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Uçuş Eğitimi İçin Avrupa’ya Subay Gönderilmesi

C. BATILI DEVLETLERİN UÇAĞI ASKERİ AMAÇLI KULLANMASI

I. BÖLÜM

3. Uçuş Eğitimi İçin Avrupa’ya Subay Gönderilmesi

Bancárias por Bairros, em 2014

Fonte: Banco Central do Brasil (Bacen), 2014. Posição em 31.01.2014. Elaboração Cartográfica: José Erimar dos Santos, 2015.

Todos esses mecanismos normativos que levaram à expansão geográfica dos fixos bancários não se desvinculam da ordem maior, constitutiva de planos e projetos do Estado e do Mercado em parceria com organismos internacionais e tampouco estão alheias da existência desses lugares que possibilitam, definitivamente, a ordem de dispersão locacional desses canais no território, já que o espaço é o fator preponderante nesse processo de dispersão geográfica bancária, bem como dos processos que levam a reprodução dos vetores do capital.

Apesar disso, não se pode negar, que essas estratégias foram recomendadas ―[...] juntamente com outras medidas: controle de inflação, privatização de empresas públicas e desregulamentação dos mercados, por organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional – FMI‖ (VIDEIRA, 2006, p. 186). Isso mostra a influência de grandes organismos internacionais como o FMI, pois diante da abertura progressiva da economia estavam e estão sistemas de ações normativas de caráter externo, isto é, as verticalidades (SANTOS, 2009a). Dessa forma, é ―[...] que a segmentação normativa cria e antecede a segmentação do território. Ela reforça, portanto, o caráter híbrido do território e mostra que as

verticalidades do espaço geográfico são analisáveis, outrossim, através das normas‖

(SILVEIRA, 2000, p. 25). Todas as normas/leis complementares ao Art. 192 da Constituição da República Federativa do Brasil (BRASIL, 1988, Art., 192), que dispõem sobre o uso do território nacional pelas instituições bancárias e financeiras, não estão desgarradas e/ou em desconformidade aos interesses do projeto socioeconômico, político e cultural encabeçado pelo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 2004, através de seus técnicos, o Banco Mundial realizou um estudo que buscou orientar políticas públicas e privadas para o Brasil, afirmando ser uma política de redução da pobreza, cujo título foi: Brasil: acesso a serviços financeiros. Segundo tal documento,

―profundidade e estabilidade financeira são cada vez mais reconhecidas como contribuições

para a redução da pobreza através do crescimento e prevenção de crises, mas, além disso, pode-se argumentar que uma distribuição de base mais ampla dos serviços financeiros elevaria o bem-estar e a produtividade‖ (BANCO MUNDIAL, 2004, p. 12)51.

Entende-se que foi isso o que buscou fazer o Estado brasileiro com o discurso de erradicar a pobreza no país, aumentando, com suas políticas sociais, a disseminação dos atores bancários nas relações financeiras que constituem o território nacional, sobretudo, a partir dos lugares mais desprovidos dessas relações, pois prega, esse documento do Banco Mundial, orientações para a disseminação do sistema financeiro no território nacional, visando cooptar uma massa social rentável, a população de baixa renda, praticando, assim, um

―preenchimento‖ do espaço com mecanismos estratégicos de dispersão geográfica de

produtos e serviços bancários e financeiros ligados às instituições bancárias. Essa estratégia, essa ação política visa sobremaneira o espaço com seu conteúdo e sua forma, no sentido de

51 Esse estudo versa e identifica aspectos específicos na determinação da oferta e da demanda de serviços financeiros no Brasil, propondo políticas para a expansão e aprofundamento do acesso ao sistema financeiro.

que é fonte de lucro para os bancos a existência aí em totalização. Para o Estado, essa existência dos lugares é visada como mecanismo de (re)produção política.

Por essas razões, nesses últimos anos, o território brasileiro passou a dinamizar-se cada vez mais mediante uma extraordinária e vertiginosa expansão dos sistemas de objetos e ações ligados às atividades bancárias e financeiras. Esse uso de todo o território brasileiro pelo sistema bancário e financeiro, do qual é representativo o estado do Rio Grande do Norte, é orientado, pois, por vetores externos, que visam captar lucros mediante a existência dos lugares, através da dispersão geográfcia de canais específicos. O referido documento do Banco Mundial, produzido em conjunto com pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e do Banco Central do Brasil, é uma verticalidade que orienta as políticas nacionais, o que faz lembrar a constatação de Milton Santos, na segunda metade da década de 1990 e, que vale também para o período contemporâneo: ―a tendência atual é a que

os lugares se unam verticalmente, e tudo é feito para isso, em toda parte‖ (SANTOS, 2009a,

p. 258).

