5. DÜNYA’NIN KIBRIS SORUNUNA BAKIŞI
5.1. TÜRKİYE VE KIBRIS
Considerando a categoria Acesso é possível dividir a discussão em dois componentes; o acesso físico que abrange questões relacionadas a horários e dias de funcionamento, localização da unidade e estrutura do refeitório, e o acesso econômico determinado pelo custo da refeição, critérios de elegibilidade dos usuários e por fim o próprio perfil do usuário que será tratado em uma categoria exclusiva (Usuários) em momento posterior neste trabalho.
4.2.1 - Acesso físico
As unidades do projeto Café do Trabalhador funcionam de segunda a sexta, de 6h às 8h da manhã. Em feriados federais, estaduais e municipais não há funcionamento das unidades. A alegação da SETHAS é que a demanda de usuários é fortemente influenciada pelo horário do comércio e seus dias de funcionamento. Com relação às questões vinculadas ao acesso viabilizadas pela estrutura física da unidade Natal-RN, os aspectos pretendidos no projeto estão descritos no quadro 10.
CARACTERISTICAS DA LOCALIZAÇÃO DA UNIDADE NATAL-RN SIM Concentra um significativo contingente de trabalhadores do comércio formal ou informal X É de fácil acesso à população referenciada X Dispõe de infra-estrutura de transporte coletivo com fluxo permanente no local X Dispõe de refeitório com local suficiente para atender a demanda estimada simultaneamente Não O local favorece um fluxo de acesso e saída sem aglomerações Não
Quadro 10. Atendimento das características da localização da unidade Natal-RN do Projeto Café do
Trabalhador segundo
Fonte: Elaboração dos autores, 2012.
Verificou-se que a unidade do estudo se localiza em uma área centralizada da cidade, próxima ao terminal rodoviário de Natal, onde existe intenso fluxo de linhas de transportes públicos. Em virtude de se situar próximo à Central de Abastecimento do Rio Grande do Norte S.A. (CEASA-RN) e a equipamentos sociais como escola e posto de saúde, a localização configura-se como estratégica, pois atinge uma parcela de trabalhadores atuantes nessa região. Contudo, apesar de existirem várias áreas de concentração de trabalhadores na cidade que podem se encontrar em situação de IA, existe apenas uma unidade do projeto em Natal-RN.
Quanto à divulgação do projeto, percebe-se que é realizada entre os próprios usuários e seus conhecidos, não havendo publicidade do projeto em qualquer localidade da cidade e não existindo uma política de ampliação de atendimentos.
Considerando que o refeitório não dispõe de local suficiente para atender a demanda estimada, optou-se por realizar um calculo por verificação do fato. O refeitório possui 42 assentos. Considerando o tempo de duas horas, no qual a distribuição de refeições acontece, foram estimados − através do Índice de Rotatividade do Refeitório proposto por Mezomo (2002) − apenas 17 minutos de refeição para cada pessoa, caso os 300 trabalhadores pretendidos para unidade realizem as refeições no mesmo dia. Verificou-se que em diversos horários da distribuição existe lotação do espaço. Nesses casos, a distribuição é interrompida até haver assentos disponíveis novamente.
Por isso, o espaço foi considerado insuficiente para atender a demanda, posto que não se pode desconsiderar que a qualidade dos alimentos se refere também à possibilidade de consumi-los de forma digna.
4.2.1 - Acesso econômico
Com relação aos aspectos econômicos de acesso às refeições do projeto, o custo da refeição para o trabalhador é de R$ 0,30 (cinqüenta centavos), sendo uma quantia simbólica para o desjejum pois de fato custa R$ 2,69 para o Estado. Na verdade, trata-se do único critério de elegibilidade dos usuários. Não existe cadastro prévio dos usuários; os quais são priorizados por ordem de chegada. A participação está condicionada à possibilidade de pagar pela ficha e não há limite para aquisição, por cada usuário, podendo ser comprada mais de uma.
Os critérios de elegibilidade dos usuários determinam quem são os beneficiários reais do projeto e os focaliza. Para Arruda e Arruda (2007) focalização refere-se à habilidade das intervenções em concentrar os serviços disponíveis na população de beneficiários potenciais, identificada claramente, com a finalidade de resolver um determinado problema, a fim de maximizar o impacto da ação.
Neste caso, o problema que fundamenta a existência desta ação consiste na presença de IA entre trabalhadores de baixa renda. O fato de não haver um cadastro prévio dos usuários − sendo priorizada a ordem de chegada para a participação do projeto e não a condição sócio-econômica do indivíduo – pode inviabilizar o acesso daqueles que realmente deveriam ser beneficiados pelo projeto. Em contrapartida a criação de um cadastro deve ter
mecanismos de flexibilidade para atender também novos usuários e demandas inesperadas tendo em vista que a IA pode a vir atingir muitos grupos sociais, por diferentes circunstâncias além da renda.
O estudo de Paes-Souza e Vaitsman (2005) indica que a utilização de cadastros em restaurantes populares ainda não é uma pratica. Dos 65 restaurantes populares estudados, em 40 unidades (61,5%) o acesso dos usuários é universal, isto é, não há restrições. Ao passo que, em 24 restaurantes (37%), o cadastro é condição para o acesso dos usuários à alimentação a baixo preço. Nas 40 unidades de acesso irrestrito, o público freqüentador predominante é composto por idosos, desempregados, população carente e/ou moradores de rua.
Com relação ao acesso pelos reais usuários, Pinheiro e Carvalho (2010) apoiados em Conh (2005) ressaltam que no conjunto de programas sociais voltados para os segmentos sociais mais carentes, os programas de alimentação e nutrição são exemplos paradigmáticos do padrão histórico de atuação do Estado no combate à pobreza do país: seletividade e ineficiência, a superposição de clientelas, a expansão de cobertura as custas da quantidade e qualidade dos alimentos distribuídos, a inadequação dos produtos formulados aos hábitos alimentares da população, o elevado índice de evasão da clientela pretendida e dificuldade de captação de novos beneficiários.
Ressalta-se que além dos aspectos físicos, os aspectos considerados econômicos de acesso são essenciais para focalização das políticas, que neste caso é controversa uma vez que as ações de SAN são ditas universais e deveriam ser concebidas para atendimentos de todos.