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Olumsuz İnsan Doğası Kavrayışı Üzerinden ‘Politik Değer’in Tanımı

2. BÖLÜM: OLAN OLMASI GEREKEN AYRIMINDA İKTİDAR VE DEĞER

2.1. Machiavelli'nin Politik Kavrayışında Değer Sorunu: "Olan"-"Olması Gereken"

2.1.3. Olumsuz İnsan Doğası Kavrayışı Üzerinden ‘Politik Değer’in Tanımı

As idéias heideggerianas que explicitam a historicidade do ser, em seu primado como ser-no-mundo, acontecer da presença que se projeta delineando o vir-a-ser e ter-sido e que dá a dimensão temporal ao ser, são entendidas e espandidas na afirmação de BICUDO ao descrever o significado de história presente na fenomenologia: M o v i m e n to v i t a l d a p r e - s e n ç a q u e s e n d o n o m u n d o c o e x i s t e c o m o u t r o s s e r e s , p r o j et a n d o n o t e mp o e n o e s p a ç o su a s p o s si bi li d ad e s d e s er . Po s s ib i l i d ad e s e s sa s e n t r el aç a d a s a o h o r i zo n t e h i s t ó r i c o co n st i t u í d o p e l a s f o r ma ç õ e s o r i g i n ai s e p e l a s s ed i me n t a ç õ e s e f e t u ad a s p e l a t r ad i ç ão e p e l a s ex p r e s s õ e s ma n i f e s t a s n a l in gu age m. 66

Os elementos incorporados pela autora sobre a História dizem respeito à tradição histórica enquanto experiência hermenêutica que é linguagem e, como tal, importa e transmite as sedimentações culturais efetuadas. Idéias coerentes ao pensamento gadameriano exposto anteriormente. Ainda segundo BICUDO, a história flui temporalmente modificando-se, mas concomitantemente retém-se algo - as sedimentações - que se estabelece mediante sínteses de transição portadoras de modos de pensar e de fazer de uma comunidade. Isto não quer dizer que a história se faça de maneira cumulativa, C o mo s e f o s s e c o n s t i t u í d a p o r so ma d e p a r t e s j u s t ap o s t a s , ma s q u e s e e s t r u t u r a p e l a o r g an i z a ç ão p o s s i b i l i t ad a p e l a s i n t er r o g a çõe s i n t er r o g ad a s a s q u ai s c o n d u ze m a s i n t er p r e t a çõ e s d o s e f e i to s e c o n te x to s , p er mi t i n d o a 66 B I C U D O , M a r i a A p a r e c i d a V i g g i a n i . T e m p o , t e m p o v i v i d o e h i s t ó r i a . B a u r u : E D U S C , 2 0 0 3 , p . 8 7 .

f o r mu l a ç ão d e con c e p ç õ e s q u e, p o r su a v ez , a r t i cu l am a v i s ã o d e su a t o t al i d ad e. 67

Na visão fenomenológica de história, aquela que comporta uma visão de mundo e de homem construída a partir da relação intencional homem-mundo que tem o Lebenswelt (mundo-vida) como fundante e que é tradição passível de ser vivida, está presente a possibilidade da compreensão dos nexos históricos da humanidade que constituem uma história universal legitimada pelo Lebenswelt (mundo-vida) solo de todas as vivências. Lembrando GADAMER, entender os nexos históricos da humanidade é a meta maior dos historiadores.

Uma vez posto como a História, enquanto Ciência do Espírito, está sendo compreendida na trajetória da pesquisa do: como se revela o pensar no movimento da construção das estutruras da Álgebra? é importante explicitar como as idéias que descrevem a história universal como tradição nas Ciências do Espírito, articulam-se com a Ciência Matemática, por ser a Álgebra um campo desta ciência, e quais possibilidades abrem-se com esta articulação, ao se tomar a Álgebra como um texto matemático inserido na tradição da Matemática ocidental, tanto do ponto de vista histórico e filosófico, quanto das possíveis contrubuições que essa articulação possa trazer para os procedimentos da pesquisa.

No horizonte dessa articulação, surgem perguntas que se referem diretamente à natureza dos objetos matemáticos e de seu estabelecimento na vida cultural, tais como: de que continuidade se fala quando afirmamos que a Matemática é contínua? O que seria a Matemática para mostrar-se contínua, sem ser uma soma de partes justa postas? O que seria a Matemática para mostrar-se não inteiramente dependente de pressupostos conceituais e nem tampouco impermeabilizada às influências de novas formas de pensamento? Como podemos descrever sua duração no tempo e nas diversas civilizações? Como considerar as suas mais diversas formas de expressão? Como falar de sua trajetória histórica?

