2.2. Türkiye’deki Birikim Stratejisi ve Yeniden Yapılanma: Enerji ve Tarım
2.2.2. Türkiye’de Tarım Sektörünün Neoliberal Dönüşümü
Os consumos de FDN e FDA (g/dia e g/kg0,75/dia) não diferiram (P>0,05) entre as silagens obtidas nas diferentes idades de corte do capim andropogon (Tabela 7). Já as digestibilidades da FDN e da FDA das silagens apresentaram redução linear (P<0,01) com o aumento da idade de corte do capim. Acompanhando esse comportamento, os consumos de FDN e FDA digestíveis (g/kg0,75/dia) também reduziram de forma linear (P<0,01). Os consumos (g/kg0,75/dia) de FDN (r CFDN x CMS = 0,99; P<0,0001) e FDA (r CFDA x CMS = 0,97; P<0,0001) apresentaram correlação alta e positiva com o consumo de MS.
Tabela 7. Consumo e digestibilidade da fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) e da fibra insolúvel em detergente ácido (FDA) em ovinos alimentados com silagens de capim Andropogon gayanus colhido aos 56, 84 e 112 dias de rebrote.
Item Idade de corte (dias) EPM Regressão linear§ R2 P
56 84 112 Consumo FDN (g/dia) 899,7 788,3 916,9 68,81 - - 0,86 FDN (g/kg0,75/dia) 42,8 38,6 40,2 1,95 - - 0,36 FDN digestivel (g/kg0,75/dia) 26,1a 20,1b 17,5b 1,38 y = 34,166 - 0,154x 95,01 <0,01 FDA (g/dia) 543,3 452,9 525,8 40,82 - - 0,77 FDA (g/kg0,75/dia) 25,9 22,2 23,1 1,16 - - 0,11
FDA digestivel (g/kg0,75/dia) 16,4a 11,3b 10,0b 0,87 y = 22,130 - 0,114x 90,03 <0,01
Digestibilidade
FDN (%) 60,9a 51,7b 43,6c 2,08 y = 78,059 - 0,309x 99,88 <0,01
FDA (%) 63,4a 50,8b 43,4c 2,40 y = 82,481 - 0,357x 97,79 <0,01
Médias seguidas por letras minúsculas distintas, na mesma linha, indicam diferença estatística (P<0,05). EPM = erro padrão da média; R2 = coeficiente de determinação; P = nível de significância (probabilidade de efeito linear); §y = parâmetro avaliado, x = idade de corte (em dias).
Os consumos de FDN observados por Castro (2008) e Faria Jr. (2012) para silagens de Panicum maximum cv. Tanzânia (entre 37,9 e 44,14 g/kg0,75/dia; entre 42 e 107 dias) e silagens de Tifton-85 (entre 36,3 e 40,8 g/kg0,75/dia; entre 45 e 90 dias) produzidas em
diferentes idades de corte, respectivamente, foram próximos aos deste experimento. Já Machado et al. (2011) encontraram valores inferiores (32,2 g/kg0,75/dia) para silagens de diferentes híbridos de sorgo em diferentes estádios de maturação.
O consumo médio de FDN observado neste trabalho foi de 40,5 g/kg0,75/dia, sendo superior aos 35 g/UTM/dia para forragens com teores de FDN entre 35% e 75% proposto por Mertens (1973) para ovinos. Mesmo apresentando diferenças entre as silagens nas digestibilidades da MS, FDN e FDA os animais tentaram compensar consumindo o máximo possível de silagem na tentativa de suprir sua demanda energética. Dessa forma, a quantidade de FDN consumida parece ter sido um dos fatores responsáveis pela regulação do consumo de matéria seca deste experimento, o que está de acordo com a observação de Conrad et al. (1964) de que para forragens com digestibilidade da matéria seca abaixo de 66,7%, o fator físico de enchimento ruminal exerce maior influência sobre o consumo voluntário.
Várias características químicas e estruturais que limitam a digestão da fibra já foram identificadas. Destas, a lignina se destaca como o principal e mais mencionado componente limitador da digestão dos polissacarídeos da parede celular no rúmen (Jung e Deetz, 1993). Entretanto, neste trabalho não foi verificada correlação entre as digestibilidades da FDN e FDA e o consumo de lignina. De acordo com Buxton e Russell (1988) e Jung e Allen (1995) a mudança na composição das ligninas de guaiacila para siringila e o aumento das ligações cruzadas entre a lignina e as hemiceluloses intermediadas pelo ácido ferúlico com a maturação da planta podem ser mais importantes na redução na digestibilidade da fibra que a concentração de lignina na planta. Muito embora isto possa estar acontecendo, como comentado anteriormente os teores de PB muito baixos (<6%) nas silagens com a planta aos 84 e 112 dias de rebrote parece ser uma explicação mais plausível para esta redução na digestibilidade da fração fibrosa. Foi observado que as digestibilidades da FDN (r = 0,81; P<0,0001) e da FDA (r = 0,83; P<0,0001) apresentaram correlação positiva com o consumo de PB digestível (g/kg0,75/dia).
