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Os dispêndios com a previdência social são um grande desafio que os municípios enfrentam em sua administração, é um problema que envolve a questão de gestão de pessoal e as finanças do ente público. A situação, como vimos, passa tanto por um correto dimensionamento da alíquota patronal que o município deve recolher ao RPPS como dos benefícios que serão pagos.

Neste trabalho foi possível verificar que os gastos com a instalação de um RPPS no município acabam por pressionar as despesas e forçar a um aumento das mesmas, tanto as dívidas com os institutos de previdência, quer INSS ou RPPS, como as dívidas com fornecedores, os Restos a Pagar. Da análise realizada foi possível constatar que a instalação de um RPPS na estrutura do município, no curto prazo, faz crescer o endividamento e onera cada vez mais o erário público.

Poderia ser adotada uma reforma do sistema, pois como diz TAFNER (2015, p.187) “quanto antes se reconheça a questão previdenciária e se executem medidas concretas para seu enfrentamento, menos bruscas serão as reformas necessárias para a manutenção do sistema em atividade”.

O presente trabalho não se consiste como um fim em si mesmo, tratando- se de um passo apenas no enfrentamento da problemática da questão previdenciária brasileira, em especial dos municípios cearenses, podendo servir de base para outros trabalhos que se destinem ao mesmo objetivo. Entre estes pode-se estudar os gastos previdenciários ponderados pelo PIB municipal.

Sendo assim este trabalho seria adicionado em sua essência, colaborando para que haja uma atitude consciente e responsável dos gestores dos recursos públicos com a situação previdenciária dos servidores, afinal, como a própria palavra diz, a “res” é “pública”, e este assunto é da nossa conta.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988. Disponível:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso: 18 de maio de 2018.

______. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e contrôle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Brasília: Senado, 1964. Disponível: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l4320.htm. Acesso: 15 de julho de 2018.

______. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências. Brasília: Senado, 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l4320.htm. Acesso: 15 de julho de 2018.

______. Lei nº 8.212/91, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. Brasília: Senado, 1991. Disponível: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8212cons.htm. Acesso: 15 de maio de 2018.

_______. Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998. Dispõe sobre regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9717.htm. Acesso: 09 maio 2018.

GIAMBIAGI, Fábio., ALÉM, Ana Cláudia. Finanças Públicas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 3ªed.

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GUJARATI, Damodar. Econometria Básica. Rio de Janeiro. Ed. Campus. 2006.

TAFNER, Paulo., BOTELHO, Carolina., ERBISTI, Rafael (Orgs.). Reforma da Previdência – A Visita da Velha Senhora. 1ª ed. Brasília: Gestão Pública, 2015.

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A N E X O

Trecho do Acórdão da Prestação de Contas de Governo do município de Alto Santo do ano de 2010

Processo n° 7338/11.

Prefeitura Municipal de Alto Santo.

Prestacao de Contas Anuais - Exercicio 2010.

Prefeito: Adelmo Queiroz de Aquino.

Relator: Cons. Pedro Angelo.

(...)

OBRIGAÇÕES PATRONAIS

25. O Município empenhou a título de Obrigações Patronais o montante de R$ 752.689,13, sendo R$ 652.799,41 do Poder Executivo e R$ 99.889,72 do Poder Legislativo, pagando-o integralmente neste exercício (fls. 663).

Ainda sobre as Obrigações Patronais, a Inspetoria teceu os seguintes comentários (fls. 663):

a) Consonância entre os dados do Balanco Geral e do SIM.

b) Do montante de R$ 652.799,41 pago pelo Poder Executivo, R$ 334.167,05 destinou-se ao IPASA e R$ 318.632,36 ao INSS.

c) Não foi apresentada a lei que instituiu o regime próprio de previdência, impossibilitando, assim, atestar se o montante repassado ao Instituto de Previdência Municipal - IPASA atendeu ao disposto nesse dispositivo legal.

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PREVIDÊNCIA SOCIAL

26. O Município consignou dos seus servidores a quantia de R$ 493.488,29 para pagamento ao INSS, no entanto, repassou a referido Órgão Previdenciário apenas R$ 311.988,71 (63,22%), deixando assim, de repassar R$ 181.499,58 (36,78%), valor de responsabilidade do Poder Executivo (fls. 664/666).

Ressaltou a Inspetoria que do montante de R$ 181.499,58 não repassado neste exercício, a quantia de R$ 178.939,09 se referia as retenções efetuadas no mês de dezembro, as quais são repassadas em janeiro do ano seguinte.

Portanto, os Inspetores acusaram que o não repasse da cifra de R$ 2.560,49 relaciona-se a retenções de meses anteriores a dezembro, e por esta razão, caracteriza a ocorrência de apropriação indébita previdenciária, prevista no art. 168- A do Código Penal Brasileiro, introduzido pela Lei n° 9.983/00.

No tocante a débito junto ao INSS, a assessoria deste Relator, em consulta no endereço eletrônico da Receita Federal do Brasil, localizou Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa (que ora anexamos aos autos), com validade ate 08/02/2015, atestando que os débitos do Município de Alto Santo se encontram com a exigibilidade suspensa, por conta de parcelamento feito entre o Município e o INSS.

