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3. TERMAL TESİS BÜNYESİNDE BULUNAN FİZİK TEDAVİ VE

3.3. Termal Tesislerde Bulunan FTR Merkezleri Mekân Tasarım Standartları

3.3.2. İç Mekân Tasarım Standartları

3.3.2.3. Tedavi Alanları

Em fins do século XVIII, ressurge o pensamento higienista com a noção de adaptação e a idéia de que tanto a vida quanto o meio ambiente tinham uma história. Deste modo, as condições naturais poderiam ser alteradas e o conhecimento das leis naturais permitiria reduzir o impacto da natureza sobre as pessoas. A Higiene torna-se especialidade médica no século XIX. Seu desenvolvimento pertence por igual à História Social e à História da Medicina. Neste sentido, progrediu como ramo científico mediante investigações, disciplinas, tratados e institutos especiais82.

Entre as preocupações da higiene, o seu campo de ação incluía distintas áreas do conhecimento, como a Antropologia, as teorias raciais, a Demografia, a influência do clima, a geografia das doenças, a Climatologia, as doenças infecciosas, a alimentação, os cuidados corporais, as condições de habitação, o saneamento urbano e rural, e a higiene das profissões. Desta maneira, à higiene, como disciplina médica, correspondia uma atividade que estava associada à visão de evolucionismo da sociedade.

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POTER, Roy. Les strategies thérapeutiques. In: GRMEK, Mirko (Org.). Histoire de la pensée médicale en

Occident. De la Renaissence aux Lumières. Paris: Éditions du Seuil, 1997. v. 2. p. 206-7. 81

LEMOS, Judith C.; LIMA, Samuel do C.A Geografia Médica e as doenças infecto-parasitárias. Caminhos de

Geografia, Uberlândia, 3(6), jun. 2002. Revista On Line. Instituto de Geografia UFU, p. 75. 82

A higiene pública surge neste período, quando o estado confere deveres a si próprio, combinando auxílios protetores e vigilância autoritária. Este foi um momento no qual a percepção do perigo de os pobres ameaçarem as outras classes sociais agudizou-se bruscamente. Tanto a assistência como a disciplina social adquiriram destaque, pois, ao se proteger a saúde de alguns, sobretudo os deserdados, que o investimento nacional conseguiria proteger e melhorar a saúde de todos83.

Convém que se recorde que o território da higiene pública consistia, em sua origem, em trabalhar a escória da sociedade, para melhor lhe dominar os perigos que poderiam ser tanto físicos , como as imundícies, esgotos e matadouros, quanto morais, como aqueles determinados pelo comportamento de estivadores e prostitutas. Assim a higiene construiu-se sobre a avaliação dos chamados flagelos sociais, isto é, as doenças decorrentes da miséria que propagariam a infecção, enfraquecendo-lhes os corpos. A união entre políticas públicas e saúde, vigilância e sanções atuaria sobre o homem, explicando a higiene pública como aquelas modificações impressas ao homem pelo Estado Social84.

A origem da disciplina Higiene é encontrada na Coleção Hipocrática. Em 1839, Littré publicou a obra bilíngüe greco-francesa Obras completas de Hipócrates. Vários escritos se referem às normas de higiene, tanto para o indivíduo são como para o enfermo, aludindo aos aspectos distintos e, em certo modo complementares, da vida grega: a alimentação e a ginástica85. A Climatologia Médica, presente nessa coleção, como foi visto anteriormente, foi retomada no século XIX, porém situa-se com uma maior vinculação entre a Medicina e o ambiente, dentro de uma patologia histórico-geográfica86.

Entre os fatores de bem-estar, preventivos ou curativos, estava a escolha do local de moradia. Invocando os ensinos hipocráticos, os apoiadores das teorias climatológicas e miasmáticas atribuíam às febres, intermitentes ou não, aos terrenos insalubres, aos vapores, à umidade, às exalações, e à ação prejudicial das águas paradas. Eram aconselhados aos doentes a mudança de ares ou de local de habitação. Outra estratégia terapêutica para recuperar a saúde eram os exercícios e, sobretudo, as viagens. A prescrição dessa última era proposta

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VIGARELLO, Georges. Espaço íntimo e espaço público. In: ______. História das práticas de saúde: A saúde e a doença desde a Idade Média. Lisboa: Lusomundo, 1999. p. 165.

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Ibid., p. 166-7. 85

BABINI, José. Historia de la medicina. Barcelona: Gedisa, 2000. p. 29-33.

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pelos médicos de antigamente com entusiasmo, unanimidade e provavelmente como uma forma de desespero – quando não se tinha mais o que fazer para o bem-estar do paciente87.