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B I C U D O , M a r i a A p a r e c i d a V i g g i a n i . C o n c e p ç ã o d e H i s t ó r i a p r e s e n t e n o p e n s a r

h u s s e r l i a n o . I n : A n a i s d o V S e mi n á r i o d e H i s t ó r i a d a M a t e má t i c a , U N E S P , R i o C l a r o , p .

Edmund Husserl (1859-1938) dá respostas a estas questões no campo da fenomenologia, em um anexo datado de 1936, intitulado: Die Urstiftung und das Problem der Dauer. Der Ursprung der Geometrie, em português O estabelecimento e o problema da duração. A origem da Geometria, no qual ele explicita uma filosofia histórica das ciências tomando como exemplo a Geometria. O texto, porém, refere-se a todas as disciplinas68 que se ocupam com as estruturas matemáticas existentes no espaço-tempo puro. Este texto é um dos componentes de um trabalho mais amplo que busca compreeender a crise da Ciência Européia Contemporânea.

É preciso abrir-se um parênteses para explicitar-se alguns detalhes que mobilizaram HUSSERL a articular as idéias expostas nesse artigo. Segundo a análise de STEINER69 sobre as idéias husserlianas, o projeto da Ciência Ocidental se faz em torno da questão: Pode-se através da doxa, da mera opinião, galgar o saber verdadeiro, episteme? Junto a isso desenvolve-se também a idéia de humanidade européia - europäischen Menschentum70 expressão que se torna estranha para o próprio europeu.

Nessa análise, STEINER evidencia o engano da Ciência Moderna ao assumir o conhecimento absoluto como aquele sem relativismo. A articulação das idéias fenomenológicas que apontam para esse engano têm como princípio que a toda visão (Sicht) é necessário uma orientação (Ansich71) ou seja, a objetividade só pode ser esclarecida pela subjetividade constituinte.

Isto quer dizer que o conhecimento absoluto, como conhecimento objetivo é ele próprio relativo a outro conhecimento relativo. O conhecimento absoluto se constitui pela orientação do princípio das ciências, a idéia de Episteme. Em outras palavras, no mundo das ciências não existe conhecimento sem perspectiva. O próprio conhecimento absoluto é perspectival.

Para a fenomenologia, o solo, no qual toda perspectiva imaginável pode ser tomada, é o Lebenswelt (o mundo-vida). Sustentado por essa concepção de 68 N o t a d a a u t o r a : C o n s e r v a - s e n e s s e t e x t o a p a l a v r a d i s c i p l i n a ( a s ) p o r s e r a p a l a v r a u s a d a p e l o a u t o r , p o r é m e n t e n d e - s e q u e e s s a p a l a v r a p o d e r i a s e r s u b s t i t u i d a p o r á r e a ( a s ) o u c a m p o ( o s ) . 69 S T E I N E R , U w e C . H u s s e r l . M ü n c h e n : D i e d e r i c h s , 1 9 9 7 , p . 9 - 6 7 . 70 N o t a d a a u t o r a : M e n s c h e n t u m é u ma p a l a v r a a l e mã d o s é c u l o X V I I , q u e f o i s u b s t i t u í d a p e l a p a l a v r a , M e n s c h e n h e i t , e m p o r t u g u ê s h u m a n i d a d e , u s a d a a t é o s n o s s o s d i a s . 71 N o t a d a a u t o r a : A n s i c h t t e m t a m b é m, e m d e t e r mi n a d o s c o n t e x t o s , o s i g n i f i c a d o d e a t i t u d e e o p i n i ã o .

mundo, HUSSERL procura restituir na medida do possível e imaginável o autêntico sentido (Sinn) de objetividade, não contemplado pela Ciência Natural.

O texto sobre A Origem da Geometria está colocado em um capítulo intitulado Der Sinn in der Geschicht und in der Lebenswelt – O sentido na História e no Lebenswelt (mundo-vida). O título faz uma sugestão da tão desejada ponte objetiva entre a vida subjetiva e a vida na História, sonho de muitos pensadores como DILTHEY, tecida por GADAMER nas Ciências do Espírito ao colocar a compreensão em epoqué, que será agora tecida por HUSSERL nas Ciências em Geral e, em particular na Matemática, ao tematizar o sentido (Sinn).

