o programa Estrada Real. ‘Só me lembro que fincaram esse marco aí na minha calçada’, conta Maria Luiza
Marillac Duque Thomaz, 64 anos, que oferece ‘pouso’ em sua casa, em Córregos, distrito de Conceição do Mato Dentro, no Caminho dos Diamantes. Edemir Simião, 41 anos, praticante de ecoturismo, pedalou da Serra do Cipó a Diamantina relatou que ‘as pessoas nos lugares não sabem o que é Estrada Real’, espanta-se, ‘mas co- nhecem as direções das cidades, o que nos ajuda’.
Segundo Edemir, faltam informações específicas para ciclistas. “Todos os mapas que tenho visto foram feitos por jipeiros, com planilhas de GPS. Mas ciclistas precisam de dados como relevos e nascentes de água”.
Outro dado possível de se inferir, a partir das informações trazidas pelo mapa — página 160 é que a oferta de iniciativas junto a cidades de estilo colonial é voltada para a hospedagem, de modo que essas aproveitam as atrações turísticas já existentes nestas municipalidades para se promoverem. Esse dado permite concluir que a oferta de estabelecimentos desta amostra, vin- culada às cidades de estilo colonial, constitui um universo de estabelecimentos que se distan- cia da proposta de Turismo Rural, sendo que a mesma não existe em função das vocações do mundo rural presente nesses municípios, mas em função das atrações turísticas tradicionais (visita às igrejas, casario colonial, centro histórico, aquisição de artesanato) já ofertadas nes- sas municipalidades. Essa mesma observação procede em relação ao Circuito das Grutas, on- de parte dos municípios tem sua amostra turística centrada na oferta de pousadas e hotéis- fazenda, estando os mesmos vinculados à atratividade das grutas nesta região e ao fluxo turís- tico presente ao longo da BR 040 (sentido Belo Horizonte - Brasília).
Diante do exposto, o depoimento da proprietária do Hotel Fazenda Casa Grande, localizado no município de Caetanópolis, ilustra essas considerações. A Sra. Beatriz Campos relata que sua demanda turística é composta por famílias que se deslocam de Brasília e região para a capital mineira e por turistas que desejam conhecer a gruta de Maquiné, em Cordisburgo, mu- nicípio vizinho a Caetanópolis. Essa senhora coloca que “os turistas vêm por causa da infra- estrutura de descanso e lazer da fazenda. Quem vem conhecer as grutas, aumenta o passeio ao ficar aqui conosco. Os que vêm de cidades mais distantes param aqui pra conhecer nossos serviços e descansar um pouco antes de chegar a BH. Nossa localização próxima da BR 040 é fundamental para contar com este tipo de cliente”.
Para finalizar a apresentação da amostra de iniciativas da Área Central de Minas, é abordado o perfil das atividades de entretenimento turístico correspondente a esta área. A partir do grá- fico 16, é possível observar que quase a metade das opções de entretenimento ofertadas ao turista é o passeio a cavalo e a pescaria — 48% da freqüência de atividades desta amostra. Em seguida, as atividades de entretenimento de maior destaque são os passeios em trilhas ecoló- gicas (13%), as práticas de esporte de aventura (9%), as caminhadas (7%) e o leite ao pé da vaca (6%).
