4. Siyasette ve Medyada Düşman Yaratma, Ötekileştirme ve Kutuplaştırma
4.2. Türkiye’de Siyasi Kutuplaşmanın Temel Dinamikleri
Pedro Fiuza
Cineclube Natal pedrofiuza@gmail. com
Preso na Escuridão (Abre los Ojos), 1997, Alejandro Amenábar, Espanha; Vanilla Sky (idem), 2001, Cameron Crowe, EUA.
Jovem, bonito e rico, um poderoso empresário pode ter tudo que seu coração deseja. Mesmo assim, sua vida encantada parece incompleta. Certa noite, ele conhece a mulher de seus sonhos e acredita que achou a peça que faltava. Porém, o fatal encontro com uma amante ciumenta põe seu mundo fora de controle, deixando sequelas que acompanham toda a trama.
V
amos começar do meio. Da sequência inicial do remake, que é oponto equidistante entre o começo de Preso na Escuridão e o final de Vanilla Sky. A canção Everything in Its Right Place começa tocar serenamente ao fundo de uma pacata cena em que Tom Cruise desperta no seu luxuoso apartamento, em Manhattan, e seu chará Thom Yorke canta o que não podia estar mais errado. Ironicamente, nada está em seu devido lugar.
David Aames (Tom Cruise) acha que em sua vida tudo está no seu devido lugar. O que não está, julga-se capaz de corrigir como quem arranca um fio de cabelo branco de um penteado impecável. David é perfeito. Sua vida é perfeita. Seu visual é perfeito. Seu apartamento e seu carro são perfeitos. Infelizmente ele não nota que sua perfeição e seu ego são o suficiente para preencher, sozinhos, uma metrópole de um milhão de habitantes.
A sequência de abertura é encerrada numa das cenas mais memoráveis desta história, em que esse playboy se encontra num cenário apocalíptico ao se deparar com o centro da cidade (Madrid em Preso na Escuridão, Nova Iorque em Vanilla Sky) completamente abandonado. Para a felicidade de David ou César (Eduardo Noriega na versão espanhola), aquilo não é o apocalipse senão apenas um sonho (ou pesadelo). Mas David e César deveriam confiar mais nos seus sonhos, porque uma espécie de apocalipse está mesmo prestes a acontecer. Não com todo o mundo, apenas com eles. O que dá no mesmo, já que eles são o próprio centro de seu universo.
A causa disso provavelmente foi um fio de cabelo branco negligenciado e que cresceu mais do que deveria. O nome dele é Nuria (Najwa Nimri) na versão espanhola ou Julie Gianni (Cameron Diaz) na americana. E se há uma regra universal – pelo menos no universo dos playboys – é que para toda fortuna existe uma mulher interesseira. Algumas se apaixonam apenas pelo dinheiro. Outras – as mais perigosas – também pelo coração do proprietário. Nuria/Julie se enquadram no segundo grupo.
A antagonista da história é muito bem informada do que o bon vivant possui de material. Porém, nem ele sabe que sua vida é tão vazia quanto a metrópole do pesadelo. Até que a figura de Sofia, mantendo o mesmo nome nas duas versões, traz um lampejo de sabedoria junto com seu amor. Na versão hollywoodiana, não só a alcunha foi preservada. A característica pós-moderna de cultivar elementos de fora da tela também foi seguida quando o diretor do remake, Cameron Crowe, fez uma de suas mais felizes escolhas ao reescalar Penélope Cruz para o papel. Sendo uma das melhores atrizes europeias desta geração, sua presença rendeu a melhor atuação em ambos os filmes – e ainda proporcionou um romance com Tom Cruise no melhor estilo pós-moderno (fora das telas, como uma extensão da ficção).
Agora com Sofia na história, o previsível acontece. O mulherengo, enfim, se apaixona por alguém capaz de preencher as lacunas que o separavam de uma
vida verdadeiramente perfeita. Contudo, ao passo que chega ao mundo real, ele descobre que coisas ruins acontecem. Todos aqueles anos de deliberada volúpia seriam punidos pelo universo através de seu algoz Nuria/Julie.
