II- TAM MÜKELLEFİYET ESASINDA VERGİNİN TARHI VE ÖDENMESİ 6. Safi Kurum Kazancı
15. Tam Mükellef Kurumlara Yapılan Ödemelerde Vergi Kesintisi
15.3. Vergi kesintisine tabi tutulacak kazanç ve iratlar
Nessa seção do trabalho, procuramos analisar como a formação acadêmica – muitas vezes iniciada bem antes da descoberta da possibilidade da mobilidade –, influenciou para a preparação da mobilidade.
Podemos dizer que os jovens da dupla diplomação têm, em sua maioria, um perfil semelhante que corresponde àquele do bom aluno, atento às diversas oportunidades que vão surgindo e que ajudam a construir o perfil procurado pelos professores que procedem à seleção do programa.
Independente do programa Duplo Diploma, eu sempre fui um bom aluno – é pretensão minha falar, mas os números [do histórico escolar] dizem isso. (Breno).
Eu queria fazer ITA/IME. Estudei muito, eu sempre gostei de estudar. Deixava de aproveitar minhas férias estudando. (Cecília).
Daniel, em sua auto-avaliação, levando em consideração que precisa superar algumas barreiras que por vezes outros jovens de situação financeira confortável desconhecem, é bem mais crítico na relação que tece entre estudo, responsabilidade, prazer e lazer:
Eu não me acho uma pessoa inteligente, acho que sou responsável e esforçado. Sempre meus amigos dizem assim: “Tu gosta de estudar!” Não é assim, eu não gosto de estudar. Quem é que gosta de ficar
sentado, lendo um livro, às vezes com sono, ou querendo ir ao cinema? [...] Quem é que gosta disso? Se você gosta, eu não. (Daniel).
Cleiton e Clarissa, em longos relatos, narram a preparação acadêmica de um portfólio interessante, como a aquisição de competências mais ou menos raras, por vezes exclusivas, de um campo de poder, as quais são convertidas em capital simbólico de grande valor para a experiência da mobilidade:
Eu sempre fui um aluno relativamente bom em todos os colégios. Na universidade, vi que minhas notas estavam muito boas, que eu tinha condição de ir pra esse negócio [a seleção do programa]. Comecei a fazer francês, inglês, comecei a pensar nisso, então tudo que eu fiz aqui... fiz pesquisa com a melhor bolsa, com o melhor professor, fui pra empresa júnior, fui presidente. E cada vez mais via que eu podia ir. Eu dizia: “Meu currículo é bom!”, aí fui tentar. (Cleiton).
No começo da faculdade, eu tentei fazer ao mesmo tempo UFC e a turma preparatória pro ITA, no colégio. Eu tinha que me desdobrar porque de manhã era a turma ITA e quando eu saía de lá, ia pra casa correndo almoçar e ia pra faculdade, chegava sempre atrasada, era muito cansativo. Eu comecei a gostar do clima da faculdade [...], eu comecei a ver que tinha mesmo os programas [de estudo no exterior]. (Clarissa).
O que é dito a respeito da importância do PET se confirma em nosso grupo de entrevistados, em que oito dos jovens em mobilidade participaram do programa durante sua formação na UFC. Ampliando essa questão para a atribuição de bolsas de uma forma geral, somam-se a esse número mais dois estudantes que foram bolsistas do CNPQ e dois outros que tiveram um outro tipo de bolsa, vinculada à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da UFC. Por isso, César considera sua situação atípica frente à dos demais colegas:
Eu nunca fui ligado nas coisas da universidade. Por incrível que pareça, normalmente, os outros que vieram, o pessoal do meu ano, já eram todos do PET. Eu não... (César).
Ainda sobre a experiência acadêmica como percurso de uma diferenciação, a formação lingüística merece nossa atenção. Como vimos, o conhecimento da língua não é condição indispensável imposta pelos organizadores da mobilidade existente entre o Brasil e a França. Desta forma, não se devem barrar candidaturas por falta de estudos prévios da língua francesa, mas prega-se o compromisso de dar
aos selecionados condições de aprendizagem da língua no país estrangeiro. É o que está dito no texto do Aditivo I ao convênio UFC/EC (Anexo F), no tópico que se refere à recepção dos estudantes da UFC nas ECs, em que se prevê a realização de um curso de língua francesa.
A história do duplo diploma no que contempla a troca de informações entre os candidatos, entretanto, já permite ver mudanças no currículo destes no que diz respeito à competência lingüística apresentada no país, de origem, mesmo antes da viagem.
