• Sonuç bulunamadı

2. BÖLÜM: OLAN OLMASI GEREKEN AYRIMINDA İKTİDAR VE DEĞER

2.1. Machiavelli'nin Politik Kavrayışında Değer Sorunu: "Olan"-"Olması Gereken"

2.1.1. Toplumsal Kurtuluş ve Rızanın Üretiminde Değerlerin Rolü

Esse panorama de pesquisa, ora vislumbrado, constitui-se em uma diretriz para a escolha do procedimento da pesquisa norteada pela interrogação: como se revela o pensar no movimento da construção do conhecimento das estruturas da Álgebra? Essa pesquisa processar-se-á segundo uma hermenêutica filosófica, conforme explicitada por GADAMER38.

“ A a n a l í t i c a t e mp o r a l d a e xi st ê n c i a ( D a s e i n ) h u m a n a , q u e H e i d eg g er d e s e n v o l v e u , p en so e u , m o s t r o u d e m a n e i r a c o nv in c en te q u e a comp r e e n s ã o n ã o é u m mo d o d e s e r , e nt r e o ut ro s mo d o s d e c o mpo r t a me n to d o su j e ito , ma s o mo d o d e s e r d a p r ó p r i a p r é - s en ç a ( D a s e i n ) . O c o n c e i t o “h e r me n ê u t i c a ” f o i e mp r e g a d o , a q u i , n es t e s e n t i d o . E l e d es i g n a a m o b i l i d ad e f un d a me n ta l d a p r é- s e n ç a , a q u a l p e rf a z s u a f i n itu d e e h i s to ri c id ad e , e a p a rt i r d a í ab r an g e o tod o d e s u a exp e r i ên c i a d e mu nd o. Q u e o mo vi me n t o d a c o mp r e e n sã o s e j a a b ra n g en t e e u n i v er s a l , n ã o é u ma a r b i t r ar i e d ad e o u u ma e x t r a p o l a ç ã o 38 G A D A M E R , H a n s - G e o r g . V e r d a d e e m é t o d o - T r a ç o s f u n d a m e n t a i s d e u m a h e r m e n ê u t i c a f i l o s ó f i c a . T r a d . F l á v i o P a u l o M e u r e r . R e v . Ê n i o P a u l o G i a c h i n i . P e t r ó p o l i s : V o z e s , 1 9 9 7 .

c o n st r u t i v a d e u m a s p e c t o u n i l a t e r a l , m a s e s t á , a n t e s, n a n a t u r e z a d a p r ó p r i a coi s a . ”39

GADAMER realiza uma investigação fenomenológica que coloca em epoché os fenômenos compreensão e a maneira de interpretar expressas historicamente. Como fruto dessa análise tem-se uma conceituação de compreensão e interpretação corretas na medida em que sejam coerentes com a natureza da presença40 e uma reconceituação da tradição.

A tradição outrora entendida como um entrave para a interpretação de textos e obras, converte-se em experiência veiculada pela linguagem, possibilitando a compreensão/interpretação das obras humanas, no modo de proceder no âmbito do círculo hermenêutico gadameriano que se dá na estrutura da pergunta e da resposta constituindo aquilo que o autor chama de autêntica conversação, que tem como pano de fundo o modo de ser das presenças. Essas idéias serão explicitadas no decorrer desse capítulo.

Vislumbra-se, nessa obra, duas vertentes que encaminham o procedimento a ser desenvolvido por essa pesquisa. Aquela que diz da tradição enquanto experiência, portanto, presença em mobilidade; e, aquela que diz do modo de se aproximar da obra humana quando se quer compreendê-la e interpretá-la, que é o modo interrogativo entrelaçado com a possibilidade da resposta. Segundo BICUDO:

