2. AHBÂRÎLER VE USÛLÎLERDE ÂYETLERİN İMÂMETE DELİL
2.1. İMÂMETE DELİL OLARAK ÖNE SÜRÜLEN ÂYETLER
2.1.2. İmâmete Dolaylı Delâlet Edenler
2.1.2.1. Ehl i Beyt’in Fazîleti İle İlişkilendirilenler
2.1.2.1.2. MÜBÂHELE ÂYETİ
A cidade, desde os seus primórdios, se revela palco de diferentes relações econômicas, sociais, culturais, políticas e espaciais. São relações que se apresentam de forma diferenciada a cada mudança ocorrida nos modos de produção da economia global e, na vida da população. Considerando, assim, que a produção espacial realiza-se no plano do cotidiano e que a partir dessas relações aparecem novas formas de apropriação, de utilização e de ocupação de um determinado lugar, a cidade, torna-se, portanto, o locus das relações sociais (SANTOS, 2003).
Telles (2009), analisando especificamente as cidades brasileiras, revela que estas estão em constantes transformações, sobretudo por conta da maior integração
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do espaço produtivo brasileiro à economia mundializada, às prioridades governamentais em relação ao investimento público e às especificidades econômicas, culturais e espaciais de cada lugar. Gonçalves (2001) também acredita que são essas profundas transformações ocorridas no modelo econômico a partir da reestruturação produtiva, da integração mundial dos mercados financeiros, da internacionalização da economia, da desregulamentação e abertura dos mercados que acarretaram mudanças no mundo do trabalho. Portanto, é nesse contexto de mudanças nas relações econômicas, que o crescimento do setor terciário tem sido uma tendência mundial, evidenciada pela ampliação do trabalho autônomo e pela intensificação das novas formas de informalidade no espaço urbano brasileiro.
Segundo Missio et al. (2006), o processo de globalização, por se caracterizar pela grande mobilidade de capitais, pelo crescimento de empresas transnacionais e pela predominância de investimentos no âmbito financeiro, constrói, assim, um sistema econômico e social contraditório, através da geração de novos conflitos e aprofundamento das desigualdades sociais. A globalização vem associada ao advento do neoliberalismo, com a privatização do Estado, a desregulamentação dos direitos trabalhistas, a redução dos gastos públicos e o declínio do Estado de Bem-Estar Social. O reflexo dessas ações é visto na sociedade através da desigualdade social e intensa precarização do trabalho.
Castells (2009) destaca que além desses processos presenciados numa escala global, as mudanças na organização econômica, espacial e social ocorridas no Brasil são decorrentes do processo histórico de ocupação do espaço urbano brasileiro. Durante séculos, o Brasil se caracterizou como um país agrário, onde as atividades agrícolas e o meio rural eram preponderantes. E foi com o processo de industrialização e um maior incentivo do Estado que se iniciou a busca pela integração de um mercado nacional, pois, até o momento, o país era marcado por núcleos citadinos que possuíam pouca ou nenhuma inter-relação. Para Santos (2003), essa nova base econômica ultrapassou a fragmentação regional para a efetuação de uma integração do território nacional, com o crescimento das cidades e a ampliação de suas infraestruturas. Entretanto, com uma herança colonial marcada pela ocupação diferenciada dos espaços, as cidades não se desenvolveram de maneira uniforme. Nas palavras de Matos e Soares (2010),
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O grau, a forma e a intensidade da exploração colonial influíram na cristalização das desigualdades sociais que resistiram ao tempo. A acessibilidade à riqueza no passado condicionou a evolução econômica e as condições sociais do presente, uma vez que nas suas origens combinavam-se múltiplas circunstâncias relacionadas à geração e apropriação dos excedentes econômicos, algo que envolvia desde os arranjos institucionais (laicos ou religiosos), até o acesso restrito à propriedade e aos recursos naturais, ou a excessiva dependência da colônia em relação à metrópole (MATOS; SOARES, 2010, p.20).
De maneira complementar, Maricato (1996) destaca que, com o processo de urbanização, o Brasil alcançou um novo patamar na economia, visto que ocorreu uma intensificação no processo de crescimento das cidades e uma maior inserção do país nas relações produtivas globais. Porém, de outro lado, a contradição no espaço urbano tornou-se mais nítida, pois, ao mesmo tempo em que apresentava desenvolvimento científico, tecnológico e financeiro, o País tornou-se locus de desigualdades espaciais e sociais.
Ainda segundo a autora, o reflexo destes processos foi uma modernização da economia marcada pela desigualdade de renda e riqueza, grandes desequilíbrios regionais, desníveis entre zona rural e urbana, desatenção ao investimento em capital humano, segmentação no mercado de trabalho com oferta limitada e intensificação do trabalho informal e ilegal. Para Gonçalvez (2001), é nesse contexto presenciado pela economia mundial e nacional que proliferam o subemprego, o trabalho precário e o informal, sendo essas, as maneiras encontradas por grande parte da classe trabalhadora para garantir a sua sobrevivência na era tecnológica do capital global, que, por sua vez, vem promovendo um acirramento das desigualdades sociais.