A análise husserliana foca o tema sentido no âmbito da subjetividade, da intersubjetividade e da objetividade, tomando-o como o fio condutor que tece a rede de conhecimento científico historicamente atualizado engendrado na rede de vivências do percebido, do intuído, do falado e do escrito. Mostrando que a mais simples vivência de evidência tem a ver com a objetividade.

HUSSERL explicita as ocorrências geradoras de sentido nos três âmbitos e a transmissão de sentido de uma para a outra. Ele abre a possibilidade de que a mais simples vivência de evidência pode ter algo com a objetividade científica matemática ocidental.

Para HUSSERL, as ciências, em seus mais diversos estágios de desenvolvimento devem ser vistas como tradições, e afirma:

E m u ma i n f i n i d ad e d e t r ad i ç õ e s mo v i me n t a - s e a n o s s a e x i s t ên c i a h u ma n a . O mu n do c ult u r al t odo e s t á d a do p or t od a s a s s u a s f o r ma s d e t r a d i ç ão . E l a s n ã o s e t o r n a r a m c a s u a l me n t e c o mo t a l , n ó s s e mp r e s o u b emo s q u e t r a d i ç ã o , j u s t a me n t e t r a d i ç ã o , t o r n a - s e , em n o s s o s e s p a ç o s h u ma n o s d e a t i v i d a d e s h u ma n a s , ta mb é m e s p i r i tu al (g e is t i g) – t amb é m q u an do nó s , e m g e r a l , n a d a o u q u a s e n a d a s a b e mo s d a d e t e r mi n a d a p ro v en i ên ci a e d e f a to d a r e a li za d a e s p ir i tu a l id ad e . E , a in d a a s s i m, r e p o u s a n e s t e “ n ã o s ab er n a d a ”, em t o d a s a s p a r t e s, e e m e s s ê n c i a , u m i mp l í c i t o s ab e r , a s s i m c o m o p ar a o ex p l í ci t o , u m s a b e r d e i n c o n t e st á v e l e v i d ênc i a . 72 72 “ I n e i n e r U n z a h l v o n T r a d i t i o n e n b e w e g t s i c h u n s e r me n s c h l i c h e s D a s e i n . D i e g e s a mt e K u l t u r w e l t i s t n a c h a l l e n i h r e n G e s t a l t e n a u s T r a d i t i o n d a . A l s d a s s i n d s i e n i c h t n u r k a u s a l g e w o r d e n , w i r w i s s e n a u c h i m me r s c h o n , d a ß T r a d i t i o n e b e n T r a d i t i o n i s t , i n u n s e r e n M e n s c h h e i t s r ä u m e n a u s m e n s c h l i c h e r A k t i v i t ä t , a l s o g e i s t i g g e w o r d e n – w e n n w i r a u c h i m a l l g e me i n e n v o n d e r b e s t i mmt e n H e r k u n f t u n d d e r f a k t i s c h h i e r b e i

As realizações humanas tradidionais iniciam-se com uma naturalidade superficial, começam de materiais disponíveis à mão, que possibilitam uma realização primeira. Basta que se pense nos primeiros achados culturais de que se tem notícia, como o uso de pedras para determinados fins na pré- história. Do superfical, se é conduzido ao profundo. Isto se dá quando se interroga a realização primeira. A interrogação dá sentido e direciona as respostas mantendo a universalidade e a aplicabilidade para todo individual e, ao mesmo tempo, para um caso isolado, possibilitando, assim, uma aquisição totalizadora de aquisições. Isto ocorre com todas as ciências, portanto, é preciso que as ciências tenham tido um começo histórico, que, por sua vez, precisa ter uma origem em um realizar de uma construção vitoriosa, que se deixa questionar, estendendo-se a novos atos humanos pelo trabalho contínuo de interrogar.

As disciplinas matemáticas vistas como tradição, são realizações humanas, têm sua origem estabelecida ao ter sido uma primeira aquisição originada de uma primeira atividade subjetiva criadora possibilitada por uma evidência originária que tem como solo o Lebenswelt. Contudo, as disciplinas matemáticas estão sujeitas a um dinamismo realizador de sínteses contínuas em que todas as aquisições anteriores continuam válidas formando uma totalidade, de tal forma que, em cada presença total, como sentido historicamente construído, dadas nas sínteses, está a premissa total para a aquisição de um novo nível. Desta forma, o sentido das aquisições anteriores fica conservado, ao menos, em suas características nucleares.

