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Örtülü sermayenin hesaplanması

II- TAM MÜKELLEFİYET ESASINDA VERGİNİN TARHI VE ÖDENMESİ 6. Safi Kurum Kazancı

12. Örtülü Sermaye

12.5. Örtülü sermayenin hesaplanması

Levando em consideração a idade desses jovens e o fato de a dupla diplomação ser (ou de ter sido) para todos (com exceção de César) sua primeira experiência no exterior, perguntamos como eles avaliam o papel da família nesse momento de uma construção mais individual no que diz respeito à emancipação e ao afastamento por dois anos do núcleo familiar. Apenas dois estudantes afirmaram já ter um pouco mais independência (um que morava com a irmã, longe de seus pais, que residiam no interior do Estado, e um outro, filho de pais separados, que morava com o pai antes da viagem) e, portanto, minimizaram a importância do suporte familiar. O restante do grupo cita que a família sempre o apoiou. Três dentre eles relatam a saudade vivenciada pela mãe antes da partida, sentimento que os fazia cuidar mais desse aspecto, motivando um deles a passar uma de suas férias na casa da mãe, em Fortaleza.

No período da preparação do primeiro grupo, momento em que tudo ainda era desconhecido, André contou com a ajuda incondicional de sua família, que em muito se deve à condição financeira da mesma:

Todo mundo me apoiou. [Eles diziam] ele tem que ir de qualquer jeito. Inclusive quando a gente não tinha certeza do valor da bolsa, a gente ficava meio inseguro. Minha mãe dizia que eu tinha de ir de qualquer jeito. “Ele vai e depois a gente vê como é que fica.” (André).

Há alguns relatos de como a família se sente também realizada com o projeto alcançado pelo jovem em mobilidade. Eles podem vir de famílias mais modestas – como é o caso do primeiro dos depoimentos que se seguem –, ou de famílias cuja situação econômica é confortável. Esse momento é visto como uma recompensa do esforço empreendido ao longo de anos pela família, no que diz respeito ao capital familiar, ao habitus, mas é também uma manifestação de reconhecimento por parte da família de um modelo educacional superior para o qual devem se dirigir os melhores de uma determinada classe. Na voz dos entrevistados, a freqüência com que seus pais narram o fato de eles estarem estudando no exterior é uma forma que eles têm de expressar sua enorme (por meio da utilização de advérbios de intensidade como muito, super) satisfação com o fato de seus filhos estarem estudando no exterior:

Meus pais estão muito, muito, muito felizes. Qualquer pessoa que chega lá em casa, meu pai fala que o filho dele tá morando na França, com um orgulho gigante. (Daniel).

Meus pais estão super felizes de eu estar aqui. Ficam dizendo: “A Clarissa está na França!” (Clarissa).

Podemos, para essa análise, falar de um reforço do cosmopolitismo (NOGUEIRA; AGUIAR, 2008) que sempre constituiu uma marca do modo de vida das classes superiores, mas que vem se popularizando, permitindo a classes de menor capital econômico e cultural desfrutar desse tipo de educação para o internacional.

Uma das formas de apoio encontrada pelos pais foi o deslocamento de alguns membros do núcleo familiar em direção à França durante a permanência de estudos do filho ou a oferta de uma passagem França-Brasil-França para que o

jovem passasse uma breve temporada em casa e depois pudesse regressar sem prejuízos para seus estudos na EC. Em ambos os casos, o objetivo era o mesmo: proporcionar o reencontro do jovem com algumas referências importantes para ele, seja em momentos de lazer, seja durante algum imprevisto.

Cinco estudantes não vieram ao Brasil em nenhum momento do seu processo de dupla diplomação. Três deles receberam a visita de familiares, um outro teve a intenção de levar o irmão mais novo durante as férias escolares, e apenas um desse sub-grupo não pôde vir ao Brasil nem receber ninguém de sua família, devido a sua situação financeira, o que nos prova que a decisão de permanecer na Europa não é forçadamente ligada ao aspecto econômico. Por fim, do grupo de alunos selecionados em 2006, que no momento da entrevista ainda se encontravam no Brasil, a expectativa de visitas também existe, como já vimos na fala da Denise, anteriormente.

O momento de reencontro com alguns membros da família que se deslocaram até a França para visitar os estudantes foi importante, sobretudo quando acontecia em períodos nos quais os jovens estavam questionando sua permanência no exterior e engajamento na dupla diplomação. Ao perguntarmos se seus pais tinham ido vistá-los na França, a informação surgia a partir do momento em que se falava de dificuldades: Os meus pais estiveram lá, aí seguraram a barra direitinho e

não tive nunca vontade de voltar [...] não pensei em desistir, não. (Ana).

Curioso atentar nessa fala o uso do verbo na terceira pessoa do plural, o que indica que o grau de envolvimento dos pais e a mensuração que a jovem faz desse momento. Nove dos entrevistados vieram passar um período de férias no Brasil – uma delas é filha única e veio passar o primeiro mês de agosto em casa, outra veio para acompanhamento de tratamento de saúde da mãe, três outros relataram ter tido grandes dificuldades de adaptação no início – sendo que um deles, embora tenha comprado a passagem naquele momento só se decidiu vir à Fortaleza em agosto do ano seguinte e um outro informante veio por sentir que a mãe precisava dele naquele momento.

Quanto a um efetivo apoio financeiro, quatro estudantes revelaram ter contado com a ajuda da família durante da sua estada no exterior. Um deles ressalta que essa contribuição se deu no período de sua instalação, em que as despesas são maiores do que o previsto e um outro, que é bolsista BRAFITEC, conta com

uma mesada regular que o ajuda nas despesas fixas, um terceiro diz que a ajuda se resumiu a 200 euros, enquanto um último não detalha a quantidade nem a finalidade da quantia empreendida pela família.

É evidente que a contribuição familiar não pode se resumir aos aspectos aqui listados, o critério de corte foi a relevância que o entrevistado deu a cada um desses elementos. Consideramos que os deslocamentos da família em direção à França e/ou do aluno em direção ao Brasil durante os momentos de férias – que apresentados como um apoio psicológico – revelam também um caráter de investimento. Outros detalhes, tais como a compra de um computador portátil, o acesso à internet, lazeres, viagens e atividades escolhidas (tais como esportes e clubes associativos) também revelam o capital cultural e familiar do sujeito de nossa pesquisa.

Concluímos, então que os pais apóiam incondicionalmente a participação de seus filhos no processo de mobilidade e isso se deve à valorização que a família atribui a essa experiência, como uma forma de distinção do seu filho, que representa, ao mesmo tempo, um coroamento do investimento nele depositado e uma forte possibilidade de um futuro profissional brilhante.

Benzer Belgeler