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O Componente Curricular tem sua estruturação pautada em quatro elementos, que são estratégias vivenciais que materializam e dão vida ao currículo, sendo utilizadas para facilitar e favorecer:

o processo de ensino e aprendizagem integrando os conteúdos curriculares e extracurriculares das áreas do conhecimento;

a construção e apropriação de conhecimentos;

a formação humana estimulando hábitos de colaboração, companheirismo, solidariedade, respeito, autonomia e participação;

o auxílio no fazer docente e discente;

a valorização do(a) aluno(a) e da comunidade;

a contribuição no desenvolvimento de atividades em turmas multianuais;

a participação ativa, dos(as) alunos(as), na gestão da escola, nos grupos e nos comitês do Governo estudantil;

a integração escola comunidade.

A analogia harmônica, clara e constante entre os elementos, quando efetivamente trabalhados, contribui para que os objetivos, concepções e finalidades da proposta sejam atingidas, através de um trabalho interdisciplinar (BRASIL, 2005b).

Figura 3: Interconectividade dos elementos e instrumentos do componente curricular da EMEA Fonte: Guia para a Formação de Professores da Escola Ativa – 2005b. Elaboração da pesquisadora

Na Figura 3, em forma de lista contínua, aparece a interconectividade dos elementos e respectivos instrumentos que provocam o desafio de conferir qualidade ao ensino e aprendizagem em turmas multianuais. Os Elementos envolvem idéias de Decroly, Dewey, Montessori, Piaget, Pestalozzi, Freinet; Makarenko, Ferreiro, Vygostsy e outros que utilizam estratégias para propiciar ao(a) discente um aprendizado ativo (SHIEFELBEIN et al, 1992), comprovando-se, assim, a utilização de autores(as) de várias tendências da Escola Nova. No entanto, o seu maior enfoque é construtivista interacionista, valorizando o que a criança produz, a partir do seu conhecimento de mundo e das interações que estabelecem com o ambiente, com os objetos e com os demais. Vale destacar que a EMEA segue a linha daquela a qual se originou sem purismo teórico, ou seja, “na verdade, a Escola Nova não constituiu um corpo coerente de teorias pedagógicas, mas um somatório de tendências psicológicas e sociais às vezes até contraditórias, que foram reunidas com o objetivo de mudar a escola” (GOULAT, 1998, p. 9).

Os Guias de Aprendizagem são auto-instrucionais e modulares. Estruturados em unidades, módulos e seções - as atividades básicas, práticas e de aplicação e compromisso - estimulam a autonomia e a aprendizagem cooperativa, mantendo uma interação constante com o dos demais elementos e instrumentos. “[...] facilita a centralização do processo de aprendizagem do aluno, valoriza seus conhecimentos prévios, promove o pensamento lógico e a construção social do conhecimento por meio do trabalho em grupo (BRASIL, 2005b, p.105)”. O(a) aluno(a) desempenha suas atividades de acordo com seu ritmo, ou seja, é o “passo eu faço”.

Em outras palavras, foi pensado para integra processos e conteúdos que remetem à pesquisa e à discussão. Por ser modular e interdisciplinar, contrapondo-se ao livro didático, gerou conflitos e dúvidas na sua utilização por parte dos(as) docentes.

Os Cantinhos de Aprendizagem, teoricamente, utilizam idéias que se inserem no movimento da escola nova. Fazendo interlocução com:

Piaget afirmava que, nós educadores, devemos promover a utilização de

experiências concretas que levem o aluno ao conhecimento de fatos práticos e não apenas verbais. A experiência física implica o enfrentamento de fatos e objetos concretos da comunidade, da escola e da família. [...] Maria

Montessori, a tarefa do professor é preparar motivações para atividades

culturais, sociais e educativas, em um ambiente previamente organizado, rico em materiais didáticos que favorecem o processo de aprendizagem por meio da experiência direta, da procura e da descoberta. [...], o caminho do intelecto passa pelas mãos, porque é por meio do movimento e do toque que as crianças exploram e decodificam o mundo ao seu redor (BRASIL, 2005 b, 146 e 147. Grifo nosso).

Porém, fica, geralmente, ausente no Guia de Formação o suporte das mencionadas referências bibliográficas. Como exemplo de uma referência completa, destaca-se uma citação de Freinet, utilizada no início do Guia para a de formação de professores da Escola Ativa (2005b, p. 143) em forma de epígrafe, mas não lhe são acrescidos comentários. Na sala de aula nas escolas do programa, nos Cantinhos em parte preestabelecidos, com o material do kit pedagógico que as escolas recebiam e eram acrescidos de outros recursos construídos pelos(as) alunos(as), professores(as) e comunidade se presencia a criança livre para agir sobre os objetos, sujeitos à sua ação e necessidade formativa.

Nas escolas visitadas na terceira fase da pesquisa, uma de Grossos e duas de Areia Branca, foi verificada a organização dos Cantinhos e o cuidado, por parte do(a) aluno(a) e monitor(a) do grupo, que ao utilizarem determinados materiais, esses eram posteriormente recolhidos e recolocados no respectivo cantinho. A fotografia produzida em Grossos, (IMAGEM 2), na comunidade Pernambuquinho, em uma visita surpresa no momento em que os(as) alunos(as) se preparavam para deixar a escola e organizavam os materiais a serem recolocados nos Cantinhos, enquanto os(as) demais concluíam as atividades, ação que se repetia nos demais grupos, verificado nas outras duas escolas visitadas em Areia Branca, na Hercília Noronha e na José Vicente Filho.

