• Sonuç bulunamadı

Tedarik Zinciri Yönetimi Performansını Yönlendirici Unsurlar

KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE TEDARİK ZİNCİRİ YÖNETİMİ

2.1. TEDARİK ZİNCİRİ PERFORMANS

2.1.3. Tedarik Zinciri Yönetimi Performansını Yönlendirici Unsurlar

Ao montarmos nosso banco de dados, colocamos como um dos elementos a serem coletados os parentes (avós, pais, irmãos, filhos, etc.) e suas respectivas profissões. Ao totalizarmos os dados conseguimos informações de 26 integrantes43 da elite política, no que tange às profissões dos seus parentes.

Tabela 1: PROFISSÃO DE PARENTE segundo o número de ocorrências e porcentagem no período de 1930-193744 Profissão Período 1930-1937 de parente Percentual Político 10 38,5 Militar 07 26,9 Estancieiro 01 3,8 Funcionário público 02 7,7 Desembargador 01 3,8 Advogado 01 3,8 Militar e político 01 3,8 Militar e estancieiro 01 3,8

Funcionário público e político 02 7,7

Total 26 100,0

Fonte: Todas as tabelas foram confeccionadas a partir do Banco de Dados intitulados Quadro de integrantes da

elite política do Rio Grande do Sul. Esses Quadros são divididos em três anexos: Anexo I referente ao período

de 1930-1937, anexo II referente ao período de 1937-1945 e Anexo III do período 1945-1947. Sempre que não indicado de outra maneira, esses anexos serão a referência básica para os cálculos das tabelas referentes à elite política.

43 Consideramos elevado o número de pessoas – 26 integrantes – dos quais conseguimos informações, pois uma

das limitações do método prosopográfico é a insuficiência de dados, conforme advertência do professor Lawrence Stone, retomada por Peter Burke. Mais detalhes desses comentários ver em BURKE, Peter. Veneza e

Amsterdã: um estudo das elites do século XVII. São Paulo: Brasiliense, 1991, p. 15-24.

44 Esta tabela segue a seguinte lógica: como parâmetro, toma-se o integrante da elite política e vê-se qual a

profissão que seus parentes tiveram, nomeando uma ocorrência, mesmo que tenha avô, pai, irmão, tio, dentre outros, na mesma profissão; no caso de um integrante ter dois parentes com profissões diferentes nomeiam-se uma ocorrência e as duas profissões. Portanto, quando constarem duas profissões, cada uma refere-se a um parente.

Desse total, tivemos dois índices: 10 foram políticos e 7 militares. Um número revelador que não surpreendente para o Rio Grande do Sul, pelas características de ocupação do território gaúcho por militares, os quais se constituíram estancieiros e ocuparam o poder político no Rio Grande do Sul.45

Ernesto Seidl, ao analisar os padrões de recrutamento e de seleção das elites do Exército no período de 1850-1930, destaca que no período compreendido entre 1890-1930, tivemos 13 generais ocupando cargos políticos, dentre os quais três governadores; um vice- governador; três interventores; e seis deputados.46

Vejamos alguns exemplos desses parentes dos políticos gaúchos que estavam ligados à política.47

Augusto Simões Lopes era filho de João Simões Lopes, sendo este presidente da província do Rio Grande do Sul em 1871, além de ser coronel e estancieiro em Pelotas. Seu tio, Ildefonso Simões Lopes, foi deputado federal. Seu irmão, Ildefonso Simões Lopes (com o mesmo nome do tio), foi deputado estadual, deputado federal e ministro da Agricultura, Indústria e Comércio, casado com Clara de Sampaio, filha de desembargador, e ministro do Supremo Tribunal Federal. Outro irmão, Ismael Simões Lopes, foi deputado estadual. Com todo este capital familiar passou também o seu legado ao filho Luis Simões Lopes, que foi um dos organizadores e presidente do DASP, também fundou e presidiu a Fundação Getúlio Vargas. Outro que acabou entrando para a política foi seu sobrinho, Ildefonso Simões Lopes Filho, que foi deputado estadual – uma família que teve vínculos com a política rio-grandense desde meados do século XIX – e que acabou por pertencer ao PRR, e após 1930 apoiou o

45 Letícia Bicalho Canêdo efetuou um estudo sobre os modos de transmissão de um capital político familiar em

Minas Gerais a partir de uma genealogia publicada por Waldemar Alves Pequeno, intitulada Raízes Mineiras e