Desta feita, pode-se dizer que o sentido total na temporalidade não pode estar presente no início. Ali há uma formação primitiva, o sentido que aparece no movimento da continuidade da realização primeira, que é forma de expressão com sentido atual, abre-se para um nova significação e, na evidência das realizações, primeira e posteriores, está presente a intencionalidade. z u s t a n d e b r i n g e n d e n G e i s t i g k e i t n i c h t s o d e r s o g u t w i e n i c h t s w i s s e n . U n d d o c h l i e g t i n d i e s e m N i c h t w i s s e n ü b e r a l l u n d w e s s e n s mä s s i g e in i mp l i z i t e s , a l s o a u c h z u e x p l i z i e r e n d e s W i s s e n , e i n W i s s e n v o n u n a n f e c h t b a r e r E v i d e n z . ” H U S S E R L , E d mu n d . D i e U r s t i f t u n g u n d d a s P r o b l e m d e r D a u e r . D e r U r s p r u n g d e r G e o me t r i e , o p . c i t . , p . 4 3 8 .

E v i d ên c i a s i g n i f i c a n a d a ma i s d o q u e o apr e e n d e r con s c i en t e d e u ma e n t i d ad e e m s e u o r i g i n al s e r - a í . R ea l i z a ç õ e s v i t o r i o s a s d e u m p r o j e t o s ã o ev i d ê n ci a s p ar a a s u b j e t i v i d ad e , e m c u j a r e a l i z a ç ão e s t á o o b t i d o ma i s o ri g i n a l d o q u e i s t o é d ad o . 73

Toda formação de sentido, que se projeta a uma realização, tem seu início em uma síntese intencional. E nela estão presentes as aquisições anteriores, como sínteses de transição e, por conseguinte, a evidência originária da primeira realização. É nesse sentido que HUSSERL afirma que, na realização, o obtido é mais original do que o percebido ou intuído.

Portanto, ao se perseguir o pensamento husserliano tecido sobre a tradição matemática, deve-se ter em mente que os objetos matemáticos têm uma origem inicial, aquela estabelecida por uma aquisição originária de uma primeira atividade humana possibilitada por uma evidência subjetiva que tem como solo o Lebenswelt (mundo-vida), e que projeta o original sentido no subjetivo daquele que viveu a evidência.

Deste ato participam todos os que viveram, vivem ou viverão a evidência. Essa maneira de fazer-se presente a muitos, em tempos distintos e de forma genuína, porque é a mesma para todos em termos estruturais, gera objetividade no âmbito da subjetividade e dá a realização matemática primeira, e a suas derivações, uma singular atemporalidade e não- independência porque essas realizações necessitam de alguém que as realizem. A objetividade caracteriza-se, portanto, como uma objetividade ideal em contraste com a objetividade real que é temporal e independente por estar mercê de sua própria natureza.

Desta forma, intencionar o início, a origem, não é buscar um início perdido no túnel do tempo em terras estranhas, mas é buscar compreender a evidência originante e os modos de expressão pelos quais foi mantida no mundo, mesmo que expresso por um único indivíduo.

O que foi até aqui exposto revela o entendimento das disciplinas matemáticas vistas no âmbito do sujeito. Porém, a existência da Matemática não é psicológica, não tem uma existência objetiva restrita ao subjetivo. Ela é

acessível a todos os homens de todos os povos e de todas as épocas, embora se apresente de maneira variada e especial nas diversas culturas. Frente a isso fica a pergunta: Como se dá a objetividade matemática de uma subjetividade para outra subjetividade?

Para que se possa compreender o encaminhamento que HUSSERL dá a esta questão, é importante salientar que na Língua Portuguesa, não se diferencia com clareza as palavras sentido e significado, porém segundo DERRIDA a palavra significado, Bedeutung em alemão, e a palavra sentido, Sinn em alemão, são usadas por HUSSERL com distintas funções: uma se refere a linguagem e a outra aos objetos intuídos ou percebidos.