Ela falha ao tentar conquistar o protagonista e é igualmente incompetente ao tentar matá-lo, motivada pela velha máxima “se eu não posso ter, ninguém pode”. Com o carro, provoca um acidente suicida que a mata, e o deixa bastante ferido e com o rosto desfigurado, obrigando-o a usar uma máscara para encobrir o estrago. Ironicamente, é a partir daí que sua real máscara cai, porque nem mesmo diante do verdadeiro amor ele consegue se desfazer de uma vida de aparências. Decide, então, não mais procurar Sofia até conseguir reconstruir seu rosto, pagando os cirurgiões plásticos mais talentosos. Para um sujeito tão narcisista, a perda da beleza exterior é a perda da capacidade de ser amado.
Com Sofia ainda na história, o imprevisível também acontece. Nosso protagonista não tem coragem suficiente para ir atrás do resquício de sentido de vida (dele) que era Sofia, revelando-se, na reviravolta final, um anti-herói, fraco e covarde. Com essa ousadia o filme mostra sua maior qualidade, ao revelar que esta não é apenas uma história de amor. Aliás, nos lembra que o amor não dura para sempre. Dura o tempo de uma vida, que inclusive é muito pouco para esperar por alguém. Principalmente quando se está 150 anos atrasado!
Numa história de amor, quase sempre torcemos e sonhamos para que haja um final feliz. Em Preso na Escuridão e Vanilla Sky o romance foi possível apenas no sonho. César e David sucumbiram à feiura e cometeram suicídio. Não sem antes contratarem uma empresa de criônica para congelar seus corpos. Mas a verdade é que eles não deram chances para o amor de Sofia, restando-lhes sonhar com ela durante o período de, digamos, “hibernação”. Cento e cinquenta anos depois, prestes a acordar, eles descobrem que ainda
que seus sonhos tivessem sido perfeitos, não seriam tão intensos quanto uma vida de imperfeições. Ou como o próprio suporte técnico afirma: “o doce nunca é tão doce sem o amargo”.
Com este novo aspecto de ficção-científica, esses dois filmes são capazes de atingir seu auge. O drama, dominante, não apresentaria nada de tão especial se não fosse o enfoque fantástico, metaforizando e relativizando os sentimentos e o sentido da vida. Essa mistura é a MELHOR coisa desta sessão dupla, capaz de causar os arrepios necessários para eternizar a história.
Para falar da criônica, basta dizer que é o ramo da ciência que se utiliza de baixas temperaturas para preservar seres humanos e outros animais que não podem mais ser mantidos vivos, supondo-se que a reanimação seja possível
no futuro. 27 No cinema, seu exemplo mais óbvio é Eternamente Jovem (1992),
com Mel Gibson, Elijah Wood ainda garoto e um roteiro até que semelhante. Mas em 1997, Preso na Escuridão inovou quando ignorou completamente a reanimação do personagem e sua volta ao mundo real. Ao invés disso, preocupou-se em remontar os acontecimentos que levaram ao uso da criônica e, principalmente, em imaginar como seria o “limbo” de quem está congelado. Essa ciência em si não é algo tão distante da realidade. Pode parecer surreal, mas de fato existem organizações que lidam com a criônica. Há centros nos Estados Unidos, Canadá, Finlândia, Reino Unido, Portugal, Espanha, Itália, Japão, Austrália, Nova Zelândia, entre outros. As duas maiores organizações, Alcor Life Extension Foundation e Cryonics Institute, ambas americanas, somam juntas quase 200 corpos de “pacientes”. Todavia, enquanto a ciência está somente preocupada com a conservação material do corpo, apenas o cinema foi além ao se preocupar com a conservação da mente.
