3. TERMAL TESİS BÜNYESİNDE BULUNAN FİZİK TEDAVİ VE
3.3. Termal Tesislerde Bulunan FTR Merkezleri Mekân Tasarım Standartları
3.3.2. İç Mekân Tasarım Standartları
3.3.2.2. Teşhis-Değerlendirme Alanları
A Geografia Médica é a disciplina que estuda a geografia das doenças, isto é, a patologia relacionada aos conhecimentos geográficos. Ela apresenta a importância do meio geográfico no aparecimento e na distribuição de uma determinada doença. Surge a partir dos séculos XVI e XVII, em decorrência do processo de expansão dos países imperialistas nas regiões tropicais, com fins de conquista e de colonização. Originou-se da necessidade de se conhecer a distribuição das doenças para a defesa dos povos indígenas e para oferecer melhores possibilidades de fixação aos colonizadores67.
Segundo Flávio Edler, pode-se encontrar as raízes da síntese entre as ciências ambientais (a Climatologia, a Meteorologia, a Topografia e a Geologia) e a Medicina, na filosofia natural do Século das Luzes. Considerações cosmológicas subjacentes ao modo pelo qual os sábios daquele período entendiam o impacto da natureza atuavam sobre a espécie humana e, reciprocamente, do homem sobre a natureza. Se, por um lado, havia um grande respeito pelo poder das leis naturais que beneficiariam a raça humana, por outro lado, os
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PROUST, A. Traité d’Hygiène. Paris: Masson et Cie. Éditeurs, 1904. p. 630. 66
BOURDELAIS, Patrice ; FAURE, Olivier. Le nouveau dans le domaine médical et sanitaire: objets, pratiques, logiques sociales. In: ______. Les nouvelles pratiques de la santé: acteurs, objets, logiques sociales (XVIIIe.- XXe. Siècles). Paris: Belin, 2005. p. 17.
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LEMOS, Judith C.; LIMA, Samuel do C.A Geografia Médica e as doenças infecto-parasitárias. Caminhos de
parâmetros físicos que afetariam os seres vivos podiam ser medidos, manipulados e conhecidos, tornando os seres vivos agentes de mudança68.
A Topografia Médica preocupava-se com os aspectos sociais e higiênicos do ambiente, incluindo na investigação médica as características físicas e geográficas da região, elementos da flora e da fauna, fontes de água, estilo de vida e ocupação dos habitantes, as instituições da cidade, as condições sanitárias, o número de habitantes, o padrão de natalidade e de mortalidade e, finalmente, as doenças prevalentes69.
É oportuno mencionar que a antiga noção de que todo o ser vivo dependia do seu meio, originada do pensamento retomado de Hipócrates70, tornou-se um axioma que contribuiu para o desenvolvimento de várias especialidades científicas durante o século XIX. Entre elas citam-se os evolucionismos lamarkista e darwinista, a Biogeografia, a Climatologia Médica ou tradição neo-hipocrática, a Fisiologia, a Antropogeografia e a Mesologiaa71.
