2.6. Türkiye’de Kadın Girişimciliği
2.6.2. Kadın Girişimciliği Alanında Faaliyet Gösteren Kurum ve Kuruluşlar
Figura 3 - Imagem digitalizada - Descrevendo a rotina (Adriele)
Ao analisarmos com as crianças as representações que fizeram do seu cotidiano, comentamos que não mencionavam a presença da família em sua rotina.
E elas explicaram:
- “quando minha mãe chega do trabalho fico conversando com ela” - Susike
- “às vezes conversamos na hora da refeição” - Adriele - “converso mais com meu pai” - Antônio
- “e eu com meu padrasto” - Paulinha. Paulinha fala muito pouco e sua frase solta, assim no meio das de outras crianças chama nossa atenção. - Tatá disse: “eu sou mais próxima de minha cama” expressando, quem sabe, sua solidão, ou a falta de relação exclusiva com os pais, já que tem 12 irmãos.
A realização da atividade transcorreu naturalmente, mas percebemos a economia das crianças ao falarem sobre o seu dia–a-dia doméstico.
Encerramos esta atividade mais cedo do que esperávamos, pois as crianças realizaram a atividade com facilidade. Aproveitaram os trinta minutos restantes para brincar no
quintal. Utilizamos o tempo livre para ler com algumas crianças os documentos sobre os quais tinham dúvida.
4.3 Conjugando as vozes dos verbos ser e saber
Enquanto esperávamos a chegada de todos os participantes para uma nova reunião, mostramos às crianças um laptop infantil, (desenvolvido por um fabricante americano para ser vendido no mundo por U$100 a unidade) que estávamos conhecendo para sugerir uma proposta de uso. Elas pediram para ligar e experimentar. Ainda teríamos trinta minutos de espera e respondemos que não haveria problema, desde que cuidassem para não danificar o equipamento. Eles ligaram o laptop com facilidade e, movidos pela curiosidade, descobriram suas utilidades e a forma de operá-lo rapidamente. Já tínhamos apresentado este equipamento aos educadores da instituição, que sequer quiseram tocá-lo. Admirando a novidade de longe, os educadores haviam comentado sobre a apresentação e a praticidade laptop, prevendo o sucesso que faria entre as crianças e também os conflitos em torno do seu uso.
As treze crianças presentes começaram a conversa sobre o tipo de uso mais freqüente que faziam de computadores. A maioria delas disse que usava a internet no espaço comunitário da instituição. Acessos mencionados: Orkut, MSN, jogos, músicas, vídeos e pesquisa no Google. Sites mais freqüentados: Globinho, Esporte Espetacular, Globo.com, IGuinho, Fliperama, Yahoo, Vagalume, Youtube, Clickjogos, Jogos 10, Cleiduolnet, Arenatgob, SC Counter Strike, Bliger... Perguntamos se sabiam de crianças que usavam sites pornográficos e todos responderam que os amigos da escola usam nas lan houses e citaram exemplos: Playboy, Paparazzo, Brasileirinhas, Sexo na van, Camilinha, Humortadela... E teriam prosseguido se houvesse mais tempo! Também criticaram muito as lan houses, por não cumprirem a lei, permitindo a freqüência de crianças sem a presença dos pais. (Em cada esquina da comunidade existe uma e cobram em torno de R$ 0,89 por hora.) Conversamos sobre como as crianças estão vulneráveis nesses lugares e como precisam estar informadas para se protegerem dos riscos que eles oferecem. Explicamos que era por isto que estávamos recomendando com o selo da instituição a
cartilha “Uso Responsável da Internet”50 Distribuímos para as crianças para que lessem com seus pais; embora não tivessem computador em casa, era bom repartir conhecimentos.
Como estava perto do lançamento da cartilha perguntamos se não gostariam de tirar uma representação para participar do evento como uma atividade da oficina de ciência e tecnologia. Os participantes da oficina se candidataram e ficaram de resolver com o educador quais seriam os representantes. No dia do lançamento compareceram Adriele, Andressa, Cassiane, Danyelle, Dara, Fabiane e Francielly, além de outras duas crianças da oficina Ciência e Tecnologia que não estão no grupo de Participação Infantil. As crianças montaram um stand para apresentar a organização e a participação das crianças no seu cotidiano. Entrevistaram os participantes que compunham a mesa assim como se encarregaram da apresentação institucional.
50
uma iniciativa do Comitê de Democratização da Informática – CDI. www.cdi.org.br da GVT www.gvt.com.br.
Fotos 18, 19 e 20 - Lançamento da Cartilha do Uso responsável da Internet - Instituto Central do Povo
Este assunto teve como desdobramento o debate sobre o sistema de representação infantil da instituição. A cada ano as crianças, desde a turma de três anos, elegem seus representantes. Mas, antes, há uma prévia de indicações a partir de um perfil de comprometimento e participação das crianças candidatas. O debate indicou que essa pré-seleção não educa para a participação efetiva. Todas as crianças poderiam se candidatar e, se eleitas, teriam que prestar contas de suas responsabilidades. Decidida esta proposta por consenso entre as crianças, sugerimos que se reunissem com os demais educadores da instituição numa das reuniões
regulares semanais e apresentassem suas propostas. As crianças solicitaram espaço na pauta de reunião geral dos educadores e debateram com todos sobre a necessidade de mudanças no processo de escolha de representantes e também sobre uma maior participação delas na orientação dos trabalhos diários. Saíram da reunião com algumas conquistas. Conduziriam, com a colaboração dos adultos, o processo eleitoral, uma inversão da prática até então utilizada liderada pelos educadores, e também acordaram sobre sua participação como um processo contínuo, e construíram (em cooperação com os educadores) um diário de avaliação - um formulário onde, em todas as oficinas, todas as crianças fariam o registro por escrito de três aspectos da sua participação e da participação do educador: freqüência, auto-avaliação e avaliação da atividade. Deixamos claro que este seria um procedimento muito trabalhoso, que exigiria disciplina por parte de educadores e de crianças. Todos aceitaram o desafio de experimentar.
Fotos 21, 22 e 23: Eleição de representantes organizada pelas crianças.
4.4 Relação parental uma rede de afetos e obrigações
O dia da reunião com os pais foi um domingo frio e tememos pelo comparecimento. Mas os pais foram chegando aos poucos. (Ou, melhor, as mães. Pois são elas que comparecem a compromissos relacionados à educação dos filhos.) De um total de vinte e duas famílias, houve cinco faltas: uma das mães ligou dizendo que não tinha dinheiro para passagem; outra disse que o marido fora pescar e não tinha com quem deixar oito crianças; outra trabalharia naquele domingo. Duas responsáveis faltaram sem justificativa (suas crianças sofrem de negligência grave). Uma família
compareceu com os dois progenitores. Nem todas as crianças compareceram, uma vez que a maioria das famílias não tinha dinheiro para mais que uma passagem. Uma mãe, que chegou a pé, relatou que andou cerca de oito quilômetros para comparecer à reunião.
Começamos com um café, para descontrair e acolher o grupo. Havia um burburinho sobre a entrevista feita pelos filhos.