27 Criônica (Wikipedia, a enciclopédia livre). Disponível em: <http: //pt. wikipedia.
Quando Alejandro Amenábar e Mateo Gil resolveram tratar da questão, não só abordaram a oscilação entre consciência e inconsciência mas também transpuseram essa instabilidade para o roteiro de Preso na Escuridão, entrecortando-o com diferentes fios de narrativas e instigando o espectador a decifrar o que era real e o que era imaginário na história. Essa alternância também está presente no já mencionado romance versus ficção-científica – e até um breve suspense policial –, mas é consagrada com a complexidade dos valores humanos, personificada em César, que é capaz de transitar facilmente entre heroísmo e fraqueza.
Em resumo, César e David são anti-heróis. O roteiro, que sutilmente critica também o sistema capitalista, mostra que o protagonista é fraco o suficiente para precisar de uma terceira chance “na vida” – a primeira seria o nascimento, a segunda, um misto de Sofia e ter sobrevivido ao acidente, e a terceira, a criônica – que ainda por cima é paga. No ato maior de covardia, suicida-se para acabar logo com a agonia de viver no mundo real, simplesmente porque sua beleza esgotou-se.
Contudo, sua vaidade atinge o ápice quando, no contrato, ele solicita o “adicional” – Percepção Artificial (Preso na Escuridão) ou Sonho Lúcido (Vanilla Sky) – uma espécie de paraíso virtual que se intersecta com sua vida regressa, apagando, porém, o momento de sua morte. O paraíso vira inferno quando suas memórias e culpa invadem a realidade virtual que ele pagou para ser construída, frustrando mais uma vez seu ideal de perfeição.
De nossa parte, está evidente que a importância demasiada ao dinheiro e ao sucesso tem criado frustrações na sociedade moderna. Com a disseminação do conceito de perdedor fica fácil justificar certos avanços na ciência e na tecnologia como ilusões de novas chances. Hoje em dia, com a “virtualização”, cada vez mais presente, das relações humanas, podemos apontar diversos exemplos. O mais ilustrativo é o do videogame e sua opção de reiniciar,
de tentar de novo sempre que se falha durante o jogo. O bombardeio desse conceito nos dá a impressão de que podemos adiar nossas escolhas. No Japão, já não se escolhe mais morrer com dignidade cometendo o harakiri, como faziam os samurais. Ao invés disso, isolar-se da sociedade tem ficado cada vez mais popular no que se conhece por hikikomori.
A escolha por não querer viver nem morrer pode ser notada em outros filmes como o segmento Shaking Tokyo que o sul-coreano Bong Joon-ho dirigiu para a antologia Tokyo! (de 2008), tratando justamente dessa condição de hikikomori; ou, na condição mais rudimentar de negação da realidade – o sonho –, como tratou Michel Gondry em Sonhando Acordado (2006). Gondry e Bong Joon-ho são, não por acaso, dois diretores contemporâneos (inclusive parceiros no próprio Tokyo!) que, juntos a Amenábar, somam três mentes jovens preocupadas com o mundo da forma como o conheceram. Amenábar, por sua vez, tratou a negação da vida através desse videogame que é a Percepção Artificial – mais bem renomeado por Cameron Crowe como Sonho Lúcido – em que não se é possível ter somente a terceira chance como a quarta, a quinta, a sexta e assim por diante, bastando solicitar à empresa contratada, de dentro do sonho, que reinicie o processo, sempre que este não estiver ao agrado.
A verdadeira terceira chance de César e David não é o serviço de paraíso artificial como eles pensam, mas sim a escolha de ser descongelado e voltar à realidade. No entanto, por tudo o que o personagem apresentou na história, não é difícil que ele seja fraco e covarde nessa nova vida. Contudo, por ser real, somente esta pode ser vivida intensa e verdadeiramente. E ainda que se erre, vale mais que incontáveis sonhos como um herói – até porque, a exemplo do filme, nosso inconsciente não esquece quem realmente somos e nos sabota quando menos esperamos.
Pensando bem, não conseguimos enganar nem mesmo a um videogame. Se não temos habilidade para superá-lo, com certeza fracassaremos ali também. O ponto positivo é que os jogos, os sonhos e o próprio cinema podem nos dar lições capazes de antever o caminho a ser tomado. É aí que recai a ilusão ou esperança de que há um final feliz em Preso na Escuridão e Vanilla Sky. César e David já tiveram lições demais. Quem sabe agora eles não se empenham em jogar a sua melhor partida?
