• Sonuç bulunamadı

Aqueles que impedirem minha passagem passarão e eu passarinho.

(Mário Quintana)

Acompanhemos, num movimento de reflexão, outros passos que as caminhantes Rubi, Safira, Ametista, Pérola e Cristal empreenderam nessa grande aventura humana que é a vida. Passos, que como os tantos que deram na vida, possibilitaram a elas crescer e mudar.

Rubi passou de noviça a freira e começou a prestar serviços em uma escola, o que fez por um ano. Em seguida, prestou vestibular para Pedagogia, foi aprovada e com 24 anos de idade, assumiu o cargo de vice-diretora na mesma escola em que dava aulas. Sobre este momento ponderou: “Ali eu tava me firmando como pessoa”!

Safira, aos 21 anos de idade, deu vida a um antigo sonho: entrar para a universidade. Fez isso mesmo a contragosto do marido e de seus pais. Sobre essa passagem ela comenta: “Foi um momento crucial na minha vida. Pela primeira vez senti que eu era a dona da minha vida”.

Ametista, aos 20 anos de idade, retorna à casa de sua família da qual tinha fugido para viver um amor, no intuito de apresentar o seu filho recém-nascido para seus pais e de se reconciliar com eles. Foi nesse momento que ela revelou ter se sentido plena para assumir com propriedade a vida que escolheu na madrugada do dia em que fugiu de casa.

Pérola, aos 22 anos de idade, vendo seu filho passar necessidades e sua mãe se esforçando ao máximo para supri-las, se encheu de garra e decidiu trabalhar como diarista e sacoleira para oferecer melhores condições de vida às pessoas que tanto amava. Relatou essa passagem: “Eu deixei de ser criança nessa hora. Chega uma hora que a ficha cai!”.

Cristal, aos 21 anos de idade, por meio da Universidade da qual faz parte, realizou uma viagem de um mês pelo Sertão Central acompanhando o movimento “Sem Terra40”. Dessa viagem, que inclusive desagradou um pouco a seus pais, ela menciona que não voltou a mesma pessoa, que seus pensamentos e sentimentos mudaram intensamente: “Nossa, eu sou tão guerreira! Eu sou tão grande! Posso me virar sozinha!”

40 Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um movimento social brasileiro cujo objetivo é a

Por mais que as vivências mencionadas acima ocorressem com pessoas, tempos e paisagens inteiramente diferentes, elas guardam semelhanças entre si. As narrativas das protagonistas indicam, nesta pesquisa, que tais vivências constituíram momentos marcantes em suas vidas. Momentos que as fizeram enxergar o mundo, o outro e a elas mesmas numa outra perspectiva. Momentos em que cada uma delas compreendeu que era preciso empreender mudanças em sua vida e que isso deveria ser feito com a força de suas mãos, de seu corpo, de sua subjetividade. Cada uma, ao seu modo, ao relatar tal momento, o expressava como se fosse uma encruzilhada, no sentido de que era preciso fazer uma importante escolha, inclusive, em alguns casos, tendo que escolher entre o que todos em suas redes de relações achavam o que era o caminho coerente para cada uma seguir e aquele que cada uma desejava trilhar. Em outros casos, tiveram que forçar a passagem. Segundo elas, esses momentos foram tão significativos que marcaram suas entradas para a vida adulta.41 E é justamente sobre essa passagem da adolescência para a vida adulta que proponho dialogarmos a seguir à luz de alguns autores das Ciências Sociais.

No curso da pesquisa, compreendi que essa passagem é vivenciada de forma plural pelos indivíduos. Algo que se mostrou muito forte é que a idade cronológica por si só não é a chave de compreensão de como se constitui tal passagem.

