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4. EKONOMİK BÜYÜME VE ENERJİ ARASINDAKİ İLİŞKİNİN AMPİRİK

4.3. Etki-Tepki Analizi

O Projeto Político Pedagógico (PPP) da primeira turma do “Curso de Direito para Beneficiários da Reforma Agrária e Agricultores Familiares – Turma Especial”, previa como objetivo geral a composição de uma turma de 60 estudantes, oriundos das comunidades camponesas, vinculadas aos movimentos socioterritoriais, dos diversos estados brasileiros, que pudesse concluir no prazo de cinco anos o bacharelado, porém poderiam ampliar para mais um ano, caso decidissem fazer licenciatura, o que não ocorreu. Como o próprio nome do projeto menciona, os estudantes eram assentados e/ou filhos de famílias assentadas cadastradas pelo INCRA, tendo alguns estudantes oriundos das comunidades tradicionais, reconhecidos como agricultores familiares. Estes últimos, mesmo não sendo “público alvo” do PRONERA, puderam concorrer A uma vaga, pois a UFG entendeu que a turma deveria abranger todos os seguimentos sociais do campo. Para tanto, houve o pleito realizado junto ao MEC para complementar os recursos financeiros para atender os estudantes que ingressassem na turma.

No decorrer dos cinco anos, a grade curricular foi a mesma do curso de Direito, ministrado às turmas regulares da UFG, não havendo nenhuma dificuldade no caso de aprovação de um novo currículo. Dessa maneira, havia alguns pilares estruturais nesse processo, como:

a) Garantir uma formação com ênfase em sociologia, política e filosofia, fortalecendo a formação geral daquele profissional;

b) Aplicar com competência técnico-jurídica os instrumentos normativos; c) Integrar a práxis jurídica à necessidade permanente de aprofundamento dos conhecimentos teóricos, atualizando-se para novos procedimentos jurídicos.

d) Construir valores éticos e morais, vinculada ao desenvolvimento saudável do ser humano e de um profissional “comprometido com a causa democrática e com a defesa dos direitos humanos” (PPP, 2005, p.06).

Durante os cinco anos, o tempo foi distribuído, de acordo com a pedagogia da alternância, em etapas presenciais TE e a distância TC. Foram realizadas dez etapas TEs, com média de 77 dias cada uma. Em cada TE foram ministradas em média 08 disciplinas por etapa, sendo que variava de 32 a 64 horas/aulas em cada uma. Isso possibilitou que cada disciplina ministrada pudesse ter um trabalho dirigido para ser realizado na própria comunidade, construindo a relação entre prática e teórica. De acordo com o PPP:

As atividades presenciais serão norteadas pelos procedimentos chamados “momentos pedagógicos”, que será organizadores utilizados para garantir a prática sistemática do diálogo: a) Estudo da Realidade (ER), que é o momento de compreender o universo significativo em que está inserido o estudante; b) Organização do Conhecimento (OC), em que predomina a manifestação do professor, que organiza as informações e habilidades necessárias à aquisição do conhecimento; c) Aplicação do Conhecimento (AC), que é o momento da síntese, quando as duas visões de mundo se articulam para promover a ampliação do conhecimento (PPP, 2005, p.11).

No acompanhamento aos nove TCs, contou-se com a organização da turma em núcleos de estudos que tiveram o monitoramento de um docente para cada dez estudantes, que se encontravam ao menos uma vez ao ano diretamente em uma comunidade e, ao longo dos demais meses, a comunicação se fazia por telefone, correio eletrônico ou postal. Isso possibilitou a elaboração de sínteses e uma melhor compreensão dos conteúdos estudados durante os TEs, além dos estudantes participarem das atividades familiares no desenvolvimento da agricultura.

Figura 9 – Estudante da Turma Evandro Lins e Silva no Tempo Comunidade

O quadro 1 informa a carga horária das disciplinas, por semestre:

Quadro 1 – Carga Horária Semestral

SEMESTRE CARGA HORÁRIA

1º 352 h/a 2º 368 h/a 3º 400 h/a 4º 400 h/a 5º 448 h/a 6º 432 h/a 7º 384 h/a 8º 416 h/a 9º 448 h/a 10º 320 h/a TOTAL 3.968 h/a

Fonte: PPP/UFG (2005). Organização da autora

Desse total de carga horária, 400 horas foram destinadas ao estágio supervisionado, requisito necessário para a diplomação do curso. O estágio deveria ocorrer em escritórios de advocacia ou instituições jurídicas do Estado. Porém, a egressa assentada no MT afirma que “outro elemento que avalio que faltou e poderia ter contribuído com o melhor desenvolvimento das nossas ações é a falta de oportunidade de estágios, já que a execução do curso como foi estruturado não nos permitiu realizá-lo com mais qualidade” (entrevista em 26/07/2014).

