I. BÖLÜM
5.2. TARTIġMA
Os orgãos ressoadores são, fundamentalmente, a faringe, o véu do palato, a boca e as fossas nasais. Cada uma destas estruturas apresenta-se com características específicas para o trato da voz.
Figura 5: Localização dos orgãos fonadores durante a fala e o canto Fonte: Dimon (2011, p.77) Palato duro Palato mole Nasofaringe Orofaringe Cavidade nasal Cavidade oral Dentes Ponta da lingua Lingua Laringe e faringe Epiglote
28 CAPÍTULO II
A faringe é um canal irregular músculo-membranoso situado entre o esófago e a boca com a cavidade bucal, fossas nasais e laringe. Apresenta dois tipos de músculos, os constritores, responsáveis pela redução do seu diâmetro transversal, e os músculos elevadores que movimentam a faringe no sentido longitudinal.
A faringe comunica com a cavidade bocal pelo véu do palato que prolonga para baixo e para trás a abóbada palatina. Os músculos do véu do palato são importantes no movimento do abaixamento/elevação da faringe e laringe, fazendo o mesmo para a língua. Atuam também na diminuição do diâmetro do canal entre a faringe e a boca. A boca, em conjunto com os lábios, língua, dentes e abóbada palatina, constitui um orgão que funciona na articulação das palavras, na projeção dos sons que ajudam na comunicação.
As fossas nasais são orgãos que comunicam com a faringe (rinofaringe) e são também considerados ressoadores. Estes fazem a comunicação com as cavidades ocas – os seios nasais - que permitem o ressoar dos sons, promovendo vibrações, ajudando assim a controlar o trabalho vocal mais eficazmente (Dimon, 2011, pp.71-72. ).
Figura 6: Ressoadores humanos - são a capacidade vocal que é parecida com um trompete Fonte: Dimon (2011, p. 77)
2.2.3 Os Pulmões
Os pulmões, orgãos que pertencem ao sistema respiratório, são os reservatórios de ar importantes para a fonação.
Para haver produção vocal é necessário que o ar atravesse todos os canais até às cordas vocais, promovendo a sua vibração e assim o som. A quantidade de ar expirado necessária à produção vocal designa-se por sopro fonatório (Vieira, 1996, p.65).
Para haver uma respiração correta, é também necessário haver músculos ao nível da caixa torácica que permitam o aumento e a diminuição desta durante a entrada e saída de ar- inspiração/expiração. Os pulmões encontram-se protegidos por ossos (costelas, esterno, coluna vertebral) e músculos que se complementam durante esses movimentos respiratórios. Para além dos músculos que envolvem e ligam o esqueleto, existe o diafragma que separa o torax do abdómen, e ajuda também durante o processo respiratório. Os músculos respiratórios são os intercostais (externo e interno) e os músculos abdominais (responsáveis pelo sopro abdominal durante a respiração) (Vieira, 1996, pp.65-67).
Através do estudo da morfologia e fisiologia do aparelho fonador podemos compreender o processo fonador. Ao longo do desenvolvimento do ser humano, desde que o bebé é concebido até nascer, há uma quantidade enorme de alterações morfológicas que irão acabar por amadurecer desde que a criança nasce até à vida adulta, envolvendo assim diferentes processos e formas de trabalho para o processo da fonação e do canto.
2.3 – Desenvolvimento do Aparelho Fonador
Durante o desenvolvimento embrionário/fetal, na gestação, os orgãos fonadores, bem como todos os outros, apresentam diferentes e diversas etapas para se multiplicarem e diferenciarem funcionalmente (Williams,2003, p.25).
Crê-se que o bebé consegue ouvir e perceber alguns sons durante a gestação. Pensa-se que toda a música que a mãe ouça e a alegre, promoverá o aumento de produção de hormonas que enviam mensagens felizes ao bebé. Quando o bebé nasce, a única forma de comunicar é o choro, que pode ser ouvido e interpretado de acordo com a sua frequência e o tom ser mais ou menos agudo. Por exemplo, à medida que a criança se vai desenvolvendo, a sua comunicação acaba por melhorar mostrando uma evolução e amadurecimento do seu sistema nervoso (Williams, 2013, p.26).
Segundo Williams (1996, pp.27-28) para compreender a voz de uma criança/adolescente/adulto é fundamental perceber a evolução e alterações que o recém- nascido vai sofrer durante o seu crescimento. Sabe-se que a comunicação do bebé é geralmente pelo choro até que começa a balbuciar alguns sons até se poder exprimir
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pela fala. Assim, todo o aparelho fonador tem, de uma forma geral, todos os orgãos fonadores de um adulto, apenas se distinguem pela sua posição e maturação dos tecidos celulares (Williams, 2013, pp.27-28).
No início, a posição da laringe encontra-se a um nível superior ao queixo, pois é uma vantagem para a sua forma de alimentação, a amamentação, pois dessa forma melhora a eficácia na obtenção do leite materno. Também os pulmões têm menores dimensões, e as suas costelas estão colocadas numa posição mais horizontal do que nos adultos. Também porque as crianças estão a crescer, o seu metabolismo é maior do que no adulto, e isso leva a que tenha mais movimentos respiratórios por minuto, pois as células necessitam de mais oxigénio para o seu metabolismo. À medida que a criança se desenvolve, o tamanho dos pulmões aumenta e a caixa torácica toma uma posição mais vertical (Williams, 2013, pp.28-29).
The vocal tract is still short. Although the position of the larynx is descending relative to the neck or the cervical vertebrae, this can’t happen overnight and as a process takes several years. The seven cervical vertebrae, or bones of the neck, are useful marker for larynx height (Williams, 2013, p.29).
O aparelho vocal também apresenta diferentes características promovendo limitações vocais. Relativamente à laringe e respetivas cartilagens elas têm posicionamentos diferentes, tendo menos mobilidade e sendo mais moles. À medida que o seu desenvolvimento se processa, esse posicionamento e firmeza vão alterando até chegar à idade adulta.
Como as cartilagens são mais moles, a sua mobilidade é menor e por isso as crianças têm dificuldade em realizar coloraturas, bem como a altura a que chegam nos vocalizos é reduzida e, muitas vezes gritam, em vez de cantar mais agudo (Vieira, 1996).
Esta maturação do aparelho vocal dura vários anos, pois é uma maturação lenta e é o crescimento do esqueleto (ossos da coluna vertebral - vértebras) que ajuda na modificação/ maturação deste aparelho. Assim, conforme se pode observar na Tabela I, o posicionamento da laringe relativamente às vértebras cervicais vai sendo alterado.
Periodo de crescimento Vértebra onde se posiciona a laringe
Infância C3
Criança (7-12anos) C3- C6
Adulto C6/ C7
Quadro I: Posicionamento da laringe relativamente às vértebras cervicais Fonte: Williams, 2013, p.29