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Tedavi Edici Sağlık Hizmetleri - Birinci basamak tedavi hizmetleri

Belgede KORUYUCU HEKİMLİKTE AŞI (sayfa 170-175)

Koruyucu Hekimlikte Aşının Yeri

2. Tedavi Edici Sağlık Hizmetleri - Birinci basamak tedavi hizmetleri

Uma das propostas para o acervo do Bonfioli e das produções da EBA é submetê-lo ao Programa Memória do Mundo – Memory of the World (MOW) –, da United Nations 92

Parte do texto desenvolvido sobre o Programa Memória do Mundo (MOW) é derivado do artigo final elaborado com Luiza Ferreira e apresentado à disciplina Memória e Patrimônio, ofertada pela professora Ivana Parrela para alunos da graduação em Arquivologia (UFMG) no segundo semestre de 2012.

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Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO). Esse programa foi criado em 1992 pensando em melhorar as condições dos arquivos ao redor do mundo e/ou difundir os patrimônios documentais mundiais. Seu entendimento de patrimônio documental mundial extrapola os Estados-nações atuais (UNESCO, 2002, p. 08) e compreende elementos que são movíveis; feitos de símbolos, códigos, sons e/ou imagens; preserváveis; reproduzíveis e transladáveis; e o fruto de um processo de documentação deliberado. (UNESCO, 2002, p. 11) O MOW objetiva facilitar a preservação do patrimônio documental mundial mediante técnicas mais adequadas; promover o acesso universal a esses documentos e criar uma maior consciência em todo o mundo da existência e importância desse conjunto documental. O programa parte do pressuposto que certas coleções, acervos ou fundos são componentes importantes de uma “herança mundial”. Esses documentos, portanto, devem transcender os limites do tempo, do espaço e da cultura, devendo ser preservados para as atuais e as futuras gerações e seu acesso deve ser disponibilizado a todos que a eles tiverem interesse. Parte-se da lógica que a preservação só faz sentido mediante à disponibilização para o acesso e que esses elementos são essenciais para a proteção e divulgação do patrimônio.

Para a inclusão de um acervo, fundo ou coleção no registro de Memória do Mundo, é necessário que eles atendam a alguns critérios, estes avaliam a importância do patrimônio no contexto mundial e identificam sua abrangência (regional, nacional ou internacional). Essa avaliação respeita diretrizes estabelecidas pela UNESCO e é determinada pelo próprio mérito do patrimônio. Além disso, comparações com outros acervos – fundos ou coleções – que integram ou tentaram integrar o patrimônio documental mundial são realizadas e estimular estudos comparativos fora da Europa. Também são critérios de avaliação para inclusão no Registro a autenticidade, a unicidade, a significância dos documentos, a raridade, a integridade, a existência de um plano de gestão e os riscos que a documentação está sujeita.

No Brasil, o MOW é representado pelo Comitê Nacional do Brasil, criado pelo Ministério da Cultura por meio da portaria nº. 259, de 02 de setembro de 2004, porém, sua atuação teve início somente no ano de 2007, quando o Comitê foi regulamentado pela portaria n. 61, de 31 de outubro do mesmo ano. O Comitê tem como função examinar, julgar e aprovar candidaturas de acervos documentais do país ao Registro Memória do Mundo do Brasil. Podem-se candidatar entidades privadas e públicas, além de pessoas físicas que possuem documentos que representam a memória coletiva brasileira.

127 Desde o início de suas atividades em 2007, 45 registros no programa Memória do Mundo foram nomeados, todos previamente arranjados e pertencentes a instituições arquivísticas de visibilidade nacional e ordenados segundo a lógica de arquivo institucional, pessoal ou coleção.

