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Este elemento, que o longo do resto da dissertação irá ser referido como o

Body of Knowledge ACM-A (devido ao facto de ser existir no apêndice A do

documento ACM CC2001), além de ser simplesmente um corpo de conhecimento que representa um conjunto de conceitos, termos, etc., da área CS, deverá também ser encarado como um modelo para recolha desta mesma informação, que possa evoluir e ser “ligado” ou relacionado a outros aspectos das disciplinas e dos cursos.

Essencialmente o CC2001 estabelece uma hierarquia com 3 níveis, onde o 1º nível se refere a áreas de conhecimento (areas), o 2º nível a unidades de conhecimento dentro das áreas (units) e o 3º nível como tópicos de conhecimento dentro das unidades (topics). Cada unidade de conhecimento terá adicionalmente objectivos de aprendizagem (learning objectives ou LOs). Utilizando uma nomenclatura mais “livre”, sem nenhuma definição específica, pode-se visualmente entender esta hierarquia como:

AREA → UNIT → ( TOPIC | LearningObjectives )

Uma área, que é o topo da hierarquia do BoK CS ACM-A, entende-se por área de conhecimento dentro da ciência de computação. Como exemplo, a área de estudo de algoritmos e complexidade [59] [60], é representada no BoK ACM-A por um elemento com o nome “AL. Algorithms and Complexity”, que englobará um conjunto de informação (units e topics) sobre essa mesma temática. Uma

area é sempre constituída por units, que representam conceptualmente módulos

temáticos individuais [29] dentro dessa área. Segundo o proposto no CC2001, estas são também a principal forma para indicação das temáticas a abordar dentro das disciplinas dos cursos. Como exemplo, dentro da área referida atrás, existem no BoK ACM-A várias unidades, “AL1. Basic algorithmic analysis”, “AL2.

Algorithmic strategies”, etc.., que seguirão sempre a nomenclatura das 2 letras

identificativas da sua area e um número. Veja-se Figura 2.11 um overview do BoK do apêndice A, onde se apresentam as 14 areas e respectivas 132 units [29]. De imediato se verifica na figura que há 2 pormenores interessantes, o facto de algumas units estarem sublinhadas e o facto de se referirem horas nas mesmas. O sublinhado indica que o CC2001 propõe que estas units sejam core units, ou seja, aquelas em que há um consenso alargado que o seu material é essencial para todos os alunos que frequentam cursos do 1º ciclo na área CS, sendo portanto necessárias para todos os alunos de todos os cursos. Aquelas não sublinhadas não fazem parte do core e deve ser referidas como elective units. Isto não significa que são menos importantes, mas apenas que não houve um consenso nos autores CC2001 acerca da sua obrigatoriedade para todos os alunos e cursos. Note-se que as core units não são necessariamente referentes a disciplinas introdutórias, nem são suficientes para um currículo CS completo, sendo necessário incluir as outras units para se estabelecer um curso do 1º ciclo (de acordo com o CC2001, sua escolha variará naturalmente conforme o tipo de curso, área de foco, a instituição, etc.). Nas core units foram também identificadas horas, que corresponderão a uma métrica de esforço referente ao tempo mínimo necessário para abordar e apresentar os temas da unit numa aula de formato padrão. O CC2001 refere que se pretende que esta medida seja encarada mais para efeitos comparativos, não obrigado ou recomendado o formato aula padrão, salvaguardando que estas horas apenas reflectem o tempo mínimo para passagem de conhecimento ao aluno e que as mesma não incluem tempo consumido fora da aula, quer para o aluno na aprendizagem, quer para o professor, na produção de conteúdos. Refere-se com recomendação geral que o esforço fora das aulas é aproximadamente 3 vezes o tempo do consumido nas aulas.

Figura 2.11 – Body of Knowledge CS – Areas e Units (core a sublinhado)

A apresentação da informação no BoK está centrada à volta das units, estando as mesmas organizadas por secções correspondentes às areas respectivas. Cada

unit respeitará o formato representado na Figura 2.12, que utiliza como exemplo

a unit “IM3. Data Modeling” da area “IM. Information Management”.

Figura 2.12 – Bok ACM-A unit IM3. Information Management

Cada unit terá associado então, além da identificação se é core ou elective e as respectivas horas caso seja, um conjunto de topics e de learning objectives.

O conceito topic, que é o final da hierarquia BoK ACM, representa o “grão mais fino” do conhecimento CS e corresponde à divisão em tópicos temáticos da

unit respectiva. Note-se que o CC2001 não considera nenhuma nomenclatura em

particular para referenciar os topic dentro das units, sendo por isso viável assumir que o CC2001 considera que o nível mais baixo para referenciação externa será

unit.

O conceito learning objectives (LOs), como o nome indica, representa objectivos de aprendizagem que, estando ligados a uma unit em particular, podem ser entendidos como capacidades, competências, skills10, etc., que um aluno adquire, após frequentar ou concluir uma disciplina que aborde essa unit em particular. Além do exemplo da Figura 2.12 anterior, considere-se também

unit “AL1”, onde se indicam vários objectivos, “1. Explain the use of big O, omega, and theta notation to describe the amount of work done by an algorithm”,

“2. Use big O, omega, and theta notation to give asymptotic upper, lower, and

tight bounds on time and space complexity of algorithms”, etc. Note-se que

inversamente ao conceito topic, os LOs estão identificados com números dentro de unit, sendo por isso possível referi-los externamente. Por fim, um aspecto bastante interessante a reter é o facto de rapidamente se perceber pelos seus textos, que estes englobam skills de diversos tipos, sejam de conhecimento (ou do “saber”), sejam práticas (ou do “fazer), ou mesmo soft-skills. Verifica-se então aqui uma ligação à orientação da definição dos cursos, conforme uma das preocupações de Bolonha, ou seja, a componente competência dos alunos.