B e d eu tu ng é r e s e r v a d a a o c o n t e ú d o d e s e n t i d o i d e a l d a e x p r e s s ã o v e r b a l , d o d i s cu r so f al a d o , ao p a s s o q u e o s e n t i d o ( S inn ) c o b r e t o d a a e s f e r a n o e m á t i c a a t é e m s u a c a m a d a n ão - e x p r e s s i v a .74

Assim, o termo sentido deve ser interpretado como sendo aquele sentido que cobre a esfera noemática, que é dada na vivência da evidência e que não está restrita ao sentido ideal da expressão verbal ou escrita. Está distinção é fundamental no entendimento das idéias que serão expostas, pois a objetividade ideal matemática conquistada pela subjetividade é compartilhada com outras subjetividades pela linguagem que expressa.

De modo geral, a comunicação humana se dá de modo consciente. O homem é consciente do mundo como horizonte de vida da humanidade. Assim, sempre está distinto no horizonte de mundo o horizonte de mundo que é de um indivíduo e aquele pertencente aos seus próximos, mesmo sem suas presenças. Tem-se então, de início, um entendimento mútuo, ou seja, o mundo que se me apresenta não é por princípio só meu.

N e s t e s e n t i d o , a h u ma n i d a d e é , para cad a ho me m, p a ra o qu al e l a é n ó s- h o r i zo n t e , u ma c o m u n i d ad e d e P o d er E x p r e s s a r ( A u s sp r e c h e n - Kö n n e s ) n a t u r al m e n t e co mp r e e n s í v e l , p l en a e r e c í p r o c a , e n e l a p o d e q u a l q u er u m e t u d o , o q u e a o r e d o r d e 73 E v i d e n t z b e s a g t g a r n i c h t s a n d e r e s a l s E r f a s s e n e i n e s S e i e n d e n i m B e w u s s t s e i n s e i n e s o r i g i n a l e n S e l b s t - d a . G e l i n g e n d e V e r w i r k l i c h u n g e i n e r V o r h a b e i s t f ü r d a s t ä t i g e S u b j e k t E v i d e n z , i n i h r i s t d a s E r w i r k t e o r i g i n a l i t e r a l s e s s e l b s t d a . I d e m , i b i d e m , p . 4 4 0 . 74 D E R R I D A , J a c q u e s . A v o z e o F e n ô m e n o . R i o d e J a n e i r o : J o r g e Z a h a r E d i t o r , 1 9 9 4 , p . 2 7 .

s u a h u m a n i d ad e é , e s t a r s e n d o tratado co mo ob jetivo ./.../ M un do ob je t i vo é d e sd e o in í c io, mu n d o p ar a t od o s, o mu n do , q u e t odo h o me m t e m c o mo ho r i zon t e de mu n d o. O s e u s e r o b j e t i v o p r e s s u p õ e h o me m, c o mo h o me m d e su a l i n g u ag e m u n i v er s a l .75

HUSSERL afirma ainda que a comunicação no horizonte da humanidade ocorre por intermédio da linguagem, que é correlata ao mundo e está, portanto, relacionada ao universo de objetos capazes de serem expressos lingüísticamente. Assim, a objetividade ideal, como componente do horizonte de mundo é veiculada, compartilhada e mantida no corpo lingüístico que a carrega com seu sentido (Sinn) e significado (Bedeutung).

Por intermédio do entendimento possibilitado pela linguagem, a realização originária, bem como o produto de um ato subjetivo, pode ser recompreendida por outro. Dá-se, assim, um reproduzir de pessoa a pessoa e, no encadeamento do entendimento desta repetição, está a evidência daquilo que é o mesmo também para o outro.

A r e p e ti ç ão d e u m mo d o d e co mu n i c a r q u e s e mo s t r a b e m- s u c e d i d o co n st i t u i u m s u b s t r a t o p a r a q u e a l ó g i c a s u b j a c e n t e a e s s a l i n g u a g e m s e i n s t a u r e , f o r t a l e c e n d o - s e à me d i d a q u e i mp õ e a o s s u j e ito s fa l a n t e s mod o s d e e s tr u tu r ar a li ng u ag e m q u e di z e m d a ex p er i ên c i a vi vi d a, d a ev id ê nc i a , do i n sig h t .76

HUSSERL alerta para o modo de ser da formação das repetições afirmando que: “A formação repetida e produzida torna-se consciente na unidade de uma comunidade de/para comunicação de várias pessoas, não