I n t er r o g a r o q u e é d i t o n o t ex t o , i n t e r r o g a r o t e ma , p a s s a p o r u m t r a b a l h o h e r me n ê u t i co q u e v i s a t i r a r d o o b s c u r o a e x p er i ên c i a p r i má r i a h o me m/ m u n d o , a s f o r ma s d e e l a s s e r e m 39 I d e m , i b i d e m , p . 1 6 . N o t a d a a u t o r a : n o t e x t o o a u t o r s e u t i l i z a d a p a l a v r a c o i s a s e r e f e r i n d o à q u i l o q u e é c o mp r e e n d i d o . 40 P r e - s e n ç a : t r a d u z i d a , d o a l e mã o D a s e i n , à s v e z e s c o m o S e r - a í , e n t e n d i d a s e g u n d o a c o mp r e e n s ã o p o s s i b i l i t a d a p e l a l e i t u r a d a o b r a d e M a r t i n H e i d e g g e r o n d e , c o n f o r me C a r n e i r o L e ã o , e l a é u ma a b e r t u r a q u e s e f e c h a e , a o s e f e c h a r , a b r e - s e p a r a a i d e n t i d a d e e a d i f e r e n ç a , n a me d i d a e t o d a v e z q u e o h o me me s e c o n q u i s t a e a s s u me o o f í c i o d e s e r , q u e r n u m e n c o n t r o , q u e r n u m d e s e n c o n t r o , c o m t u d o q u e e l e é e n ã o é , q u e t e m e n ã o t e m. É e s t a p r e - s e n ç a q u e j o g a o r i g i n a l me n t e n o s s o s e r n o mu n d o . M a s s e r - n o - mu n d o n ã o q u e r d i z e r q u e o h o me m s e a c h a n o me i o d a n a t u r e z a , a o l a d o d e á r v o r e s , a n i ma i s , c o i s a s e o u t r o s h o me n s . S e r - n o - mu n d o n ã o é n e m u m f a t o n e m u m a n e c e s s i d a d e n o n í v e l d o s f a t o s , S e r - n o - mu n d o é u ma e s t r u t u r a d e r e a l i z a ç ã o . P o r s u a d i n â mi c a , o h o me m e s t á s e mp r e s u p e r a n d o o s l i mi t e s e n t r e o d e n t r o e o f o r a . P o r s u a f o r ç a , t u d o s e c o mp r e e n d e n u ma c o n j u n t u r a d e r e f e r ê n c i a s . P o r s u a i n t e g r a ç ã o , i n s t a l a - s e a i d e n t i d a d e e a d i f e r e n ç a n o s e r q u a n d o , t e ó r i c a o u p r a t i c a me n t e , s e d i z q u e o h o me m n ã o é u ma c o i s a s i mp l e s me n t e d a d a n e m u ma e n g r e n a g e m n u ma má q u i n a e n e m u ma i l h a n o o c e a n o . L E Ã O , E m ma n u e l C a r n e i r o . A p r e s e n t a ç ã o . I n : H E I D E G G E R , M a r t i n . S e r e T e m p o . P a r t e 1 . T r a d . M á r c i a d e S á C a v a l c a n t e . 4 ª e d . P e t r ó p o l i s : v o z e s , 1 9 9 3 , p . 2 0 .

e x p r e s s a s l i n g ü i st i c ame n t e , o s r e c u r so s u s a d o s p e l a me n t e h u ma n a e q u e e s t ão à d i sp o si ç ã o d o con t ex t o h i s t ó r i c o e s o c i a l ( t r ad i ç ão ) , c a r r e g ad o s d e s i g n i f i c ado s i d eo l ó g i c o s e j á p a d r o n i z ado s p e l a soc i e d ad e , o s q u a i s, p o r s i , o b s cu r e c e m o u mo d i f i c a m ( r o u b a m) o s e n t i d o d aq u e l a exp e r i ên c i a d e q u e o t e x to f a l a.41

A hermenêutica, quando tomada do ponto de vista filosófico, não está sendo entendida como uma doutrina de métodos e técnicas das Ciências do Espírito, e nem tampouco assumida em seu comportamento prático ao exercer o papel de hermenêutica teológica e de hermenêutica jurídica, pois, há muito, a problemática posta pela hermenêutica vem forçando os limites impostos pelo conceito metodológico das ciências, levantando questões tais como: o que é conhecimento científico? E qual é a verdade que ele promove?

O estudo do fenômeno da hermenêutica, realizado por GADAMER, a partir da tradição histórica, procura reconhecer nele uma experiência da verdade, explicitado pelo autor como uma experiência da presença, que seja ela própria uma forma de filosofar.

GADAMER afirma que, para que se possa refletir sobre o que é verdade nas Ciências do Espírito, é preciso haver um esforço, no sentido de entender o universo da compreensão, procurando construir um novo relacionamento com os conceitos que a própria Ciência do Espírito utiliza. Ele descreve o sentido de suas investigações como sendo a busca do que é comum a todas as maneiras de compreender e pretende

/ . . . / mo s t r ar q u e a c o mp r e e n s ã o j a ma i s é u m c o mp o r t a me n t o s u b j e t i v o f r e n t e a u m “ o b j e t o ” d a d o , m a s f r e n t e à h i st ó r i a e f e i t u a l , e i s t o s i g n i f i c a, p er t e n c e a o se r d aq u i l o q u e é co mp reendido ./.. ./ T od a re - p r o d u ç ão é i me d i a t a me n t e i n t er p r e t a çã o , e q u e r s e r c o r r e ta e n q u an t o t a l . N e st e s e n t i d o , e l a t a mb é m é “ co mp r e e n s ã o . ”42

