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1.3. Girişimciliğin Tarihsel Gelişimi

1.3.2. Türkiye’de Girişimcilik

Visando conhecer o perfil das empresas, o primeiro item analisado do questionário aplicado, refere-se ao número de funcionários das operadoras participantes da pesquisa. Pode-se notar que, em linhas gerais, as operadoras receptivas investigadas são empresas de pequeno porte - 79% delas possuem até 30 funcionários. Cabe apontar que as empresas de pequeno porte ainda são a maioria na estrutura comercial do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em 2005, os negócios com menos de 20 pessoas empregadas correspondiam a 97,8% do total de empresas do país, somando 1,4 milhão de estabelecimentos. 8% 13% 37% 21% > 40 funcionários 31 a 40 1 a 10 21 a 30 11 a 20 21%

GRÁFICO 1- Número de Funcionários das operadoras receptivas estudadas Fonte: Elaboração própria

O turismo é um fenômeno recente. No Brasil, apenas na segunda metade do século XX houve um desenvolvimento exponencial do setor. Segundo Rabahy (2003 apud ALLIS, 2006:62), enquanto em nível mundial o turismo expandiu 110,5%, no Brasil, entre 1985 e 2001, a expansão foi de 174%. De 1990 a 2000, o número de turistas estrangeiros aumentou consideravelmente, em torno de 500%, passando de 1.091.067 em 1990, para 5.313.483 em 2000 (EMBRATUR, 2004 apud ALLIS, 2006:62). Para Allis (2006), a entrada de cadeias hoteleiras internacionais e a visibilidade do país no cenário internacional contribuíram para o acentuado crescimento.

Em 21 de julho de 1980, o Decreto Nº 84934, versou sobre as atividades e serviços das agências de turismo, com tratamento específico acerca de registro e funcionamento. Além disso, no ano de 1986, o Decreto-Lei 2.294/86 assegurou serem livres em território nacional o exercício e a exploração de atividades e serviços turísticos, ou seja, extinguiu o registro e tornou livre o exercício da atividade turística no Brasil, fundamentado nos princípios da livre-iniciativa e da livre- concorrência, facilitando a abertura de empresas dessa natureza .

A conjugação desses fatos parece justificar que as empresas tenham, em sua maioria, de 11 a 20 anos (como apresentado no gráfico 2) e que nenhuma empresa atue há mais de 40 anos no mercado turístico.

0,0% 20,8% 20,8% 20,8% 37,5% 0% 10% 20% 30% 40% > 40 anos 1 a 10 21 a 30 31 a 40 11 a 20

GRÁFICO 2 – Tempo de funcionamento das empresas investigadas Fonte: Elaboração própria

Ao indagarmos acerca do mercado consumidor das empresas em questão, 91% dos respondentes apontaram o mercado europeu. Vale esclarecer que os gestores das empresas turísticas poderiam optar por marcar mais de uma opção, por isso a soma das porcentagens ultrapassa os 100%. O mercado americano também merece destaque, com 58,3%. Mercados como América do Sul, Oceania, Ásia e América Central, são atendidos de forma equivalente pelas empresas. O mercado africano é o de menor representatividade junto ao universo investigado.

16,60% 33,30% 33,30% 37,50% 41,60% 58,30% 91,60% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% África América Central

Ásia Oceania América do Sul

América do Norte

Europa

GRÁFICO 3 - Mercados atendidos pelas empresas investigadas Fonte: Elaboração própria

Esses dados não se contrapõem com os propagados pela EMBRATUR, nem com os dados visualizados no RIO MAIS (2007:3), Plano de turismo da cidade do Rio de Janeiro, lançado em março de 2007: “Os principais emissores de turistas estrangeiros para a cidade, são: USA (21,5%), Argentina (11,77%), Portugal (7,63%) e a França (5,93%)”.

GRÁFICO 4 – Principais países emissores de turistas para o Brasil Fonte: EMBRATUR, 2004.