Os consumos de hemiceluloses (g/dia e g/kg0,75/dia) e celulose em g/dia não variaram (P>0,05) para as silagens avaliadas (Tabela 8). Entretanto, foi observado menor consumo (P<0,05) de celulose em g/kg0,75/dia e um maior consumo (P<0,05) de lignina (g/dia e g/kg0,75/dia) para as silagens com o aumento da idade de corte do capim. As diferenças na composição química das frações fibrosas como pode ser observado na Tabela 2 podem ter sido as responsáveis por estas diferenças encontradas. Estas diferenças nas frações fibrosas
parecem ter sido causadas pelo processo de ensilagem da gramínea uma vez que estas variações não foram observadas na planta antes da ensilagem (Ribeiro Jr., 2009). Ribeiro Jr. (2009) demonstrou este fato trabalhando com este mesmo material em silos de laboratório. Devido ao menor teor de CHO’s na planta ensilada mais jovem (56 dias) parece ter havido um consumo de hemiceluloses como substrato adicional durante a fermentação. Desta forma, devido ao consumo de CHO’s e hemiceluloses ocorreu um aumento proporcional de celulose na matéria seca desta silagem em comparação com a silagem obtida com a planta mais velha (112 dias) em que as hemiceluloses provavelmente não foram utilizadas durante a fermentação. Estes resultados também foram confirmados por Faria Jr. (2012) trabalhando com silagens de capim Tifton-85.
Tabela 8. Consumo de hemiceluloses, celulose e lignina e digestibilidade das hemiceluloses e celulose em ovinos alimentados com silagens de capim Andropogon gayanus colhido aos 56, 84 e 112 dias de rebrote.
Item Idade de corte (dias) EPM Regressão linear§ R2
P 56 84 112 Consumo Hemiceluloses (g/dia) 356,4 335,4 391,1 28,05 - - 0,40 Hemiceluloses (g/kg0,75/dia) 17,0 16,4 17,2 0,79 - - 0,47 Celulose (g/dia) 470,2 391,6 433,5 34,94 - - 0,47 Celulose (g/kg0,75/dia) 22,4a 19,2b 19,0b 0,99 y = 25,248 - 0,060x 78,36 0,03 Lignina (g/dia) 73,1b 61,3b 92,3a 5,97 y = 46,837 + 0,342x 37,50 0,04 Liginina (g/kg0,75/dia) 3,5b 3,0b 4,0a 0,17 y = 2,656 + 0,010x 29,06 0,03 Digestibilidade Hemiceluloses (%) 57,2a 53,0a 43,9b 2,22 y = 71,259 - 0,237x 95,57 <0,01 Celulose (%) 72,2a 60,9b 51,9c 2,09 y = 92,174 - 0,363x 99,56 <0,01
Médias seguidas por letras minúsculas distintas, na mesma linha, indicam diferença estatística (P<0,05). EPM = erro padrão da média; R2 = coeficiente de determinação; P = nível de significância (probabilidade de efeito linear); §y = parâmetro avaliado, x = idade de corte (em dias).
De acordo com Cheeke (1994), o tratamento com amônia pode dissolver parte da lignina e também torna as hemiceluloses mais solúveis. A maior produção de N amoniacal pelas silagens obtidas com a planta mais jovem (Tabela 3) pode ter ajudado a solubilizar parte da lignina o que levou a este menor consumo de lignina (Tabela 8) pelos animais alimentados com estas silagens (56 e 84 dias), uma vez que os teores de lignina não variaram no material original.
O consumo médio de hemiceluloses foi de 16,8 g/kg0,75/dia, valor este que foi próximo ao encontrado por Faria Jr. (2009) para silagens de Tifton-85 (16,1 g/kg0,75/dia) mas superior ao descrito por Machado et al. (2011) para silagens de sorgo (14,5 g/kg0,75/dia). Já o consumo de celulose variou de 22,4 a 19,0 g/kg0,75/dia, sendo superior ao descrito Machado et al. (2011) para silagens de sorgo (14,6 g/kg0,75/dia). Este maior cosumo de hemiceluloses e celulose encontrado para silagens de capim andropogon em relação às de sorgo se deve ao maior consumo de MS observado neste trabalho e ao maior teor destes componentes na composição química das silagens de andropogon.
Não foi observada correlação signicativa entre o consumo de lignina e as digestibilidades das hemiceluloses e da celulose. O aumento da idade ao corte da forrageira também pode causar decréscimo na taxa de degradação da parede celular, devido ao aumento da cristalinidade da celulose em consequência da substituição das moléculas de água por açucares entre as microfibrilas deste composto, o que aumenta a hidrofobicidade e dificulta o acesso microbiano (Chesson e Forsberg, 1997). Entretanto, foi encontrada correlação positiva entre o consumo de PB digestível (g/kg0,75/dia) e as digestibilidades das hemiceluloses (r CPBD x DHEM = 0,67; P<0,003) e da celulose (r CPBD x DCEL = 0,83; P<0,0001). Como mencionado anteriormente parece que o menor teor de PB degradável no rúmen foi o principal responsável, não só pela redução da digestão da fibra, mas da matéria orgânica como um todo que ocorreu com o avançar da idade de corte do capim.
A menor digestibilidade das hemiceluloses em comparação com a celulose observada aqui também foi encontrada por Castro (2008) e Faria Jr. (2012) trabalhando com silagens de Panicum maximum cv. Tanzânia e Tifton-85, respectivamente. De acordo com Brito et al. (2003) esta menor digestibilidade das hemiceluloses pode ocorrer em função da associação destas com a lignina. Além disso, a degradação da fração mais digestível das hemiceluloses durante o processo de ensilagem também pode diminuir o aproveitamento desta pelos animais.