Assim, quando esta pesquisa tem a intenção de reconstruir a realeza (autoctonia) das estruturas da Álgebra, tem-se à frente uma proposta de reprodução que é interpretação e compreensão, ao buscar inspiração no modo 41 B I C U D O , M a r i a A V i g g i a n i . A H e r m e n ê u t i c a e o t r a b a l h o d o p r o f e s s o r d e M a t e m á t i c a . C a d e r n o 3 . S ã o P a u l o : S E & P Q , 1 9 9 1 , p . 8 4 . 42 G A D A M E R , H a n s - G e o r g . V e r d a d e e m é t o d o - T r a ç o s f u n d a m e n t a i s d e u m a h e r m e n ê u t i c a f i l o s ó f i c a , o p . c i t . , p . 1 9 .

da hermenêutica filosófica de Gadamer. A reflexão gadameriana realiza um passeio nos meandros da história da hermenêutica, que assume o conceito cunhado por HEIDEGGER de ser a compreensão uma característica da presença, que abarca o caráter de projeto da compreensão e de futuro da presença e que delineia sua historicidade possibilitando o colher “do comum” das maneiras de se compreender e interpretar.

GADAMER inicia sua análise na pré-história da hermenêutica romântica, quando a doutrina da arte de compreender e interpretar havia se desenvolvido em dois diferentes caminhos: o teológico e o filológico. A hermenêutica teológica é estimulada pelo fato de que os reformistas não viam a necessidade da tradição cristã para a compreensão adequada da Sagrada Escritura, e a hermenêutica filológica é estimulada porque a literatura clássica, por ter um conteúdo de formação humana, sofria influência direta do mundo cristão e dele queria se desvincular.

Ambas tratavam de descobrir o sentido original dos textos e para isto era necessário aprender línguas “mães”, como o grego e o hebreu, assim como aperfeiçoar o latim. Segundo Palmer43, interpretar, em hermenêutica, teve, desde sua origem, o significado de dizer, explicar e traduzir.

Na hermenêutica teológica, LUTERO e seus seguidores transferem um velho conhecimento da retórica antiga, a relação circular do todo e das partes, ao procedimento da compreensão. A relação tornou-se, para eles, um princípio fundamental e geral que todos os aspectos individuais de um texto devem ser compreendidos a partir do contexto, do conjunto e a partir do sentido unitário para o qual o todo está orientado. Para eles, a Bíblia era a unidade, assim, todos os outros textos deveriam ser interpretados segundo seu sentido.

Já na hermenêutica filológica o princípio fundamental era o de compreender o texto a partir dele mesmo. Somente no século XVIII é que foi reconhecido que para compreender adequadamente a Escritura seria necessário reconhecer a diversidade de seus autores e abandonar a unidade dogmática de um padrão. A partir daí, segundo GADAMER, a interpretação não mais se limita a aspectos gramaticais, mas também abrange aspectos históricos.

O v e lho pri n c ípi o i nte r p r et a t ivo d e co mp r e e n d er o in di v idu a l a p a r ti r d o t o d o j á n ã o p o d i a r e p o r t ar - s e n e m l i mi t a r - s e à u n an i mi d ad e d o g má t i c a d o c ân o n , ma s d i r i g i a - s e à abr a n g ê n ci a c o n j u n t u r al d a r e a l i d ad e h i s t ó r i ca , a c u j a t o t a l i d a d e p e r t en c e c a d a d o cume n t o ind iv id u al .44

A partir daí não existem mais diferenças entre a interpretação de textos sagrados e profanos. Há, então, uma hermenêutica elevada ao significado de um órganon histórico. Ela passa a ser considerada como a arte da interpretação correta das fontes históricas escritas, fazendo parte das atividades da historiografia, que interpretava cada frase da fonte a partir de seu contexto. Segundo GADAMER, a compreensão era tomada como uma doutrina da arte a serviço da praxis do filólogo ou do teólogo.

Com o desenvolvimento da ciência hermenêutica de SCHLEIERMACHER, que busca encontrar fundamentação teórica do procedimento comum do teólogo e do filólogo, transcendendo os interesses e buscando a compreensão do pensamento, é que o ponto central e nevrálgico da hermenêutica se mostra: a compreensão. É ela então que se converte em problema, pois SCHLEIERMACHER desloca a unidade da hermenêutica. Ele

/ . . . / n ão b u s c a a u n i d ad e d a h e r me n ê u t i c a n a u n i d a d e d e c o n t e ú d o d a t r a d i ç ã o , a q u e s e d e v e apl i ca r a c o mpr e e n s ão , ma s a p r o cu r a , à ma r g e m d e t o d as e s p e c i f i c i d a d e s d e co n t e ú d o , n a un id ad e d e u m p r oc e d i me n t o q u e n e m s e q u er é d if er e n c i ad a p e lo mo d o c o mo a s i d é i a s f o r a m t r a n s mi t id as , s e p o r e sc r i to ou o r a l me n t e, s e n u m a l í ng u a e s t r a nh a o u n a p ró pr i a e c o n t e mp o r â n e a . O e sf o r ço d a co mp r e e n s ão t e m l u g ar c a d a v e z q u e n ã o s e d á u ma c o mp r e e n s ã o i me d i a t a e c o r r e spo n d e n t e me n t e c a d a v e z q u e s e t em d e c o n t a r c o m a p o s si bi li d ad e d e u m ma l - e n t e ndi do .45