Para os bacharéis em Turismo, em relação ao apresentado, deve-se levar em consideração a consolidação da EMBRATUR, que nos dos últimos anos assumiu o papel de promoter do Brasil, auxiliando as operadoras receptivas brasileiras na

captação de mercados com estratégias eficazes, especialmente na Europa e América do Norte. Para o grupo, os países da América do Sul, devido à proximidade geográfica, geram um fluxo emissivo natural.

Outro ponto debatido refere-se à questão do exotismo, pois, na visão do grupo, para os estrangeiros, o Brasil representa um lugar paradisíaco, ou como afirma Bignami (2005: 123), um paraíso ainda em estado selvagem: “O Brasil é considerado uma terra de contrastes, um paraíso e um inferno contemporaneamente. Uma terra de grandes riquezas e pobrezas. É selvagem, sensual e místico”, acabando por atrair turistas do denominado “primeiro mundo”, que buscam encontrar aqui algo não vivenciado em seu país de origem.

Praticamente todas as empresas atendem às outras operadoras no exterior – 95, 8%. Apenas 4,16% delas, atendem ao cliente direto10.

4,16% 37,50% 95,80% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Cliente direto ou Empresas Agências de Viagens (no exterior) Operadoras (no exterior)

GRÁFICO 5 – Público-alvo das empresas investigadas Fonte: Elaboração própria

Como visto no capítulo 4 desse trabalho, as operadoras turísticas receptivas são responsáveis por montar os pacotes de viagem e nem sempre fazem a venda para o público final, ou seja, em geral, elas passam os pacotes para os agentes de viagem ou outras operadoras, que, por sua vez, comercializam o produto. O

10 Para compreender o papel das operadoras receptivas no SISTUR, indica-se a leitura do capítulo 4

esquema abaixo vislumbra o funcionamento de uma operadora local (receptiva) ao montar um pacote de cunho cultural:

FIGURA 11 – Esquema de cadeia de distribuição e comercialização do Turismo Cultural Fonte: Turismo Cultural, MTUR, 2008:46

Em relação aos tours mais procurados pelos turistas estrangeiros no estado do Rio de Janeiro, independente do segmento, 12 atrativos foram apontados. Neste item, podia-se citar até três opções acerca do solicitado. Aqui, percebe-se a hegemonia do Corcovado e do Pão de Açúcar como atrativos que sintetizam a cidade, já que ambos estão consideravelmente à frente dos demais tours, com 79,16% cada. Um dos participantes do grupo focal assinalou que talvez haja “certo comodismo por parte das empresas turísticas”, que acabam por eternizar o estereótipo carioca com a venda destes produtos. Todavia, sabe-se que estes são atrativos que, já cristalizados no imaginário do estrangeiro por diversos fatores, representam a cidade.

79,16% 79,16% 25% 16,60% 16,60% 8,30% 8,30% 8,30% 8,30% 4,16% 4,16% 4,16% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Corcovado Pão de Açúcar Costa Verde Carnaval Rio By Nigth Jardim Botânico Favelas tours Rio Antigo-Centro do Rio de Janeiro Búzios Petrópolis Floresta da Tijuca City Tour

GRÁFICO 6 – Tours mais procurados no estado do Rio de Janeiro Fonte: Elaboração própria

A Costa Verde11 apareceu com 25% das indicações, ficando à frente de atrativos como o carnaval, surpreendendo os integrantes do Grupo Focal. O tour às favelas cariocas, item bastante controverso, que será comentado no decorrer deste capítulo, também foi apontado com 8,3%, parecendo sinalizar para o que afirmou Freire-Medeiros (2006:21): ”(...) favelas são destinos turísticos que podem ser promovidos, vendidos e consumidos de diversas maneiras: como paisagem física e/ou social, como destino eco-turístico, como turismo de aventura e/ou cultural”.

