1.2. Hegemonya Krizi ve Neoliberal Hegemonik Projeler
1.2.2. Hegemonik Projelerde Disiplin: Denetim ve Yönetim Aygıtları
Ensaios de digestibilidade pelo método in vivo têm sido utilizados para a determinação da digestibilidade aparente dos alimentos. Porém, tal metodologia é trabalhosa e cara, além de exigir grande quantidade do alimento, o que pode não ser possível quando se trata de um programa de avaliação de alimentos para ruminantes. Além disso, esta técnica não descreve a diferenciação entre a degradação ruminal e a digestão pós-ruminal dos alimentos (Nocek, 1988; Huntington e Givens, 1995). O desaparecimento in situ (in sacco, nylon bag technique) dos alimentos é determinado colocando o alimento teste em sacos de nylon e incubando-o no rúmen do animal por um determinado tempo. Pela diferença de peso antes e depois da incubação no rúmen pode-se determinar o desaparecimento da MS e dos outros componentes nutricionais do alimento (PB, FDN, FDA). O primeiro trabalho a relatar o uso desta técnica foi o de Quin et al. (1938). Atualmente o método está amplamente difundido e frequentemente é utilizado para descrever a taxa e extensão da degradação ruminal dos alimentos. O Agricultural and Food Research Council (AFRC, 1993) e o National Research Council (NRC, 1996; 2001) consideram esta a técnica padrão para caracterização da degradabilidade ruminal da fração proteica, entretanto, de acordo Ørskov e McDonald (1979), a degradabilidade in situ também pode ser empregada para estudar a dinâmica ruminal dos outros nutrientes. Esta técnica tem sido muito utilizada na avaliação de alimentos para os ruminantes, devido à facilidade e rapidez de execução. Além disso, existe elevada correlação entre o método in situ e in vivo (Huntington e Givens, 1995). A adoção desta metodologia e a utilização de delineamentos e técnicas experimentais adequados permitem não só a simplificação da estrutura experimental, mas também a estimativa precisa dos parâmetros da equação descritiva da degradação da fibra no rúmen (Sampaio, 1988). A
avaliação da degradação ruminal de gramíneas tropicais em diferentes idades permitem não só a comparação entre diferentes espécies, mas também o estudo da melhor época de corte para cada uma delas (Barbi et al., 1995).
Apesar das vantagens Ørskov et al. (1980) ressaltam que, como qualquer técnica, esta também apresenta limitações. Três importantes limitações devem ser consideradas: 1 - as amostras não são expostas a mastigação e ruminação; 2 – normalmente os alimentos deixam o rúmen quando atingem tamanho de partícula adequado, o que não acontece com o alimento dentro dos sacos de nylon; 3 – a técnica na verdade mensura o desaparecimento de partículas capazes de passar pelos poros do saco, o que não significa completa degradação a compostos químicos simples.
A padronização da técnica é outro ponto importante que deve ser considerado para que variações e erros sejam minimizados. Alguns fatores devem ser considerados pra uma adequada estimativa da degradação ruminal: o material e o tamanho dos poros do saco; a quantidade de amostra incubada; o processamento da amostra antes da incubação; a dieta do animal, o nível de alimentação e a frequência; os procedimentos de colocação e de remoção dos sacos; a localização dos sacos dentro do rúmen; o procedimento de lavagem dos sacos; a correção para contaminação microbiana; o tempo de incubação; os modelos matemáticos utilizados; e os número de replica de animais, de sacos e dias de incubação (Barbosa et al., 1998a; Barbosa et al., 1998b; Barbosa et al., 1998c;Vanzant et al., 1998)
Os sacos normalmente são de náilon, poliéster e dácron. De acordo com Huntington e Givens (1995) mais importante do que o material utilizado na confecção dos sacos, é a estrutura do tecido. Este deve ser monofilamentoso para favorecer uma porosidade mais homogênia. Com relação ao tamanho dos poros existe uma ampla variação na literatura, entretanto a maioria dos trabalhos recomenda poros entre 40 e 60 m (53 m na maioria dos trabalhos). Poros muito pequenos dificultam o acesso dos microorganismos ao alimento no interior do saco e a saída do material que foi degradado, já poros muito grandes propiciam uma maior perda de material que não foi completamente degradado (Vanzant et al., 1998).
O tamanho das partículas após processamento (moagem) é um ponto que merece grande atenção. Como nesta técnica o material não sofre efeito da mastigação e da ruminação, é importante que o material seja processado de forma a atingir tamanho de partícula que represente o mais próximo possível o obtido in vivo com a mastigação (Barbosa et al., 1998c;
Vanzant et al., 1998). As recomendações de processamento encontradas na literatura variam da moagem com peneiras de malha de 1,5 a 3,0 milímetros para os concentrados e de 1,5 a 5,0 mm para forragens. De acordo com a AFRC (1992) as forragens devem ser moídas a 4 mm. Já Ørskov et al. (1988) recomendam uma moagem em peneira com malhas de 5,0 mm quando se trabalha com forragens verdes, úmidas e ensiladas. Não existe um valor preciso estabelecido, mas parece ser adequado que a moagem em peneiras entre 4,0 e 5,0 mm para forrageiras tropicais. De acordo com Nocek e Kohn (1988) o aumento do tamanho de partícula leva ao aumento tempo de colonização (lag) e diminuição da extensão da degradação nas incubações de curta duração.