Desta forma, SCHLEIERMACHER transforma o sentido da estranheza, como sendo algo a ser superado pela hermenêutica, expandindo sua tarefa na direção do diálogo significativo, pois a estranheza está ligada à

43 C i t . p o r B I C U D O , M a r i a A V i g g i a n i . A H e r m e n ê u t i c a e o t r a b a l h o d o p r o f e s s o r d e M a t e m á t i c a , o p . c i t . p . 6 4 – 6 7 . 44 G A D A M E R , H a n s - G e o r g . V e r d a d e e m é t o d o - T r a ç o s f u n d a m e n t a i s d e u m a h e r m e n ê u t i c a f i l o s ó f i c a , o p . c i t . , p . 2 7 8 . 45 I d e m , I b i d e m , p . 2 8 0 .

individualidade do tu. Segundo ESPÓSITO46, a tarefa da hermenêutica em SCHLEIERMACHER, será a de transcender a linguagem e aproximar-se do pensamento do autor. Isso provoca um abandono gradativo da concepção de identidade entre pensamento e linguagem. O fundamento último de toda a compreensão será, portanto, sempre um ato divinatório da índole possibilitada pela vinculação de todas as individualidades, dando origem ao método.

C a d a q u al t r a z e m s i u m mí n i mo d e c ad a u m d o s d e ma i s , e i s s o e s t i mu l a a a d i v i n h a ç ão p o r co mp a r a ç ã o co n s i g o me s m o .47

O método da compreensão terá como meta tanto o que for comum a todos, por comparação, quanto o peculiar de cada um por adivinhação. Para SCHLEIERMACHER nada do que se deva interpretar pode ser compreendido em um só golpe, certificando-se, assim, que se aprende a compreender em u m movimento circular, o que o leva a postular a importância de compreender um autor melhor do que ele próprio ter-se-ia compreendido, ganhando um plus de conhecimento e chegando a compreender a intenção inconsciente do autor.

Segundo GADAMER, a hermenêutica de SCHLEIERMACHER abrange a arte da interpretação gramatical e psicológica. A extensão de seus pensamentos leva à idéia da superioridade do intérprete sobre o seu objeto, assim, os textos são considerados como puros fenômenos de expressão à margem da sua pretensão de verdade. Na hermenêutica de SCHLEIERMACHER, a obscuridade da história não causa problema, o que causa problema é a obscuridade do tu.

Para GADAMER é espantoso o fato de que os historiadores tenham-se apoiado nos trabalhos de SCHLEIERMACHER, chamados por ele de teoria romântica da individualidade, pois a meta maior dos historiadores não é a compreensão de um texto isolado, mas a compreensão da totalidade dos nexos da história da humanidade. GADAMER encontra uma resposta a esta questão nas articulações propostas por DILTHEY que realiza a transferência da hermenêutica para a historiografia.

46 E S P Ó S I T O , V i t ó r i a C u n h a H e l e n a . H e r m e n ê u t i c a : E s t u d o I n t r o d u t ó r i o . C a d e r n o 2 . S ã o P a u l o : S E & P Q , 1 9 9 1 , p . 9 1 . 47 G A D A M E R , H a n s - G e o r g . V e r d a d e e m é t o d o - T r a ç o s f u n d a m e n t a i s d e u m a h e r m e n ê u t i c a f i l o s ó f i c a . o p . c i t . , p . 2 9 5 .

D i l t h ey / . . . / t o ma c o n s c i e n t e me n t e a h er me n ê u t i c a r o mâ n t i c a e a a mp l i a a t é f a z e r d e l a u ma h i s t o r i o g r a f i a e a t é u ma t e o r i a d o c o n h e c i me n t o d a s ciê n c i a s d o e s p í r i t o . A a n á l i s e l ó g i c a d e D i l th ey do c o n c e it o do n ex o n a h i s tó ri a r ep r e s en t a , se g und o a q u e st ã o em c a u s a , a a p l i c a ç ão d o p r i n c í p i o h er me n ê u t i c o , s e g und o o q u al a s p a rt e s i nd iv idu a i s d e u m t e x to s ó po d e m s e r e n t en d i d a s a p a r t i r d o t o d o , e es t e s o me n t e a p a r t i r d a q u e l a s, s o b r e o mu n d o d a h i s t ó r i a . N ão s o me n t e a s f o n t e s ch e g a m a n ó s c o mo t e x t o s , ma s t a mb é m a r e a l i d ad e h i s t ó r i c a é e m s i u m t e x t o q u e d e v e s e r c o mp r e e n d i d o .48

