• Sonuç bulunamadı

Pınar Alçiçek * 1

2. Üç dönemi tarihten edebiyata taşıyan bir roman: Üç İstanbul

2.3. Eylem ile eylemsizlik arasındaki eşikte duran pasifize aydın

A presente teoria não implica rejeitar aquelas previamente propostas, sobretudo as que têm como foco a natureza motivacional dos valores (Gouveia, 2003). Admitem- se aspectos similares com as teorias propostas por Ronald Inglehart e Shalom H. Schwartz, no entanto ela surgiu diante do descontentamento de alguns teóricos, entre eles, Valdiney V. Gouveia com algumas das ideias propostas; como a concepção de valores como crenças, a noção de conflito dos valores, a indeterminação da fonte para

75 derivar os valores e a técnica estatística empregada (escalonamento multidimensional) para testar o modelo. Sendo assim, a seguir, objetiva-se mostrar os fundamentos que tornam esta teoria uma alternativa, que se apresenta como mais integradora e parcimoniosa (Gouveia et al., 2008).

Um dos problemas com que se deparam os interessados na temática dos valores humanos é a confusão conceitual que os permeia. Comumente, as pessoas em geral têm ideias vagas a respeito, referindo-se a valores em seus discursos cotidianos para indicar coisas muito diversas, como algo que vale (e.g., dinheiro, casa, família). No âmbito da

Teoria funcionalista dos valores, a definição é oferecida em termos mais parcimoniosos

que as demais definições, enfocando suas funções (Gouveia, 2013). Entende-se os valores como aspectos psicológicos que guiam os comportamentos e representam cognitivamente as necessidades humanas (Gouveia, Fonsêca et al., 2011; Gouveia et al., 2011). Estão implícitas nesta definição características ou pressupostos admitidos dos valores, como representar um princípio-guia do comportamento da pessoa, que transcende situações específicas, sendo desejáveis e relativamente estáveis.

Pressupostos teóricos

A teoria ora proposta concebe-se no contexto de um programa de investigação, assim como orientado por Lakatus (1978). Desta forma, é admitido um núcleo rígido, cujo papel é estruturante, fazendo possível derivar hipóteses que sejam coerentes e testáveis, favorecendo a ampliação do conhecimento sobre a natureza dos valores humanos. Este núcleo rígido se sustenta em pressupostos teóricos que são especificados a seguir:

Natureza Humana. Na presente teoria se assume a natureza benevolente ou

76 comportamentos sociais desviantes seriam originados por um desequilíbrio de prioridades valorativas, sendo típicos em pessoas que valorizam excessivamente determinadas funções em detrimentos de outras (Rebollo, Herrero, & Colom, 2002; Rhee & Waldman, 2002), exemplo: experimentação e/ou realização em detrimento de outras interativa e/ou normativa, produzindo perfis desviantes.

Princípios-guia Individuais. Apesar de existirem abordagens teóricas acerca de valores culturais (e.g., Hofstede, 1984; Inglehart, 1991), escassamente alguém pode falar em tais valores se o que toma como referência são respostas de pessoas individuais. Assim os valores são, na realidade, princípios-guia de pessoas, quer individualmente ou em grupo de indivíduos.

Base Motivacional. Toma em conta apenas a ideia de que os valores são

representações cognitivas das necessidades humanas (Kluckhohn, 1951; Maslow, 1954), estando disponíveis em todas as sociedades e representando cognitivamente necessidades individuais, institucionais e societais (Rokeach, 1973; Schwartz, 1992).

Caráter Terminal. Segundo o próprio Schwartz (1992) os valores terminais são

substantivos, enquanto aqueles instrumentais são adjetivos, reduzindo essa classificação a

um problema meramente semântico. Dessa forma, apenas os valores terminais são tidos

em conta nesta teoria. A razão para isso pode ser igualmente encontrada em Rokeach (1973), quem afirma que tais valores são mais precisos e estão em menor número do que aqueles instrumentais.