Cearenses. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1970, que reconstituiu a descendência de sua trisavó, Balbina Honória Severina Augusta Carneiro Leão (1797-1874) até 1970. O objetivo de Letícia é trazer elementos para ajudar a pensar a noção de duração em política. Alem de discutir também a genealogia como instrumento político (CANÊDO, Letícia Bicalho. A produção genealógica e os modos de transmissão de um capital político familiar em Minas Gerais. In: Brasil genealógico: revista do Colégio Brasileiro de Genealogia. Rio de Janeiro: MIRGraph, n. 3, 2003, p. 9-37, tomo 4). Esse estudo, que aborda um longo período – imperial e republicano –, consegue apontar o jogo dos interesses familiares ligados aos postos da administração do Estado. A nossa pesquisa por ficar restrita a um curto período – 1930-1947 –, não se propõe a tal empreendimento investigativo como o de Letícia Canêdo, o que acreditamos que é possível empreender em pesquisas futuras, pois nossos dados apontam indícios do capital familiar como importante na carreira política da elite política rio-grandense.

46 SEIDL, Ernesto. A espada como “vocação”: padrões de recrutamento e de seleção das elites do Exército no

Rio Grande do Sul (1850-1930). Porto Alegre: UFRGS, 1999. p. 194. (Dissertação de Mestrado).

47 As ocupações desses integrantes geralmente aparecem com mais de uma. Por decisão nossa optou-se por uma

governo Getúlio Vargas.48 Eis um exemplo típico de herança familiar recebida e transmitida, que poderia ser visto como um modelo na política rio-grandense do Império até a República Velha, avançando posteriormente à década de 1930.

Outro exemplo é o de Francisco Antunes Maciel Júnior, também natural de Pelotas. Seu pai, Francisco Antunes Maciel, foi ligado ao Partido Liberal, sendo deputado (1881- 1889), ministro do Império, líder do Partido Federalista, tendo participado da revolução federalista (1893-1895). Devido à derrota, foi exilado no Uruguai; e, novamente, deputado federal (1906-1911). Seu irmão, Artur Antunes Maciel, foi interventor em Mato Grosso (1931-1932). Sua mãe, Francisca de Castro Moreira Maciel, era filha do Barão do Butuí.49

E, finalmente, o exemplo de Getúlio Vargas, natural de São Borja. Evaristo José Vargas, seu avô paterno, participou da Guerra do Paraguai como voluntário. Serafim Dornelles, avô materno, foi major de milícias, comerciante e um proeminente estancieiro em São Borja. Manuel do Nascimento Vargas, seu pai, participou da guerra do Paraguai como cabo e terminou-a como tenente-coronel. Após ter se desligado do exército, estabeleceu-se como fazendeiro, sendo que no final do Império tornou-se líder político do PRR. Participou da Revolução Federalista, quando teria combatido as tropas de Dinarte Dornelles (tio materno de Getúlio Vargas). Após a vitória dos republicanos, Manuel recebeu uma promoção de coronel e de general-de-brigada, e, em 1907, passou a ser intendente de São Borja, cargo ocupado depois por dois de seus filhos, Viriato e Protásio (irmãos de Getúlio Vargas).50

A continuidade da participação na política brasileira da família Vargas continuou: seu filho, Lutero Sarmanho Vargas, foi um dos fundadores do PTB, deputado federal pelo distrito federal (1951-1959), deputado constituinte na Guanabara (1961), depois embaixador em Honduras (1962) e no México (1963); sua filha, Alzira Sarmanho Vargas foi auxiliar de gabinete da Presidência da República (1937-1945) e casada com Ernani do Amaral Peixoto, passou a assinar-se Alzira Vargas do Amaral Peixoto, assumindo após a morte de sua mãe, em 1968, a presidência da Casa do Pequeno Jornaleiro; seu filho Manuel Antonio (Maneco) Sarmanho Vargas foi prefeito de Porto Alegre (1958-1960). Além de seus filhos, ainda Válder de Lima Sarmanho, irmão de Darci Vargas, atuou no Gabinete Civil da Presidência da

48 Os dados biográficos foram retirados do nosso Banco de Dados intitulado Quadro de integrantes da elite

política do Rio Grande do Sul, em anexo.

49 BELOCH, Israel; ABREU, Alzira Alves de (Orgs.). Dicionário histórico-biográfico brasileiro: 1930-1983.

Rio de Janeiro: Forense Universitária, FGV/CPDOC, FINEP, 1984, p. 1998.