O referido estudo do Banco Mundial propõe medidas consideradas essenciais para que o ―acesso‖ ao sistema financeiro se amplie:

a) a expansão do acesso a serviços financeiros depende da consistência da política macroeconômica — por exemplo, da redução do endividamento do setor público — e de políticas gerais para o sistema financeiro, incluindo a redução da carga de impostos sobre o setor; b) para que os grupos mais desfavorecidos tenham acesso mais amplo a serviços financeiros, é preciso repensar os esquemas de financiamento dirigido de caráter mandatório, e que implicam elevados custos sob a forma de subsídios a setores e/ou regiões; paralelamente, são necessárias mudanças no marco regulatório do microcrédito, com a flexibilização de limites de empréstimo ou de seu direcionamento; c) para que o acesso a serviços financeiros seja ampliado, há que se melhorar a infra-estrutura da intermediação financeira, não apenas quanto ao aparato legal que garante o direito dos credores, mas também quanto à necessidade de se reduzir o tempo e o custo dos trâmites processuais; e d) ênfase no desenho de programas direcionados e de alcance especial de modo a reduzir a importância do financiamento público e aumentar os incentivos à implementação dos mecanismos de acesso — por exemplo, por meio da simplificação dos processos de abertura de contas, ampliação do escopo de atuação dos correspondentes de instituições financeiras ou focalização no estabelecimento de pontos de atendimento (BANCO MUNDIAL, 2004, p. 1-2).

Essas orientações visaram redução de subsídios a setores e/ou regiões; mudanças normativas que regulam microcrédito, tendendo o modelo de flexibilização; defesa de melhorias no aparato legal, que garantam os direitos dos credores; redução do financiamento público e, por fim, aponta para a necessidade da simplificação na abertura de contas e do aumento dos correspondentes.

Tais ações/diretrizes propostas pelo Banco Mundial (2004) foram e estão sendo cumpridas pelo Estado brasileiro. Para citar um exemplo, vejam-se as políticas de transferência de renda à população, que tiveram um impacto positivo na diminuição da pobreza extrema e fome no país, mas que se configuram numa obediência a essas orientações do Banco Mundial para com o setor financeiro nacional. Ou seja, com o discurso de redução da pobreza no país, o Estado, juntamente com o setor bancário e financeiro, busca viabilizar a

―democratização‖ financeira, o que para o bom entendimento, busca implementar as

verticalidades, as ordens, medidas ou imposições ―ditadas‖ pelo Banco Mundial. Dessa forma, bancos públicos e privados estão indo

[...] além da ‗redução de escala‘ ou expansão de seus serviços para os que

não os acessam, por meio de atividades que usariam novas metodologias e tecnologias para empréstimos, com incentivos apropriados e apoio governamental. Essas metodologias de empréstimos incluem, por exemplo, práticas como diferenciação de imagem, ou seja, um tipo diferente de posto de atendimento bancário para as pessoas de baixa renda, parcerias com organizações comunitárias ou locais, incluindo, em alguns casos, parcerias com organizações de microfinanças (BANCO MUNDIAL, 2004, p. 7-8).

Em suma, a técnica enquanto fenômeno, isto é, aquilo que possibilita a existência do homem no mundo de uma determinada maneira, juntamente com as normas são, portanto, mecanismos do sentido de ser do território, ou seja, são fundamentos de sua ontologia, de sua existência, pois são inerentes ao homem/sociedade, cujo propósito final e processual é uma totalização-em-curso que visa adaptar o meio a uma maneira, de determinados elementos do espaço, de estarem-no-mundo: o bem-estar, pois, já destacou o filósofo espanhol José Ortega

Y Gasset: ―[...] o empenho do homem [...] por estar no mundo, é inseparável de seu empenho

de estar bem, [...] não simples estar, mas bem-estar [...]. O bem-estar e não o estar é a

necessidade fundamental para o homem, a necessidade das necessidades‖ (ORTEGA Y

Por essas razões, técnica e norma, juntamente com a política e a existência dos lugares são, pois, catalizadores fundamentais ao processo de expansão geográfica dos atores bancários, configurando-se em mecanismos operacionais de análise dos processos socioespaciais contemporâneos, dos quais a reprodução do capital, através de suas instituições, sobretudo aquelas ligadas ao circuito superior da economia urbana, como os bancos, se ligam, sendo variáveis fundamentais enquanto nexos constitutivos do complexo geográfico inerente ao entendimento da territorialização e integração bancária dos territórios, na contemporaneidade.

Mediante esse fato passe-se, agora, à discussão que evidencie a expressão espacial decorrente desses mecanismos no Rio Grande do Norte, cujo foco de todo o processo acaba sendo o espaço e seu conteúdo existencial enquanto condição sine qua non dessa reprodução bancária, manifestado na integração bancária do território, através dos diferentes canais de dispersão de produtos e serviços bancários no referido estado.

C A P Í T U L O 3

DESCONCENTRAÇÃO E INTEGRAÇÃO BANCÁRIA DO