Esse ano [2006], um dado interessante é que dos dez selecionados nove tinham [um bom nível de] francês. Impressionante! (Prof. Pedro).
No Ceará, na escolarização básica ou em cursos livres de línguas, a primeira opção é, quase na totalidade, a língua inglesa. A maioria dos entrevistados em nossa pesquisa não foge à regra, uma vez que a motivação para a aprendizagem de uma segunda língua estrangeira, no caso a língua francesa, surge então para o nosso público, apenas com a possibilidade de participação em um programa de formação em instituições francesas. É importante, no entanto, analisar esse percurso com mais atenção.
Indagados como se prepararam para a estada no exterior, os diversos grupos de respondentes nos deram algumas interpretações da importância da familiarização com a língua-cultura estrangeira na adaptação no país que os acolhe. Para o grupo I e também para o grupo II, a preparação lingüística prévia foi quase inexistente. Entre a apresentação do programa, o processo de seleção e até mesmo o resultado positivo o jovem dispunha de um tempo muito reduzido para cuidar de todos os aspectos de sua viagem. Mesmo assim, eles procuraram alguma forma de contato com a língua francesa ainda em Fortaleza.
[Meu nível de francês era] zero. Na verdade, ainda cheguei a fazer um curso na Aliança Francesa52 aqui em Fortaleza, só que era um semestre muito carregado, eu faltei algumas aulas e mesmo assim o curso era regular, não era intensivo. Eu não estava rendendo muito, estava prejudicando um pouco e eu acabei desistindo. Fui pra umas duas semanas de aula. (Álvaro).
A minha preocupação maior [quando fui aprovado] foi a questão da língua, que realmente eu nunca tinha tido contato algum com a língua francesa – tanto é que eu falava um pouco de inglês, estava aprendendo alemão – e tive de correr de alguma forma. Eu procurei junto com outro colega meu a Aliança Francesa [...] que tinha meios para que a gente tivesse um suporte mínimo par ir lá pelo menos com uma base. Nós fizemos dois meses intensivos [de aula]. (Breno).
Podemos inferir que um esforço mais contundente teria sido empreendido caso dispusessem de mais tempo, uma vez que André (do grupo I), Bruno (seu contemporâneo, mas, que para fins da pesquisa, encontra-se no grupo II), e Breno (grupo II) já estudavam alemão, vislumbrando a participação no programa graduação sanduíche, uma outra forma de mobilidade que existia então por meio de um convênio firmado entre a UFC e a Alemanha. Dentre os selecionados para a entrevista e pertencente ao grupo I ou II, Bernardo foi o único que estudou francês por um período mais longo:
Um ano antes da entrevista, comecei a estudar francês e inglês. No primeiro ano da faculdade eu entrei no PET e procurei me engajar nos grupos [de estudo] e seguir os exemplos dos colegas. Tinha as aulas das culturas53,mas também estudava só, já tinha estudado no IMPARH. (Bernardo).
Para o grupo III, que se encontrava na França no momento da entrevista, a realidade é bastante semelhante àquela dos grupos I e II, com uma diferença – há sempre o relato da participação quando possível em um curso de extensão de sessenta horas/aula de francês como língua estrangeira (FLE), assegurado por um professor da Casa de Cultura Francesa no Centro de Tecnologia. Esse curso, que se repetiu no ano seguinte, foi uma iniciativa dos professores do CT, que solicitaram a colaboração dos seus colegas da Casa de Cultura, no sentido de dar um maior conforto para o aluno selecionado. Carla, que se preparava para ir pra Alemanha, chegou a hesitar em participar do programa duplo diploma, por falta de conhecimento da língua francesa.
Comecei a pensar que poderia ser uma possibilidade ir pra França, mas como eu não falava nada de francês, fiquei [pensando]: “Ah, não sei, estudei tanto tempo alemão e ir pra França...” (Carla).
53 As Casas de Cultura, o Núcleo de Línguas da UECE e o IMPARH são cursos públicos de línguas
A impressão do professor que ministrou o curso de extensão destinado para os alunos do Centro de Tecnologia é de que a premência da viagem era a maior motivação para esse grupo, para quem o estudo de francês se tornou mais uma atividade em sua agenda já sacrificada. Na sua análise, ficam evidentes também qualidades como responsabilidade em relação aos compromissos acadêmicos assumidos:
O horário era muito cruel: entre meio-dia e duas horas. [...] porque eles saíam da aula meio-dia, então eles vinham ainda com um copo de suco, uma garrafa de refrigerante na mão, comendo salgado, porque realmente estavam com fome, não podia ser de outro jeito. Então quer dizer, foi difícil esse período, mas o interesse era maior, havia um interesse muito grande, eles queriam realmente aprender e tinha uma turma que ia, aliás, já pra lá; tinham seis ou oito que o curso iria terminar em junho e eles iam em julho e depois eles se anteciparam porque a viagem foi antecipada. (Prof. Manoel).