Tanto a compreensão da história universal quanto a compreensão do tu, podem ser consideradas como a compreensão de uma individualidade estranha que deve ser julgada a partir de suas peculiaridades, seus conceitos, paradigmas, etc., porém, apesar disso, também pode ser compreendida nas suas igualdades, porque o eu e o tu são momentos da mesma vida. Assim, as ciências históricas somente continuam o pensamento iniciado na experiência da vida. Seu ponto de partida é a significância de determinadas vivências que fundamentam o nexo da vida, tal como ele se oferece ao indivíduo e pode ser revivido e compreendido no conhecimento biográfico de outros indivíduos. Na análise de GADAMER, os argumentos de DILTHEY tratam do viver e do reviver do indivíduo. Ele desenvolve o modo como o indivíduo apreende um contexto vital a partir do qual procura construir conceitos capazes de sustentar o contexto histórico e seu conhecimento. “ E l e d a v a r a z ã o à e s c o l a h i s tó ri c a em q u e n ã o e x i s t e u m s u j e ito g e r al , ma s s o me n t e in di víd uo s hi s tó ri c o s ”49.

Os conceitos, construídos por ele, são conceitos vitais que diferem dos da Ciência Natural, que lidam com sujeitos lógicos, pois permanecem em seus conceitos a identidade de consciência e objeto. Seria então preciso construir a fundamentação epistemológica das Ciências do Espírito que as interligassem com o vivido. Para tanto, DILTHEY procura diferenciar desde o início as relações do mundo espiritual das relações causais no nexo da natureza. Segundo GADAMER, DILTHEY se apóia no trabalho inicial de HUSSERL, Investigações Lógicas, e distingue o nexo estrutural, o nexo das relações

48

I d e m , i b i d e m , p . 3 0 8 .

49

internas, o qual DILTHEY chamou de significado, do nexo causal, sem contudo atentar para o fato de que em HUSSERL.

/ . . . / t o d a c o n s c i ênc i a é co n s ci ê n ci a d e al g o ; t o d o c o mp o r t a me n to é comp o r t a me n t o p a r a com a l g o . O p a r a q u ê ( w o zu ) d e ss a i n t en c ion a l id ad e , o o b j et o in te n c io n al , nã o é p a r a H u s s e r l u m c o mp o n en t e p s íq u i co r e a l , ma s u ma u n i d ad e i d e al , u m i n t e n ci o n a d o ( Ge me i n s t e s ) c o mo t a l . N e s t e s e n t i d o , H u s s e r l t i n h a d e f e n d i d o n a p r i me i r a i n v e s t i g a ç ão l ó g i c a o c o n c ei to d e u m s i gn i fi c ad o i d e a l - u n i t á r i o f a ce a o s p r e co n c ei to s do p s i col og i s mo lóg i co .50

O que se pode compreender da hermenêutica proposta por DILTHEY, em termos do velho princípio, a relação circular entre o todo e as partes, é que ele toma a teoria da estrutura que constrói sua unidade a partir de seu próprio centro, para explicar o fato de que se compreende um nexo estrutural a partir de seu centro, que também atende às exigências do pensamento histórico de compreender cada época histórica a partir de si própria e de não a medir com o padrão de um presente estranho a ela. A partir de um núcleo pode-se, então, construir um conhecimento histórico universal. Assim, o mundo histórico é pensado como um texto a ser decifrado. A hermenêutica passa a ser mais do que um instrumento. “ É o m e d iu m u n i v e r sa l d a c o n sc i ê n c i a h i st ó r i c a , p a r a a q u a l n ã o ex i st e n e n h u m o u t r o con h e cime n t o d a v e r d ad e d o q u e co mp r e e n d er a e x p r e s s ã o e , n a ex p r es s ã o , a v i d a . ”51

Na análise de GADAMER, DILTHEY não menosprezou a significação da experiência da vida, tanto individual quanto universal, porém o individual e o universal são determinados de maneira privada, a partir de seus próprios centros e mediante uma indução não-metódica, demonstrando a busca incessante de uma descrição adequada da experiência no seio das Ciências do Espírito e da objetividade que se pode alcançar com elas. Havia, portanto, a ausência de uma sustentação epistemológica no trabalho de DILTHEY que tecesse o “entre” do individual com o universal.

A crítica geral filosófica da época recai sobre o imediatamente dado, não só com relação ao trabalho de DILTHEY, mas também com o trabalho de HUSSERL, Idéias I de 1913. O que estava sendo realmente questionado, era o

50

solipsismo52 detectado nas idéias apresentadas nas obras destes pensadores. As idéias fenomenológicas desvencilham-se lentamente desse julgamento, com o aprofundamento do pensamento husserliano, realizado tanto por HUSSERL, cujo tema de pesquisa era a vida e que se torna absolutamente claro somente em Idéias II, publicado em 1952, quanto por HEIDEGGER, cujo tema de pesquisa era o ser, na obra intitulada Ser e Tempo, publicada em 1927.

