• Sonuç bulunamadı

1. TÜRKİYE’DE MODERNLEŞME SÜRECİ

1.2. Türkiye’de Modernleşmenin Görünümleri

1.2.2. Türkiye Cumhuriyeti’nde Modernleşme Hareketleri

1.2.2.1. Kemalizm, Modernleşme ve Türkiye Toplum Yapısı

1.2.2.1.2. Türkiye’de Toplumsal ve Zihinsel Yaşamda Dönüşüm

Embora tenham existido propostas para a alteração da legislação processual belga (1878, 1901, 1902, 1914, 1938, 1981), o processo penal daquele país, basicamente, é regido pelo Código de Instrução Criminal de 1808. Este é dividido em dois livros: Livro I, “da Polícia Judicial e dos agentes de polícia que o exercem”, e Livro II, “da Justiça”.319

O sistema da Bélgica, como o da França, possui Juizado de Instrução. Aliás, o modelo belga guarda muita semelhança com o sistema francês, sendo que as diferenças são basicamente de nomenclatura, também pode ser considerado híbrido. O Juiz Instrutor atuará como investigador em determinadas infrações penais, sendo que, em outras a investigação será presidida pelo Ministério Público.320

318 CHOUKR, 2001, p. 54.

319 DELMAS-MARTY, 2000, p. 204-5.

Tendo em vista essa característica – bifronte, como o da França - Kac321 entende que no sistema belga a presidência e a condução da investigação preliminar são do Ministério Público:

Ao Ministério Público, deve ser dado imediato conhecimento da prática de delitos ocorridos, sendo o comunicado feito pelos oficiais de polícia ou por informes de todo e quaisquer funcionários, autoridades e oficiais público, que têm obrigação de lhe dar ciência do cometimento de infrações penais. O procurador do Rei, quando comunicado da prática de uma infração penal, procede a todos os atos de instrução e informação do procedimento, no caso de situações graves e urgentes. [..] Na ausência do Procurador do Rei, o juiz de instrução poderá praticar os atos daquele, agindo por poder delegado nesta qualidade.

Em regra, são cinco as fases do processo penal belga. A primeira, chamada de informação (information), é tipicamente de investigação e está a cargo do Ministério Público. A segunda fase é a da instrução preparatória (l’instruction), que é investigatória e de instrução processual, sendo conduzida pelo Juiz de Instrução. A seguir, se tem a fase de ordenação do processo (ordenation), pela “Sala do Conselho”, a qual é de controle sobre as fases anteriores, que está sob incumbência do Juiz Instrutor. As duas últimas são a de acusação (mise em

accusation), para a remessa à última fase, ou seja, fase de julgamento pelo Cour d’Assises.322

O sistema da Bélgica é considerado misto. A primeira fase (información) segue um modelo do tipo inquisitorial – secreto - e será conduzida unilateralmente visando à formação do sumário penal (dossier penal). A fase da (instrucción) também será inquisitória. Somente a última fase, a fase do juízo oral, será acusatória.323

A decisão pela espécie de investigação a ser utilizada – información ou instrucción -, bem como pelo presidente da fase, dar-se-á conforme a espécie de infração penal. Caso seja um delito ou contravenção, a apuração, em regra, se dará por información, com condução pelo Ministério Público. Nos casos graves – crimes - a apuração será por instrucción, a cargo do Juiz de Instrução.324

No caso da investigação judicial, o Juiz de Instrução agirá juntamente com os oficiais de Polícia Judiciária.Vale dizer que no sistema belga o Juiz Instrutor encarna três funções correlatas: é um oficial de Polícia Judiciária; é um Juiz de Instrução propriamente dito; e

321 KAC, 2004, p. 67.

322 DELMAS-MARTY, 2000, p. 217-20. O autor esclarece que a fase preparatória do processo penal dedicada à

formação do sumário penal será realizada através da informação ou instrução. Em sentido estrito, a informação compreende tanto o procedimento do Juiz de Instrução, como a atuação da Polícia Judiciária, sob a direção do Ministério Público. As atuações da Polícia Judiciária chamam-se geralmente de informação, em oposição à instrução. Somente de maneira excepcional que a instrução não é procedida pela informação, a qual é o procedimento mais corriqueiro de apuração dos fatos criminais.

323 Ibid., p. 217-8. 324 Ibid., p. 217-9.

representa o Judiciário em primeira instância, como Juiz. Nos atos de instrução, ele tem poder jurisdicional e é independente do Procurador-Geral. Entretanto, como oficial de Polícia Judiciária, no qual os atos são administrativos, ele é submetido à hierarquia.325

Sobre a forma de atuar da Polícia Judiciária e do Ministério Público, bem como as relações entre essas instituições no sistema da Bélgica, Delmas-Marty326 pontua que:

La Policía judicial tiene por misión investigar las infracciones y reunir las pruebas (art. 8 CIC). El conocimiento de una infracción (ya sea de oficio, por querella o por denuncia ante la Policía) da lugar a la redacción de una acta – procès-verbal -. Aunque la Policía judicial recibe sus poderes de la ley y actúa de oficio, los ejerce, sin embargo, bajo la dirección del Fiscal del Rey y bajo la supervisión de Fiscal General. Una vez informado de los hechos, el Fiscal del Rey dirige la investigación y coordina la acción de las diferentes fuerzas de policía.

Nos casos de prisão em flagrante, via de regra, é o Procurador do Rei quem vai ao local do fato, realizando uma investigação oral, para constatar a materialidade do delito. Após dará conhecimento dos fatos ao Juiz de Instrução. Mas os oficiais de polícia também podem proceder à prisão em flagrante, da mesma forma que o Procurador do Rei. Ainda, podem ambos proibir que as pessoas deixem suas residências ou lugar em que se encontrem, e, além disso, podem capturá-las no caso de desobediência.327

Terminadas a fase preparatória (informacción) e a intermediária (instrucción), acontece, em regra, a fase de controle da investigação e a admissibilidade da acusação. Decidindo o Juiz de Instrução pelo envio do imputado a julgamento, ele remete o sumário

(dossier) com as requisições (réquisitions) do Ministério Público à Sala do Conselho,

composta por um Juiz. Esse Magistrado, novamente, valorará os indícios das fases anteriores, escolhendo, se for ocaso, o tribunal competente para julgar o fato.328

325 CHOUKR, 2001, p. 61.

326 DELMAS-MARTY, 2000, p. 220. 327 KAC, 2004, p. 66-7.

328 DELMAS-MARTY, op. cit., p. 214, 219-226. Na Sala de Conselho, antes da decisão do magistrado, é

estabelecido um contraditório, podendo o acusado e seu defensor refutarem a acusação do Ministério Público Caso decida pelo prosseguimento do processo, poderá ainda o feito passar pela Sala de acusação – mise em accusation -, a qual funcionará como mais uma instância de controle e admissibilidade do processo, antes da remessa a julgamento.