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2.6 Türkiye’de ve Seçilmiş Ülke Örnekleri ile İşsizlik Sigortasından Yararlanma

2.6.2 Türkiye’de İşsizlik Ödeneğinden Yararlanma

Os isótopos são átomos ou nuclídeos de um mesmo elemento químico que, ainda que contenham igual número de prótons, apresentam, em seus núcleos, diferentes números de nêutrons. Embora esses diferentes isótopos de um mesmo elemento se encontrem em uma mesma posição da tabela periódica, as diferenças de massa, geradas pela ocorrência de diversos números de prótons, fazem com que eles apresentem leves modificações em suas propriedades. E, uma vez sujeitos a ação de processos físico-químicos específicos (como evaporação, condensação e difusão), esses isótopos podem acabar perdendo nêutrons, gerando assim novos isótopos. A esse processo dá-se o nome fracionamento isotópico (HÖLZL, 1997).

Segundo esse mesmo autor, a ocorrência e o grau das alterações isotópicas dependem, principalmente, da diferença relativa de massa entre os isótopos. Embora o fracionamento isotópico ocorra de forma natural, as alterações desse tipo estão restritas a elementos de baixa massa atômica, pois, neles, a diferença relativa de massa é mais elevada. Em geral, isótopos desses elementos que não apresentam um decaimento radioativo, são denominados isótopos estáveis. Exemplo de elementos que naturalmente geram fracionamento isotópico são o oxigênio (e.g. 16 O e 18O) e o carbono (14C, 13C e 12C).

Entretanto, variações isotópicas também são observadas em muitos elementos pesados, os quais não são suscetíveis ao efeito isotópico. No caso desses elementos de maior massa, a causa da variabilidade isotópica está geralmente associada a um decaimento radioativo – o Rubídio (87Rb), por exemplo,

leva em torno de 4,88x1010 anos (meia vida) para decair a Estrôncio (87Sr). Em geral, esses isótopos gerados através de um decaimento que dependem da radioatividade de um isótopo mãe são denominados isótopos radiogênicos. Normalmente a abundância desses isótopos radiogênicos é determinada em relação a um isótopo

não radiogênico. Esse é o caso da razão isotópica do próprio estrôncio (87Sr/86Sr),

onde a abundância do isótopo radiogênico (87Sr) é obtida relativamente ao do

isótopo estável (86Sr).

Com a intenção de melhor compreender a maneira como os povos dos sambaquis se relacionavam com os antigos ambientes do litoral do estado de São Paulo e se distribuíam ao longo de suas paisagens naturais e culturais, procurou-se utilizar a composição da razão isotópica dos elementos carbono (13C/12C), oxigênio (18O/16O) e estrôncio (57Sr/56Sr), presentes nas conchas (carbono e oxigênio) e nos ossos e dentes humanos (estrôncio) depositados nos sambaquis, como indicadores das condições paleoambientais e da dispersão dos sambaquieiros ao longo do litoral.

Nesse sentido, os isótopos dos elementos carbono e oxigênio foram analisados com o intuito de se determinar em que condições de paleotemperatura e paleosalinalidade as conchas presentes nos sambaquis se formaram. Como essas conchas, mesmo no momento de sua captura, ainda continuavam a formar suas valvas (pois só parariam de secretar sua carapaça a partir de mortas), pressupomos que a salinidade e a temperatura da água em que foram coletadas podem indicar, de um modo aproximado, que tipos de ambientes (marinho, estuarino, lagunar, lacustre ou fluvial) e águas (água marinha, mista ou doce) os sambaquieiros as coletariam.

Em relação ao estrôncio, o processo ocorre de modo semelhante. Com base nas razões isotópicas de estrôncio presentes nos ossos e dentes humanos, procurou-se, inicialmente, correlacionar a localização dos sambaquis considerados com a distribuição das razões isotópicas naturalmente encontradas ao longo do litoral do estado de São Paulo e também do Vale do Ribeira. Em segundo momento, de modo complementar, procurou-se identificar diferentes conjuntos de sítios a partir da análise da dispersão dos valores das razões isotópicas de estrôncio.

2.2.4.1. Isótopos radiogênicos: estrôncio

Embora o estrôncio tenha quatro isótopos que ocorrem naturalmente (88Sr,

possui uma origem radiogênica, que é produto do decaimento isotópico 87Rb. Em

conseqüência desse decaimento e da extrema longa vida desses isótopos, eles podem ser utilizados para se determinar a idade das rochas em um espectro que chega a atingir milhões de anos (HODELL, 2004, p.3).