GADAMER vislumbra um elo53 entre as obras de HEIDEGGER e HUSSERL e afirma que HEIDEGGER engajou-se na investigação da intencionalidade, como entendida no âmbito da Fenomenologia de HUSSERL54 e pode, assim, tornar consciente

/ . . . / d e ma n e i r a g e r al, a r a d i c a l e x i g ê n ci a q u e s e co l o c a a o p e n s a me n t o e m v i r t u d e d a i n a d equ a ç ão d o c o n c e i t o d e s u b st â n ci a p a r a o s e r e o c onh e c ime n t o h i s tó r i co .55

O projeto de HEIDEGGER de uma fenomenologia hermenêutica intitulada de hermenêutica da facticidade descreve a existência como facticidade da presença. Ela não é passível de fundamentação nem tampouco de dedução. Ela deve ser a base de todo o questionamento fenomenológico,

51 I d e m , i b i d e m , p . 3 6 7 . 52 S o l i p s i s mo : 1 . F i l o s . D o u t r i n a s e g u n d o a q u a l a ú n i c a r e a l i d a d e n o mu n d o é o e u : “o e q u i v a l e n t e c o n c r e t o d o q u e o s f i l ó s o f o s c h a m a m d e s o l i p s i s mo , i s t o é , d a a t i t u d e q u e c o n s i s t e e m s u s t e n t a r q u e o e u i n d i v i d u a l d e q u e s e t e m c o n s c i ê n c i a , c o m a s s u a s mo d i f i c a ç õ e s s u b j e t i v a s , é q u e f o r ma t o d a a r e a l i d a d e ” ( T e mí s t o c l e s L i n h a r e s , I n t r o d u ç ã o a o m u n d o d o r o m a n c e , p . 4 6 3 ) . N o v o d i c i o n á r i o A u r é l i o d a L í n g u a P o r t u g u e s a . 2 ª e d . R i o d e J a n e i r o : N o v a F r o n t e i r a , 1 9 8 6 . 53 E s s e me s mo e l o é t a mb é m a p o n t a d o p o r M e r l e a u - P o n t y : “ M a s t o d o S e i n u n d Z e i t n a s c e u d e u m a i n d i c a ç ã o d e H u s s e r l , e e m s u m a é a p e n a s u ma e x p l i c a ç ã o d o “ n a t ü r l i c h e n W e l t b e g r i f f ” o u d o “ L e b e n s w e l t ” q u e H u s s e r l , n o f i n a l d e s u a v i d a , a p r e s e n t a v a c o m o t e ma p r i me i r o d a F e n o me n o l o g i a , / . . / . ” M E R L E A U - P O N T Y , M a u r i c e . F e n o m e n o l o g i a d a P e r c e p ç ã o . T r a d . C a r l o s A l b e r t o R i b e i r o d e M o u r a . S ã o P a u l o : M a r t i n s F o n t e s , 1 9 9 4 , p . 2 . N o t a d a a u t o r a : S e i n u n d Z e i t e m p o r t u g u ê s S e r e T e m p o ; n a t ü r l i c h e n W e l t b e g r i f f e m p o r t u g u ê s c o n c e i t o d e m u n d o n a t u r a l . 54 “ / . . . / H u s s e r l d i s t i n g u e e n t r e a i n t e n c i o n a l i d a d e d e a t o , q u e é a q u e l a d e n o s s o s j u í z o s e d e n o s s a s t o ma d a s d e p o s i ç ã o v o l u n t á r i a s , a ú n i c a d a q u a l a C r í t i c a d a R a z ã o p u r a f a l o u , e a i n t e n c i o n a l i d a d e o p e r a n t e ( f u n g i e r e n d e I n t e c i o n a l i t ä t ) , a q u e l a q u e f o r ma a u n i d a d e n a t u r a l e a n t e p r e d i c a t i v a d o mu n d o e d e n o s s a v i d a , q u e a p a r e c e e m n o s s o s d e s e j o s , n o s s a s a v a l i a ç õ e s , n o s s a p a i s a g e m, ma i s c l a r a me n t e d o q u e n o n o s s o c o n h e c i me n t o o b j e t i v o , e f o r n e c e o t e x t o d o q u a l n o s s o s c o n h e c i me n t o s p r o c u r a m s e r a t r a d i ç ã o e m l i n g u a g e m e x a t a . ” I d e m , i b d e m , p . 1 6 . 55 G A D A M E R , H a n s - G e o r g . V e r d a d e e m é t o d o - T r a ç o s f u n d a m e n t a i s d e u m a h e r m e n ê u t i c a f i l o s ó f i c a , o p . c i t . , p . 3 6 9 .

pois ela é ser ao existir. Desta forma, HEIDEGGER estabelece a diferença entre ser e ente, pois para ele o ser do ente não é outro ente.