75 “ I n d i e s e m S i n n i s t d i e M e n s c h h e i t f ü r j e d e n M e n s c h e n , f ü r d e n s i e s e i n W i r - h o r i z o n t e i s t , e i n e G e me i n s c h a f t d e s s i c h w e c h s e l s e i t i g n o r ma l e r w e i s e v o l l v e r s t ä n d l i c h A u s s p r e c h e n - K ö n n e s , u n d i n i h r k a n n j e d e r m a n n a u c h a l l e s , w a s i n d e r U mw e l t s e i n e r M e n s c h h e i t d a i s t , a l s o b j e k t i v s e i e n d b e s p r e c h e n . / . . / O b j e t i v e W e l t i s t v o n v o r n h e r e i n W e l t f ü r a l l e , d i e W e l t , d i e “ j e d e r ma n n ” a l s W e l t h o r i z o n t h a t . I h r o b j e t i v e s S e i n s e t z t M e n s c h e n a l s M e n s c h e n i h r e r a l l g e me i n e n S p r a c h e v o r a u s . ” H U S S E R L , E d m u n d . D i e U r s t i f t u n g u n d d a s P r o b l e m d e r D a u e r . D e r U r s p r u n g d e r G e o me t r i e , o p . c i t . , p . 4 4 3 . 76 B I C U D O , M a r i a A p a r e c i d a V i g g i a n i . T e m p o , t e m p o v i v i d o e h i s t ó r i a , o p . c i t . , p . 6 6 . C o n f o r m e e x p l i c i t a ç ã o e m s e s s ã o d e o r i e n t a ç ã o : O s i g n i f i c a d o d e s u b j a c e n t e , e n q u a n t o o q u e s u b j a z à l i n g u a g e m n ã o r e v e l a a t o t a l i d a d e d o q u e o c o r r e n o p r o c e s s o d e c o mu n i c a ç ã o p e l a l i n g u a g e m. “ P o i s , q u a n d o j á s e d i me n t a d a h i s t ó r i c o - c u l t u r a l me n t e , a l i n g u a g e m p r o p o s i c i o n a l s u s t e n t a - s e e m u ma e s t r u t u r a . E , q u a n d o e m p r o c e s s o d e s e e d i f i c a r , a e s t r u t u r a , f r u t o d o s mo d o s r e p e t i d o s d e d i z er d e u ma c o m u n i d a d e , p e r ma n e c e s o b r e . S e r i a a s s i m, ma i s c l a r o s e s e f a l a s s e e m s u b / s o b r e j a z ” .

como igual mas como universal.”77. Com isto, o autor quer dizer que a formação das repetições não se dá por comparação, no sentido de que seja preciso conhecer-se todas as possíveis variações e depois tomar aquilo que fosse igual em todas, ou contrário disto, a repetição se dá mediante aquilo que está e é nuclear em qualquer variação, mesmo naquelas de que não tenhamos conhecimento. Essa afirmação fenomenológica é decorrente do fato de as idealidades terem como solo constituinte o Lebenswelt (o mundo-vida). Esse nuclear é que constitui a intersubjetividade.

Portanto, a intersubjetividade já está presente enquanto possibilidade na relação intencional homem- mundo no âmbito da evidência subjetiva que cobre a esfera noemática. A intersubjetividade se dá no horizonte de mundo que é de um, mas que também é do outro, pela empatia.

É preciso, porém, considerar que a objetividade de uma formação ideal dá-se no decorrer de um tempo - individual e comunitário - que extrapola a temporalidade das existências. Assim, a objetividade de uma formação ideal precisa estar apta a uma recompreensão em sua transmissibilidade, isto quer dizer que algo dela permanece, de alguma forma, no mundo-horizonte. Para HUSSERL, a transmissibilidade acontece na forma de linguagem escrita, na expressão lingüística documentada, que eleva todo o legado humano a um novo nível.

