2. AHBÂRÎLER VE USÛLÎLERDE ÂYETLERİN İMÂMETE DELİL
2.1. İMÂMETE DELİL OLARAK ÖNE SÜRÜLEN ÂYETLER
2.1.1. İmâmete Doğrudan Delâlet Edenler
2.1.1.3. Velâyet Âyeti
Após a delimitação da amostra, as técnicas de coleta de dados escolhidas, baseadas no Survey, na entrevista em profundidade e na história de vida foram os questionários, entrevistas semiestruturadas, observações não-participantes, notas de campo e também análise de notícias e documentos sobre o tema. De acordo com Gil (1999), é importante a utilização de mais de um procedimento de coleta de dados, uma vez que contribui para a diminuição ou mesmo a eliminação das limitações de
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cada técnica. Assim, a limitação de uma técnica pode ser suprimida pela utilização de outra.
A coleta de dados constou inicialmente de uma fase exploratória, com o intuito de conhecer algumas características da população pesquisada. Desse modo, o trabalho de campo, como já descrito anteriormente, se iniciou com uma contagem e identificação dos comerciantes informais localizados na área central de Viçosa, bem como os espaços por eles ocupados. Posteriormente, para conhecermos a apropriação e a ocupação de cada um desses espaços, utilizamos da pesquisa em documentos da prefeitura que registraram a presença destes comerciantes, de noticiários atuais e passados publicados sobre o tema pelo jornal Folha da Mata8; e entrevistas semiestruturadas realizadas com os primeiros comerciantes.
No que se refere à pesquisa feita no Jornal Folha da Mata, esta foi realizada nos exemplares disponibilizados pela equipe do mesmo. As notícias foram procuradas com referência aos anos iniciais dos espaços de comércio informal (década de 1960) até o mês de outubro do ano de 2010; época que a etapa de coleta de dados foi finalizada. Cabe ser ressaltado que os jornais referentes às décadas passadas, principalmente, os relativos às décadas de 1960 e 1970, eram mais escassos na redação do jornal. No geral tivemos acesso a nove reportagens que destacaram diferentes aspectos do comércio informal de Viçosa, como a ocupação do Shopping Chequer, a presença dos ambulantes na área central, o comércio da feira livre, a presença e a importância da associação dos artesãos na Feira de Artesanato e o processo de mudança locacional da Feira Livre, apontando desde a elaboração inicial do projeto até a sua conclusão.
Em relação ao reconhecimento dos primeiros comerciantes, estes foram identificados a partir de informações já existentes sobre os mesmos, visto que, em uma pesquisa anterior9, havia sido realizado um rastreamento desses comerciantes. Desse modo, ao iniciar o estudo, já se tinha a noção de quem eram os primeiros comerciantes informais a se alojarem no espaço urbano da cidade. Sendo assim, na presente pesquisa somente foi necessário a confirmação de que eles ainda ocupavam a área urbana da cidade para, posteriormente, iniciar as entrevistas. Assim, foram identificados seis comerciantes informais, sendo que quatro eram comerciantes da
8 O Jornal Folha da Mata é um meio de comunicação da cidade de Viçosa (MG) que possui publicação
semanal, onde retrata os principais acontecimentos de Viçosa e região.
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Feira Livre, um do Shopping Chequer e um da Feira de Artesanato. Por fim, estes seis comerciantes participaram da pesquisa respondendo às questões referentes à compreensão do processo de apropriação e ocupação do espaço público viçosense pelo comércio informal.
A exploração das principais características dos espaços de comércio informal foi a primeira etapa deste trabalho, pois acreditávamos que seria importante para o estudo conhecer, inicialmente, o contexto vivenciado pelas famílias inseridas no comércio informal.
Os investigadores frequentam os locais de estudo porque se preocupam com o contexto. Entendem que as ações podem ser melhor compreendidas quando são observadas no seu ambiente habitual de ocorrência. Os locais têm que ser entendidos no contexto da história das instituições que pertencem. Quando os dados em causa são produzidos por sujeitos, como no caso dos registros oficiais, os investigadores querem saber como e em que circunstancias é que eles foram elaborados [...] Para o investigador qualitativo divorciar o ato, a palavra ou o gesto do seu contexto, é perder de vista o significado (BOGDAN; BIKLEN, 2004, p.48).