Segundo GADAMER “ A t e s e d e H e i d eg g e r e r a : o p r ó p r i o s e r é t e mp o . C o m i s s o e l e r o mp e t o d o o s u b j e t i v i smo d a ma i s r e c e n t e f i l o s o f i a ”56, aquela impregnada do solipsismo. Como HEIDEGGER trata da facticidade que era apontada por algumas correntes como um problema central do historicismo, pode-se, então, dizer que a ontologia fundamental heideggeriana tinha como pano de fundo o problema da história. Com isso, a diferenciação entre Ciências do Espírito e Ciências Naturais já não faz sentido, pois

C o mp r e e n d e r / . . . / é a f o r ma o r i g i n á r i a d e r e a l i z a ç ã o d a p r e - s e n ç a , q u e é s e r n o mu n d o . Ant e s d e t o d a d i f er e n cia ç ã o d a c o mp r e e n sã o n a s d i v e r s a s d i r e çõ e s d o i n t er e s s e p r agmá t i c o o u t e ó ri c o, a c o mp r e e n s ã o é o mo d o d e s e r d a p r é- s e n ç a , n a me d i d a e m q u e é po d er - s e r e “ pos s i b il id ad e” .57

A compreensão e a interpretação só se realizam frente à totalidade da estrutura existencial, quer seja no caso do conhecedor ter a intenção de interpretar “o que aí está” ou de extrair das fontes “como realmente foi”. HEIDEGGER tinha como intenção desenvolver a ontologia da pré-estrutura da compreensão, a estrutura da presença. Para tanto, ele se aprofundou na problemática da hermenêutica e das questões históricas. Ele deriva a estrutura circular da compreensão a partir da temporalidade da presença. Isto acarreta um novo e fundamental sentido à estrutura circular. Como HEIDEGGER mesmo afirma: O c í r c ul o nã o d ev e s e r d e gr a d ad o a c í r c ul o vi c i o so, me s mo q u e e s t e s e j a t o l e r ad o . Ne l e v e l a u ma p o s s i b i l i d ad e p o si t i v a d o c o n h e c i me n t o ma i s o r i g i n á r i o , q u e, e v i d e n t e me n t e , s ó s e r á c o mp r e e n d i d o d e mo d o ad eq u a d o , q u a n d o a i n t er p r et a ç ã o c o mp r e e n d e u q u e s u a t a r e f a p r i me i r a , co n st a n t e e ú l t i ma p e r ma n e c e s e n d o a d e n ã o r e c eb e r d e a n t e mã o , p o r me i o d e u ma “ f e l i z i d éi a ” o u p o r me i o d e c o n c e i t o s p o p u l ar es , n e m a p o si ç ã o p ré v i a, n e m a v i s ão pré v i a, n e m a c o n c ep ç ão pr é vi a ( V o r h a b e, V o r s i ch t , V o r b e g r i f f) , ma s e m a s s e g u r a r o t e ma c i e n t í f i co n a e l abo r aç ã o d e s s e s c o n c ei t o s a p a r t i r d a co i s a, e l a me s m a . 58 56 I d e m , i b i d e m , p . 3 8 9 . 57 I d e m , i b i d e m , p . 3 9 2 . 58 C i t . p o r i d e m , i b i d e m , p . 4 0 1 .

O círculo descrito por HEIDEGGER tem um sentido ôntico e toda interpretação correta projeta-se contra arbitrariedades e orienta sua vista “às coisas mesmas”. Portanto, compreender um texto é sempre projetar-se e, no surgir de um primeiro sentido no texto, o intérprete prelinear um sentido todo. A tarefa da compreensão é a de elaborar projetos corretos e apropriados às coisas, que por serem projetos são antecipações que se devem confirmar nas coisas. Sendo assim, a compreensão atinge sua possibilidade maior de ser quando as condições prévias com as quais se inicia não são arbitrárias.