Por si só essa característica já apresentam um grande potencial para a sua aplicação em estudos arqueológicos, pois, uma vez que tal fracionamento aconteça, as razões isotópicas presentes nas rochas e nos sedimentos que delas se originaram, permanecerão as mesmas por um período de tempo muito superior ao relativo à ocupação humana das regiões em questão. Nesse sentido, mesmo que as populações humanas absorvam esses isótopos (através do consumo de água e de alimentos) ao longo de sua vida, eles continuam atuando, segundo Hölzl (op. cit.), como traçadores naturais das regiões de onde a água era proveniente, o alimento cresceu ou foi plantado e onde os animais foram abatidos.

Com base em um estudo a respeito da variação espacial dos isótopos de estrôncio (87Sr/86Sr) ao longo do território maia, Hodell et al.(2004) afirmam que é possível estudar migrações e processos de sedentarismo de populações e indivíduos pré-históricos a partir de ossos e dentes humanos, pois:

Strontium isotope ratios reflect the geologic substrate, or bedrock, from the landscape where an individual obtained foodand water, and these ratios are incorporated into theskeleton and dentition during tissue formation without isotopic fractionation. Differences in Sr isotopic ratios of tooth enamel and bone sampled from one individual may be used to infer movement across different geologic terrains over an individual’s lifetime (HODELL, 2004, p.1). Ainda que alguns estudos, como o de Price et al. (2002), apontem que nem sempre existe uma relação direta entre os isótopos de estrôncio presente nas rochas e as razões encontradas nesses alimentos, é importante ressaltar que no âmbito da presente pesquisa a diferenças de valores geradas em conseqüência dessas alterações não influenciam nossa interpretação. Isso porque não se procura aqui estabelecer um estudo quantitativo com base na identificação das assinaturas isotópicas, como, por exemplo, realizado por Bentley et al. (2003), em comunidades

da Europa Central, e, por Price et al. (2000), em grupos do sudoeste da América do Norte.

Nesse sentido, mais do que caracterizar as razões presentes ao longo dos diversos tipos de rochas, sedimentos, alimentos e águas, o que se objetiva aqui é analisar comparativamente, entre diferentes grupos de sítios e locais, as razões isotópicas “médias” entre os indivíduos. Ou seja, como a diferenciação entre esses grupos é inferida a partir da análise da dispersão dos valores das razões isotópicas, não buscamos diferenciar as razões isotópicas do estrôncio relativas às diferentes fases da vida dos indivíduos (nascimento, últimos anos, etc), nem às precisas correlações com as assinaturas isotópicas locais.

Embora reconheçamos a contribuição desses estudos, é importante ressaltar também que tais objetivos não se encontram entre os propostos no âmbito da presente Tese. Na qual, a análise das razões isotópicas do estrôncio é utilizada principalmente para fundamentar a proposição de novas hipóteses a respeito das descontinuidades, semelhanças e diferenças entre as diversas concentrações de sambaquis. Quando discutimos a possibilidade de mobilidade entre os grupos sambaquieiros, o fazemos através do distanciamento de determinado valor em relação à tendência principal da dispersão dos dados de um grupo ou da aproximação com outro.

Com esse propósito, foram selecionadas diversas amostras de ossos e dentes humanos, depositadas na reserva técnica do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE/USP), referentes às principais áreas de concentração de sambaqui ao longo do estado de São Paulo: baixo Vale do Ribeira, médio Vale do Ribeira, litoral centro e litoral norte. Dando-se preferência a amostras cujas camadas apresentavam idades conhecidas.

Embora neste estudo tenhamos optado por não utilizar as assinaturas isotópicas locais e de fauna como controle de nossas análises, é importante ressaltar que em hipótese alguma abandonamos a preocupação com a precisão e a exatidão dos dados. No sentido de identificar discordâncias entre os dados e apontar possíveis contaminações decorrentes da absorção diferencial dos diversos tipos de

estruturas osteológicas, adotamos como estratégia a análise de diversos tipos de ossos (compactos e porosos) e de diferentes partes dos dentes (esmalte e dentina).

Assim, sob tal perspectiva, foram enviadas para análise, no Laboratório de Isotopia Geológica (LIG) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (coordenado pelo Prof. Dr. Farid Chemale), um total de 23 amostras. As quais são apresentadas no quadro abaixo (tabela 2.04).

Tabela 2.04 - Amostras de ossos e dentes humanos utilizadas para a realização das análises isotópicas de estrôncio

AMOSTRAS DE DENTES E OSSOS HUMANOS PARA ANÁLISE ISOTÓPICA DE ESTRÔNCIO

NÚMERO

AMOSTRA SÍTIO TIPO DESCR. OBSERVAÇÃO