/ . . . / co m a e s c r i t a ma n t é m- s e a p o s si b i l i d ad e d e s e r r e a t i v ad a a e v i d ê n ci a d a r e u n i ã o d e e x p e r i ên c i a s a p a r e n t e me n t e d e s a r t i c u l ad a s , ex p r e ss a p e l o s uj e i t o q u e o r i g i n a r i a me n t e v i u e e x p ô s e s s a a r t i cu l a ç ão .78

Porém, a aproximação da linguagem como fonte de conhecimento não pode ser realizada de maneira ingênua, entregue à tentação lingüística que restringe o entendimento à elaboração de associações regidas pela Lógica da própria linguagem. Sem dúvida, o entendimento associativo propicia a reativação de um originário, porém um originário que é próprio da Lógica 77 “ I n d e r E i n h e i t d e r M i t t e i l l u n g s g e m e i n s c h a f t m e h r e r e r P e r s o n e n w i r d d a s w i e d e r h o l t e r z e u g t e G e b i l d e n i c h t a l s g l e i c h e s s o n d e r n a l s d a s e i n e A l l g e me i n s a me b e w u s s t . ” H U S S E R L , E d mu n d . D i e U r s t i f u n g u n d d a s P r o b l e m d e r D a u e r . D e r U r s p r u n g d e r G e o m e t r i e , o p . c i t . , p . 4 4 5 . 78 B I C U D O , M a r i a A p a r e c i d a V i g g i a n i . T e m p o , t e m p o v i v i d o e h i s t ó r i a , o p . c i t . , p . 6 7 .

presente na linguagem e não necessariamente daquilo que ela expressa, e que, contudo, também inaugura uma transmissão deste seu originado específico. Segundo HUSSERL esta é a razão porque as disciplinas matemáticas hoje estudadas encontram-se tão longe de seu sentido originário, aquele do mundo- vida que se dá na relação intencional homem-mundo. O que transmitem refere-se, muitas vezes, à Lógica, porque as disciplinas matemáticas estão inseridas nas chamadas disciplinas dedutivas, nas quais a seqüência ocorre em forma de conseqüência. Ele chama a atenção para o fato de que:

A ev id ên ci a orig in ári a n ã o p o d e s e r co n f u n d i d a c o m a e v i d ê n ci a d o s a x i o ma s ; p o i s o s a x i o ma s s ã o , e m p r i n c í p i o , r e s u l t a d o s d a f o r m a ç ã o d e s e n t i d o o r i g i n á r i o s e j á t ê m e v i d ê n ci a o r i g i n ár i a a t r á s d e s i . 79

É então necessário um entendimento das disciplinas matemáticas que reative o sentido originário, mediado necessariamente pela linguagem, pois os símbolos da escrita são experenciados corporeamente em seus sentidos e em possibilidade contínua de experienciar a intersubjetividade concomitantemente. Existe, portanto, uma passividade lingüística que pode ser transformada com a finalidade de reativar a evidência do sedimentado.

No caso das disciplinas matemáticas que tratam de objetos ideais, o sedimentar e o reativar produzem idealidades em nível superior. Como compreendê-las sem reativar os níveis de conhecimento anteriores? Como considerar todo esse conhecimento? Qual é a possibilidade da reativação das disciplinas matemáticas entendidas como ciência dedutiva, mesmo que elas não só deduzam? Como ultrapassar o encadeamento lógico dedutivo?

Para HUSSERL, vale a lei fundamental que afirma: caso as premissas sejam realmente reativadas até a evidência originária, assim também serão suas conseqüências evidentes e, uma vez isto realizado, surgirá aquilo que precisa ser produzido da evidência originária por meio da cadeia da Lógica, tal qual a fenomenologia a compreende. De modo breve, há que se perceber o sentido do transmitido. Voltaremos a esse assunto nos próximos capítulos. 79 “ U r s p r ü n g l i c h e E v i d e n z d a r f n i c h t m i t d e r E v i d e n z d e r “ A x i o me ” v e r w e c h s e l t w e r d e n ; d e n n A x i o m e s i n d p r i n z i p i e l l s c h o n R e s u l t a t e u r s p r ü n g l i c h e r S i n n b i l d u n g u n a h a b e n d i e s e s e l b s t i mme r s c h o n h i n t e r s i c h ” . H U S S E R L , E d mu n d . D i e U r s t i f u n g u n d d a s P r o b l e m d e r D a u e r . D e r U r s p r u n g d e r G e o m e t r i e , o p . c i t . , p . 4 5 0 .

HUSSERL afirma que esta hipótese, da lei fundamental, dificilmente é executada. Basta observar o que se aprende nas aulas de geometria, por exemplo. Lida-se com conceitos prontos e asserções em métodos rígidos, pois na ilustração sensível dos conceitos, na figura do desenho, esconde-se o que fez com que a idealidade viesse a ser realizada, em sua forma originária. O que na verdade se evidencia é o resultado prático da geometria prática. Já na hereditariedade das asserções e do método podem ser formadas novas idealidades lógicas que permanecem, através do tempo, sem interrupção, porém sem herdar a reativação do começo e nem tampouco tocar o material que deu a toda assserção, a toda teoria o sentido evidente e originário.