Espontaneamente, já aparecem, além de Paraty (município situado na Costa Verde, que, segundo a EMBRATUR, está entre as dez cidades mais visitadas no Brasil), Rio Antigo e Petrópolis, atrativos reconhecidos pelo trade turístico como ícones do turismo cultural no estado.

Também buscou-se averiguar junto aos operadores receptivos a aceitação dos mesmos em relação ao conceito apresentado em 2006 pelo Ministério do Turismo, em conjunto com o Ministério da Cultura e o IPHAN, sobre o turismo cultural como aquele que “compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura”. É importante lembrar que, apesar da ampla bibliografia sobre o tema, não

11 A Costa Verde envolve os Municípios de Angra dos Reis, Itaguaí, Mangaratiba, Paraty e Rio Claro.

Localizada ao sul do Estado do Rio de Janeiro, no limite com o Estado de São Paulo, a Costa Verde possui 3.229,5 km² e população de 271.923 habitantes, desempenhando importante papel no cenário turístico estadual (TurisRio, 2008).

há uma conceituação única sobre o que venha a ser o turismo cultural, como apresentado no capítulo 2.

Como percebido (gráfico 8), 87,5% dos operadores concordam com a conceituação apresentada, parecendo validar o apresentado pelo órgão oficial máximo do turismo no país. Os respondentes discordantes parecem questionar e/ou confundir o conceito de cultura e o conceito de patrimônio, em especial o material. Para ilustrar, expõe-se a seguinte afirmação:

Porque pra mim a cultura não é apenas um patrimônio. A cultura é a música, a gastronomia, as pessoas, o folclore brasileiro (...). A cultura brasileira é muito rica, muito diversa, eu acho que temos que abrir o leque, ou seja, dar mais espaço para essa cultura, porque ela abrange muita coisa, não é só prédio e história12.

12,50% 87,50% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Sim Não

GRÁFICO 7 – Concordância com o conceito criado pelo MTUR para Turismo Cultural. Fonte: Elaboração própria

No intento de adentrar na discussão sobre os produtos turísticos de cunho cultural, perguntou-se aos operadores quais dentre os tours oferecidos pela empresa envolviam o Turismo Cultural. Por ser uma resposta aberta, uma grande variedade de respostas emergiu, como observado na tabela 8. Nota-se que atrativos como Pão de Açúcar e Corcovado, mesmo em percentual pequeno (12,5% e 16,6% respectivamente), aparecem descritos pelos operadores como atrativos de cunho

cultural, e não natural.

12 Os vários depoimentos aqui encontrados foram retirados das gravações em áudio com os 15

62,50% 25% 16,60% 16,60% 16,60% 16,60% 12,50% 12,50% 12,50% 12,50% 8,30% 8,30% 8,30% 4,16% 4,16% 4,16% 4,16% 4,16% 4,16% 4,16% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%

Rio Antigo/Centro do RioPetrópolis Parati Fazendas do Ciclo do Café Santa Teresa CorcovadoCarnaval Cidade do Samba City Tour da arquitetura carioca Pão de Açúcar Fortificações no Rio e em NiteróiIlha Fiscal Visitas às favelas Lapa Casa do Pontal Floresta da TijucaMAM MAC Jardim Botânico Maracanã

GRÁFICO 8 - Tours considerados de cunho cultural pelas empresas estudadas Fonte: Elaboração própria

O centro da cidade do Rio de Janeiro foi apontado por uma parcela significativa - 62,5% - das empresas como um tour trabalhado por elas no segmento analisado. Para Mesentier (2008), o olhar sobre o centro do Rio vem se intensificando desde a década de 1970, a partir das ações realizadas pelo IPHAN, mais especificamente dos tombamentos de edifícios monumentais e jardins históricos da localidade. Nas décadas de 1980 e 1990 diversas outras ações voltadas à recuperação do patrimônio na região fomentaram atividades relacionadas à gastronomia e ao lazer cultural, fazendo com que localidades como a Lapa, por exemplo, começassem a ser novamente utilizadas como locais de festa na cidade do Rio de Janeiro e, conseqüentemente, valorizadas pelo setor privado (MESENTIER, 2008).