A autora teve seu primeiro contato com o MOW em 2012, através da submissão da documentação da Câmara Municipal de Ouro Preto, sob a guarda do Arquivo Público Mineiro, ao programa. Em outubro de 2012, esse acervo foi agraciado com o título de Memória do Mundo em âmbito nacional. Para ser submetido ao MOW, foi necessário um detalhamento da situação do acervo e do entorno da edificação em que ele se encontra, ou seja, das condições ambientais dentro e fora do edifício de custódia; as possibilidades de contaminação; a fragilidade do suporte documental; o sistema de climatização dos depósitos e as demais condições de preservação e conservação do acervo.

Quando um acervo é inserido em programas de reconhecimento da importância patrimonial dos documentos, como o MOW, são agregados valores aos documentos, colocando- os em evidência nos cenários históricos e arquivístico mundiais. Esse tipo de programa é uma das mais importantes ferramentas de difusão e valorização do patrimônio documental.

O reconhecimento da significância de acervos, fundos ou coleções de documentos realizado pelo Memória do Mundo auxilia na preservação, na difusão e nas ações de educação patrimonial da sociedade. Essa última consideração é essencial para a boa preservação e conservação do patrimônio documental, pois permite a formação, por parte da sociedade, de uma consciência da importância das ações voltadas para a memória coletiva. Porém, as simples ações de conservação e preservação não asseguram o entendimento de seu significado e nem a certeza que o patrimônio faça parte da memória da sociedade e que tenha ampla difusão. São necessários, para que isso ocorra, ações de educação patrimonial e processos permanentes e sistemáticos centrados no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo.

As leis de incentivo à cultura e Memória do Mundo evocam um tipo de arquivo patrimonializado e institucionalizado, que contem documentos que servem como prova da existência no tempo e no espaço de uma instituição, indivíduo ou povo. Esse conceito está entrelaçado ao tipo de arquivos e coleções que se submetem aos editais, que, como já dito, têm que ter uma representatividade para a sociedade e já estão ordenadas, como no MOW.

128 São categorizados como patrimônios históricos documentais, que além de servirem como registro e testemunho, caracterizam uma importante fonte de pesquisa e preservação histórica e cultural. “Construir e/ou inventar e preservar o patrimônio se constitui na prática cultural de atribuição de valores e significados a objetos e bens, que amalgam grupos identidade.” (CHUVA, 2008, p. 31)

Algumas das leis e programas citados, como o FUNDIF, e as possibilidades de aplicá-las para tratamento e disponibilização de acervos ainda são pouco conhecidas por alguns profissionais que trabalham em instituições que guardam acervos de imagens em movimento. O número de projetos aprovados nessas leis envolvendo a preservação e difusão desse tipo de acervo é pouco expressivo, provavelmente devido a um reflexo do mercado de produção audiovisual, do desinteresse do governo em incentivar a preservação desse patrimônio e das empresas em investir nesses projetos – normalmente julga-se mais interessante investir nas linhas de produção e distribuição do que na de preservação. Por isso, ressalta-se a importância de compreender que um profissional responsável por um acervo não trabalha sozinho. É necessário ter conhecimento do que está sendo desenvolvido em outros setores e saber dialogar com os profissionais de outras áreas; se aprimorar através de pesquisas, cursos e eventos; estar sempre em busca de novas possibilidades de manutenção de sua instituição e dos acervos sob sua guarda. Para que o trabalho de preservação e tratamento de um acervo ocorra e alcance seu objetivo primordial de dar acesso ao público interessado é necessário, portanto, um trabalho conjunto. É de boa valia contar ainda com uma equipe multidisciplinar com é a do MISBH, para que ideias sejam debatidas, tornado os projetos para o acervo cada vez mais ricos.

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CONCLUSÃO

Esse trabalho demandou um esforço de pesquisa intenso por parte da mestranda e disponibilidade das pessoas envolvidas para responder às questões e ajudar no processo de compreensão das instituições estudadas, em especial do MISBH e da EBA, com as quais, no início do processo, havia menos familiaridade. Tentou-se compreender como as políticas públicas e políticas de acervos de imagem em movimento são utilizadas pelas três instituições analisadas, levantando também suas dificuldades ao longo desse processo a fim de propor medidas e ações.

