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4.3. Veri Toplama Araçları

4.4.3. Asıl Uygulama

sidade de tipos de iniciativas turísticas, uma das maiores concentrações da oferta turística. As outras concentrações turísticas de maior expressividade, assim como comentado em relação ao mapa da localização desta oferta turística, coincidem, exatamente, com alguns dos condi- cionantes apontados: o Parque Nacional da Serra da Canastra, o Parque Estadual da Serra do Papagaio, a Represa de Furnas, a Serra da Mantiqueira e as estâncias climáticas Camanducaia, Extrema e Gonçalves, localizadas no extremo sul do estado. Essas informações permitem in- ferir que a sobreposição da concentração desta oferta em relação a estes atrativos turísticos, somada ao perfil dos serviços e tipos de iniciativas turísticas, não aponta que o universo de estabelecimentos em questão venha a condizer com uma oferta direcionada para o Turismo Rural. 0 20 40 60 80 100 120 140 Pousada Hotel Fazenda Restaurante Pesque-Pague Centro de Atividades Hotel Bar e Lanchonete Não identificado Propriedade Aluguel Camping

GRÁFICO 20 – Detalhamento dos Serviços Turísticos na Área Sul de Minas

Amostra: 289 Iniciativas de Turismo Rural

A concentração e diversidade destes estabelecimentos em relação a algumas condicionantes têm interface, assim como é uma constante nas outras áreas, com a intervenção do poder pú- blico e demais instituições. O Informativo do SEBRAE-MG de 2001 contribui para contex- tualização de parte das ações de fomento ao desenvolvimento da atividade do turismo que ocorreram, neste sentido, voltadas para esta área. Segundo este boletim, na

área do Turismo Rural, o Sebrae Minas Gerais, através do Programa Sebrae de Tu- rismo, incentivou projetos como o de Maria da Fé, no sul de Minas. Este município, com as temperaturas mais baixas do Estado, e cuja principal atividade econômica era o cultivo da batata, entrou em crise em 1996. Seu clima frio favoreceu o desenvol- vimento do Turismo Rural como alternativa à monocultura da batata. Hoje já são 33 municípios beneficiados por aquele Programa, com 88 empreendimentos implanta-

dos, e a previsão da incorporação de outros 30 municípios até o final de 2001. Em regiões mineiras de ocupações mais antigas, velhas fazendas vêm adotando ativida- des turísticas para resguardar o meio rural dos perigos da degradação ambiental, ar- quitetônica, cultural e dos baixos rendimentos. Exemplo disso são as antigas fazen- das na Serra de Carrancas, microrregião dos Campos das Vertentes ao sul de Belo Horizonte.

Também como registra um artigo jornalístico da revista Globo Rural de seu número de se- tembro de 2001:

o bom das principais fazendas de Carrancas que aderiram ao Turismo Rural é que elas funcionam de fato como fazendas. Mais de 90% do que se come e se bebe no café da manhã, no almoço e na janta são colhidos, criados e preparados ali mesmo. O milho para os tradicionais biscoitos, pães, broas e bolos, o leite dos variados quei- jos e da manteiga, as frutas, as geléias, os famosos doces mineiros, o arroz, o feijão, os legumes, alguma verdura, a cana das cachaças artesanais, o frango para se comer com quiabo e ao molho pardo, as carnes de porco e de boi. Tudo feito, obviamente, no fogão a lenha.

Por fim, nesta região de Minas, conclui Roque (2001),

as propriedades que aderiram ao turismo começaram com baixos investimentos e a- inda são administradas pelas próprias famílias, com importante participação da mu- lher. Mantêm-se, nesse caso, as atividades tradicionalmente desenvolvidas pelas fa- zendas, até porque isso significa um dos atrativos para o visitante urbano.