Condição Perene. Assume-se a perspectiva temporal cíclica da história (Farris,

1987; Šubrt, 2001), significando que não existe um estado-fim, um destino comum irremediável ou um padrão fixo de sociedade. Contrariamente, as sociedades ou culturas são concebidas como tendo sua dinâmica própria, primando por valores que fazem possível a convivência harmoniosa entre seus membros.

77

Funções e subfunções valorativas

Um dos aspectos específicos da teoria ora proposta é tomar em conta as funções dos valores já que são poucos os estudos empíricos que primam por essa propriedade (Allen et al., 2002). Revendo as publicações acerca do tema, Gouveia (1998, 2003) identificou duas funções consensuais dos valores: (1) guiam as ações humanas (tipo de orientação; Rokeach, 1973; Schwartz, 1992) e (2) expressam suas necessidades (tipo de motivador; Inglehart, 1977; Maslow, 1954).

Função de guiar os comportamentos humanos. De modo geral, as pessoas

possuem um foco pessoal ou social do comportamento como a unidade de sobrevivência. As que se pautam por valores sociais são centradas na sociedade, enquanto que as que são guiadas por valores pessoais são mais egocêntricas (Gouveia et al., 2003; Schwartz, 1992). Em estudos empíricos (Gouveia, 2003; Schwartz & Bilsky, 1987) tem emergido um terceiro grupo de valores, denominados de valores centrais. No entanto, ao contrário de Schwartz (1992) que os denomina como mistos e não apresenta uma explicação teórica acerca de tais valores, a teoria Funcionalista propõe que este grupo de valores se situe entre os outros dois tipos, pois são a base estruturante ou a espinha dorsal da organização valorativa (Gouveia, 2013).

Função de dar expressão às necessidades humanas. Embora seja possível pensar

em arranjos diferentes para os valores como representação das necessidades, a literatura tem evidenciado duas estruturas subjacentes: valores materialistas (pragmáticos) e

humanitários (idealistas) (Braithwaite, Makkai, & Pittelkow, 1996; Inglehart, 1977). Os

valores materialistas estão relacionados a idéias práticas, e as pessoas que os consideram importantes são orientadas a metas específicas e regras normativas, pensando em termos de condições mais biológicas de sobrevivência. Quando

78 combinada com a orientação pessoal, poderá significar a aceitação da diferença, o foco extrínseco, a orientação ao êxito e a busca de ganhos pessoais; e combinado com a orientação social, pode implicar em maior resistência à mudança, evitando incertezas e endossando padrões rígidos de relações interpessoais. Os Valores humanitários expressam princípios mais universais e abstratos. Quando retratando valores pessoais, implica assumir riscos, ser aberto a experiências e não se prender a coisas concretas; quando se configuram a partir de valores sociais, poderão implicar atitudes altruístas, tomando as pessoas como importantes, merecedoras de atenção, não promovendo discriminação. Gouveia (2013) entende que os que representam os comportamentos e os tipos motivacionais podem coexistir de forma equilibrada no sistema axiológico de pessoas maduras.

Em suma, os valores humanos parecem ter duas funções uma de guiar os comportamentos e outra de representar as necessidades. O papel de guiar os comportamentos humanos pode ser representado por três dimensões uma com orientação pessoal, outra social e uma terceira com orientação central. A função de representar as necessidades pode ser concebida por motivações que de um lado são mais materialista e por outro mais idealistas. As duas funções dos valores são autodependentes, ou seja, estão correlacionadas e seu cruzamento da origem a seis subfunções valorativas.

As seis subfunções valorativas

As subfunções valorativas têm lugar a partir do cruzamento dos dois eixos funcionais correspondentes, um horizontal representando a função de orientar os comportamentos (tipo de orientação) e outro vertical que concebe a função representar as necessidades humanas (tipo de motivador) (Figura 9). Do cruzamento são derivados

79 (3X2) seis quadrantes valorativos, cada um representando uma subfunção específica: social-materialista (normativa), central-materialista (Existência), pessoal-materialista (Realização), social-humanitário (Interativa), central-humanitário (suprapessoal) e pessoal- humanitário (Experimentação).