A gratuidade de finais felizes no cinema faz com que estes precisem ser cada vez mais competentes para não caírem no lugar-comum. Felizmente, Vanilla Sky nos deu um feliz final para esta sessão dupla, justamente porque é um filme competente. Uma raridade dentre os sempre duvidosos remakes hollywoodianos. Torcemos por uma boa adaptação, ignorando que a maior motivação da indústria é o lucro, que pega carona nessa curiosidade do espectador e na qualidade do filme original, o qual muitas vezes vem de outro país; o que colabora com a estatística de que Hollywood produz mais adaptações (de livros, video games, séries de TV etc.) do que obras originais. Mas ao mesmo tempo, não podemos desconsiderar que no mundo não existe país ou polo produtor com maior experiência de trabalhar efeitos visuais do que Hollywood. Nesse caso, um remake pode lapidar melhor uma gema bruta. Preso na Escuridão é essa gema com todo seu potencial narrativo e de conteúdo, mas com brechas visuais passíveis de melhora, como a direção de arte, a fotografia e os efeitos especiais. Por outro lado, também não é um filme que clama por essas características, com se essas fizessem falta à obra. Isso é ótimo, pois permite que cada versão tenha sua identidade própria e a da espanhola é usar os efeitos especiais de forma discreta e sugerida.
Mesmo com um orçamento bem maior – cerca de US$ 65 milhões a mais – Cameron Crowe não deixou que os efeitos se tornassem os protagonistas
de Vanilla Sky, engolindo o que o original tem de melhor que é o roteiro. Ao invés disso, tratou a história com respeito, incrementando seu potencial visual e conservando algumas indicações do original: tomadas fortemente iluminadas, enquadramentos específicos – como os da máscara caída na boate deixando passar um feixe de luz pelo buraco dos olhos – ou até sequências inteiras como a do início, na cidade vazia, ou a do fim, em cima do arranha-céu.
Entretanto, discutir diferenças entre os dois nos leva a pensar que a discussão sobre a validade dos remakes sempre existirá no cinema. Ou pelo menos enquanto o dinheiro fizer parte dessa negociação, ou seja, por muito tempo. Contudo, é saudável, além de divertido, tentar chegar a um veredicto sobre qual é melhor. E nesta sessão dupla, não tenho a menor dúvida de que Vanilla Sky não só é válido como é melhor do que Preso na Escuridão. Pode parecer desconsideração com a originalidade da primeira versão, mas a experiência cinematográfica, o sentimento de ser inundado pela história – que, é claro, é apenas uma das formas de ser ver cinema – foi mais bem alcançado em Vanilla Sky. É como se Preso na Escuridão fosse um ensaio.
Nesse sentido, não há como desconsiderar seus verdadeiros autores. O forte de Preso na Escuridão é o argumento e seu roteiro. Por isso Alejandro Amenábar e Mateo Gil são os verdadeiros “pais da criança”. A direção, no entanto, está melhor nas mãos de Cameron Crowe. Talvez porque ele tenha sido, para os padrões de Hollywood, um ótimo diretor, impedindo que o orçamento o dirigisse e cometesse as já comuns alterações que quase sempre resultam em desastre.
Vanilla Sky não só manteve a essência do filme como acrescentou
detalhes que enriqueceram a experiência. As (42928) referências pop de Crowe
não foram gratuitas e justificaram o mundo que David Aames construiu em
28 Vanilla Sky (2001) – Trivia. Disponível em: <http: //www. imdb. com/title/tt0259711/
seu sonho. Como quando sonhamos com um lugar em que não estivemos ou com pessoas que não conhecemos: tiramos de nossas referências de vida. David passou então por uma rua que, na verdade, é a capa de um disco de Bob Dylan, usou cinema para criar um psicólogo paternal a exemplo de Gregory Peck, em O Sol É Para Todos e, para imaginar como Sofia agiria, utilizou a Jeanne Moreau de Jules e Jim. Além, é claro, de buscar no quadro preferido
de sua mãe o céu para o seu Sonho Lúcido: uma pintura de Monet29, um céu
idealizado, um céu de baunilha (vanilla sky, em inglês).