Cada uma das instituições estudadas tem sua peculiaridade, o APM e o MISBH, ainda que tenham verba destinada pelos governos estadual e municipal para manutenção de seus acervos, são atuantes na submissão de projetos às leis de incentivo à cultura e na captação de recursos da iniciativa privada. O APM desbravou esse território e o MISBH, por sua vez, a partir de 2011, começou a compreender melhor esses mecanismos e utilizá-los a seu favor.

O MISBH apresenta dois diferenciais com relação às outras instituições: um espaço de difusão, dedicado a exposições e exibição de filmes, e uma equipe multidisciplinar, que facilita o trabalho e as discussões, tento possibilitado também a concepção e a aprovação de sua Política de Acervos.

Dentre as instituições estudadas, apenas o APM avançou com relação ao recolhimento, indexação – de acordo com os métodos arquivísticos – e difusão de documentos natodigitais em sua base de dados.

A EBA, por sua vez, não possui verba destinada aos acervos nela existentes e enfrenta dificuldades graves de manutenção, porém, possui iniciativas pessoais fundamentais à preservação desses documentos.

Entre as semelhanças percebidas e descritas ao longo dessa dissertação, encontram-se:

 A instabilidade governamental, oriunda de mudanças constantes de políticas de governo, focadas em interesses pessoais e/ou de grupos de indivíduos;

 A falta de planejamento estratégico, em determinados períodos, principalmente quando não existiam políticas de acervo;

130  A elaboração de projetos e parceria para a captação de recursos ou execução de atividades porque a verba proveniente dos governos não é suficiente para manter as instituições;

 A falta ou escassez de recursos humanos, oriunda da verba insuficiente e que engessa a realização de ações ou provoca a sobrecarga de atividade para a equipe.

Outro ponto em comum e que, merece destaque, é que há muita paixão nas três instituições no ato de preservar imagens em movimento. Essa paixão deve servir como elemento motivador nesse percurso tão difícil que envolve o desinteresse de terceiros, a falta de recursos financeiros e de pessoal. Entretanto, a paixão jamais deve ultrapassar um limite: o interesse pessoal se sobrepor ao coletivo. Precisa-se de mais espaços para aulas e outras tarefas, porém também a existência dos acervos é necessária como caracterização da própria instituição.

Há uma tradicional instabilidade na elaboração, execução e manutenção de políticas públicas no setor cultural como um todo. Entretanto, deve-se evitar o discurso de vitimização e aproveitar as oportunidades existentes para fomentar a preservação, tratamento e disponibilização dos acervos de imagens em movimento. Essas dificuldades podem ser minimizadas através do conhecimento das legislações e políticas públicas vigentes, da construção de novas políticas públicas – como o Plano Nacional de Preservação Audiovisual e as possibilidades que ele traz consigo – e do estabelecimento de novas parcerias entre as instituições: como mostras de cinema integradas, exposições, tratamento e difusão de acervos, da forma como já foram feitas anteriormente, mas também, visitas guiadas e oficinas com alunos de cursos e disciplinas relacionadas a Cinema, Audiovisual, Conservação, Arquivologia e História, para que tenham o contato inicial e se sensibilizem com as questões da preservação audiovisual. Essa iniciativa já existe, por exemplo, entre o MISBH e a UNA e pode ser estabelecida também com a EBA.

Destacando o caso da Escola de Belas Artes e os acontecimentos relacionados aos seus acervos ao longo de sua história, é primordial que se conheça suas histórias e o que foi realizado antes de começar a trabalhar no tratamento e organização dos mesmos. Uma simples conversa com as gestões e os funcionários por eles responsáveis evita um retrabalho e a perda da lógica de sua organização inicial. Juntamente, deve-se, como apontado no capítulo dedicado à Escola, documentar o que foi feito. Necessário ainda que esses acervos universitários sejam pensados

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para além de centros de memória, mas como arquivos setoriais, que armazenam informações que refletem as atividades da instituição, já que todos estão relacionados aos pilares pesquisa, ensino e extensão e que não podem ser eliminados de acordo com iniciativas pessoais ou decisões de gestões, sem consulta pública prévia.