Pode-se dizer que o texto Dos ares, das águas e dos locais é o primeiro tratado de Climatologia Médica da literatura mundial e também o primeiro tratado de Antropologia. Escrito para um médico itinerante que chega a uma cidade desconhecida, esta obra dispõe os fatores que o médico deve observar no tratamento das doenças mais freqüentes. Segundo Jacques Jouanna, a saúde e a doença dos homens dependeriam não somente da maneira como viviam, mas sim de toda uma sorte de fatores naturais que se impunham. As influências, como os fatores locais, a orientação solar ou de vento da cidade, a qualidade das águas e do solo, produziriam efeitos sobre os indivíduos que sobreviveriam e reagiriam segundo a função de sua natureza, do sexo e da idade. Esta Medicina que é chamada meteorológica, devido à sua influência sobre a saúde e a doença, repousa na idéia que o homem é solidário ao meio
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EDLER, Flávio C. De olho no Brasil: a Geografia Médica e a viagem de Alphonse Rendu. História, Ciências,
Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 8, p. 928, 2001. 69
BARRETO, M. R.; ARAS, L.M.B. Salvador, cidade do mundo: da Alemanha para a Bahia. História, Ciências,
Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 10, n. 1, p. 163, jan.-abr. 2003. 70
É do século V a.C. a obra de Hipócrates Dos ares, das águas e dos lugares. Nesta época Hipócrates já demonstrava a relação dos fatores com o surgimento das doenças. Esta obra foi o primeiro esforço instituído para apresentar as relações causais entre fatores do meio físico e doença; foi por mais de dois mil anos, o terreno teórico para a compreensão das doenças endêmicas e epidêmicas, termos até hoje utilizados. Ver: LEMOS, Judith C.; LIMA, Samuel do C.A Geografia Médica e as doenças infecto-parasitárias. Caminhos de
Geografia, Uberlândia, 3(6), jun. 2002. Revista On Line. Instituto de Geografia UFU, p. 74. 71
geográfico e climático aonde ele vive72. Para Carlos Antonio Gottshall, este determinismo do meio sobre o homem explicaria as diferenças físicas e políticas entre os povos73.
Até a metade do século XIX, antes do desenvolvimento dos trabalhos de Pasteur, acreditava-se que a aparição epidêmica de certas doenças era determinada por fatores telúricos e metereológicos, próprios a cada região. Desta maneira, a Geografia e a História eram as principais áreas para compreender as mudanças peculiares das doenças prevalentes. A concepção da Geografia pregada a partir de Alexander von Humboldt e Karl Ritter, deu nascimento no início do século XIX a um ramo biomédico desta ciência ao procurar as leis que explicassem a atuação do meio sobre as características do corpo e do espírito humano. Apesar desta visão romântica conduzir seguidamente a conclusões muito gerais, os médicos e geógrafos da primeira metade do século XIX reuniram uma massa importante de informações sobre a história e a distribuição geográfica das doenças74.
Convém sublinhar que a historiografia sobre as causas ambientais das doenças mantinha uma orientação empiricista. Os naturalistas que se aventuravam em expedições a países tropicais, os médicos de província e os membros correspondentes de sociedades científicas eram incentivados a reunir um volume crescente de dados climatológicos e nosológicos que trariam benefícios aos empreendimentos futuros das nações mais importantes. De acordo com Flávio Edler, o protocolo destas observações, baseado na tradição neo-hipocrática, também chamado de Climatologia Médica, avaliava as influências do meio, a maneira de vida do doente e a reação dos indivíduos àquele. 75 O médico utilizava a terminologia das causas etiológicas que definiam as alterações da saúde. Deste modo eram examinados os itens circunfusa, o ingesta, excreta, percepta, applicata e, por fim, os gesta76.
O texto Tratado de Embriologia Sagrada de Le Grand de 1848 explicita a nomenclatura acima citada que se baseia na concepção de etiologia das doenças. Desta forma, as doenças dividiriam-se em causas próximas, remotas, predisponentes e determinantes. As causas determinantes, divididas em seis classes classificatórias (circunfisa, ingesta, excreta,
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JOUANNA, Jacques. La naissance de l’art médical occidental. In: GRMEK, Mirko (Org.). Histoire de la
pensée médicale en Occident. Antiquité et Moyen Age. Paris: Éditions du Seuil, 1995. v. 1. p. 42. 73
GOTTSCHALL, Carlos Antonio M. Medicina hipocrática: antes, durante e depois. Porto Alegre: Stampa, 2007. p. 41.
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GRMEK, Mirko D.; SOURNIA, Jean-Charles. Les maladies dominantes. In: GRMEK, Mirko. (Org.). Histoire
de la pensée médicale em Occident. Du romantisme à la science moderne. Paris: Éditions du Seuil, 1998. v. 3.
p. 276.