IMAGEM 2: Fotografia das(os) alunas(os) da E. M. Maria do Livramento Ferreira do Vale Fonte: Arquivo fotográfico da pesquisa de campo, julho 2008

Governo Estudantil elemento curricular importante enquanto função de promover o desenvolvimento afetivo, social e moral dos alunos. Através do trabalho participativo,

reflexivo, democrático de co-gestão, quer na organização da escola ou na interação cotidiana, torna-se um processo interativo na formação de atitudes. Sendo esse elemento uma organização de alunas(os) e para as(os) alunas(os), na versão anterior à reformulação, seguia fases para a sua implantação (ANEXO A). Este elemento viabiliza e legitima através do voto a participação democrática de discentes, motivando-os(as) ao envolvimento, através de situações vivenciais que remetem a atividades escolares e comunitárias.

Nas escolas que utilizam todos os elementos da EMEA, o Governo Estudantil é avaliado positivamente pelo grupo de professores(as), comunidade e alunos(as). A nova configuração do PrEA ao propor modificações significativas nesse elemento, tem provocado resistência à sua adoção por parte de alguns professores(as), alunos(as) e comunidades. Por este motivo em 2009 havia naqueles seis municípios escolas com a configuração antiga, outras sem sistematizarem o Governo Estudantil e/ou o Colegiado proposto.

Antes da reformulação, até 2008, o dia da eleição e da posse do Governo Estudantil era um grande acontecimento na comunidade, tendo em vista a presença de pais, mães, moradores(as) e representantes de instituições comunitárias ligadas à comunidade, os(as) quais eram convidados(as) para participar como observadores(as). Os(as) próprios(as) alunos(as) representavam o juiz eleitoral, mesários e fiscais. Após a computação dos votos, o(a) 1º mais votado(as) era o(a) presidente(a), o(a) 2º vice-presidente(a) e o(a) 3º o(a) secretário(a). Esses(as) recebiam as faixas, discursavam, assinando juntamente com os(as) demais alunos(as) a ata da eleição do Governo Estudantil (ANEXO B). Os(as) três alunos(as) representavam o Conselho Diretor do Governo Estudantil e os(as) demais não ficavam sem função administrativa, pois imediatamente à posse acontecia a 1ª Assembléia Geral, presidida pelo(a) presidente(a) eleito(a), na qual eram determinados os comitês de trabalho, a partir da necessidade da escola, como por exemplo: comitês de recepção, eventos, limpeza, organização, horta, recreação e esporte. Cada aluno(a) escolhia o comitê com que mais se identificava, participava da reunião do comitê e, no primeiro encontro escolhiam o(a) seu(sua) líder, elaborando o plano de trabalho (ANEXO C), a ser socializado na Assembléia Geral. O primeiro plano era orientado inicialmente por professores(as), pais, mães e comunidade; em alguns casos para o plano ser aprovado recebia sugestões e eram acrescidas modificações. A cada mês, os(as) líderes apresentavam nas reuniões os relatórios das atividades propostas, realizadas e não realizadas, expondo as dificuldades, avanços e metas atingidas e propondo outras.

Além do Conselho Diretor, dos Comitês de Trabalho, existe no espaço de sala de aula os Grupos de Estudos, formados por alunos(as) de cada ano de escolaridade, trabalhando em

conjunto, em dupla, individualmente ou com ajuda e/ou orientação do(a) professor(a) ou monitor(a). O(a) aluno(a) assumia, de maneira autônoma, a responsabilidade pela sua aprendizagem pesquisando informações nos Guia, em outros materiais instrucionais, nos Cantinhos e na comunidade. Os instrumentos utilizados no Governo Estudantil apresentam como meta a formação integral do(a) aluno(a), uma vez que permitem integrar o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas às áreas do conhecimento e a valores sociais. Elevando, assim, a auto-estima, o sentimento de pertença, o trabalho em equipe, o respeito a si e ao outro, a colaboração, liderança e a criticidade.

Em consonância com o proposto pelo PrEA o Governo Estudantil “Educa para a liberdade, a paz, a tolerância, o respeito mútuo, a convivência sadia, a solidariedade, a cooperação, a tomada de decisões e a autonomia, entendida como liberdade para agirem livremente, assumindo as responsabilidades necessárias” (BRASIL, 2005b, p. 71).

O elemento Escola e a Comunidade do componente curricular busca estabelecer estreitas relações entre a comunidade e a escola, procurando educar os(as) discentes com identidade pessoal, cultural, capazes de compreender, participar ativamente e transformar a sociedade na qual vivem, assegurando a sua sustentabilidade, eqüidade e autonomia. Sendo ressaltado que a “escola nasceu da comunidade e para atender às necessidades desta comunidade” (BRASIL, 2005b, p. 171). Mas para que isso ocorra é preciso intervenção competente da(o) professor(a).

No módulo de formação são propostas as seguintes ações para conhecer e estreitar as relações escola/comunidade: a) observação participativa, entrevista pessoal ou com grupos e pesquisa; b) estratégias como Dia das Conquistas, oficinas, palestras informais, caminhadas de observação e eventos de integração social; c) elaboração de instrumentos como o Croqui e a Maquete da Comunidade; a Monografia da Comunidade, a Ficha Familiar (ANEXO D), e o Calendário de Produção (ANEXO E). Sendo esses utilizados simultaneamente com outras atividades durante o ano letivo.