Valores como padrão guia do comportamento Metas pessoais (o indivíduo por se mesmo) Metas centrais (o propósito geral da vida) Metas sociais (o indivíduo na comunidade) Va lore s como expre ss ão de ne ce ssi da de s Necessidades idealistas (a vida como fonte de oportunidades) Experimentação Emoção Prazer Sexualidade Suprapessoal Beleza Conhecimento Maturidade Interativa Afetividade Apoio social Convivência Necessidades materialistas (a vida como fonte de ameaça) Realização Êxito Poder Prestígio Existência Estabilidade Saúde Sobrevivência Normativa Obediência Religiosidade Tradição

Tabela 3. Funções, subfunções e valores específicos (Gouveia, 2012).

Cada uma das seis subfunções compreende uma variável latente, composta por três valores, utilizados pela literatura (Braithwaite & Scott, 1991). Os 18 valores compõem 18 itens que conformam o Questionário dos Valores Básicos (Gouveia et al., 2008). Entende-se que a diversidade axiológica da quantidade de valores não se encerra com esses valores, pois é possível que em outras culturas ou contextos possa existir outros, mas que se enquadram no esquema conceitual proposto (Gouveia, 1998).

Para Gouveia (2012) a Teoria Funcionalista dos valores Humanos pode ser operacionalizada em duas partes principais: (1) conteúdo e estrutura e (2) congruência e

80 adequação dos conjuntos de valores a cada uma das seis subfunções, vem sendo corroborada em pesquisas com diferentes amostras (Gouveia, Milfont et al., 2011; Medeiros, 2011); e a hipótese de estrutura indica como os valores se organizam no espaço bidimensional 3x2 proposto pela teoria, tomando em conta os dois eixos funcionais mostrados na Tabela 3.

Segue a caracterização e definição das seis subfunções valorativas decorrentes das hipóteses de conteúdo e de estrutura:

Subfunção existência. Representa indivíduos que vivem ou viveram em contexto

de escassez, passando a valorizar as necessidades fisiológicas mais básicas (e.g., comer, beber, dormir) e a necessidade de segurança (Maslow, 1954). Os valores escolhidos para compor esta subfunção são: Saúde, sobrevivência e estabilidade pessoa.

Subfunção realização. Representa a necessidade de autoestima (Maslow, 1954) e

concebem pessoas que objetivam estabelecer relações de hierarquia baseadas na demonstração de competência pessoal, apreciando uma sociedade organizada, estruturada, sendo práticos em suas decisões e comportamentos (Schwartz, 1992; Schwartz & Bilsky, 1987). Êxito, prestígio e poder são os valores selecionados para representar esta subfunção.

Subfunção normativa. Representa indivíduos que buscam adesão e preservação

da cultura e das normas convencionais da sociedade ou institucionais (Schwartz, 1992). Os três valores escolhidos para representar essa subfunção foram: Tradição, obediência e religiosidade e representam. Pessoas mais velhas são prováveis representantes desses valores (Rokeach, 1973).

Subfunção suprapessoal. Seus valores representam cognitivamente as

necessidades de estética, cognição e autorrealização (Maslow, 1954). Pessoas que se guiam por estes valores pensam de forma mais geral e ampla, tomando decisões e se

81 comportando a partir de critérios universais (Schwartz, 1992), tendo uma orientação que transcende pessoas ou grupos específicos (Rokeach, 1973). Conhecimento, maturidade e beleza são três valores escolhidos para definir esta subfunção.

Subfunção experimentação. Interesse esta na satisfação das necessidades

fisiológicas e busca por prazer (hedonismo; Maslow, 1954). Os valores desta subfunção contribuem para a promoção de mudanças e inovações na estrutura de organizações sociais, pois seus defensores são menos prováveis de se conformarem com normas sociais, sendo tipicamente endossados por jovens. Os valores escolhidos para representar essa subfunção foram: Sexualidade, prazer e emoção.