Segundo esses depoimentos, é evidente a atuação do SEBRAE junto aos municípios do Sul de Minas na tentativa de induzir a formatação de produtos turísticos voltados para o Turismo Rural e o Turismo no Espaço Rural. Um detalhe que chama atenção no boletim do SEBRAE é a colocação de que o clima frio de Maria da Fé favorece a estruturação de propostas turísticas voltadas para este segmento turístico. Em relação ao programa Turismo Competente do SE- BRAE (o mesmo mencionado neste boletim), em Maria da Fé, Almeida (2006) constatou que, apesar dos esforços centrados para a estruturação desta oferta, não houve demanda turística para a oferta induzida por este programa. Assim, devido ao apelo climático do município, as iniciativas turísticas de Maria da Fé receberam uma demanda turística com o perfil do que é popularmente designado como “Turismo de Estâncias”. O perfil desta demanda é a procura de atividades turísticas voltadas para o lazer, o conforto e o descanso. Em Maria da Fé foi obser- vado um descompasso entre a proposta de estruturação da oferta e a demanda turística real para este segmento. Ao entrevistar um dos donos da Fazenda Pomária, um dos estabelecimen- tos que aderiram a este programa do SEBRAE, o Sr. Zeca relatou que atualmente a fazenda

tem seu foco de atuação turística voltada para o lazer, as atividades de cunho pedagógico e ecológico e a realização de eventos. Este gestor ainda comenta que, assim como ocorreu com a fazenda Pomária, restou às demais iniciativas a ampliação do seu foco de atuação para ga- rantir o retorno dos investimentos realizados.

Outra ação de fomento à atividade turística nesta Área de Estudo é o Projeto Piloto Circuito Turístico Serras Verdes, 68 que integra o Programa Estadual de Desenvolvimento do Turismo Rural (PEDTUR) de Minas Gerais, cujas ações foram reconhecidas no programa Minas Exce- lência em Agricultura, realizado em 18 de abril de 2005. São parceiros nesse programa a Se- cretaria de Agricultura (SEAPA), Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDE), Secre- taria de Turismo (SETUR), Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG) Secretaria da Fazenda (SEF), além da Associação Mineira de Turismo Rural (AMETUR), da Assembléia Legislativa e da Associação Mineira de Municípios (AMM). As intervenções voltadas para este circuito já começaram a demonstrar efeito, visto que, em relação ao segmento turístico em questão, três municipalidades desta proposta turística são as maiores concentrações da oferta de Turismo Rural no estado, segundo este estudo. Os municípios de Camanducaia, Gonçalves e Extrema possuem, respectivamente, 22, 19 e 9 estabelecimentos turísticos divul- gados com este fim.

Além dessas ações, assim como mencionado durante a caracterização da Área Oeste de Mi- nas, o Circuito da Canastra também tem sido alvo de significativos investimentos econômicos tanto por parte do Ministério do Turismo, como do governo estadual. Este circuito foi priori- zado dentro do programa ministerial Roteiros do Brasil, como um dos três roteiros prioritários do estado a ser consolidado. Tal condição favoreceu que este circuito venha a receber inves- timentos voltados para a infra-estrutura básica e turística. Desse modo, após a colocação deste

68

Dezoito municípios compõem este circuito, a saber: Bom Repouso, Bueno Brandão, Cachoeira de Minas, Cambuí, Camanducaia, Conceição dos Ouros, Consolação, Córrego do Bom Jesus, Estiva, Extrema, Gonçal- ves, Inconfidentes, Itapeva, Munhoz, Paraisópolis, Pouso Alegre, Sapucaí Mirim, Senador Amaral, Tocos do Mogi e Toledo.

breve panorama de ações voltadas para esta Área de Estudo, é possível compreender, em par- te, por que tal recorte espacial apresenta uma expressiva oferta turística.