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EDLER, Flávio C. De olho no Brasil: a Geografia Médica e a viagem de Alphonse Rendu. História, Ciências,
Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 8, p. 928, 2001. 76
percepta, aplicata e gesta) seriam as que produziriam a doença ao achar o corpo predisposto a contraí-la77.
As origens desta terminologia remontam a Galeno. Para esse médico grego, cuja importância persistiu até o século XIX, as causas etiológicas das doenças poderiam ser internas ou externas. Entre elas, a mais importante era a ação do ar ambiente. Para se prevenir contra os riscos e se chegar a uma idade avançada, era preciso seguir as normas da higiene, essencialmente se ocupar da vigília e do sono, do exercício e do repouso, da fome e da sede, dos alimentos e da bebida. Estas noções tornar-se-iam canônicas na Antigüidade tardia sob o nome de sex res non naturales. No meio bizantino, começou-se a atribuir a saúde ao bom uso dos seis elementos não-naturais: ar/meio, exercício/repouso, alimentos/bebidas, sono/vigília, evacuação/repleção e as paixões78.
A Medicina humanista no período do Iluminismo aconselhava um modo de vida que considerava o ar que se respirava, as normas dietéticas, as excreções, o sono, o exercício físico e o controle das paixões. Estes fatores ditos ”não naturais” eram essenciais, a fim de se evitar os acontecimentos “contranaturais” (como se chamavam comumente as doenças), ou para remediá-los, caso a pessoa já os tivessem. Aqui, os meios terapêuticos que tinham por objetivo tradicionalmente a restauração do equilíbrio dos humores, deveriam auxiliar o poder curativo da natureza, o vis medicatrix naturae próprio a todo indivíduo79.
Se levarmos em conta a saúde como a manutenção do equilíbrio e de uma harmonia natural, o pensamento tradicional determinava a utilização preventiva e terapêutica de diferentes procedimentos considerados naturais, notadamente a dieta, as sangrias e os banhos. Estes métodos, já recomendados pelos médicos da Antigüidade, tinham obtido a aprovação dos grandes autores islâmicos e foram transmitidos durante a Idade Média ao Ocidente. Era salientada a importância da non naturalia para manter e para se recuperar a saúde, recomendando-se especialmente a sangria como estratégia terapêutica. É sugestivo comentar que o controle do regime já era considerado algo de relativa importância. Ele fazia parte da dieta, termo que englobava tradicionalmente mais aspectos que a nutrição; o termo grego
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PAIVA, Verônica. Medio ambiente urbano: Una mirada desde la historia de las ideas científicas y las profesiones de la ciudad. Buenos Aires 1850-1915. Disponível em: <http://revista urbanismo.uchile.cl/n3/indice.htlm#a>.
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SOTRES, Pedro Gil. Les régimes de santé. 1 In: GRMEK, Mirko (Org.). Histoire de la pensée médicale en
Occident. Antiquité et Moyen Age. Paris: Éditions du Seuil, 1995. v. 1. p. 259-60. 79
POTER, Roy. Les strategies thérapeutiques. In: GRMEK, Mirko (Org.). Histoire de la pensée médicale en
diaita refere-se, pois, a um estilo de vida composto pela alimentação, pela ingestão de líquidos e pelo modo de vida em geral80.
A Geografia Médica sofreu um declínio a partir das últimas décadas do século XIX, devido às pesquisas de Louis Pasteur sobre a etiologia bacteriana das moléstias infecciosas que atribuíram as doenças exclusivamente a situação de penetração e a multiplicação do agente causal. Com esses estudos, o conjunto das causas que atuariam sobre o ser humano sadio e enfermo, e as influências do ambiente perderam a importância que vinham assumindo. A partir de 1900, a Geografia Médica perde importância e poucas obras sobre este tema são publicadas. No Tratado de Higiene do médico italiano Pagliani, traduzido no Brasil em 1913, ainda são estudados, de forma proeminente, a questão dos solos, das águas e dos ambientes em relação à Saúde Pública81.