Figura 10 – Estudante da Turma Evandro Lins e Silva no Tempo Escola

Figura 11 – Registro de uma aula sobre Direito Processual Penal III

Fonte: Douglas Mansur.

Figura 12 – A turma Evandro Lins e Silva em sala de aula

Fonte: Douglas Mansur.

Em entrevista realizada em julho de 2014 com um jovem egresso, quando perguntado sobre o projeto político pedagógico do curso e o currículo, salienta:

O curso do qual sou egresso, utilizou a grade curricular bruta do Direito. O diferencial foi parte do corpo docente, que aproximou os

conteúdos da grade curricular com a demanda e realidade dos acadêmicos. Por outro lado, outros docentes foram enfáticos em reafirmar o local de poder e domínio do Direito e da classe jurídica. Reafirmações estas que assustaram, mas foram necessárias para contribuir na nossa formação como instrumento de defesa a ser utilizado por cada um dos egressos da turma no campo prático. Todavia é necessário pensar nas grades curriculares de todos os cursos, bem como as metodologias, tendo em vista os enquadramentos provocados pela vida acadêmica e, em especial, pelos enquadramentos do Direito, do significado social do Curso de Direito como lugar da elite, um lugar do dinheiro e da melhoria na condição de vida e não o lugar de ser e fazer o melhor entendimento da justiça, se é que ela existe (entrevista realizada em 25/07/2014).

Ainda sobre o currículo, os professores e a metodologia, um egresso, assentado no Maranhão, afirma o seguinte:

O Curso de Direito que fizemos durante os cinco anos na UFG, com relação ao currículo, não se distingue da diretriz curricular convencional (com pouquíssimas exceções), ou seja, daquilo que é ensinado há séculos em todo o Brasil no âmbito das universidades públicas. Quanto aos professores, muito embora tenham sido todos da própria universidade, salvo alguns professores convidados para ocasiões específicas, alguns exerceram o papel puro e simples (pra não dizer simplista) do ensino engessado, utilizando-se apenas da dogmática jurídica, e só. Em compensação, muitos deles nos proporcionaram encontros muito ricos de aprendizado onde a aula era integrada sempre por discussão de temas polêmicos do direito, tais como os Direitos Sociais, a criminologia crítica, a análise sociológica de alguns institutos jurídicos como a posse e a propriedade, dentes outros. As metodologias de aula se adequavam também ao perfil de cada professor. De modo que, aqueles professores com menor abertura para o debate e para a crítica, ou seja, aquele professor dogmático e estático, aplicava uma metodologia exposição oral pura e aplicação provas ao estilo clássico de “avaliação” do educando. Ao passo que os professores com maior criticidade realizavam exposições orais dos temas, assim como eles são enxergados no direito brasileiro, intercalavam a exposição com debates em sala, professores convidados, casos concretos, crítica aos temas, etc. Infelizmente os professores críticos e mais abertos aos diálogos e inovações que acompanham o andar da nossa sociedade de massas, ainda são muito poucos (entrevista em 28/07/2014).

Outro elemento a ser ressaltado do ponto de vista pedagógico é o fator da auto- organização dos estudantes, para fins de integração, intercâmbio de experiências, realização de trabalhos coletivos, comunicação e melhor uso dos recursos disponíveis. Este último aspecto foi muito importante, pois não apenas houve atrasos na liberação das parcelas do PRONERA, como também tais recursos não foram para atender a todas as necessidades que a turma teve. Além disso, o PRONERA não financiou os estudantes pertencentes às

comunidades tradicionais, sendo necessária uma complementação de recursos pelo MEC, como já dito anteriormente.

Diante desse quadro, a turma se organizou em núcleos de base para garantir um melhor funcionamento da turma, especialmente no que tange à questão da moradia durante dos TEs na Cidade de Goiás. Dessa maneira, para cada etapa, cada núcleo de base, a partir dos recursos destinados a cada estudante, dividiam as despesas de aluguéis de uma casa que comportassem em média 08 pessoas, haja vista que alguns estudantes eram moradores da própria cidade. Era um turma “muito engraçada”, não tinha casa, moravam em repúblicas alugadas para passarem o tempo escola, durante pelo menos 3 meses no primeiro semestre e 3 meses nos segundo semestre, ao longo dos cinco anos que aconteceu o curso.

Figura 13 – Reunião de Núcleo de Base em uma moradia coletiva

Figura 14 – Estudantes em uma das casas coletivas

Fonte: Douglas Mansur.