Para finalizar a apresentação da amostra de iniciativas da Área Central de Minas, é contem- plado, a seguir, o perfil das atividades de entretenimento turístico relativo a esta amostra. A partir do gráfico 21, é possível observar que 30% das opções de entretenimento ofertadas ao turista é o passeio a cavalo. Em seguida, com 17%, estão os Esportes de Aventura e, em ter- ceira posição, a Pescaria — 14%. Estes percentuais anunciam mais uma das especificidades quanto a tal Área Central de Minas. Os Esportes de Aventura assumem, frente ao universo desta amostra, uma posição de destaque até então não observada nas demais áreas. Este per- centual está atrelado ao peso dos apelos turísticos relacionados aos recursos naturais nessa área. As unidades de conservação, a represa de Furnas e a serra da Mantiqueira são identifica- das como atrações turísticas responsáveis por esse dado. Quanto às outras opções de entrete- nimento que despontam em primeiro e terceiro lugar — o passeio a cavalo e a pescaria, estas atividades de entretenimento estão voltadas para a valorização do lazer e do contato com a natureza. Ora o espaço natural é utilizado como suporte físico, ora como atrativo. Porém, as opções de entretenimento, estruturadas a partir do reconhecimento da cultura rural de base local, assumem um percentual quase ínfimo diante da freqüência das outras atividades. Em face dessas constatações, pode ser observado que, mesmo que esta seja a Área de Estudo com maior vocação para o desenvolvimento do segmento Turismo Rural, as iniciativas desta amos- tra divulgadas a este título, em suma, não condizem com a proposta de tal segmento. Nova- mente, o que se identifica é a presença de atividades voltadas para esta proposta de turismo em detrimento do reconhecimento de iniciativas ou estabelecimentos totalmente focados para o mesmo. 0 20 40 60 80 100 120 Passeio a Cavalo Pescaria Leite ao pé da vaca Passeio ao rio Passeio Cachoeira Passeio Ecoturístico / Ecológicos Passeio Cidades Entorno

Turismo Rural na Área Sul de Minas

Amostra: 421 Ocorrências de Oferta de Atividades Turísticas

Uma outra informação decorrente destas considerações é que os resultados aferidos até o momento não apontam, a princípio, para a total ausência desse tipo de oferta nesta área, mas, ao menos, para a falta de divulgação de iniciativas que efetivamente sejam condizentes com a proposta de Turismo Rural. Também é oportuno salientar que é admissível o fato de que, nes- ta amostra analisada, possam vir a existir propostas condizentes com este segmento, entretan- to, da forma como se descrevem comercialmente, elas não se fazem entender com este propó- sito de atuação. Durante toda a pesquisa, é notória a dificuldade dos estabelecimentos em co- municar, de forma clara, seu foco de trabalho. A título de ilustração, uma das informações menos veiculadas e de maior complexidade para seu entendimento é a divulgação, quando existente, de atividades de entretenimento no entorno autóctone da propriedade. Ainda neste sentido, também, em geral, é difícil identificar, apenas através do descritivo comercial, se as opções de entretenimento envolvem, ou não, o acompanhamento de algum responsável por elas. Tais ruídos de comunicação presentes nos recursos de divulgação turística revelam, para além do desconhecimento técnico dos segmentos turísticos existentes, a dificuldade que os proprietários apresentam em precisar e valorizar sua proposta de trabalho, ressaltando elemen- tos que podem ser identificados com seu diferencial turístico.

Assim, de acordo com a análise da oferta de atividades de entretenimento turístico, foram identificadas opções de entretenimento turístico voltadas para o Turismo Rural em três áreas de oferta turística, identificadas a seguir, no próximo tópico.

Eixos e Áreas de Oferta de Turismo Rural na Área Sul de Minas

Antes de abordar os Eixos e Áreas Turísticas próprios desta área, é apresentado o mapa de Concentração da Oferta Turística e População Rural da Área Sul de Minas — página 190. Assim, de acordo com as informações trazidas pelo mesmo, é possível considerar que, em vista das outras áreas de estudo, a Sul de Minas é a que apresenta uma relação orgânica mais significativa com a vocação rural das municipalidades que a compõem. Esta consideração tem como fundamento a constatação de que cinco municípios com expressiva concentração da oferta turística possuem um percentual de população rural acima de 40%, sendo eles: Carran-

cas, Aiuruoca, Alagoa, Gonçalves, Caldas. Porém, apesar de, em relação à amostra total, este recorte espacial assumir tal posicionamento, ao retornar para a análise individual desta área, ainda é considerável que, no âmbito geral, a maioria desta oferta turística não ocorre em fun- ção da vocação turística dos seus espaços rurais, tendo como parâmetro o quesito do percen- tual de população rural.

Diante dessa perspectiva, é observado que a condição das outras áreas se repete em relação a essa Área de Estudo, ou seja: a maior parte das concentrações turísticas expressivas não está