República (1930-1939), embaixador do Brasil no Uruguai (1958-1963) e no Peru (1963- 1964). Seu primo, Ernesto Dornelles, foi interventor no Rio Grande do Sul (1943-1945), deputado constituinte (1946), senador pelo Rio Grande do Sul (1946-1951), governador (1951-1955) e ministro da Agricultura (1956). Manuel do Nascimento Vargas Neto, filho de Viriato, irmão mais velho de Getúlio, foi deputado federal (1946-1951); outro filho de Viriato, Serafim Dornelles Vargas, além de militar foi prefeito de São Borja.

Já a outra geração, Cândida Ivete Vargas Martins, neta de Viriato, foi deputada federal por São Paulo (1951-1969) e presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).51

Ainda na família Vargas, Ernani do Amaral Peixoto, genro de Getúlio, foi interventor no Rio de Janeiro (1937-1945), presidente do Partido Social Democrático (PSD), de 1952 até 1965, governador do Rio de Janeiro (1951-1955), embaixador do Brasil em Washington (1957-1959), ministro da Viação (1959-1961), ministro extraordinário da Reforma Administrativa (1963), deputado federal (1963-1971) e depois senador.52 Conforme verbete atual disponível no site do CPDOC,

Celina Vargas do Amaral Peixoto, filha de Alzira e Ernani Amaral Peixoto, tornou-se chefe do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getúlio Vargas desde sua criação em 1973 até 1990, diretora do Arquivo Nacional, de 1980 a 1990, e superintendente e depois diretora-geral da FGV de 1990 a 1997. Foi casada com Wellington Moreira Franco, deputado federal pelo Rio de Janeiro de 1975 a 1977, governador do Rio de Janeiro de 1987 a 1991 e novamente deputado federal de 1995 a 1999.53

Esses dados demonstram que cinco gerações da família de Getúlio Vargas passaram pela política brasileira, e isto foi resultado de uma herança no processo de ocupação das terras no Rio Grande do Sul, no qual o tripé militar/estancieiro/político era um modelo para constituírem-se figuras proeminentes. Ou seja, participar do exército, tornarem-se pessoas de posse de terras e por extensão com poder político, padrão esse que iremos analisar no capítulo 3, em termos da continuidade ou não, desta característica, no Rio Grande do Sul.

Também teremos exemplos em que os pais tiveram a ocupação de estancieiro, como é o caso do pai de Joaquim Francisco Assis Brasil, Francisco de Assis Brasil. Seu irmão, Ptolomeu de Assis Brasil, foi militar e atuou como interventor em Santa Catarina (1930-

51 BELOCH, Israel; ABREU, Alzira Alves de (Orgs.). Op. cit., 1984, p. 3504. 52 Id., ibid., p. 3504.

53 VERBETE DE GETÚLIO VARGAS. Disponível em: <http://www.cpdoc.fgv.br>. Acesso em: 5 mar. 2004.

1932). E foi cunhado de Júlio de Castilhos, pois casou com Cecília Prates de Castilhos, sua primeira esposa.

Poderíamos citar outros exemplos, porém, a elite política se caracteriza a partir do vínculo com o tripé militar/estancieiro/político, conforme mostram os dados coletados sobre os parentes dos integrantes da referida elite. Somente dois integrantes da elite política não tiveram parentes ligados às atividades de militar/estancieiro/político, que foram: Antonio Augusto Borges de Medeiros, seu pai foi desembargador, e Paulo Germano Hasslocher, seu pai exerceu as atividades de advogado, fugindo ao padrão analisados anteriormente.

Joseph Love, que tem como objetivo o estudo do Rio Grande do Sul e o seu papel na política nacional durante a República Velha, escreve:

De maneira geral, entretanto, os estancieiros continuaram a dominar o Rio Grande do Sul durante a República, assim como no Império. Ao mesmo tempo, a nova constelação de poder refletiu-se, em termos regionais, sobre a elite política. Nas posições, em outros tempos ocupadas em sua maioria por líderes políticos vindos da Campanha, assentavam-se cada vez mais, agora, os naturais da Serra. Uma conseqüência relacionada com o fato traduziu-se em nova aliança entre o Litoral e a Serra, substituindo as ligações próximas entre a Campanha e o Litoral. Esta mudança, porém, somente aos poucos se tornaria aparente, conforme a Serra e o Litoral fossem aumentando sua liderança em relação à Campanha, em população e crescimento econômico.54