BÖLÜM 2: CUMHURİYET DÖNEMİNE KADAR TÜRK ŞİİRİNDE
2.4. TANZİMAT DÖNEMİ ŞİİRİNDE “GÜL” İMGESİ
As ciências sociais vêm observando diversos movimentos que visam aproximar as análises entre estrutura e agência, cuja capacidade, no interior de diversas correntes de análise, recairia sobre os indivíduos. Na literatura clássica, as respostas a essa questão assumiram perspectivas diferentes nas obras clássicas de Émile Durkheim e de Max Weber (SCHATZKI, 2005).
Para Durkheim, a compreensão da realidade se dá ao considerar a sua natureza como um todo, e não a dos indivíduos. Apesar de os indivíduos serem os portadores da ação, a eles se atribui pouca importância analítica, uma vez que grupos, classes
e instituições representam a concretude dos fenômenos sociais, estes, sim, merecedores da atenção dos sociólogos. Um conceito fundamental que explica esta importância dada às estruturas como base para o entendimento da realidade social é o de solidariedade orgânica, um conjunto de crenças e sentimentos comuns partilhados pelos membros de uma mesma sociedade.
Por outro lado, Weber é vinculado ao individualismo metodológico. Sem que isto signifique abraçar uma visão atomista, há a crença de que todos os fenômenos sociais, em princípio, podem ser reduzidos analiticamente ao nível dos indivíduos. A ação social orienta-se pela ação dos outros, e uma ação só existe enquanto ação social quando orientada pela conduta dos outros, quando o mesmo significado é partilhado pelos envolvidos.
Esta discussão epistemológica tem gerado novas tentativas de aproximação nos últimos anos. Há, na sociologia de Bourdieu, propostas de superação do dilema agente-estrutura, através da utilização de princípios metodológicos que visam reconhecer que os agentes têm a capacidade de mudar as regras do jogo, de transformar as estruturas e de criar novas instituições e formas organizativas, ao passo em que também têm seus comportamentos por elas estruturados (SCHATZKI, 2005).
A principal questão teórica em Bourdieu trata da mediação entre agente social e sociedade. Para tanto, ele se utiliza de dois conceitos centrais: os campos sociais (a dimensão de ligação com as estruturas) e o habitus (a dimensão de ligação com os agentes).
Campo é um lugar onde uma luta competitiva entre atores se dá em torno de interesses específicos que são representativos de sua área, um espaço onde valores inerentes e princípios regulatórios são estabelecidos (BOURDIEU, 1989, 1996).
No interior do campo, ocorre uma luta concorrencial entre os atores em torno dos interesses específicos que caracterizam a área em que atuam estes mesmos atores.
Ou seja, num campo como o científico, o embate se dá em torno daqueles que detém a autoridade científica. O campo é, portanto, o espaço onde são prescritos seus valores inerentes e seus princípios regulativos (BOURDIEU, 1989, 1996). As posições adquiridas pelos atores nos campos lhes são simbolicamente atribuídas, tanto no nível individual quanto no de grupo. As posições ocupadas são sempre relativas, e suas construções se dão de maneira individual e coletiva, na cooperação e no conflito (MISOCZKY, 2003).
Os campos são criados, ou pelo menos tomam grande impulso, por indivíduos particularmente importantes, que, com uma perspectiva “heterodoxa” do mundo, estabelecem novos conteúdos e novas relações de poder entre os atores. Com isso, surge um campo, seja ele econômico, político, literário, científico, jurídico ou o que for (BOURDIEU, 1974, 1989, 1996).
Os agentes que atuam nestes campos não atuam livremente, sem qualquer conhecimento do funcionamento desses espaços sociais. Os agentes sociais incorporam um habitus, que pode ser entendido como um sistema de esquemas de percepção e discriminação que refletem toda a experiência de um grupo, e que foi adquirido por meio de experiências formativas. (BOURDIEU, 1974). O habitus está no princípio do encadeamento das ações que se organizam de forma objetiva como estratégia, mesmo sem ser produto de alguma intenção estratégica, permitindo que os atores sociais sejam condicionados a avaliar os estímulos simbólicos para a sua ação.
Os campos organizacionais são definidos como um conjunto de organizações que se constituem em uma área institucional reconhecida, onde interagem organizações fornecedoras e consumidoras de recursos e serviços similares, agências regulatórias e seu arcabouço legal. Estas organizações mantêm interações de maneira que se consolidam certos níveis de conhecimento, informação e de conscientização entre seus participantes, sendo influenciadas por um dado conjunto de estruturas e padrões de dominação e coalizões inter-organizacionais (DIMAGGIO e POWELL, 1991).
Outras definições enfatizam os elementos culturais, ‘as regras do jogo’ ou as lógicas subjacentes que definem os comportamentos, as atividades e interações realizadas pelos atores sociais no interior dos campos organizacionais (RAO, MORRILL e ZALD, 2000; SCOTT, 2001). Estes significados comuns definem os limites de cada comunidade de organizações, a inserção de organizações no seu interior e formas apropriadas de comportamento e interação.
Os campos organizacionais devem ser o nível de análise nos estudos que pretendem observar os processos de mudança durante períodos mais longos, quando novos campos proliferam ou quando os limites entre os campos existentes se modificam (DAVIS e MARQUIS, 2004; MCADAM e SCOTT, 2005).