Nesse ponto, discordâncias sobre o que é o turismo cultural começam a aparecer mais claramente. Inicialmente, os integrantes do grupo focal apontam a dificuldade em se definir o termo cultura e afirmam que o conceito, em si, gera dúvidas. Na discussão realizada, tal frase merece destaque: “Afinal, atrativos como Maracanã, Pão de Açúcar, Corcovado, visitas às favelas, são considerados atrativos culturais?”. Esse foi um ponto de desacordo no grupo, já que não se chegou a um consenso quanto à indagação apresentada.

Para o grupo, o futebol está associado à construção das identidades culturais dos brasileiros, em especial, do carioca. Segundo o site da Secretaria de Turismo, Esporte a Lazer (SUDERJ), o estádio Jornalista Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, recebe visitantes diariamente, de domingo a domingo, das 9h às 17h, inclusive feriados. Nesse percurso a história do Maracanã é contada através dos anos, de 1950 até os dias atuais. Contudo, para Barreiros (2005), as empresas turísticas só vendem o futebol como esporte, já que, segundo Elaboração própria, os

tours do Maracanã na maioria das vezes só acontecem em dias de jogos, assim,

para Elaboração própria, não se deve considerar tal tour como de enfoque cultural. E o Pão de açúcar, o Corcovado e as favelas cariocas? Ora, não há como negar a importância histórica do morro do Pão de Açúcar, já que Estácio de Sá, em 1º de março de 1565, fundou a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro aos seus pés, e no dia 1º de março lançou os fundamentos da cidade, entre ele e o morro Cara de Cão. O mesmo ocorre com o morro do Corcovado, nele se encontra o monumento do Cristo Redentor, um dos ícones do turismo brasileiro, como abordado no capítulo 3 desta dissertação. Todavia, os tours do Pão de açúcar e Corcovado, em geral, não são trabalhados com o enfoque cultural, segundo um dos operadores: “o enfoque desses tours está na paisagem natural, na beleza do Rio. Claro que um guia (de turismo), tem que saber a história do local! Mas não é o foco principal. Eles (turistas) vão lá pra ver como a cidade é bonita, a junção de mar e montanha”.

Em relação aos tours em favelas, Ventura (1994) e Silva (1994 e 2002), citados por Barreiros (2005), afirmam que seria impossível pensar no Rio de Janeiro hoje sem favelas. Mas o que leva um turista a desejar visitar um lugar associado à pobreza e à violência como a favela carioca?

Freire-Medeiros (2007:62) sugere que estes destinos possuem a “capacidade de mobilizar emoções intensas e extremas, que vão além do contemplativo e se sustentam a partir dos pilares da autenticidade e da auto-realização”. Elaboração própria ainda apresenta que

(...) a favela comercializada como atração turística condensa as premissas dos dois tipos de tours de realidade: ao mesmo tempo em que permite engajamento altruísta e politicamente correto, motiva sentimentos de aventura e deslumbramento. É a experiência do autêntico e do exótico, do risco e do trágico em um único lugar.

Mas seria a favela um representante do turismo cultural carioca? Esta é uma discussão complexa. Alguns operadores acreditam que “favela não é cultura”, “levar turista para ver baile funk é um absurdo!” ou que visitar tais locais “mancham a imagem do Rio para o turista”. Outros já a percebem como parte integrante e importante da cultura carioca: “o Rio é rico em contrastes, depois de alguns filmes como ‘Cidade de Deus’, o estrangeiro quer conhecer este lado da cidade, pois já viu no filme”. Há ainda aqueles que apesar de comercializarem o tour relacionado às favelas, não aprovam a venda do produto: “vendo porque é o jeito, o turista quer conhecer, mas sou contra! O Rio não deve ser conhecido pela violência, ele tem muito mais a oferecer”. Talvez por ser parte da cultura popular, o funk, uma das principais manifestações que o povo produz e participa ativamente nas favelas cariocas, não seja tão valorizado, ou ainda, marginalizado pelo mercado turístico.

