2.2. Türkiye’deki Birikim Stratejisi ve Yeniden Yapılanma: Enerji ve Tarım
2.2.1. Enerji Sektöründe Türkiye’deki Neoliberal Birikim Stratejisi
Os consumos (g/dia e g/kg0,75/dia) e a digestibilidade aparente da PB das silagens reduziram (P<0,05) de 56 para 84 dias de rebrote do capim e não diferiram (P>0,05) entre as idades de 84 e 112 dias (Tabela 5). Foi observado efeito linear (P<0,01) da idade de corte da planta sobre o consumo (g/dia e g/kg0,75/dia) e a digestibilidade aparente da PB das silagens. O consumo de PB digestível seguiu o mesmo padrão observado para o consumo (g/kg0,75/dia) e a digestibilidade da PB. Como o consumo de MS não diferiu entre as silagens esta diferença no consumo de PB encontrada está relacionada à redução no teor de PB das silagens com o aumento da idade de corte do capim como pode ser observado na Tabela 3.
Tabela 5. Consumo e digestibilidade aparente da proteína bruta (PB) em ovinos alimentados com silagens de capim Andropogon gayanus colhido aos 56, 84 e 112 dias de rebrote.
Item Idade de corte (dias) EPM Regressão linear§ R2
P 56 84 112 Consumo PB (g/dia) 85,2a 60,3b 68,0b 5,81 y = 96,997 - 0,307x 45,73 0,05 PB (g/kg0,75/dia) 4,05a 3,0b 3,0b 0,16 y = 4,938 - 0,019x 72,79 <0,01 PB digestível (g/kg0,75/dia) 1,5a 0,6b 0,6b 0,12 y = 2,221 - 0,016x 71,99 <0,01 Digestibilidade PB (%) 37,0a 20,3b 21,2b 3,04 y = 49,841 - 0,282x 70,55 <0,01
Médias seguidas por letras minúsculas distintas, na mesma linha, indicam diferença estatística (P<0,05). EPM = erro padrão da média; R2 = coeficiente de determinação; P = nível de significância (probabilidade de efeito linear); §y = parâmetro avaliado, x = idade de corte (em dias).
A redução na digestibilidade aparente da PB associada ao aumento da maturidade da planta é consistente com os resultados de diversos trabalhos avaliando gramíneas forrageiras C3 e C4
(Archimède et al., 2000; Castro, 2008; Lima et al., 2008; Vranić et al., 2009; Teixeira, 2009; Carvalho, 2012). Esta redução da digestibilidade da PB parece estar relacionada à redução da solubilidade do nitrogênio e ao aumento da fração nitrogenada associada à parede celular e ligada a lignina (Merchen e Bourquin, 1994; Van Soest, 1994).
Os baixos teores de PB (inferiores a 7% da MS) e/ou disponibilidade desta no alimento podem limitar a fermentação ruminal reduzindo a digestibilidade da MS (Minson e Milford 1967; Van Soest, 1994). De acordo Satter e Slyter (1974), o crescimento das bactérias celulolíticas foi limitado quando as concentrações de nitrogênio amoniacal no líquido ruminal foram inferiores a 5 mg/100 ml. A digestibilidade aparente da PB (r DAPB x DAMS = 0,88; p<0,0001) e o consumo de PB digestível (r CPBD x DAMS = 0,83; P<0,0001) apresentaram correlação positiva com a digestibilidade aparente MS indicando que a baixa disponibilidade de proteína degradável no rúmen pode estar limitando a degradação do alimento, principalmente nas silagens produzidas com o capim aos 84 e 112 dias.
Nenhuma das silagens avaliadas no presente experimento foi capaz de suprir a exigência de proteína digestível recomendada pelo AFRC (1993) para ovinos em mantença, que é de 2,46 g/UTM/dia, o que indica a necessidade de suplementação com fontes proteicas. Apesar, da digestibilidade aparente da proteína frequentemente subestimar a digestibilidade verdadeira devido à presença do nitrogênio fecal metabólico, particularmente elevado quando o animal consome dietas fibrosas que aumentam a descamação das células da mucosa intestinal (Van Soest, 1994), os valores de consumo de PB aparentemente digestível foram muito abaixo do recomendado pelo AFRC (1993), mesmo na silagem realizada com o capim mais jovem (1,5 g/kg0,75/dia). Os valores de consumo de PB digestível foram inferiores aos encontrados para silagens de Brachiaria brizantha cv. Marandu (1,87 g/kg0,75/dia; Jayme et al., 2011), de Tifton-85 (de 2,57 a 5,04 g/kg0,75/dia; Faria Jr., 2012) e de capim-elefante (2,91 g/kg0,75/dia; Reis et al., 2000) e próximos aos descritos por Machado et al., (2011) para silagens de sorgo (de 0,58 a 1,74 g/kg0,75/dia).