Dentre os problemas urbanos, a informalidade ganhou notoriedade, visto que envolveu diferentes setores da economia e atraiam, cada vez mais, um número crescente de trabalhadores. Além disso, alimenta uma grande parcela da população, não só das grandes e médias cidades como também das pequenas e interioranas cidades (CACCIAMALI, 2000).
Conforme a autora, o setor informal engloba inúmeras atividades que têm como característica em comum a sua realização; desconsiderando regras expressas em leis. O conceito de informalidade é aplicado normalmente para representar proprietários e trabalhadores que participam da produção em micro ou pequenas
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unidades produtivas, onde as relações entre capital e trabalho não se encontram bem estabelecidas, seja no âmbito da organização do trabalho, como no cumprimento das regras legais17.
Ao longo dos anos, o conceito de economia informal ganhou diferentes explicações. A sua primeira interpretação estava relacionada aos setores da economia que não acompanhavam o desenvolvimento econômico, sendo, assim, analisadas nas relações de “subemprego”. De acordo com Noronha (2003), essa era uma abordagem típica do Brasil dos anos de 1960 e 1970, a qual, frequentemente, classificava o trabalho “informal” como subemprego. Tratava-se de um ponto de vista exclusivamente econômico. A seguir, a economia informal também ganhou outra concepção, uma vez que passou a ser entendida pela própria noção de “formalização”, sendo caracterizada por aquelas atividades que não garantiam os direitos trabalhistas a seus empregados e que não possuíam o registro no órgão de classe. Nesse contexto, a informalidade era sinônima de ilegalidade. Por fim, nas últimas décadas, a “informalidade” passou a ser abordada a partir das mudanças que vem ocorrendo nos processos de trabalho, como o surgimento de novas concepções gerenciais e organizacionais e novas relações de trabalho, os quais não exigem tempo nem locais fixos, como é o caso do trabalho autônomo (NORONHA, 2003).
De maneira geral, os estudos sobre a informalidade vêm conjugando novas e velhas conceituações destacando-se por duas perspectivas teóricas. A primeira, a luz de uma visão economicista, enfatiza a estrutura econômica e a sua “determinação” nas ações dos indivíduos. A informalidade é entendida como o resultado do acesso desigual das pessoas a economia mundializada, e desse modo, é constituída por trabalhadores que não conseguiram se inserir na economia formal. Já a outra perspectiva, ainda muito principiante, valoriza as relações sociais construídas no cotidiano dessa atividade, não se restringindo aos interesses econômicos. Para os autores dessa corrente relacional, o papel individual e/ou do coletivo se sobressai sobre a estrutura social.
17 A ilegalidade, no que se refere às discussões sobre informalidade, está relacionada à ocupação
irregular dos espaços públicos, como as Áreas de Preservação Permanente (APP). De acordo com Martins e Souza (2009), a política ambiental considera-se APP, as áreas de cobertura vegetal que se situam a menos de 30 metros dos cursos d’água. E, também, a ocupação dos espaços que são dedicados à circulação de pessoas e veículos. Além destes aspectos, tem-se a contratação ilegal de funcionários, uma vez que se desrespeita a legislação trabalhista. Segundo Rocha (2010), em relação aos aspectos jurídicos, é ilegal a contratação dos trabalhadores quando nas relações em que ocorre uma subordinação do empregado ao empregador, não existe um contrato registrado de trabalho. E ainda, quando o estabelecimento comercial não é registrado enquanto um imóvel comercial.
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No que se refere à perspectiva estruturalista, destacam-se os estudos da economista Cacciamali (2000) e do geógrafo Santos (2003). Segundo Cacciamali (2000), a informalidade deve ser compreendida através de um processo de informalidade. Esse processo se refere a um conjunto de mudanças estruturais em andamento na sociedade e na economia mundial que incide na redefinição das relações de produção, das formas de inserção dos trabalhadores na produção, e nas relações de trabalho. Desse processo, ganham destaque as novas formas de organização do trabalho que são empreendidas pelas pessoas que apresentam dificuldades de reemprego ou de ingresso no mercado de trabalho.
Santos (2003), em sua obra “O Espaço Dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos”, ressaltou que a informalidade está inserida no circuito inferior da economia, caracterizando-se pela pequena produção manufatureira, pelo pequeno comércio e pela multiplicidade de serviços, sendo, portanto, unidades de produção reduzidas, com pouca utilização de capital e tecnologias. Para Santos (2003), o circuito inferior não é isolado e independente do circuito superior da economia, pois inseridos na lógica contraditória de reprodução do capital, eles se complementam e contribuem para a manutenção e reprodução do sistema.