É importante lembrar, como apontado no capítulo 2, que é apenas a partir do Século XX que o conceito de cultura é ampliado, tal como o entendemos nos dias atuais, ou seja, como algo intrínseco à vida social, fruto da ação e da interação do homem sobre o ambiente e sobre a sociedade na qual está inserido. A partir desse período a cultura então

passa a ser compreendida como o campo no qual a sociedade inteira participa elaborando seus símbolos e seus signos, suas práticas e seus valores, definindo para si própria o possível e o impossível, a linha do tempo (passado, presente e futuro), as distinções no interior do espaço, os valores como o verdadeiro e o falso, o belo e o feio, o justo e o injusto, a noção de lei, e, portanto, do permitido e do proibido, a relação com o visível e o invisível, com o sagrado e com o profano; tudo isso passa a constituir a cultura no seu todo (CHAUÍ, 2008, s/p).

Chauí (2008) acredita que a divisão da sociedade em classes acaba por provocar a própria divisão da cultura, em cultura popular e de elite:

É a partir da sociedade de classes que se passa a elaborar a idéia de divisão

cultural no interior da sociedade. Essa divisão recebe nomes diversificados:

pode-se falar em cultura dominada e cultura dominante, em cultura opressora e cultura oprimida, como se pode falar em cultura de elite e cultura popular.

Para Chauí (2008:s/p) há um crivo no interior da própria cultura entre aquilo “que se convencionou chamar a cultura formal, que é a cultura letrada, e a cultura propriamente popular, que é aquela que corre nos veios da sociedade enquanto povo”. Assim, segundo Elaboração própria, ainda tende-se a valorizar a cultura das classes dominantes, marginalizando as manifestações de diversos grupos sociais

que compõem uma determinada sociedade, como percebido na fala de alguns operadores.

Também perguntou-se às empresas se elas distribuíam algum material promocional relacionado ao Turismo Cultural às agências e/ou operadoras no exterior. 41,7% das empresas responderam que sim. Todavia, ao se observar o material disponibilizado, algumas vezes ele estava relacionado estritamente ao atrativo carnaval.

58,30%

41,70%

Sim Não

GRÁFICO 9 – Empresas que investem em material promocional no segmento cultural Fonte: Elaboração própria

Barreiros (2005:149), ao analisar os “folhetos de turismo” distribuídos em hotéis da orla do Rio de Janeiro no ano de 2003, concluiu que a cidade do Rio de Janeiro, muitas vezes está simbolizada como a “cidade do carnaval”. Elaboração própria faz a ressalva que pelos folhetos, a imagem do carnaval vinculada ao que “acontece no Sambódromo” é a que vem sendo transmitida e vendida a todos como o principal produto de turismo cultural da cidade, reduzindo a importância do fenômeno.

Parece que resumem a complexidade cultural (...) do carnaval do Rio a um evento, que ocorre no Sambódromo e que tem a duração de apenas dois dias. Essa visão simplista do carnaval carioca, lentamente, ao invés de atrair mais turistas, está funcionando de forma contrária. (...)

Algumas empresas utilizam o material promocional distribuído pelo Rio

Convention Bureau, RIOTUR ou EMBRATUR para a divulgação de sua marca, não

produzindo material próprio. Um dos operadores destacou: “Brasil, agora, não é só ‘sol e praia’. O material produzido por alguns órgãos é excelente e divulga a diversidade do país”. Outras operadoras produzem seu próprio material de

divulgação. Apesar das belezas naturais brasileiras serem as mais destacadas, já se observa uma preocupação em se divulgar itens de ordem cultural, sejam materiais ou imateriais, além de fotos do povo brasileiro, sempre risonho e acolhedor.