Um dos relatos de Camila, participante do curso de extensão, dialoga com a fala do professor:
No final do semestre – antes de vir [para a França] –, eu parei o curso de extensão porque na universidade estava mais complicado porque tinha muita prova pra terminar e eu estava sobrecarregada. (Camila).
A turma mais recente – que para a pesquisa representa o grupo IV – se preparou melhor, porque teve mais tempo à sua disposição, e porque as informações a respeito da mobilidade eram mais importantes e precisas, para fazer estudos complementares, para se dedicar aos estudos em vistas de um bom rendimento acadêmico, e para o aprendizado do francês. É o que diz o depoimento de Denise, selecionada em 2006:
Então [no momento em que descobri o duplo diploma], eu fiquei louca pelo programa e comecei a estudar francês, [...] há um ano e meio na Casa de Cultura e desde que saiu a confirmação de que fui aprovada na seleção, comecei com um professor particular.
Da mesma turma, Daniel lamenta não ter tido oportunidade semelhante, devido a seu comprometimento com outras atividades do curso, e complementa sua análise da importância da aquisição de línguas estrangeiras na formação de um
cientista reconhecendo a necessidade da língua inglesa, uma segunda língua viria como um diferencial na formação:
Eu fiz um semestre de francês, aí eu tentei fazer teste de nível na Casa de Cultura, só que não abriu para o segundo semestre e aí eu fui fazer na UECE pro segundo semestre, fiz o teste de nível, passei e tudo, só que os horários começaram a chocar. [...] Eu parei o curso de francês por falta de tempo [...] eu tenho o livro [...], os CDs e fiquei de treinar o ouvido. Eu penso que o que eu fizer vá me ajudar. [...] Eu acredito que na ciência por um todo você ter noções de outro idioma é algo de extrema importância. Eu falo com relação ao inglês também porque a tecnologia fala inglês. Se você for ler um artigo e não tiver um domínio de inglês, é algo que você está fora do mercado.
São também os depoimentos dos recém-selecionados, ou dos recentemente regressos da França, como é o caso da Camila, que revelam uma preocupação maior com a língua e a cultura francesas, como ferramentas para uma boa integração:
Eu acho que a gente tem que saber respeitar o idioma das outras pessoas, é uma questão de respeito. (Denise).
Quanto mais eu souber, mais simples vai ficar para eu me adaptar à língua e à cultura. (Daniel).
Ah, quando a gente consegue falar mais, falar bem, entender bem os jovens dá pra conviver como se fosse um brasileiro, a língua limita pra entender o outro e o outro te entender. Sem entendimento, não tem relação. Depois que você entende as brincadeiras, as gírias, tudo isso cria uma amizade entre os jovens, então a língua ajuda bastante. (Camila).
Ainda no que concerne o quarto grupo, a concepção que os dois entrevistados têm das línguas estrangeiras em geral, permite-nos delimitar o desenho do seu perfil como aquele dos pertencentes à um grupo social que valoriza as línguas, como um forma distintiva para a análise de sua formação.
Estudo também espanhol e inglês. Na questão científica é muito importante poder ler artigos de vários países, na área profissional, a questão da relação das indústrias – compradores, consumidores que falam outro idioma é essencial. [...] Eu sei que o meu currículo vai ser comparado com o de outras pessoas muito boas, mas a experiência fora vai ser um percentual maior, até pela questão da língua. (Denise).
Quanto ao inglês, não é diferencial. Mas se você conseguir dominar dois idiomas, tanto melhor. Acho importante porque você tem acesso a artigos em outras áreas, aos trabalhos de outros pesquisadores. (Daniel).
Podemos concluir que a constituição do duplo diploma como um programa que mantém uma determinada regularidade permite que o perfil do aluno participante se aproxime mais e mais daquele idealizado pelas instituições de seleção, num movimento de construção de um grupo coeso, em que as informações passam por entre os diversos participantes de vários grupos, fazendo com que se constitua um espírito de corporação.