0 20 40 60 80 100
Passeio a Cavalo / Charrete Passeio Trilha Ecológica Caminhadas Visita Alambique Terapias Alternativas Passeio Ecoturístico / Ecológicos Passeio Carro de Boi
GRÁFICO 16 – Atividades de Entretenimento Turístico ofertadas pelas Iniciativas na Área Central de Minas
Amostra: 340 Ocorrências de Oferta de Atividades Turísticas
Interpretadas de outro modo, essas atividades se dividem basicamente em opções de entrete- nimento voltadas para o contato com a natureza e a aventura (Trilhas Ecológicas, as Práticas de Esporte de Aventura e Caminhadas) e, em potencial, atividades voltadas à valorização do modo de vida rural (Passeio a cavalo, Pescaria e Leite ao Pé da Vaca). Porém, de acordo com o descritivo dessas atividades, a maioria delas está voltada para a dimensão do lazer e não para a valorização dos ofícios e do modo de vida presentes na cultura rural de base local. Uma das poucas exceções é uma iniciativa turística sediada em São João Del Rei. A “Caval- gada Cultural” é uma atividade de entretenimento turístico ofertada por uma família desta região que tem como proposta o reconhecimento e interpretação de aspectos sociais, culturais e históricos das rotas de passeio a cavalo programadas por eles. Além de a família explanar sobre parte das informações que caracterizam a região, os proprietários dessa iniciativa con- tratam um historiador para contextualizar o processo de ocupação histórica deste território, bem como inter-relacionar as características de sua fundação com a realidade hoje constatada. Todavia, esse tipo de proposta turística é uma raridade entre as iniciativas e estabelecimentos
identificados nesta amostra. Outras opções de entretenimento que visam à valorização da cul- tura rural ocorrem, principalmente, nas Áreas Turísticas Ciclo do Ouro e da AMETUR. Po- rém, a baixa diversidade e freqüência dessas atividades ainda é um sintoma de que tal oferta turística, efetivamente, não se aproxima de uma proposta de Turismo Rural. Assim sendo, em linhas gerais, as opções de entretenimento que melhor caracterizam esta amostra são a oferta de atividades voltadas para o lazer e para valorização do contato com a natureza. Antes de dar seqüência à caracterização dos Eixos e Áreas Turísticas pertencentes a esta área, será aborda- da a relação entre a concentração da oferta nesta área e o respectivo percentual de populações rurais nestas municipalidades.
Eixos e Áreas de Oferta de Turismo Rural na Área Central de Minas
O mapa Concentração da Oferta Turística e População Rural — página 165 — da Área Cen- tral de Minas expõe que a maior parte da concentração turística desta oferta está localizada nos municípios com população rural menor que 40%. Entre as maiores concentrações da ofer- ta, apenas Jaboticatubas apresenta um percentual entre 40 e 50% de habitantes residentes em áreas rurais. Contudo, a concentração dessa oferta não se dá em função de sua vocação rural; ela é condicionada pelo Parque Nacional Serra do Cipó e, em geral, está voltada para a oferta de serviços básicos de alimentação e hospedagem. Levando em consideração o contexto geral de tais colocações, é possível apontar, num primeiro momento, a desvinculação da ocorrência da oferta de Turismo Rural em função da cultura rural, de base local ou regional, nesta área. Seguindo esta lógica, é fato que, entre os municípios com oferta de Turismo Rural, os que possuem o maior percentual de população rural (Dores de Guanhães, Santana do Riacho, Pi- ranga, São Sebastião do Oeste, Senhora dos Remédios, Casa Grande, Queluzito, Itaverava, Nova União, entre outros) são os que apresentam a menor oferta de estabelecimentos (apenas 1 iniciativa). Estes dados reafirmam que tal amostra possui uma relação pouco orgânica quan- to às localidades onde estão sediadas.
Ainda segundo este mapa, as especulações colocadas no início deste texto continuam a ganhar consistência. As áreas de maior concentração da oferta são a RMBH, o entorno do Parque Nacional da Serra do Cipó, a Área do Ciclo do Ouro, das Grutas e da Trilha dos Inconfiden- tes. Assim, é confirmado que essas iniciativas de Turismo Rural estão atreladas às atrações turísticas tradicionais desses circuitos e, assim como observado no mapa de detalhamento dos
tipos de iniciativas turísticas, muitas das municipalidades apenas apresentam estabelecimentos voltados para a hospedagem e alimentação, sem ofertar opções de entretenimento. Tal contex- to impele à constatação de que a maior parte desta oferta turística não condiz com a proposta de Turismo Rural, senão com a oferta convencional de serviços turísticos, possivelmente no espaço rural.
O gráfico 17 – página 166 - contribui para o apontamento de outras percepções. Como pode ser apreciado, as possibilidades de localização desta oferta que se destacam estão a margem das rodovias (Federais – BRs e Estaduais – MGs) ou em distritos e povoados. Estas duas op