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A siderurgia diz respeito ao processo de produção do ferro gusa e do aço (IBS, 2008), bens essenciais para qualquer atividade econômica contemporânea. Dentre outros setores, a siderurgia é a base para as indústrias automobilística, naval, de construção civil, eletro- eletrônica. Dela dependem, portanto, o transporte e a moradia de grande parte da humanidade, além do maquinário necessário para o comércio, a produção industrial e a agricultura.

Em Minas Gerais, as organizações siderúrgicas têm grande impacto sobre a economia, gerando inclusive grande parte dos empregos. De acordo com um levantamento feito pelo jornal Estado de Minas no ano de 2007, entre as 20 maiores empresas de Minas Gerais 5 são do setor siderúrgico, sendo que as duas maiores do estado são empresas desse ramo. Destaca-se ainda que, de acordo com a Secretária da Fazenda do Estado de Minas Gerais (2008), esse setor responde por grande parte da arrecadação de impostos.

O sindicato de algumas das principais indústrias siderúrgicas do estado, também conhecido como Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais, ou SINDIFER (2008)15, destaca a relevância do setor para a economia do estado. Em seu site, ele salienta que a região

de Minas é a principal produtora de ferro gusa do mundo e destaca projetos de responsabilidade social das empresas associadas – três das 5 grandes empresas siderúrgicas presentes no levantamento do Jornal Estado de Minas fazem parte do SINDIFER.

Aqui, no coração do país, está localizada a mais importante região de produção de ferro gusa do planeta e um dos mais significativos modelos de auto-sustentabilidade industrial do mundo: a aplicação da siderurgia limpa a carvão vegetal, a partir da biomassa cultivada (SINDIFER, 2008).

Em função, portanto, da importância econômica e social do setor siderúrgico a MG, assim como da intensa divulgação de ações de RSC das empresas siderúrgicas nesse estado, optou- se por essas organizações como objeto de análise desta dissertação.

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METODOLOGIA

As análises foram feitas dentro das quatro dimensões da responsabilidade social da teoria de Carrol (1991) – dimensão econômica, legal, ética e filantrópica - e dos demais temas do marco teórico. Os objetos de estudo foram três grandes siderúrgicas de MG, situadas entre as 20 maiores empresas do estado de acordo com o faturamento - baseado no levantamento do Jornal Estado de Minas (2007). As empresas, conforme será visto adiante, foram denominadas por: EMPRESA A, EMPRESA B e EMPRESA C. Optou-se por ocultar o nome das organizações, pois elas não foram informadas da realização deste estudo.

A partir da escolha das empresas, foram avaliados por meio de técnicas diversas de análise de conteúdo e de imagens, que serão especificadas adiante, Balanços Sociais Corporativos dessas organizações, com o objetivo de se identificar quais as motivações principais que elas declaram para a prática da RSC, de acordo com as dimensões de Carrol (1991), ou seja, verificou-se se as organizações dão mais enfoque às dimensões econômicas e legais ou às dimensões éticas e filantrópicas como motivadoras centrais para a prática da RSC. Pretendeu- se com isso confirmar a Premissa 1.

Avaliou-se também, a partir das dimensões de Carrol (1991), o que percebem as comunidades de entorno das organizações pesquisadas sobre a prática da RSC. Foi verificado como as comunidades percebem as empresas no cumprimento de cada uma das dimensões. Foi medido ainda, a partir do conceito de Brand Equity (KELLER, 1993) e do modelo teórico de Carrol (1991), como a prática e a divulgação da responsabilidade social impactam no valor de marca corporativo entre as comunidades das organizações pesquisadas. Esse levantamento foi feito através de um questionário estruturado em um levantamento do tipo Survey. Pretendeu-se, assim, confirmar as Premissas 2 e 3, além de testar as hipóteses sugeridas - o detalhamento dos procedimentos metodológicos desta etapa também será especificado adiante.

Foram, portanto, utilizados métodos qualitativos e quantitativos (GIL, 2002). A utilização das duas modelagens deu-se em função dos recursos, como financeiros e de tempo, disponíveis para a pesquisa e dos objetos que foram estudados. Utilizando-as, foi possível alcançar resultados mais precisos, uma vez que métodos quantitativos permitem maior capacidade de

generalizações, enquanto métodos qualitativos possibilitam a percepção de nuances que os métodos quantitativos não captam (LAVILLE e DIONE, 2007).

Desta forma, a pesquisa foi exploratória no que tange à análise dos Balanços Sociais, pois não foram encontrados estudos dessa natureza entre as organizações siderúrgicas de MG. Salienta- se que para Gil (2006, p. 43): “Pesquisas exploratórias são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximado, acerca de determinado fato”. Este trabalho proporcionou uma visão geral dos materiais de comunicação das empresas siderúrgicas de MG avaliadas, podendo, portanto, ser considerado exploratório nesse aspecto (GIL, 2006). A pesquisa também foi descritiva, pois descreveu algumas características das comunidades de entorno das empresas siderúrgicas de Minas Gerais, utilizando-se de levantamentos estatísticos feitos a partir da aplicação de questionários estruturados. Neste sentido, salienta-se que, de acordo com Gil (2006), pesquisas descritivas têm por objetivo a descrição de características de certa população e fenômeno e que para sua realização, em geral, são usados métodos quantitativos.

Os resultados dos dois levantamentos foram comparados entre si e com a bibliografia acadêmica de Responsabilidade Social utilizada neste projeto, com a finalidade de serem respondidos os questionamentos desta pesquisa.

Defende-se aqui que pesquisas qualitativas e quantitativas não são excludentes no campo social, mas complementares. As duas possuem grandes vantagens e restrições. Cabe ao pesquisador entender os métodos diversos, adequá-los ao seu objeto de pesquisa, procurar afastar-se ao máximo deste objeto e, acima de tudo, reconhecer as restrições do seu estudo. O pensamento neste trabalho é que a área de pesquisas sociais é demasiadamente complexa para se restringir a um método como absoluto neste contexto. Todos os tipos de técnicas metodológicas têm capacidades restritas nesse campo da ciência, que lida com um objeto de estudo que possui variáveis incontroláveis e infinitas. As metodologias nas ciências sociais são para o autor desta dissertação mecanismos que ajudam o cientista a se aproximar da realidade social e dos indivíduos, sem, no entanto, explicá-la em sua plenitude.

Benzer Belgeler