2. MODERNLEŞMENİN TÜRKİYE SİNEMASINDAKİ GÖRÜNÜMLERİ
2.1.1. Türkiye Sineması’nın Batılı Yüzü
Como na maioria dos países da América Latina, nas décadas de 60, 70 e 80, do século XX, a Argentina passou por regime militar de exceção. Encerrado o momento autoritário, como no Brasil, lá ocorreram modificações legislativas.
Em 1991, foi promulgado o Código de la Nación, através da Lei 23.984/91, alterada no mesmo ano pela Lei 24.050 e decreto 2.768, os quais trouxeram relevantes modificações na persecução criminal do país vizinho.329
Por outro lado, importa salientar que, em face da estrutura jurídica do Estado argentino, a qual propicia às províncias terem legislações autônomas da nacional, há atualmente na Argentina mais de um modelo em funcionamento, conforme as opções provinciais. No sistema nacional argentino, ao contrário do modelo de algumas das províncias, cujo assunto será tratado no momento oportuno neste trabalho, adota-se a investigação preliminar judicial. É o juiz instrutor quem dirige a investigação preliminar.330
No modelo do Código Nacional argentino, o Juiz Instrutor, auxiliado pela Polícia Judiciária, assume todos os atos de investigação, visando apurar os ilícitos penais e decidindo a situação do imputado nessa etapa da persecução criminal. A investigação a cargo do Ministério Público só ocorre de maneira excepcional, quando lhe for delegada pelo Juiz Instrutor.331
Além disso, a função do Magistrado Investigador estende-se para a etapa intermediária ou de crítica da instrução, decidindo sobre a continuação do processo na etapa seguinte do juízo, sua interrupção ou extinção.332
Mas no sistema do Código Nacional é função do membro do Ministério Público -
Ministério Fiscal – bem como dos agentes da polícia, postular pelo início da etapa de
investigação (instrucción), perante o Juiz de Instrução, quando tiverem conhecimento de um delito de ação pública.333
A instrução preliminar, na Argentina, caracteriza-se por uma etapa altamente formalizada e burocrática, com objetivo de formular as bases – apurar o fato - para a posterior ação penal.334 329 PASTOR, 2004, p. 225. 330 LOPES, 2009c, p. 67. 331 BASTOS, 2004, p. 78. 332 CHOUKR, 2001, p. 55. 333 RANGEL, 2003, p. 169. 334 BASTOS, op. cit., p. 78.
Embora seja função da Polícia Judiciária auxiliar o Juiz Instrutor e o Ministério Público na investigação preliminar, ela pode conduzir diretamente sua própria investigação, nos crimes de ação pública. No sistema nacional da Argentina, constata-se, na realidade prática, que a investigação é conduzida quase que totalmente pela polícia, com insignificante participação e controle do Juiz de Instrução.335
Contudo, na Argentina, essa discussão sobre o modelo de investigação está longe de se acomodar. Verifica-se que alguns conjuntos normativos das províncias daquele país deixam a função de presidir a investigação preliminar a cargo do Ministério Público.336
Em relação ao sistema argentino e sua instrucción formal, na investigação preliminar, vale trazer o pensamento crítico de Pastor337:
Esto se vincula con la rigidez formal natural de la instrucción que prevé el CPP Nación, pues es normal que los actos judiciales estén revestidos de ritos y fórmulas que aseguren la persistencia de los hechos que reflejan u de su valor perene (memoria). Esto lleva a que la investigación preliminar de los hechos punibles se torne engorrosa y plena de dificultades, debido a que aun los actos más nimios de la investigación deben seguir las pautas del formulario, ser decididos o realizados en presencia del juez y del notario, las comunicaciones deben ser efectuadas en un marco plagado de solemnidades, etcétera.