Uma das características do trabalho de campo é a valorização do ambiente social, pois se acredita que o sujeito é influenciado pelo contexto em que está inserido. Essa característica coloca o investigador no contato direto com o campo de estudo, sendo este considerado como o principal instrumento da investigação.
A seguir, iniciaram-se as observações não-participantes nos espaços de comércio informal, onde foram analisados os espaços ocupados pelos comerciantes informais, as suas condições de trabalho, as relações construídas com os outros comerciantes e com os seus consumidores, a presença de membros familiares e ajudantes no cotidiano da atividade, dentre outros aspectos que surgiam durante a realização da atividade. A observação não-participante consiste na inserção do investigador no contexto estudado para tentar extrair detalhes importantes para a condução da pesquisa, como os sinais de comunicação não verbal manifestados por expressões faciais, gestos, posturas e comunicação entre os sujeitos (GIL, 2009).
Após uma etapa de conhecimento do objeto de estudo iniciou-se a aproximação com esses comerciantes. Tal aproximação se deu, inicialmente, a partir de uma conversa e de uma carta10 onde buscamos apresentar os objetivos da pesquisa. A carta foi uma iniciativa que buscou assegurar aos comerciantes
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entrevistados, o sigilo da sua identidade e a ausência de qualquer tipo de prejuízo ao seu estabelecimento, uma vez que já era sabido o receio desses trabalhadores informais com a publicação dos seus nomes e informações.
Para alguns, uma rápida conversa foi o bastante para se sentirem interessados em participar da pesquisa. Já para outros, foram necessárias maiores explicações e, mesmo assim, houve aqueles que não quiseram participar. É importante ressaltar que o contato, muitas vezes, foi facilitado pelas aproximações já realizadas anteriormente em uma primeira pesquisa. Tratando-se daqueles que não haviam participado das pesquisas, algum parente ou amigo me indicou e/ou me apresentou para o mesmo, facilitando este processo.
Durante a aplicação dos questionários e entrevistas, alguns espaços de comércio informal se mostraram mais receptivos que outros. No Shopping Chequer foi onde ocorreu a maior recusa para a participação. Por constituírem um espaço de ocupação ilegal11, talvez isto, justifique o receio desses comerciantes de serem prejudicados com a pesquisa. Já na Feira Livre e na Feira de Artesanato ocorreu uma maior receptividade, mesmo havendo alguns comerciantes que alegaram a exaustão de pesquisa nestes espaços, dada pela grande demanda de estudos que eram convidados a participar, e da crítica que alguns manifestaram porque, na sua percepção, essas pesquisas não se reverteram em melhorias nas suas condições de vida. A tendência dessa manifestação se deu, sobretudo, nestes dois espaços, pois se destacavam como os lugares de maior incidência de pesquisas provenientes de diferentes cursos da Universidade Federal de Viçosa (MG).
Após este momento inicial de aproximação, foi realizado o pré-teste, com cinco comerciantes. O pré-teste é uma forma de identificar se o questionário e/ou entrevistas estão coerentes com os objetivos propostos, como também acessíveis para o entendimento dos entrevistados. E, assim, com o intuito de aperfeiçoar a entrevista, de modo que melhor atendesse os nossos objetivos, foi feita uma (re)elaboração das perguntas. Para Duarte (2002), a realização do pré-teste nos obriga a rever o roteiro, pois ao ser aplicado, o entrevistador pode identificar suas lacunas. No caso em que há uma necessidade de modificá-lo, a autora recomenda que é melhor retirá-la ou adaptá-la ao roteiro, ao invés de continuar a coleta de dados, pois, quando se tenta
11 Este aspecto será abordado na subseção 5.1 “A conquista por um lugar: a espacialidade e
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explicar demais, acaba-se dizendo, de um modo ou de outro, o que se espera que o outro responda, induzindo à resposta.