As posições dos atores no campo são estabelecidas de forma relacional, regidas pela maior ou pela menor quantidade de poder que cada ator detém. É esse poder que torna ou não legítimas idéias, comportamentos, valores, posturas. Esse mesmo poder se sustenta pelos grupos que compõem um campo, o que significa que cada setor “acumula” um tipo de capital que os investe de poder e de posição dentro deste campo. Pode-se dizer que a posição ocupada por determinado agente no espaço social é definida pela posição que esse agente ocupa em campos diferentes, de acordo com a distribuição de vários poderes – formas de capital – que agem em cada um destes campos (BOURDIEU, 1989: 134).
Os atores em um campo buscam mais do que recursos materiais e técnicos, eles também estão em busca de aceitabilidade e credibilidade, que os sociólogos chamam de legitimidade. Legitimidade, de acordo com Scott (2001: 59) é a generalização da percepção ou o pressuposto de que as ações de um determinado ator são desejàveis e apropriadas dentro de um determinado sistema de normas, valores e crenças socialmente construídos. A legitimidade é processada objetivamente, ainda que seja criada subjetivamente. Em algumas abordagens, como a dependência de recursos (PFEFFER e SALANCIK, 1978), a legitimidade é tratada como mais uma forma de recurso, ou capital. Na teoria institucional, ela é abordada como um valor simbólico.
Swedberg (2001) discute, em seu trabalho, o conceito de legitimidade de Weber, ancorado em três formas de dominação: tradicional, carismática e legal-burocrática - sendo apenas a última delas, a legal-burocrática, a que fornece alguma explicação a respeito da racionalidade da economia capitalista. Para Swedeberg, muitos trabalhos da economia e da sociologia que lidavam com a noção de racionalidade acabaram empregando uma noção restrita do termo em suas análises, considerando apenas a racionalidade utilitária dos atores, resumindo seus interesses às questões materiais. A racionalidade dos indivíduos, buscando realizar seus interesses não estaria ligada apenas a esta dimensão, interesses também podem estar relacionados com valores. Nos dois casos, seja para a realização de interesses materiais ou de valores, as ações dos outros atores precisam ser consideradas.
Devido à luta por legitimidade no interior do campo, como no campo científico, os conflitos se dão ao redor daqueles que detém autoridade científica, legitimamente atribuída a eles por um conjunto de valores, regras e crenças. Dessa forma, um campo é o espaço onde valores inerentes e princípios regulatórios são estabelecidos.
Os atores, portanto, têm razões para se comportarem de acordo com as regras construídas coletivamente no interior do campo que fazem parte. Por outro lado, um mesmo ator pode participar de diferentes campos, ocupando as mais diversas posições, o que pode lhes dar razões para ir de encontro ou flexibilizar alguma das convenções estabelecidas, puxando e modificando os limites de um campo, ou criando novos campos.
Para Bourdieu, o limite de um campo se localiza no limite de seus efeitos. Neste sentido, um agente ou uma instituição só faria parte de um campo na medida em que nele sofre efeitos ou que nele os produz. O habitus opera como um dos mecanismos que impõe estes limites. Estas estruturas mentais pelas quais os indivíduos apreendem o mundo permitem que os mesmos construam um sentido de pertencimento e de posicionamento. Uma percepção do seu lugar e do lugar dos outros dentro do espaço social.
Os limites do campo podem estar alicerçados em torno de questões e arenas de discussão, em torno de um ator específico que controla recursos, ou podem estar sustentados sobre práticas profissionais (GEENWOOD et al, 2002; RAO et al, 2000).
Explicações sobre o surgimento e reorganização dos campos nos estudos organizacionais, inicialmente, recaem sobre pressões exógenas, como mudanças tecnológicas, regulatórias e descontinuidades competitivas (GEENWOOD e SUDDABY, 2006), que acabam precipitando a entrada de novos atores. Menos exploradas são as fontes de mudanças endógenas dos campos, capitaneadas pelas discussões sobre empreendedorismo institucional (DIMAGGIO, 1988).
Os estudos que tomam os campos como nível de análise geralmente estabelecem cortes específicos ou se engajam na busca de uma explicação generalizável a respeito dos processos que interferem na institucionalização. McCarthy e Zald (1977) delimitam o campo dos movimentos sociais como sendo composto por organizações engajadas com atividades de reforma e protesto dentro de áreas definidas, como direitos civis ou questões de gênero. Os estudos dos Novos Movimentos Sociais europeus observam o campo dos movimentos sociais construídos em torno da noção de identidade e de processos discursivos (DELLA PORTA e DIANNI, 2006).
Outros autores observam os campos a partir do corte de profissões. Diversos mecanismos regulatórios podem incentivar ou limitar o estabelecimento de campos. O Estado, em muitas situações, detém um papel decisivo (SCOTT, 1987, 2001).
Os estudos da sociologia econômica também têm se utilizado da noção de campos sociais nas suas premissas de que as ações econômicas são uma forma de ação social, sendo socialmente situadas ou inseridas. A análise de redes tem se firmado enquanto um referencial metodológico nesta linha (GRANOVETTER, 1983; BURT, 1992).
O entendimento que a sociologia econômica tem das instituições econômicas se afasta da economia neoclássica. As instituições econômicas são elas próprias construções sociais, e a seqüência histórica, com suas disputas por posições e
recursos, que proporcionou seu surgimento, é uma etapa fundamental para o seu entendimento. Diversos acadêmicos ligados á tradição bourdiesiana têm publicado na revista Actes de La Reserache em Sciences Sociales sobre a construção social das economias (SWEDBERG e GRANOVETTER, 2001). Recentemente, os teóricos organizacionais também passam a incluir as redes organizacionais como uma variável de análise dos campos organizacionais (LAWRENCE e PHILIPS, 2004).