O debate sobre a jurisdicionalidade ou não da investigação preliminar é necessário nos sistemas criminais da América Latina. No caso da Argentina, o sistema investe o Juiz de Instrução de excessivos poderes, como, por exemplo, a possibilidade de obrigar o Ministério Público a iniciar a ação penal, mesmo quando este entende que é o caso de arquivamento da investigação preliminar. Portanto, o Juiz Instrutor não é só o dono da fase preliminar, mas também, em última instância, da titularidade da ação penal.338
Na opinião de Pastor, a Argentina deveria entregar a condução da investigação preliminar ao Ministério Público, pois entende que isso daria mais eficácia à persecução criminal.339 Rangel340, por sua vez, tem outra opinião a respeito do sistema da Argentina,
335 LOPES, 2009c, p. 68.
336 PASTOR, 2004, p. 229. Segundo o autor, adotam o sistema de investigação ministerial os códigos das
províncias de Córdoba e Tucumã.
337 Ibid., p. 231.
338 RANGEL, 2003, p. 169-70. O autor afirma que, nesse sistema, a imparcialidade do Juiz fica seriamente
comprometida, uma vez que participa pessoalmente da investigação do fato. Mesmo a possibilidade de delegação da investigação é complicada: “A possibilidade do juiz instrutor delegar suas funções ao Ministério Público é vista com certo temor e perigo para colheita das informações por parte de Jorge Mon antes citado, pois em alguns casos o Ministério Público é dependente do Poder Executivo e, nessa hipótese, poderia haver ingerência nas funções que lhe foram delegadas com verdadeira afronta ao Poder Judiciário.”
339 PASTOR, op. cit., p. 229-31. 340 RANGEL, op. cit., p. 171.
opinando pela adoção da investigação policial:
Pensamos que de lege ferenda, no direito argentino, há que se afastar o juiz da persecução penal, colocando a polícia judiciária em seu lugar com fiscalização direta do Ministério Público, que deveria ter independência, autonomia financeira e gozar das garantias da vitaliciedade e inamovibilidade a fim de impedir qualquer ingerência do executivo nas suas funções, garantindo-se a sociedade argentina um Poder Judiciário distante das investigações e, consequentemente, imparcial.
A manutenção do Juizado de Instrução, como no modelo do sistema nacional argentino, mostra que o país não conseguiu abandonar a visão processual inquisitória, típica de modelos autoritários ou totalitários. Não podemos esquecer que a adoção de um modelo acusatório, no qual ao Magistrado é vedado a participação na investigação criminal, visa, fundamentalmente, evitar a contaminação do Juiz, a qual ocorre com a concentração de funções.341
Mas, infelizmente, devido a nossa formação histórica, é sabido que na América Latina vigora uma cultura judicial inquisitiva, a qual não é tão simples de ser abandonada, como se vê no caso da Argentina. Após conseguirem a independência, os países ibero-americanos, ao invés de manterem suas instituições jurídicas e adaptá-las às novas circunstâncias, importaram a maioria dos seus assuntos e matérias, como foi o caso do processo penal de inspiração inquisitória, daquilo que Napoleão idealizou para a França.342
Especificamente no caso da investigação criminal, como no caso da Argentina, por exemplo, verifica-se que as discussões têm de ser mais aprofundadas, de forma que o debate deve ir além de qual modelo de investigação preliminar deve ser adotado, ou Judicial, ou a cargo do Ministério Público, ou Policial.
341 BINDER, Alberto M. Política criminal: de la formulación a la praxis. Buenos Aires: AD-HOC, SRL/LAEL,
1997, p. 168.
342 MAHECHA, Bernardo Gaitán. El sistema acusatorio colombiano. In: Derecho penal y sistema acusatorio
en iberoamérica. Bogotá: LAEL, 2003, p. 265. O autor observa que no caso dos Estados Unidos foi
diferente: “Estados Unidos hicieron lo contrario: se independizaron de Inglaterra pero dejaron vigentes las instituciones que Inglaterra les había transmitido; el common law, el sistema acusatorio que venía desde cuando los romanos fueron los amos del “gran albion” durante 400 años. Los estadounidenses se limitaron a establecer la democracia constitucional, redactaron una breve constitución que aún perdura; la adicionan de modo que se perfeccione en temas esenciales de estirpe constitucional. Y así, han progresado bajo el amparo de instituciones milenarias”.