Deve-se buscar apoio da comunidade acadêmica e da sociedade civil como um todo, sensibilizando-a para a preservação e para a importância desses acervos como memória do cinema mineiro e a partir disso, tal qual foi feito na CINEOP, articular políticas públicas com esse fim.

Para o pesquisador Fabián Núñez,

se o Estado se aproximou da preservação audiovisual, nos últimos dez anos, não foi a passos largos em andar retilíneo, mas de modo lento, cambaleante e, por vezes, com um passo à frente e dois atrás. Mas o fundamental é sermos cônscios de que essa marcha depende muitíssimo mais da sociedade civil organizada do que da iniciativa do próprio Estado. Esperá-lo se movimentar por si só é nos arriscarmos a cair nas armadilhas do paternalismo e do clientelismo. Cabe, acima de tudo, aos verdadeiros interessados na preservação audiovisual lutar de modo coletivo pelo realmente nos interessa. (NÚÑEZ in MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO, 2015, p. 40)

Assim como a autora dessa dissertação, o arquivista e técnico em Regulação da ANCINE, Yuri Queiroz Gomes, acredita que “na legislação vigente existem dispositivos que garantem a articulação de interesses dirigidos à preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.” (GOMES in MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO, 2015, p. 73) Nesse sentido, enquanto o Plano Nacional de Preservação Audiovisual e políticas públicas específicas para o setor não são aprovados, as legislações existentes podem ajudar as instituições a conseguir preservar os documentos sob sua guarda, assim como captar verbas para tal fim. Para exemplificar, no edital de captação de 2014, foram aprovados pela 224ª Reunião da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) 461 projetos de 526 submetidos às várias categorias abrangidas pela lei. Dentre esses projetos, foram aprovados na área cultural “Audiovisual” 46 projetos, sendo apenas um referente à preservação e difusão, que objetiva a recuperação do acervo “videográfico da TV Cultura de Itabira/MG”, composto por aproximadamente 1.750 fitas VHS, através da migração de suporte para formato digital, climatização de uma sala para a guarda do acervo e criação de um ambiente virtual para “consulta pública de todos os vídeos produzidos ao longo de anos de

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funcionamento da Emissora”, desde 1995.93 Como fazer exigências, se nem ao menos

aproveitamos – ou temos a dimensão de como funciona – esse tipo de mecanismo, que normalmente tem poucas submissões de projetos destinados ao tratamento e difusão de acervos de imagem em movimento? Não adianta apenas cruzar os braços e sonhar com um acervo perfeito, que receba verbas governamentais. É imprescindível pesquisar, intensificar a participação em eventos para fortalecer o setor, divulgar informações, fazer parcerias, e o mais importante, sensibilizar e exigir das gestões, nas mais diversas alçadas, apoio à causa. É nesse terreno que as políticas públicas surgem e projetos são viabilizados. Porém, é necessário que paixão e planejamento andem lado a lado para que essas relações se consolidem.

Espera-se que essa dissertação tenha servido de alerta para isso e que sejam estabelecidos novos acordos, estudos e pesquisas a partir dos questionamentos e alternativas que ela levantados. Que nossos filmes parem de ser “sepultados dentro de suas latas”, tornem-se públicos e acessíveis e que nos movimentemos para que sejam preservados e acessados. Um acervo que não é disponibilizado para acesso é sim, no pior entendimento do termo, um “arquivo/acervo morto”: sem vida e sem motivo para existir.

93 Os dados foram obtidos na consulta do sistema Salic (Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura) e no site da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade de Itabira (http://www.fccda.mg.gov.br/index.php/2013-03- 08-00-07-21/tv-cultura-de-itabira).

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