Evidentemente, seguindo as orientações que Debert (1999) tece com base em Meyer Fortes (1984), é importante considerar “os critérios e normas da idade cronológica que são impostos nas sociedades ocidentais que inclusive são exigências das leis que determinam os direitos e deveres do cidadão.” (DEBERT, 1999, p.47). Há uma idade que o Estado estipula para designar que o indivíduo atingiu a maioridade, por exemplo. A referida autora nos convida a pensar que existem expectativas sociais em relação às idades da vida e que isso acaba ressoando como forte imposição sobre as pessoas. Afinal de contas, para obter a aceitação dos seus pares as pessoas não podem viver de maneira completamente arbitrária, sem qualquer limite. Acredito ser imprescindível que haja o reconhecimento dos limites impostos a cada idade, assim como o empreendimento de um constante movimento de reflexão sobre os mesmos, especialmente, para questioná-los.

A idade cronológica não define por si só a passagem da adolescência à vida adulta porque, como venho enfatizando ao longo deste trabalho, a passagem do tempo não é

41 É importante esclarecer que os acontecimentos que elas elegeram como significativos para marcar a entrada

para a vida adulta pode ser perfeitamente passível de mudança. Elas estão constantemente reavaliando suas vidas. Por exemplo, Cristal considerou a viagem com o MST como algo significativo para sua entrada na vida adulta, isso não significa que se eu conversar com ela daqui a dez anos sobre tal passagem, ela manterá esse evento como um marco definidor para a passagem da sua adolescência à vida adulta. Isso pode ou não ocorrer.

percebida, concebida e vivida pelos indivíduos de maneira uniforme. Hareven (1999) e Bossit (2002) mostram claramente em seus trabalhos como é difícil delimitar até mesmo quando um indivíduo se torna adulto. Acompanhe uma passagem do trabalho de Hareven (1999) que expressa bem isso:

Os critérios da vida adulta variam significativamente entre culturas, classes e períodos históricos seus significados não podem ser definidos meramente em termos de um estágio específico. Diferente da adolescência que representa a passagem de uma pessoa pela puberdade, a passagem a vida adulta não pode ser claramente demarcada em termos biológicos. Em um mesmo grupo de idade, seu significado social e as funções a ela associadas variam entre culturas e segundo condições psicológicas. (HAREVEN, 1999, p. 23).

Nesse exercício de reflexão acerca da passagem da adolescência à vida adulta considero importante questionar uma visão muito corrente em nosso contexto social, que propaga que o fato do indivíduo adentrar o mundo do trabalho e/ou sair de casa para constituir sua família e/ou vivenciar a paternidade ou maternidade já é o bastante para considerá-lo adulto. A meu ver esta visão é limitada, pois não contempla as distintas vivências que os indivíduos elegem, em referência aos valores e significados de seus contextos, para marcarem essa passagem. Por meio das protagonistas deste trabalho podemos vislumbrar isso. Vejamos: O fato de Pérola ter sido capaz de fecundar e gestar uma vida não fez com que ela, de imediato, se sentisse adulta. Ela marca a sua passagem para a vida adulta depois do seu filho ter mais de um ano de idade, quando decidiu se esforçar para sustentá-lo. O fato de Ametista ter fugido de casa para constituir uma família ao lado de Zé Carlo, não constituiu o momento que ela apresentou em sua narrativa como o marco da passagem da adolescência à vida adulta, e sim quando foi mãe e resolveu apresentar seu filho à sua família numa tentativa de reconciliação. No caso de Cristal, não é a entrada na faculdade e no mundo do trabalho, nem mesmo o fato de ela passar a contribuir com as despesas da casa de seus pais que a mesma destaca em seus depoimentos como momentos que marcaram sua passagem para a vida adulta, mas uma viagem que empreendeu com o MST. Aliás, aqui se faz importante salientar que nas andanças que empreendi nos bairros do Jangurussu e Palmeiras, considerados de periferia, para a realização do trabalho de campo da pesquisa ora presente, percebi que muitas crianças e jovens, por uma questão de sobrevivência da família, acabam entrando para o mundo do trabalho informal, “fazem bicos” e isso não necessariamente os fazem ser considerados e nem mesmo eles se considerarem adultos. Assim, penso que o casamento, a saída da casa dos pais, a maternidade ou paternidade, a entrada para o mundo do trabalho podem ou não ter alguma correlação direta com o fato da pessoa se ver como adulta.