Enfim, para a corrente estruturalista, as atividades informais constituem focos de tensões e de desigualdades sociais, destacando-se pela precarização do trabalho. Já a perspectiva relacional enfatiza as diferentes finalidades que a economia informal assume na vida da população. Para os economistas Hirata e Machado (2007), a informalidade adquiriu, nas últimas décadas, diferentes funções e finalidades para as pessoas envolvidas, não sendo possível mais tratá-la como um eufemismo à pobreza. Desse modo, vêm assumindo novas formas e valores transformando-se em um ambiente que vem viabilizando o “empreendedorismo” como uma alternativa ao emprego regular e a criação de novas possibilidades de inserção social.
De acordo com Cleps (2003), essa diversidade do universo da informalidade pode ser vista na sua atividade comercial. Segundo a geógrafa, o comércio informal é composto tanto por vendedores ambulantes, profissionais irregulares e camelôs, quanto sacoleiros e feirantes. De modo complementar, Montessoro (2005) relatou que constitui em um novo espaço de consumo nas cidades brasileiras, visto que se caracteriza pela diversidade das mercadorias comercializadas, encontrando produtos
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refugados das indústrias, fabricados em oficinas de “fundo de quintal”, artigos produzidos artesanalmente e até mesmo, produtos industrializados.
Assim, diante de uma complexidade das características apresentadas pelos espaços de atividade informal e em específico, do comércio informal, a informalidade tornou-se um elemento essencial no entendimento das novas relações sociais construídas nas cidades brasileiras. De acordo com as colocações de Ulyssea (2004), esse fenômeno é uma das características mais marcantes no mercado de trabalho brasileiro nos últimos quinze anos, visto que vem apresentando uma taxa gradativa de crescimento, chegando a 60% da população economicamente ativa. Para esse autor, a informalidade impressiona não só pela grandeza, como também pela persistência, uma vez que o avanço dessas atividades não se apresenta como um fenômeno transitório.
Presente no espaço urbano das cidades, os comerciantes informais apoderaram dos espaços públicos e agem como se fossem de “propriedade particular”, fixando suas barracas e mercadorias. Os locais mais procurados por estes comerciantes são as áreas centrais devido à maior circulação de pessoas. Com essa postura, os espaços públicos passam a ter para os comerciantes informais, valor de mercadoria (BERTOLUCCI, 1996). Muitas vezes, a ocupação do espaço urbano pela atividade informal é de conhecimento do poder público municipal que oferece alvará para a sua realização. Sobre essa questão, Delgado (2006) ressaltou que a universalização dos bens públicos pode ser condicionada e restringida, exigindo-se sempre a emissão de uma outorga pelos órgãos responsáveis. Para a autora, a concessão de uso trata-se de contrato administrativo pelo qual a Administração Pública consente que o particular utilize privativamente qualquer tipo de bem público, de forma gratuita ou remunerada, sob condições previamente pactuadas. Objetiva-se, assim, que a utilização do bem público por particulares não prejudique a coletividade. Muitas pessoas se sentem incomodadas e prejudicadas com a ocupação dos espaços pelos camelôs, ambulantes e demais comerciantes informais.
Como visto, o universo da informalidade apresenta diferentes características, envolvendo perfis variados de pessoas, condições de trabalho e relações que são construídas no seu cotidiano e, ainda tornou-se um fenômeno diretamente relacionado à vida da população brasileira. Sabendo-se da sua amplitude e da existência de pesquisas que buscam a compreensão deste fenômeno urbano, a preocupação recente com a informalidade, ainda parece estar mais associada a
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questões de ordem tributária e equilíbrio fiscal do que, propriamente, com a economia informal e com os trabalhadores nela inseridos (HIRATA; MACHADO, 2007). Para tanto, compreender de que tipo de trabalhadores é composto e quais as relações sociais e espaciais construídas no seu cotidiano passam a ser questões centrais para a compreensão deste setor.
Assim, diante das diferentes visões dos estudos que buscam o entendimento da informalidade, o presente trabalho buscou considerar tanto a perspectiva de Hirata e Machado (2007), que apresenta as novas tendências da informalidade, como os estudos estruturalistas que apontam o contexto socioeconômico que permitiu a intensificação deste fenômeno. Desse modo, o conceito de informalidade foi considerado como a parcela da economia que é representada por proprietários e trabalhadores que participam da produção em pequenas unidades produtivas, onde as relações entre capital-trabalho não se encontram bem estabelecidas, seja no âmbito da organização do trabalho, como no cumprimento das regras legais e, ainda, que ocupam indevidamente espaços públicos (CACCIAMALI, 2000).