Subfunção interativa. Destaca-se pela busca por experiência afetiva entre

indivíduos, representando as necessidades de pertença, amor e afiliação (Maslow, 1954). São essenciais para estabelecer, regular e manter as relações interpessoais; os contatos sociais são uma meta em si mesmos, enfatizando atributos mais afetivos e abstratos. Os valores para esta subfunção foram: Afetividade, convivência e apoio

82

Tabela 4. Subfunções valorativas, seus tipos de motivador e orientação, e os marcadores

valorativos selecionados

Experimentação Emoção - Desfrutar do desafio e do perigo; buscar aventuras.

Prazer - Desfrutar da vida; satisfazer todos os seus desejos. Sexualidade - Ter relações sexuais; obter prazer sexual.

Realização

Poder - Influenciar os outros e controlar decisões. Prestígio - Ser admirado e reconhecido por suas ações. Êxito - Obter o que se propõe; ser eficiente em tudo que faz.

Existência Saúde - Preocupar-se em não estar doente. Estabilidade Pessoal - Ter certeza de que amanhã terá tudo o que tem

hoje. Ter uma vida organizada e planificada.

Sobrevivência - Ter água, comida e poder dormir bem.

Suprapessoal

Beleza - Ser capaz de apreciar o melhor da arte, música e literatura. Conhecimento - Buscar novas conhecimentos sobre o mundo. Maturidade - Sentir que conseguiu alcançar seus objetivos na vida;

desenvolver todas as suas capacidades.

Interativa

Afetividade - Ter com alguém uma relação de afeto profunda e

duradoura.

Convivência - Conviver diariamente com os vizinhos; fazer parte de

algum grupo: religioso, esportivo, entre outros.

Apoio Social - Obter ajuda de um grupo ou de alguém quando a

necessite.

Normativa

Obediência - Cumprir seus deveres e obrigações; respeitar seus pais,

os superiores e os mais velhos.

Religiosidade - Cumprir a vontade de Deus. Tradição - Seguir as normas e tradições sociais.

Hipóteses de congruência e compatibilidade. Na teoria Funcionalista dos

Valores Humanos não se admite conflito entre os valores, logo as correlações entre as subfunções valorativas são positivas. Sendo a correlação mais alta e consistente entre as pessoas maduras e/ou autorrealizadas, existindo maior congruência.

A hipótese da congruência entre as subfunções valorativas pode ser representada pela figura de um hexágono (Figura 2). Considerando a proximidade entre cada par de

83 subfunção, os autores da teoria sugerem que há três níveis de congruência: baixa, moderada e alta, detalhadas a seguir:

Figura 2. Congruência das subfunções dos valores básicos

Congruência baixa. Corresponde às subfunções que têm orientações e motivadores

diversos; estes se encontram em lados opostos no hexágono. Portanto, os pares realização – interativa e normativa – experimentação apresentam baixa congruência. No caso, a baixa congruência se deve à independência, mas sem expressar incompatibilidade enquanto princípios-guia, destes pares de subfunções.

Congruência moderada. É caracterizada por valores que apresentam o mesmo

motivador, porém tipos diferentes de orientações; os pares de subfunções realização – normativa e experimentação – interativa expressam este nível de congruência.

Congruência alta. Agrupa as subfunções que possuem a mesma orientação, mas com

motivadores diferentes. Estas expressam o padrão de máxima congruência, sendo representada por subfunções que aparecem em lados adjacentes do hexágono, correspondendo aos pares realização – experimentação e normativa – interativa.

84 As duas subfunções dos valores centrais não estão incluídas por duas razoes principais: (1) elas são a fonte ou a base que dá origem às demais subfunções, apresentando correlações fortes e positivas com todas elas (Gouveia et al., 2011); (2) a distinção principal teórica dos valores se situa na distinção de valores sociais e pessoais (Gouveia et al., 2003; Rokeach, 1973).

Em resumo, a teoria de Gouveia e colaboradores contempla as hipóteses de conteúdo e estrutura, tratadas também no modelo de Schwartz (1992); adicionalmente, contribui com a distinção entre congruência e compatibilidade dos valores, oferecendo, inclusive, um cálculo de graus de congruência. Isso é especialmente importante haja vista que ainda são poucos os estudos que testam essas hipóteses.

85