Afinal de contas, são diversos os acontecimentos e rituais que podem marcar essa passagem na vida dos indivíduos: uma viagem, a perda de alguém especial, a tomada de algumas responsabilidades, seja no sentido familiar e profissional, uma forte decepção na vida ou até mesmo uma grande conquista.

A partir disso, no exercício de reflexão sobre a fase adulta, com base nas narrativas apresentadas, não busquei eventos estanques que marcassem a passagem para esse momento da vida, mas procurei compreender como cada uma das protagonistas entende, baseadas em seus valores, seus estilos de vida, suas classes sociais e de seus contextos vividos, tal passagem. Coloquei em prática um frutífero ensinamento de Geertz (1989) que diz: “o importante é procurar compreender o que eles (protagonistas da pesquisa) pensam sobre o que eles fazem”. A partir disso baseei a referida reflexão nos seguintes questionamentos: O que elas entendem por vida adulta? Que momentos escolheram para marcar essa passagem? Quais as particularidades de suas vivências no trânsito entre adolescência e vida adulta? Quais sentimentos marcam esse momento de suas vidas? Que conseqüências isso trouxe para suas vidas? Como vêem, sentem, convivem com seus corpos na fase adulta? Vê se respondi!

Não posso deixar de mencionar algumas idéias que a intrépida Esmeralda, no auge de seus 17 anos, expressou em sua narrativa sobre como ela se imagina na vida adulta. No curso dos seus depoimentos ela se mostra adepta da idéia de que cada minuto que passa não volta mais, então deve ser aproveitado ao máximo. Por isso ela prefere viver o presente e deixar para pensar no amanhã quando este chegar. Está sempre muito ocupada em viver o presente para pensar no futuro. No entanto, em alguns momentos ela faz projeções, mesmo em tom de brincadeira, dizendo que se vê casada sobre um homem o qual ela terá total domínio. Como expressa a sua comunidade do Orkut por ela escolhida: “Psiu! Caladinho! Ele será sarado e rico e vai bancar uma babá”, pois ela odeia fazer tarefas domésticas e pagará também cirurgias plásticas principalmente depois da gravidez. Imagina-se trabalhando, e a todo o momento, além de se ver numa profissão diferente, ela se imagina oferecendo melhores condições de vida a sua mãe. É assim que esta moça acredita que será sua vida adulta.

Nesta pesquisa, a fase adulta à luz dos referidos autores das Ciências Sociais é concebida como uma construção social. Em cada época e em cada lugar há uma forma particular tanto de marcar a passagem para essa fase como para vivenciá-la.

É importante chamar a atenção para o pensamento de Debert. A autora frisa em seu trabalho, designando ser uma das marcas da cultura contemporânea, a criação de uma

série de etapas no interior da vida adulta: [...] “a idade da loba”, “meia idade”, “terceira idade”, “aposentadoria ativa.” Debert nos ajuda a entender a finalidade dessas novas etapas:

Desafiar comportamentos convencionalmente considerados como expressão da maturidade, como um estágio claramente definido que deve ser conservado ao qual todos devem ascender. Trata-se, antes, de encorajar a variedade de experiências em um contexto no qual a idade cronológica é pura maleabilidade, receptáculo de um número praticamente ilimitado de significações e, por isso, um mecanismo extremamente eficiente na constituição de novos mercados e de atores políticos. (DEBERT, 1999, p. 65).

A propósito, cabe aqui citar algumas expressões que no curso da pesquisa ouvi tanto nas academias como fora delas, em relação às mulheres na fase adulta: “balzaquiana”, “mulher madura”, “mulher bem conservada”, “panela velha”, “coroa”. Considero fundamental refletirmos sobre essas expressões, se são discursivamente produzidas, assim como quais são as relações de poder que as regem. Mais do que isso, acredito na importância de empreender uma reflexão a respeito de como tais expressões ressoam nos cotidianos das mulheres. Como elas se sentem em relação a elas? Como as manipulam? Como essas expressões se refletem na relação com seus corpos?