A cultura brasileira é apreciada internacionalmente por sua diversidade e beleza. A forma de ser brasileira se exprime no mundo com sua originalidade, seja através da música, da culinária, do futebol, da literatura, do cinema, da arte popular, da dança, da capoeira. De fato, a cultura sempre representou a principal imagem do Brasil no exterior e consolidou, em cada esquina do seu interior, o sentimento de pertencimento a este país. A própria formação multicultural da sociedade brasileira e a sua “miscigenação” de crenças, ritos e tradições despertam o interesse do mundo em conhecer essa dinâmica de globalização cultural nesse vasto país (MAGALHÃES, 2003:84).

Em 2003, com a criação do Ministério de Turismo, a EMBRATUR assumiu um novo papel no contexto turístico, passando a tratar exclusivamente da promoção do Brasil no exterior. Cabe destacar que o segmento “cultura” aparece como um dos prioritários no marketing turístico brasileiro. Por isso indagou-se se, a partir desse período, as empresas observaram um aumento na procura pelo Turismo Cultural.

Um “Guia para profissionais de turismo”, distribuído em diferentes línguas (inglês, português e espanhol) pelo Ministério do Turismo durante os Jogos Pan- Americanos no Rio de Janeiro, em junho de 2007, traz um capítulo com destaque para a Cultura e os “principais atrativos” brasileiros, dentre eles, alguns fluminenses:

Réveillon, Carnaval, Parati, Conjunto arquitetônico e urbanístico da cidade do Rio de

Janeiro e Petrópolis. O texto de abertura, tendo como pano de fundo a catedral da cidade de Brasília, é o seguinte:

O Brasil nasceu da mistura de cores, temperos, sons e culturas dos vários cantos do mundo. De gente que chegou, gostou e que ficou, criando essa forma alegre, esse jeito de ser brasileiro. É um povo orgulhoso do seu país que abre um sorriso carinhoso e acolhedor e que sente um prazer enorme em mostrar a sua música, as suas festas, os seus conjuntos arquitetônicos - Patrimônios Culturais da Humanidade, além da sua saborosa gastronomia – diferente em cada região (GUIA PARA PROFISSIONAIS DE TURISMO, MTUR, 2007:36).

Foto: Guia para Profissionais do Turismo, MTUR, 2007.

FIGURA 12 – O segmento “cultura” no Brasil em material promocional do MTUR

O destaque que o segmento ganhou nos últimos anos já começa a ser percebido pelo mercado turístico. Os respondentes - 62,5% - apontaram uma maior procura por este tipo de turismo. Destacam-se alguns dos depoimentos dos operadores:

Aumentou a procura, mas nem sempre conseguimos atender, pois as pessoas do local são despreparadas, assim como alguns guias e fornecedores, a questão da segurança também implica muito. Como visitar o centro do Rio em um domingo?

Europeus procuram cultura, porque buscam culturas diferentes daquelas que vivenciam. Eles querem ter mais experiências com o dia a dia, com o local. Para o estrangeiro, cultura é isso.

Dos respondentes que não observaram o crescimento, 29,2%, extraíram-se os seguintes comentários:

Nós trabalhamos com Estados Unidos. O turista americano não se interessa muito por cultura. Não estou dizendo todos, mas a maioria não está aqui pra isso, não se interessa.

Sinceramente, infelizmente o Brasil ainda é procurado por causa de suas mulheres. Estamos tentando mudar isso.

Um dos participantes do grupo focal, Sérgio Ribeiro, destaca que:

Hoje, o ser humano deixa de ser um mero observador. Ele quer passar a ser protagonista, interagir. O turista vai pra Recife e conhece a culinária. Ele vai