A tradição Lógica, quando tomada isoladamente, apresenta-se intransponível. Porém, ao considerá-la como constituinte do horizonte da humanidade e do mundo, no horizonte histórico atual, não só ela está presente como também os homens atuais. Portanto, a estrutura de ser deste horizonte – homem e tradição Lógica pode ser revelada pela interrogação metódica que apresentará possíveis perguntas reveladoras de seu modo de ser e que conduzem em direção à origem, na maneira da retrospectividade.

A q u i n ó s s e r e m o s , a s s i m p o r d i z e r , c o n d u z i d o s r e t r o s p e ct i v a me n t e p a r a o ma t e r ia l o r i g i n á r i o d a f o r ma ç ã o d e s e n t i d o , p ar a a s p r e mi s s a s o r i g i n á r i a s .80

Desta forma, HUSSERL propõe uma historicidade do correlato modo de ser da humanidade, do mundo cultural e da estrutura Apriori81 transmitida nessa historicidade. O presente cultural é entendido como uma totalidade na qual está implícito um passado cultural, ou seja, está implícito no presente cultural uma continuidade veiculada pelas compreensões das realizações de outros passados, incluindo aqui dúvidas, pontos de vista e até opostos, conteúdos ideológicos, e eles, por sua vez, já foram um presente cultural que passou. 80 “ H i e r w e r d e n w i r a u f d i e U r ma t e r i a l d e r e r s t e n S i n n b i l d u n g , a u f d i e U r p r ä mi s s e n s o z u s a g e n z u r ü c k g e f ü r t , d i e i n d e r v o r w i s s e n s c h a f t l i c h e n K u l t u r l i e g e n . ” I d e m , i b i d e m , p . 4 5 4 . 81 N o t a d a a u t o r a : A p r i o r i é u ma p a l a v r a u s a d a p o r H u s s e r l p a r a d e s i g n a r o “ a p r i o r i s i n t é t i c o ” t r a n s mi t i d o n a t e mp o r a l i d a d e . E s t r u t u r a A p r i o r i é a e s t r u t u r a c o mo p r e s e n ç a . E s t r u t u r a d a d a n a r e l a ç ã o i n t e n c i o n a l h o me m- mu n d o , p r i ma d o d a o b j e t i v i d a d e i d e a l .

E e s s a c o n t i n u i d ad e g e r a l é u ma u n i d ad e d o t o r n ar - s e t r a d i ç ão a t é o p r e s en t e, a q u e l e q u e é n o ss o , e é u m t o r n a r - s e t r a d i ç ã o e m v i t a l id ad e fl uid a e p e r ma n e n t e. 82

Compreender as disciplinas matemáticas nesta perspectiva da retrospectividade é compreender o que foi construído e transmitido nelas, e sua maneira de ser. Seu sentido ocorre nas realizações de todos os herdeiros desta sabedoria, independente da finalidade de suas realizações, quer seja como Matemática pura, quer seja como Matemática aplicada, quer seja como Matemática compreendida no ato de apreender na disciplina.

Ao perguntar-se pelo sentido original do transmitido e depois pela disciplina validada e aperfeiçoada com este sentido, revelar-se-á a sua tradição histórica, evitando que este conhecimento caia num discurso vazio ou em uma generalidade não diferenciada que nada sabe de sua fonte.

Esta maneira de investigação quando

/ . . / r e a l i z ad a s i s t e ma t i c a me n t e , r e s u l t a em n a d a m a i s n a d a me n o s do q u e o A p ri o r i u ni v e rs a l da h i stó r ia e m s u a s ma i s a l t a s e a b u n d an t e s e s t a b i l i d a d e.83 A afirmação de HUSSERL: H i s t ó r i a é , d e s d e o co me ç o , n ad a ma i s d o q u e o m o v i me n t o v i v o d e f o r ma ç ã o o r i g i n a l d e se n t i d o e d e s e d i me n t a ç ã o d e s e n t ido , d e u m c o m o o ut ro e d e u m n o ou tro 84,

não pode ser entendida como uma movimentação do nada que se dirige ao infinito. A História, assim como o conhecimento humano, tem um começo que se revela nas realizações humanas, portanto, a História assim compreendida,