Tem-se, assim, uma nova postura frente à tradição presente no texto. Já não é mais necessário assegurar-se contra a tradição, mas manter afastado tudo o que possa impedir de compreendê-la a partir da própria coisa, como os preconceitos que não são percebidos e que não se tornam conscientes. Nesta visão, os preconceitos não são por si só, necessariamente, positivos ou negativos. Ao contrário, é por meio dos preconceitos fundamentais e sustentadores que se realiza o sentido do pertencer, constituinte da tradição do transmitido. O t e mp o j á n ã o é ma i s , p r i ma r i a me n t e , u m a b i smo a s e r t r a n spo s to po rq u e div id e e di st a n c i a, ma s é , n a v er d ad e , o f u n d a me n t o q u e s u s t e n t a o a c o n te c e r , o n d e a a t u a l i d a d e f i n c a s u a s r aí z e s. A d i st â n ci a d e t e mpo n ã o é , p o r c o n s eg u i n t e, a l g o q u e t e nh a q u e s er s up e r ad o. E st a e r a , an t e s , a p r e s su p o s i ç ão i ng ê nu a do h i s to ri c i smo , o u s e ja , q u e e r a p r e c i so d es l o c a r - s e a o e s p í r i t o d a é p o c a , p e n sar s e g u n d o s e u s c o n c e i t o s e r e p r e s en t a çõ e s e m v e z d e p e ns a r s e gu nd o o s p róp r io s, e s o me n t e a ss i m s e p o d e r i a a l c an ça r a o b j et i v i d a d e h i s t ó r i c a. N a v e r d a d e t r a t a - s e d e r e c o n h e c e r a d i s t ân ci a d e t e mp o co mo p o s si bi li d ad e po s it iv a e p r odu ti va d o co mp r e e nd e r . Nã o é u m a b i s mo d ev or a do r, m a s e s t á p r ee n c hi do p el a c o nt in uid a d e d a h e r an ç a h i s t ó r i c a e d a t r ad i ç ão , a c u j a l u z n o s é mo s t r ad o o t r a n s mi t i d o . N ã o s e r á e x ag e r o , s e f a l ar mo s a q u i d e u ma g e n u í n a p r o d u t i v i d a d e d o a co n t ec e r .59

A distância não atrapalha, ela permite a expressão do sentido de alguma coisa que não está contida em um único texto, em uma única época histórica e permite distinguir os preconceitos fundamentais e sustentadores. A realização desta distinção é uma tarefa hermenêutica. Ela se efetua à medida que os

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preconceitos daquele que compreende tornem-se conscientes e sejam postos em suspensão. Pôr em suspensão significa seguir a estrutura da pergunta, que abre e mantém aberta as possibilidades. Nesta perspectiva, o pensamento histórico tem que pensar ao mesmo tempo a sua própria historicidade. O objeto histórico é uma relação constituída tanto da realidade histórica como da realidade do compreender histórico. Portanto, uma hermenêutica apropriada ao objeto em questão deve desvelar, na própria compreensão, a realidade da história.

A realidade da história se dá pelos interesses que não se restringem aos fenômenos históricos e as obras transmitidas, mas também ao efeito dos mesmos na história. Os efeitos são geralmente considerados como um mero complemento do questionamento histórico. Suas análises são tecidas paralelamente à compreensão dos fenômenos. Porém

Q u a ndo s e qu e r co m p r e en d e r um f e n ô me n o h i s tó ri c o a p a rt i r d a d i s t ânc i a h i st ó r i c a q u e d e t e r mi n a n o s s a s i t u a ç ão h e r me n ê u t i c a c o mo u m t o d o , en c on tr a mo - n o s s e mp re s o b o e f e i t o d e s sa h i s t ó r i a ef e i t u a l .60

A história efeitual fixa antecipadame nte o que se mostra como objeto de investigação, podendo obscurecer a verdade, o sentido deste fenômeno. Assim, sempre que uma obra, uma tradição, tiver que sair da obscuridade, dá- se a necessidade da consciência da história efeitual, que é, em primeria análise, consciência da situação hermenêutica, e a exigência do seu questionamento.

Para GADAMER a consciência da história efeitual tem a estrutura da experiência, e se dá na unidade de saber e efeito. Ao realizar-se uma experiência com um objeto, não se tem noção nítida das coisas, e desta negatividade é que se adquire um saber abrangente. Isto quer dizer que a experiência que vivemos transforma o nosso saber, a tal ponto que não é possível passarmos duas vezes pela mesma experiência. Dizer ter passado por uma experiência é dizer que a vivemos. Deste modo, aquilo que antes era inesperado agora é previsto, originando o efeitual. Pode-se, então, dizer que

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compreensão é uma forma de efeito. A essa estrutura de experiência, GADAMER dá o nome de dialética.

A q u el e q u e e x p e r i me n t a s e t o r n a c o n s ci e n t e d e s u a e x p er i ên c ia , to rn a - s e u m e x p eri me n t a d or : g an hou um n o vo h or i zo nt e d e nt ro do q u al a lg o p od e co nve r t e r - s e p ar a e l e e m e x p er i ên c i a .61

Como experimentador, ou melhor dizendo, experienciador, o homem toma consciência de sua finitude, ele encontra seu limite no poder fazer e na razão planificadora. A autêntica experiência é, assim, experiência da própria historicidade que para alcançar a autenticidade terá que refletir a estrutura geral da experiência, aquilo que tem a ver com a tradição. No entanto, a tradição não é um acontecer que se possa conhecer pela experiência direta, ela é linguagem e fala por si mesma.