A seguir, durante os meses de agosto, setembro e outubro, foram realizadas as entrevistas e a aplicação dos questionários. Cabe ressaltar que a pesquisa teve a aprovação do comitê de ética da UFV e todos os participantes assinaram um termo de livre consentimento para a participação da pesquisa12.
Para alcançar a totalidade da amostra e, portanto, auxiliar na coleta de dados, também estiveram envolvidas na realização da pesquisa duas estudantes: uma do curso de Economia Doméstica e outra do curso de Geografia. O envolvimento dessas duas estudantes ocorreu de forma espontânea, ou seja, a partir do interesse das mesmas em contribuir com o estudo. Assim, para que essas estudantes iniciassem o trabalho, elas foram preparadas para a realização do mesmo através de reuniões e conversas que objetivaram apresentar a pesquisa, os seus sujeitos e como deveriam atuar no trabalho de campo. Além dessa preparação, elas acompanharam algumas entrevistas para, posteriormente, iniciarem o trabalho.
No decorrer desses meses, algumas entrevistas se realizaram no ambiente de trabalho e outras na residência dos comerciantes, aspecto que dependeu da escolha feita pelo próprio entrevistado. As entrevistas realizadas nos locais de trabalho apresentaram pontos positivos e negativos. Positivamente, pois algumas informações relatadas pelos comerciantes só foram descritas, muito possivelmente, por estarem realizando a atividade no momento em que elas ocorriam – o que talvez não acontecesse caso os comerciantes estivessem em casa. Por outro lado, a realização de um trabalho ocasiona sentimentos de tensão e responsabilidade – como pode ser ilustrado nos momentos de atendimento aos clientes e na devolução de um troco –, o que influenciava no desenrolar da entrevista, visto que quando estas situações ocorriam, a entrevista era interrompida. Já as realizadas nas residências foram favorecidas pelo ambiente mais tranquilo, o que possibilitou um maior envolvimento entre o entrevistado e o entrevistador. Houve entrevistas que duraram aproximadamente dez minutos e outras que finalizaram após duas horas. Essa diferenciação pode ser explicada pela maior motivação e envolvimento do comerciante com a entrevista.
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Durante a aplicação dos questionários e entrevistas pôde-se sanar alguns objetivos da pesquisa, como o perfil socioeconômico das famílias envolvidas nas atividades informais da cidade de Viçosa através das variáveis: idade, sexo, escolaridade, renda adquirida na atividade e renda familiar, cidade de origem (naturalidade), ocupação, composição da família, dentre outros; identificar as tipologias de atividade comercial informal presentes no município de Viçosa (MG) a partir das funções e finalidades que este desempenha para aqueles que o desenvolve; analisar o modo de organização do trabalho e dinâmica das famílias envolvidas nas atividades comerciais informais; e analisar também as redes sociais construídas pelas famílias envolvidas no cotidiano dessas atividades. Além do questionário e da entrevista, para sanar os objetivos, também, foram utilizados outras técnicas de coleta de dados, como a observação não-participante, entrevista em profundidade e a história de vida.
Concomitante às entrevistas, aqueles comerciantes informais que se sentiram mais à vontade realizaram também entrevistas em profundidade. Esta ocorria quando o próprio comerciante se aprofundava em algum aspecto da entrevista durante a conversa ou quando achávamos interessante realizarmos outros questionamentos. Fato também ocorrido com alguns comerciantes que, durante algumas perguntas, principalmente as relacionadas à finalidade que o comércio informal exercia nas suas vidas, relatavam a sua história de vida. Logo, tanto a entrevista em profundidade quanto a história de vida ocorreram de forma espontânea, sem uma escolha predefinida dos participantes.
Aliadas a todas essas técnicas, utilizamos das notas de campo para registrar nossas impressões durante as aproximações com este universo. O que nos pareceu, muitas vezes “sem importância”, com o passar do tempo foi essencial para o estudo. Já dizia Damatta (1987) que muito do que vivemos numa pesquisa, sobretudo no seu início, não tem sentido social para nós. Mas, atuando como uma “memória social”, o diário de campo nos possibilita a lembrança e uma posterior significação de aspectos relevantes, sendo, portanto, fundamental às pesquisas.