Apesar do baixo consumo de PB digestível os animais apresentaram balanço de nitrogênio (N) positivo (Tabela 6). Na tentativa de compensar um menor consumo de N (P<0,05) os animais alimentados com as silagens da planta mais velha reduziram (P<0,05) a excreção de N na urina. Já o nitrogênio fecal não variou (P>0.05) entre os animais alimentados com as silagens produzidas em diferentes idades de corte. Deve-se levar em consideração que as perdas de N fecais são em grande parte influenciadas pelo N de origem endógena. O N retido
(g/dia), a relação N retido/N ingerido e a eficiência de utilização do N [N retido / (N ingerido - N fecal)] também não variaram (P>0,05) nos animais alimentados com o capim andropogon ensilado nas diferentes idades de corte. A retenção de N, apesar de ter correlação com o consumo de N (r Nretido x Ningerido = 0,46; P<0,05), apresentou maior correlação com a digestibilidade da PB (r Nretido x DAPB = 0,85; P<0,0001).
Lima et al. (2008) trabalhando com feno de capim arroz (Echinochloa sp.) e Castro (2008) com silagens de capim Tanzânia também observaram redução da excreção urinaria de N com o aumento da idade de corte do capim. No trabalho de Lima et al. (2008) também foi observado menor retenção N e síntese de proteína microbiana com o aumento da idade de corte do capim arroz utilizado sob a forma de feno. De acordo com Van Soest (1994), a baixa ingestão de N leva à redução da excreção de ureia na urina para manutenção do pool de ureia plasmático.
Tabela 6. Utilização e perdas de nitrogênio (N) em ovinos alimentados com silagens de capim Andropogon gayanus colhido aos 56, 84 e 112 dias de rebrote.
Item Idade de corte (dias) EPM Regressão linear§ R2 P
56 84 112 N ingerido (g/dia) 13,6a 9,7b 10,9b 0,93 y = 15,520 - 0,049x 45,73 0,05 N fecal (g/dia) 8,6 7,7 8,6 0,77 - - 0,99 N urinário (g/dia) 3,3a 1,4b 1,2b 0,21 y = 4,995 - 0,036x 80,36 <0,01 N retido (g/dia) 1,8 0,6 1,0 0,38 - - 0,19 N retido/ingerido (%) 12,7 6,0 9,9 3,60 - - 0,59 Eficiência (%)* 32,8 24,5 27,3 15,01 - - 0,80
Médias seguidas por letras minúsculas distintas, na mesma linha, indicam diferença estatística (P<0,05). EPM = erro padrão da média; R2 = coeficiente de determinação; P = nível de significância (probabilidade de efeito linear); §y = parâmetro avaliado, x = idade de corte (em dias); *Eficiência = [N retido / (N ingerido - N fecal)].
O balanço de nitrogênio pode ser indicativo do metabolismo proteico animal, sendo mais eficiente que a digestibilidade e o consumo de proteína para evidenciar se há perda ou não de proteínas pelo organismo (Andrigueto et al., 1990). Entretanto, parece não ser um bom indicativo de níveis adequados de N para uma eficiente fermentação ruminal. De acordo com Lima et al. (2008), mesmo apresentando balanço de N positivos, as concentrações de nitrogênio amoniacal no líquido ruminal de ovinos alimentados com feno de capim arroz foram inferiores a 5 mg/100 ml, o que de acordo Satter e Slyter (1974) limitaria o crescimento das bactérias celulolíticas e, consequentemente, a digestão da fibra. O papel do nitrogênio reciclado no rúmen pode ser quantitativamente importante quando dietas com baixa concentração de proteína são fornecidas aos animais. De acordo com o NRC (1985),
animais alimentados com dietas contendo 5% de proteína bruta reciclam 70% da proteína ingerida. No presente trabalho, mesmo com teores de PB inferiores a 6% da MS, o balanço de nitrogênio foi positivo, entretanto os valores foram muito próximos de zero. Desta forma, parece que a suplementação dos animais com uma fonte de proteína degradável no rúmen poderia maximizar da fermentação ruminal e, consequentemente, melhorar a digestão das silagens.