A Higiene comportava o estudo de todas as condições que assegurassem a prosperidade do indivíduo e da espécie, que as melhorassem moralmente e fisicamente, que favorecessem e ativassem a sua evolução. Dessa forma, esse saber não estava contido dentro do limite estreito da profilaxia das doenças. Assim, conservar a saúde do indivíduo, prevenir a doença e retardar o instante da morte seriam algumas das atividades do higienista. Nas suas rotinas, havia uma ênfase no seu poder de facilitador, graças ao aperfeiçoamento contínuo e planejado da humanidade que levaria ao progresso. Sua atenção não deveria se restringir somente às condições físicas e fisiológicas da existência do homem contemporâneo e do compatriota mas também englobar a evolução do homem na sucessão dos tempos e na variedade dos meios e dos climas88. Proust considerava que a supremacia e a vitória da luta pela existência pertenceria à raça branca, por ser mais bem dotada que as outras, e que o Novo Mundo, além de outras regiões do globo, lhe pertencia por inteiro. Neste sentido, a função do médico era enfatizada como “a necessidade de exercer e de desenvolver todas as faculdades humanas, de fortificar os corpos e de aguçar as inteligências”89.

Levando-se em consideração esses aspectos, infere-se que as tarefas do médico higienista apresentavam um viés de evolucionismo e de suporte ao colonialismo, característicos do período do final do século XIX e início do século XX.

O Tratado de Higiene Pública de Michael Levy (1844-5) assim como o Tratado de Embriologia Sagrada de Le Grand (1848) são exemplos de textos muito difundidos e sucessivamente traduzidos, que estavam ao alcance dos médicos do século XIX e que mantinham conceitos ultrapassados, utilizados por sanitaristas que não tinham acesso a informações mais atualizadas provenientes especialmente de Paris e Berlim90.

Para Andrade Lima, apesar do surto espetacular de desenvolvimento das ciências, da tecnologia e do advento da Medicina científica moderna que ocorre a partir da segunda metade do século XIX, o ideário prescrito nos compêndios de formação hipocrática

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POTER, Roy. Les strategies thérapeutiques. In: GRMEK, Mirko (Org.). Histoire de la pensée médicale en

Occident. De la Renaissence aux Lumières. Paris: Éditions du Seuil, 1997. v. 2. p. 208. 88

PROUST, A. Traité d’Hygiène. Paris: Masson et Cie. Éditeurs, 1904. p. 1. 89

Ibid., p. 11. 90

LA SANIDAD general o higiene pública. Disponível em: <www.cfnavarra.es/.../textos/temas_medicina/5_sanidad_española_XIX/05-la%20sanidad%>. Acesso em: 20 nov. 2006. p. 216.

permaneceram arraigados nas mentalidades; contribuíram fortemente para a formação da consciência médica popular e impregnaram os hábitos e as práticas da vida cotidiana91.

Um dos aspectos fundamentais do uso do relato de viagem como fonte é a sua vinculação com o período da história européia caracterizado pelo colonialismo. Este período relaciona-se diretamente a esse gênero literário, no que diz respeito à percepção do outro o que assegura a tensão necessária do relato de viagem, identificada pela “posição específica do colonizador: curioso para conhecer o outro, e seguro de sua própria superioridade”92. A sua interferência na Medicina e, em especial, na disciplina Higiene sustenta a visão imperialista da época que é encontrada no pensamento de Palombini e em sua prática médica no Brasil. Segundo Edward Said, ao final do século XIX, e com a maior parte do mundo imbuída do espírito imperial, a fatalidade da continuação do domínio colonialista europeu, um componente central de identidade cultural daquele continente revelou-se tanto nos campos culturais como nos científicos.93 Neste sentido, a Higiene apresenta-se como um exemplo de resposta às necessidades expostas acima.

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ANDRADE LIMA, T. Humores e odores: ordem corporal e ordem social no Rio de Janeiro, século XIX.

História, Ciências, Saúde - Manguinhos, (II) (3), nov. 1995; feb. 1996. 92

TODOROV, Tzvetan. Las morales de la Historia. Paidós: Barcelona, Buenos Aires, México, 1993. p. 101. 93

SAID, Edward. Cultura, identidad e história. In: SCRÖDER, Gerhart; BREUNINGER, Helga (Org.). Teoría

3 FATORES QUE FAVORECERAM A IMIGRAÇÃO ITALIANA

Uma ampla literatura disponível sobre a história social, política e econômica da Itália no século XIX dá conta da complexa rede de relações que está na origem do fenômeno imigratório94.