Então, convido o leitor a continuar a viajar, por meio das narrativas expressas nestas páginas, para tempos e espaços diferentes, em que poderemos encontrar as mulheres Rubi, Safira, Ametista, Pérola, Cristal e Esmeralda. O intuito é que, neste exercício, possamos refletir, com o apoio dos autores das Ciências Sociais, a respeito de como se relacionaram com seus corpos no caminhar da vida adulta, os sentimentos que constituíram nessa relação e o que isso comunica sobre o tempo e o espaço em que estavam inseridas. Sigamos em frente!

Retornemos ao Crato no ano de 1967 para acompanharmos Rubi e a sua vivência no convento. Vislumbremos os novos caminhos que ela foi tecendo para sua vida:

Aos 20 anos de idade Rubi continuava lutando para se adaptar à vida na congregação. Para isso, precisou transpor momentos difíceis como o dia em que foi descoberto que ela deixou o seu cabelo crescer e foi severamente castigada por isso. Uma das maiores dificuldades que enfrentava nesse momento de sua vida era o fato de sua vocação ser sempre questionada pelas madres e outras noviças, que diziam ser uma questão de tempo seu abandono da vida religiosa. Mas ao passo que desacreditavam na sua relocação ela contrariamente, acreditava e lutava pela sua permanência e lançava mão de certas estratégias para melhorar sua qualidade de vida naquele ambiente. Brandamente, ela falou sobre isso:

Eu sempre tentei aproveitar qualquer espaço para defender minha feminilidade. Eu fazia o seguinte: se não dissessem que não podia eu fazia de conta que eu podia. Se

reclamasse eu dizia: Ah, eu não sabia que não podia!E a madre dizia: Mas ninguém disse que podia, irmã! Eu sabia que se eu pedisse a elas antes elas não me permitiam fazer. Era um jeito que eu arrumei pra viver melhor ali. Tentava negociar.

Em sua narrativa, ela revelou que um dos momentos cotidianos mais difíceis dessa fase de adaptação no convento era o banho. Aquela mulher que quando menina apreciava tanto o contato com as águas dos açudes do Crato e que em casa passava muito tempo no banho, agora tinha que vivenciar esta prática corporal de uma forma completamente diferente.

Elas (as madres) já diziam que a gente tinha abertura demais em tomar banho sem roupa porque as outras antes de mim tomavam banho vestidas [...], a gente recebia recomendação para não se tocar. Porque naquele tempo a masturbação era um pecado grave! Primeiro a gente fazia preces para não ter maus pensamentos. A gente entrava no banheiro assim como se fosse uma criança. Fazia aquela higiene. Não tinha shampoo era só o sabonete... o cabelo era bem curtinho igual o de homem, né, até pra facilitar porque o tempo de banho era mínimo era 15 minutos pra gente enxugar o cabelo e colocar o véu. Porque se a gente colocasse o véu com o cabelo molhado mofava. Então esses 15 minutos já estava incluído esse enxugar do cabelo e o se vestir. [...] Esse tempo curto não nos dava direito de tocar, de ver, de olhar o corpo. No convento só tinha um espelho que só dava pra ver o rosto no banheiro. Aquilo era um sacrifício principalmente pra mim que era vaidosa. Era um sacrifício! A gente achava que isso nos santificava. Hoje o sacrifício que eu acho mais válido é em prol de alguém e não um sacrifício vazio. Entende?

Com muita emoção, ela explica que, com o passar dos dias, “o lado da vaidade” foi ficando adormecido:

Então quando a gente vai pro convento é com um desejo imenso de ser Santa, pelo menos naquela época. Porque a gente não queria só fazer o bem queria ser Santa. O exemplo principal era o de Nossa Senhora, sem vaidade, pura. Eu passei muitos anos com essa parte da vaidade meio adormecida. Aí nesse tempo eu só me olhava no espelho mesmo para ajeitar o véu.