O Pleno desta Corte, já pacificou a matéria, em reiteradas decisoes, no sentido de que havendo o Município negociado o débito previdenciário, o fato deixa de ser motivo isolado para a desaprovação, embora mereca advertência desta Casa.

Observou-se ainda, que o Município possui um Instituto de Previdência - IPASA, para o qual consignou, das folhas de pagamento dos servidores, o montante de R$ 311.634,69, tendo repassado a citado Instituto R$ 216.343,37 (69,42%),

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deixando assim, de repassar R$ 95.291,32 (30,58%), valor de responsabilidade do Poder Executivo (fls. 666/667).

Ressaltou a Inspetoria que do montante de R$ 95.291,32 não repassado neste exercício, a quantia de R$ 91.535,66 se referia as retenções efetuadas no mês de dezembro, as quais são repassadas em janeiro do ano seguinte.

Portanto, os Inspetores acusaram que o não repasse da cifra de R$ 3.755,66 relaciona-se a retenções de meses anteriores a dezembro, no entanto, em face do não envio da lei que criou referido Instituto, a Inspetoria informou que não foi possível se manifestar sobre a ocorrência de apropriação indébita previdenciária.

Em face da irregularidade supra, este Relator, na sessão do Pleno do dia 18/12/2014, sugeriu a emissão de Parecer Prévio pela Desaprovação das Contas, oportunidade em que o Cons. Hélio Parente pediu vistas do processo.

Ao devolver os autos nesta sessão de 29/01/2015, o Cons. Hélio Parente, em desacordo com o voto deste Conselheiro, sugeriu a emissão de Parecer Prévio pela Aprovação das Contas, em face do pequeno valor que deixou de ser repassado ao Instituto de Previdência do Município, ou seja, R$ 3.755,66, fato este que por si só, não seria motivo para desaprovar a presente Prestação de Contas de Governo.

Após o pedido de vistas do Cons. Hélio Parente, o Prefeito apresentou memorial (que ora anexamos aos autos), a fim de comprovar que o houve o pagamento do débito de R$ 3.755,66 junto ao Instituto de Previdência Municipal, conforme atestam as guias de pagamento e os comprovantes de transferências do Banco do Brasil.

Os documentos demonstram que o valor foi repassado em 18/12/2014. na mesma data do pedido de vistas do Cons. Hélio Parente (18/12/2014).

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Apresentou ainda o Prefeito, Certificados de Regularidade Previdenciária – CRP comprovando a regularidade do Município de Alto Santo.

O não repasse de contribuição previdenciária irregularidade de natureza grave, previsto como crime, tipificado no art. 168-A do Codigo Penal.

Entretanto, diante da comprovação agora do repasse das contribuições previdenciárias depois de proferido o voto inicial, este Relator, ao receber hoje os autos para continuação do julgamento, retifica o seu voto, para emissão de Parecer Prévio Favorável a Aprovação das Contas, no que foi acompanhado pela unanimidade dos seus pares.

Registre-se que este assunto tem repercussão tambem contas de gestão da Unidade Gestora competente e, por isto, será ali examinado.

RESTOS A PAGAR

27. Quanto ao saldo geral da conta restos a pagar, o Gestor/recebeu do ano anterior (2009) um total de R$ 6.918.331,73, pagando R$ 1.404.041,34 (20,29%) e cancelando R$ 288.206,67 (4,17%) em 2010, persistindo ainda R$ 5.226.083,72, que somado as inscrições de 2010 (R$ 5.301.021,64), totaliza um saldo a ser pago no exercício seguinte (2011) de R$ 10.527.105,36, o que equivale a 40,96% da receita total arrecadada ou 51,55% da receita corrente líquida (fls. 670/671).

Observa-se, que houve um aumento de R$ 3.608.773,63, ou seja, 52,16%, no montante de restos a pagar para o exercicio seguinte, se comparando com o ano anterior:

Restos a pagar de 2009 para 2010: R$ 6.918.331,73 Restos a pagar de 2010 para 2011: R$ 10.527.105,36

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Vale ressaltar, que do valor de R$ 5.301.021,64 alusivo aos restos a pagar inscritos neste exercício, R$ 370.540,87 (6,99%) foi processado enquanto R$ 4.930.480,77 (93,01%) não foi processado (fls. 223/239).

Ao excluirmos do total de restos a pagar para o exercício seguinte a quantia de R$ 4.930.480,77 referente aos restos a pagar não processados (posicionamento adotado pelo Pleno desta Corte a partir da apreciação da PC. Gov. 2002 – Prefeitura de Morada Nova - Proc. n° 8.263/03 – Rel. Cons. Ernesto Sabóia - Sessão do dia 18/08/2005), a dívida que era de R$ 10.527.105,36 seria reduzida para R$ 5.596.624,59, valor coberto pelas disponibilidades financeiras utilizáveis em 31/12/2010, as quais totalizaram R$ 9.041.990,92.

Ainda sobre a matéria, a Inspetoria informou que neste exercício não houve cancelamento de restos a pagar processados (fls. 671).