Essas referências demandaram um zelo da fotografia e direção de arte, principalmente nas cenas dentro do Sonho Lúcido, estendendo o laranja e o azul do “céu de baunilha” para o resto do enquadramento. A escolha de David por um céu paradisíaco não só tornou belas as sequências, como deu um tom de tranquilidade, por mais adversa que fosse a situação.
Já a trilha de Vanilla Sky se beneficiou com a intimidade que Crowe tem com o ramo musical, tendo sido editor da revista Rolling Stone. Destacam-se as famosas e pertinentes Everything in Its Right Place (Radiohead) que abre o filme passando a falsa impressão de que está tudo bem, as três faixas da exótica banda islandesa Sigur Rós, sobretudo a que fecha o filme (Njósnavélin) e Good Vibrations (The Beach Boys) dando um tom sarcástico à cena em que David descobre o mistério por trás da empresa de criônica, quando a verdade começa a vir à tona e é tão dura que ele está a ponto de ter um colapso – ficando ainda melhor quando Tilda Swinton olha em direção à câmera como se perguntasse se o espectador também vai surtar. Por outro lado, tivemos que, infelizmente, aguentar Cameron Diaz cantando (ainda que a intenção fosse mesmo irritar) e a fraca e dispensável música tema por Paul McCartney, as duas canções originais. Nas atuações, Vanilla Sky também fica à frente, o que pode ser facilmente medido, já que boa parte dos diálogos não teve uma vírgula alterada –
ponto negativo pro remake. Salvo o caso de Cameron Diaz, que é uma atriz bastante limitada, deixando o papel de antagonista melhor (mas não muito) interpretado pela caricata Najwa Nimri, na versão espanhola. Como Sofia é interpretada por Penélope Cruz nos dois filmes, sua (boa) atuação não pende para nenhum lado. Ou talvez um pouco para Vanilla Sky, em que tem mais química com Tom Cruise do que com Eduardo Noriega. Cruise, aliás, se sai acima do esperado, já que faz o tipo de personagem que é “a sua cara”. E a paixão por Penélope – na ficção e na realidade – talvez tenha sido mais do que natural, uma vez que sua obsessão pelo filme, segundo declarou, começou quando viu o original pela primeira vez e tentou comprar os direitos de refilmagem falando ao celular enquanto subiam os créditos finais. Já Kurt Russel não difere muito de Chete Lera no personagem exagerado do psicólogo e ambos estão ok. Por fim, Jason Lee entrega uma atuação muito acima de Fele Martínez, como o amigo passional do protagonista.
Algumas diferenças mais: em Preso na Escuridão, César parece ser mais amargo do que David em Vanilla Sky. Nesse sentido, César é mais complexo, com características que reforçam a construção de um anti-herói: essencialmente amargo, isolado e mimado. No desfecho do filme, ele ainda encontra espaço para reclamar que “pagou por um serviço diferente daquele”. Já David aponta para o politicamente correto, como não poderia deixar de ser numa produção hollywoodiana. Ele aproveita mais o romance com Sofia e esse amor é capaz até de modificar sua conduta, planejando dignificar o nome do pai na empresa herdada – mas que outrora servia meramente como provedora de fundos para suas farras. Ou seja, Vanilla Sky faz juízo de valor do que é uma vida correta, enquanto Preso na Escuridão prefere deixar em aberto. Uma curiosidade acerca da versão hollywoodiana é o medo de altura de David. Servia tanto como uma “trava de segurança” – se ele caísse e morresse no Sonho Lúcido, acordaria na vida real – quanto uma metáfora para sua falta de coragem de tomar riscos na vida ao se jogar nela. Do original espanhol,