Rubi relata que certo dia viu uma madre, com uma expressão leve e simpática, que havia chegado de outro Estado adentrando a porta da congregação. Naquele instante nem supôs o quanto aquela pessoa contribuiria para mudanças em sua vida. A tal madre, de pronto, se afinou com o espírito questionador de Rubi e persuadiu para que as outras permitissem que esta passasse de noviça a freira. Sorrindo e de olhos marejados, Rubi comenta sobre o dia desse ritual: “Um momento inesquecível, uma emoção bem forte! Difícil de expressar nas palavras [...]”. Mas essa foi só a primeira entre as muitas transformações na vida de Rubi que ocorriam com a chegada da referida Madre. Com o seu apoio ela, ainda freira, começou a trilhar os caminhos da profissão e com entusiasmo nos conta sobre isso:

Depois entrou uma madre que gostava de mim. Ela acreditava em mim, me deu logo encarte. Você vai ser educadora. Ela percebia que eu gostava de gente, de criança muito mais. Ela disse pra eu ir morar no colégio que ela ia ser diretora lá. Passei um

ano trabalhando no colégio. No fim do ano eu fiz vestibular pra pedagogia e eu passei. E com 24 anos eu já fiquei com cargo de vice-diretora. Eu me senti muito feliz porque ali eu tava me firmando como pessoa, crescendo [...] Tudo isso quando eu terminei a faculdade me deram um contrato do Estado. Foi minha sorte. E eu assumi a noite. Eu dizia: Ah! Que maravilha! Eu tava saindo todo dia da congregação pra estudar e agora eu ia sair todo dia pra trabalhar. [...] Foi um rebuliço na congregação porque a congregação não quer que você tenha condições de ficar todo tempo saindo pra rua. Entende? Agora o dinheiro que eu recebia do Estado enquanto eu estivesse lá era pra congregação. Ficava todo lá. [...] Elas (algumas madres da congregação) me apontavam, me criticavam muito diziam assim essa daí quando terminar a faculdade vai sair. Terminei, fiquei essa aí quando arrumar um emprego vai sair arrumei um emprego, continuei ficando!

Rubi, com expressão facial em que transparecia orgulho, contou que se sente uma pioneira por ter tido coragem de abrir as portas para obter a permissão para exercer o lado profissional no tempo e contexto em que viveu e disse que conseguiu isso agarrando com determinação as oportunidades que apareciam:

Eu fui uma pioneira! As mulheres na minha época não tinham essa atividade. Primeiro, não tinham o incentivo e nem a oportunidade, e comigo foi assim... Nada me foi oferecido de bandeja se tinha uma brechinha eu passava, transformava a brechinha em porta pra eu passar. Mesmo no convento... Quando tinha uma oportunidade, uma palestra, um congresso, um curso... A madre perguntava: quem quer ir? Eu tinha dificuldade de ter alguém pra ir comigo. Eu cansei de ir só. Que as outras nem pra ir comigo! Até porque no convento tinha uma orientação da gente num sair só. Sabe? Tinha que ta sempre acompanhada, mas se num tinha ninguém pra ir comigo eu ia só. Eu me lancei pra São Paulo, pro Rio pra tudo! Eu fui muito agraciada com a minha coragem porque se tinha uma oportunidade nunca deixava passar. E eu era tímida. Eu cansei de ficar em congresso sozinha em hotel. Ficar três ou quatro dias sozinha e num fazia uma amizade, tamanha timidez.

Aliás, foi em uma dessas excursões que Rubi tentou quebrar mais uma vez as regras. Decidiu ousar e vestir uma calça jeans, o que causou um grande alvoroço:

A primeira a vestir calça comprida na congregação fui eu, pra viajar. Era uma excursão pra um convento em São Paulo. Eu não sei fazer nada escondido. Aí eu pedi permissão, mas a congregação não deixou. Na hora que era pra entrar no ônibus, eu apareci de calça comprida. A madre geral disse, por favor, vista um vestido porque por mim eu dava licença, mas eu não posso chegar lá com você vestida assim, porque a direção do convento em São Paulo não permite. Elas não deixaram! A madre disse que por ela dava permissão, mas as regras de convento de São Paulo, não. [...] Eu queria usar a calça