A relação quantidade de amostra e área de superfície do saco também deve ser observada. Vanzant et al. (1998) encontraram na literatura valores entre 2 a 198 mg/cm2. A avaliação estatística destes dados sugeriu uma relação linear negativa entre a quantidade de amostra por área e a degradabilidade da MS e FDN. Segundo Nocek (1985) a relação de 12.6 mg/cm2 foi a que apresentou a melhor correlação com resultados in vivo. Nocek (1988) e Vanzant et al. (1998) recomendam relação entre 10 e 20 mg/cm2 para uma melhor padronização dos resultados.
De acordo Michalet-Doreau e Ould-Bah (1992) os sacos que representam os diferentes tempos de incubação devem ser introduzidos no rúmen ao mesmo tempo para garantir a estes uma mesma condição de fermentação. Entretanto, quando incubados em diferentes tempos, mas retirados do rúmen ao mesmo tempo a taxa de degradação da MS e da PB foi maior. Este fato foi explicado pela menor interrupção do processo de digestão e exposição ao ambiente externo (Nocek, 1985).
A lavagem dos sacos pode ser considerada um dos maiores fatores de variação não biológicos da técnica. A maioria dos trabalhos utiliza basicamente duas formas, a lavagem manual e a em máquina de lavar (Weiss, 1994). A lavagem manual é a mais citada, entretanto é bastante subjetiva. Normalmente se descreve a lavagem em água fria corrente até que a água que passa pelo saco saia límpida. A lavagem mecânica tenta padronizar e retirar esta subjetividade da técnica, entretanto os tempos de lavagem reportados são muito variados. De acordo com Cherney et al. (1990) a lavagem em maquina no procedimento de enxague por 2 minutos seria adequado, sendo que tempos maiores poderiam causar grande perda de resíduo pelos poros dos sacos. Já Vanzant et al. (1998), na tentativa de padronizar a técnica, propôs a
realização de 5 ciclos de enxágue de 1 minuto. De acordo com este autor, o número de enxágues seria mais importante que o tempo.
A lavagem dos sacos e a contaminação microbiana do resíduo são consideradas a maior fonte de variação da técnica in situ (Vanzant et al., 1998). A contaminação microbiana tem importância principalmente na avaliação da degradabilidade da PB e da MS. Na avaliação da porção fibrosa esta perde importância devido à lavagem com detergentes que retiram os microorganismos aderidos. De acordo com Mitchell et al. (1997), a contaminação microbiana do resíduo protéico diminuiu com a maturidade da planta. Desta forma, a degradabilidade da PB em forrageiras mais jovens é penalizada pela maior adesão microbiana. Para reduzir este problema Broderick e Merchen (1992) sugeriram a utilização de dois marcadores (N15 e purinas) quando possível para corrigir os valores de degradabilidade.
As curvas (equações) que descrevem o desaparecimento do substrato de acordo com tempo de incubação são utilizadas para avaliar a cinética de degradação dos alimentos no rúmen. Estes modelos matemáticos partem do pressuposto que o desaparecimento do alimento é igual à degradação no rúmen. A incorporação de parâmetros cinéticos de degradação e da taxa passagem permite que a extensão de degradação ruminal dos nutrientes do alimento seja estimada (Ørskov e McDonald, 1979; France et al., 1990). A equação de Mitschelish proposta por Ørskov e McDonald (1979) é comumente utilizada, entretanto outras equações foram propostas (Robinson et al., 1986; France et al., 1990; Dhanoa et al., 1995; Sampaio et al., 1995). Essas equações normalmente consideram a existência de três frações do alimento, a solúvel e rapidamente degradada (a), a fração insolúvel potencialmente degradável (b) que esta sujeita a uma taxa de degradação especifica (c) e a fração não degradável. A fração potencialmente degradável é encontrada pela soma de a e b. Alguns modelos ainda incorporam uma fase lag, que corresponde ao tempo de colonização do alimento pelos microorganismos do rúmen. De acordo com Lopez et al. (1999) os modelos sigmoides (Mitscherlich generalizada, Michaelis-Menten generalizada e Von Bertalanffy) são boas alternativas ao modelo exponencial negativo mais comumente utilizado (Mitscherlich simples). Estes modelos são capazes de lidar melhor com as variações no perfil de desaparecimento do alimento e parecem representar o processo biológico de forma mais racional do que modelos não sigmoides. Entretanto, comparando diversos modelos Lopez et al. (1999) concluem que as estimativas da extensão da degradação de várias forragens e seus componentes nutricionais com taxas de passagem variadas parecem ser semelhantes.
Informações mais detalhadas com relação à técnica in situ de degradação ruminal podem ser encontradas nos trabalhos de Nocek (1988), Weiss (1994) e Vanzant et al. (1998).